domingo, 22 de agosto de 2021
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terça-feira, 27 de julho de 2021
PIB E MISÉRIA: SOBRE A ESSÊNCIA DO CAPITALISMO
Em Mato Grosso, o número de cabeças de gado é dez vezes o de seres humanos (30 milhões de bois contra 3 milhões de pessoas). Unido à produção de soja e milho, a região é irrigada com dinheiro vutuoso, o qual ajuda a erguer prédios, aras, comprar pickups e patrocinar shows e mais shows sertanejos no vetor norte do estado.
No entanto, há filas de pessoas para receber doações de ossos...
Este é um exemplo eloquente da contradição intrínseca do capitalismo, entre a geração titânica de riqueza de um lado e a miséria escrachante do outro.
Já no século 19, Marx apontava que, quanto maior a produção de riquezas pelo capitalismo, maior é a miséria do trabalhador.
Tal lição foi esquecida pela esquerda, não apenas brasileira. Em seu lugar, entrou a crença mítica de que o crescimento econômico e a geração de empregos são a rota para a prosperidade social. Não são.
O capitalismo é essencialmente um sistema de espoliação e transferência de riqueza.
Ele funciona como se fosse uma convecção amputada, indo apenas de baixo para cima: transfere riqueza da base para o o topo, de modo que o topo fica cada vez mais inchado e a base cada vez mais raquítica.
Mas ficou no senso comum a ideia do crescimento econômico enquanto fim para a superação da pobreza e das mazelas nacionais. A ponto de FHC e Lula celebrarem o projeto econômico da ditadura e transformarem um desacreditado Delfim Netto em um gênio da economia.
E agora que a crise brasileira se acentua, com miseráveis tomando conta das ruas do país e a fome a instalar-se no dia a dia, a mídia glorifica o crescimento do PIB, esquecendo-se que ninguém se alimenta, se veste ou mora num PIB. (por David Emanuel Coelho)
domingo, 20 de junho de 2021
FAMÍLIAS POBRES FORAM ÀS RUAS SÁBADO POR NÃO CONSEGUIREM SOBREVIVER COM AUXÍLIO EMERGENCIAL TÃO IRRISÓRIO
O governo usa como escudo o teto de gastos, mas o Congresso Nacional estava pronto para costurar uma saída que permitisse um auxílio digno. Jair é que não quis. Preferiu distribuir trator para a base aliada que impede que seu impeachment seja apreciado.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
O ADEUS ÀS ILUSÕES E ALGUMAS LIÇÕES HISTÓRICAS
| Marx e família com Engels |
"Não tenha dúvidas de que a esquerda se enquadrou, nesses 170 anos, aos limites da luta de classes que significou apenas um embate entre os donos dos meios de produção (os capitalistas, privados ou estatais) e os trabalhadores em busca do dinheiro, sem questioná-lo enquanto tal. Dessa forma, a busca da hegemonia política pelos trabalhadores resultou na criação do estado pretensamente proletário, que faria a extração de mais-valia em nome dos próprios trabalhadores (criaram um ladrão em defesa da vítima do roubo).
Tal postura deriva do desconhecimento (ou da desonestidade, o que é sempre pior) do caráter autotélico da forma-valor e de todos os seus construtos, que não permite a justa distribuição do dinheiro.
| Cidadão Kane, o emblemático magnata desumanizado. |
O dinheiro é como um dragão que, quanto mais se alimenta e maior fica, mais precisa de alimentos. Os trabalhadores sempre se ferraram na vã esperança de se tornarem senhores do valor que produzem. Nunca lhes ensinaram que precisavam superar o valor, o trabalho abstrato e a sua própria condição de trabalhadores, ao invés de incensá-la.
O capital e o trabalho são faces de uma mesma moeda; espécies de um mesmo gênero (a forma-valor); e um não existe sem o outro. Portanto, ser anticapitalista e, ao mesmo tempo, defender o trabalho abstrato produtor de valor, que acumula capital, corresponde a uma contradição no próprio objeto teleológico.
Assim, não precisamos de um governo diferente, mas de uma sociedade sem poder governamental; não existe economia solidária, vez que a lógica econômica é antes de tudo anti-solidária (precisamos de produção solidária); não precisamos de moedas próprias, mas de uma forma de distribuição dos bens produzidos, que, nem de longe, lembre a ideia de valor monetário; nem precisamos de escambo, que é a troca quantificada e mensurada pelo padrão valor, mas precisamos de trocas não quantificadas havidas em razão das necessidades de cada um e da capacidade de cada um produzir bens e serviços que não sejam mercadorias".
| O aprofundamento da miséria, por si só, não promove a emancipação dos povos. |
O que é capaz de promover a emancipação diante das dificuldades crescentes é a consciência sobre as causas promotoras dessas mesmas dificuldades e que possibilitem, conscientemente, a tomada de posições emancipatórias. E é neste sentido que podemos buscar em Marx, tantas vezes considerado morto e sepultado, os ensinamentos tão úteis a tal conscientização, e sobre os seus ombros darmos a salto qualitativo que a vida social está a nos exigir.
| Por Dalton Rosado |













