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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A BARBÁRIE INSTALA-SE DE VEZ NO BRASIL/1

Quando analisávamos o Índice de Desenvolvimento Humano mundo afora, já percebíamos quão pobre é a maioria dos seres humanos que habitam nosso Planeta, apesar de todo o desenvolvimento obtido nos vários campos das ciências.
 
Ultimamente tais índices desabaram, seja por conta da crise capitalista sistêmica; pelo seu agravamento em decorrência da paralisia decorrente do confinamento compulsório da propagação e morte pelo coronavírus; ou pela questão climática advinda do comprovado aquecimento global que está gerando sérios impasses na produção de alimentos e energia. 

Neste contexto social mundial, o Brasil tem se destacado de modo negativo:
— somos campeões em contaminação e mortes pelo cornavírus; 
— temos o real, a moeda que, dentre todas, mais se desvalorizou em relação ao dólar desde o final da 2ª Guerra Mundial;
— estamos com graves problemas energéticos em decorrência de secas, de vez que o Brasil tem na energia hidráulica a sua fonte mais expressiva; 
— tivemos em setembro a mais alta inflação num único mês desde o início do Plano Real;
— aumenta a falência dos pequenos negócios; 
— os desempregados já estão na casa dos 14 milhões, os quais, somados aos que não constam mais das estatísticas por terem desistido de buscar vagas, podem totalizar até 30 milhões pessoas na rua da amargura;
— a fome grassa nas periferias das cidades brasileiras e as pessoas desesperadas sobrevivem catando lixo nos bairros elegantes, comprando pés de galinha para fazer canja e ossos nos frigorífico, isto num país que tem mais gado do que gente;
— 27 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza; 
— aumentam assustadoramente os índices de criminalidade e os bandidos, em sua maioria advindos do segmento oprimido da sociedade, passam a ser opressores sociais via tráfico de drogas, milícias que vendem proteção e todo tipo de subproduto criminoso da debacle social.

A barbárie que temíamos e cujos sintomas víamos aqui e ali, agora instalou-se de vez. 

De quem é a culpa? Do Boçalnaro, o ignaro? Sim, em grande parte é dele. 

De suas escolhas de prioridades obtusas e do modelo contraditório de nacionalismo político e liberalismo econômico que introduziu no seu governo, cujos ministros medíocres e lunáticos se dividem entre:
— os que chegaram ao cúmulo de fazer apologia de remédios ineficazes em detrimento das vacinas; 
— os que queriam destruir a Amazônia para a boiada passar à vontade; 
— uma ministra terrivelmente evangélica que ainda quer ver, como décadas e décadas atrás, os meninos trajando azul e as meninas com vestidos cor-de-rosa; e
— um ministro da Economia que dizia querer mais Brasil e menos Brasília, mas mostra que, de bom grado, trocaria ambos por um paraíso fiscal bem longe daqui.

Sim, o que já era estruturalmente ruim ficou pior sob a presidência de um espertalhão que teve a desfaçatez de se passar por representante dos militares, mesmo tendo sido expelido da caserna como indisciplinado contumaz. Ele é a contradição e a mentira em pessoa.

É claro que, de alguém com 30 anos de atuação legislativa, sem haver apresentado nenhum projeto com substancia social significativa, tendo subido à tribuna sempre por motivos menores (exaltar o regime de exceção e seus algozes, afirmando que deveria ter assassinado 30 mil subversivos; defender interesses específicos dos subalternos das Forças Armadas e dos policiais civis e militares, sua base eleitoral; condecorar milicianos, etc.) não poderíamos esperar mais do que estamos recebendo.

Mas, há uma culpa estrutural do capitalismo, menos incidental do que aquela a que acima nos referimos, e que não vai passar mesmo que ocorra o desejado impeachment, nem pela substituição do energúmeno em 2022. 

É óbvio que tudo ficará menos ruim quando o bode for finalmente retirado da sala. Mas, ainda será insuficiente para quem, como nós, chegamos ao fundo do poço. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
O eclético Dalton desta vez declama suas verdades

domingo, 22 de agosto de 2021

VOCÊ QUER SABER POR QUE HÁ MUITO MAIS CHANCES DE O BOZO SER EXPELIDO QUE DO SEU AUTOGOLPE TER ÊXITO? LEIA AQUI – 1

fernando canzian
CUSTO BOLSONARO COBRA FATURA COM
 DOLAR, INFLAÇÃO, JUROS E MISÉRIA EM ALTA 
O
Brasil vem sofrendo queda abrupta no ingresso de investimentos estrangeiros produtivos, e até empresas brasileiras evitam trazer ao país dólares obtidos em exportações, que cresceram muito nos últimos meses.

A nova tendência engrossa o que vem sendo chamado de custo Bolsonaro. Ele não se reflete apenas no dólar bem mais caro do que os fundamentos econômicos justificariam, mas em mais inflação e juros, com impactos deletérios sobre a dívida pública.

Essa combinação, numa espécie de círculo vicioso, colocou em xeque a recuperação pós-pandemia em 2021 e 2022 e vem aumentando o total de miseráveis no país.

custo Bolsonaro é identificado como a transmissão para a economia da instabilidade política alimentada diariamente pelo presidente Jair Bolsonaro, com declarações golpistas, confronto com outros Poderes e questionamentos sobre o processo eleitoral.

Com menos crescimento e com dólar, inflação e miséria em alta, a expectativa é que Bolsonaro crie subterfúgios para gastar mais para tentar se reeleger. Hoje, o presidente está longe de ser o favorito no pleito de 2022.

A proposta de adiar o pagamento de dívidas judiciais (precatórios) para turbinar o Bolsa Família (rebatizado Auxílio Brasil) é o ponto mais visível desse contexto, em que se buscam alternativas para furar o chamado teto de gastos, que corrige a despesa pública pela inflação e é o principal instrumento de controle da elevada dívida pública brasileira.

Mas especialistas também veem o governo perdido, sem articulação política ou propostas coerentes de reformas, como no caso da tributária, e agora refém do chamado centrão, com seus políticos pressionando por mais verbas para o período eleitoral.

O resultado tem sido a deterioração de indicadores financeiros (índice Bovespa, dólar, inflação e juros futuros) e, mais recentemente, a paralisação dos planos de investidores estrangeiros e locais de ampliar a produção e o emprego no Brasil.

No acumulado em 12 meses, os investimentos líquidos de estrangeiros dirigidos ao setor produtivo no país caíram de quase US$ 70 bilhões, há um ano, para cerca de US$ 24 bilhões.

Mesmo empresas exportadoras nacionais, que multiplicaram recentemente suas receitas com o dólar em alta e um novo ciclo de valorização de commodities agrícolas e metálicas, têm preferido manter seus dólares longe do Brasil diante da instabilidade atual.

Os dois movimentos ajudam a pressionar ainda mais o valor da moeda estadunidense. Na comparação com outros países bastante endividados (com relação dívida bruta/PIB acima de 65%), é no Brasil onde o dólar mais sobe.

Grande parte dessa alta é transmitida diretamente para a inflação, via produtos importados ou commodities cotadas em dólar, como petróleo e gás, proteína animal e trigo.

Mesmo assim, segundo cálculos do economista Livio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, os fundamentos econômicos do Brasil, sobretudo por causa das contas externas equilibradas, não justificam o dólar na faixa de R$ 5,30/R$ 5,40.
Pelas suas contas, sem
o gol contra da bagunça institucional atual, a moeda estadunidense poderia valer ao redor de R$ 4,20 
quase 30% menos.

“Mas, dadas a estrutura de risco e a incerteza no Brasil, os exportadores agora mantêm a maior quantidade possível de dólares no exterior”, diz Ribeiro. Isso passou a ser permitido desde a virada da década passada.

“Em outros ciclos positivos de exportação como o atual, a entrada de dólares valorizava o real. Mas perdemos esse canal estabilizador.”

As reservas cambiais do Brasil explicitam a tendência: mesmo com um saldo positivo de US$ 44,1 bilhões na balança comercial (exportações menos importações) até julho, as reservas em dólar do país não aumentaram neste ano, permanecendo estacionadas ao redor de US$ 355 bilhões.

O chamado custo Bolsonaro, agora turbinado pela expectativa de descontrole no gasto público, também leva investidores a buscar proteção no dólar, alimentando um ciclo vicioso.

Nele, o dólar alto pressiona a inflação, sobretudo pelo canal das commodities, o que obriga o Banco Central a subir os juros para controlar os preços. Como o juro mais alto corrige a dívida pública, ela cresce. Para atrair investidores dispostos a financiá-la, o BC pode se ver obrigado a subir ainda mais os juros, tornando a dívida ainda maior.

“O comportamento errático de Bolsonaro vem produzindo estragos de ponta a ponta, expondo um governo que se revelou muito despreparado no geral”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Segundo ele, não só os investidores estrangeiros estão evitando o Brasil.

“Sem estabilidade política e macroeconômica, projetos na agroindústria e no óleo e gás também sofrem.”

O próprio Ministério da Infraestrutura admitiu há alguns dias que o cenário político conturbado deve afetar concessões importantes previstas para até 2022, como a Ferrogrão (ferrovia que ligará Sinop, em Mato Grosso, ao porto de Miritituba, no Pará), aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) e a Via Dutra (BR-116, no trecho que liga São Paulo ao Rio de Janeiro).

Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro Ibre/FGV, o quadro de deterioração agravou-se com a adoção, por um Bolsonaro em baixa nas pesquisas eleitorais, de uma narrativa para que se possa gastar mais visando maior apoio popular.

Desde o segundo semestre de 2020, auge do pagamento do auxílio emergencial na pandemia, o total de pessoas na extrema pobreza no Brasil (renda mensal abaixo de R$ 261) disparou, passando de 5% da população (10,5 milhões) para 13% (27,4 milhões), segundo dados do FGV Social.

”Nos últimos 12 meses, a inflação dos pobres foi de 10%, quase três pontos percentuais maior que a da alta renda, resultado do aumento dos alimentos e do gás de cozinha, entre outros”, diz Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

“Enquanto a renda média do trabalho caiu 11% entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021, a queda na metade mais pobre foi de 21%.”
Assim, não só a pobreza extrema aumentou. Quase 32 milhões de pessoas deixaram a classe C (renda domiciliar de R$ 1.926 a R$ 8.303) desde agosto de 2020. A classe E (até R$ 1.205) foi a que mais inchou, com 24,4 milhões de pessoas. Já a D (R$ 1.205 a R$ 1.926) ganhou 8,9 milhões.

Nesse percurso, a taxa de reprovação de Bolsonaro saltou de 32% para 51% entre o fim de 2020 e julho deste ano, segundo o Datafolha. Num eventual segundo turno contra Lula (PT) em 2022, Bolsonaro seria derrotado por 31% a 58%.

“Mas tentar comprar a sociedade com estímulos acaba não dando certo e não se sustenta”, diz Silvia Matos. “Como o mercado se antecipa a esse movimento, com pressões sobre dólar, inflação e juros, o país acaba perdendo tempo e a oportunidade de consolidar a retomada do pós-pandemia.”

Grande parte das previsões de crescimento, do valor do dólar e do comportamento da inflação vem se deteriorando. O banco Fator, p. ex., já trabalha com o dólar a R$ 5,80 em 2022 e crescimento do PIB ao redor de 1%.

“É uma grande frustração para quem esperava alguma coisa com pé e cabeça do governo Bolsonaro e sua equipe”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Fator.

Gonçalves lembra que os próximos meses devem ser marcados por uma reversão nos estímulos monetários pelos Estados Unidos, tornando cada vez mais provável o aumento dos juros estadunidenses para conter pressões inflacionárias.

Quando isso ocorre, países muito endividados e desarranjados sofrem com a fuga de investidores para mercados mais seguros, derrubando preços de ações, de ativos como imóveis e desvalorizando a moeda local. O resultado é uma sociedade mais pobre e mais inflacionada.

“No caso brasileiro, teremos um problema adicional de inflação. A energia elétrica vai subir, o petróleo não deve cair e haverá uma crescente inflação nos serviços [que representam 2/3 do PIB] com a volta de alguma normalidade a partir de agora”, afirma Gonçalves.

Para Silvio Campos Neto, economista-sênior da consultoria Tendências, muitos agentes econômicos aceitariam, sem solavancos, um aumento de cerca de 50% nos benefícios hoje pagos pelo Bolsa Família, que poderiam chegar a R$ 300, em média.

“Haveria algum espaço no teto de gastos para isso. O problema é que parece não existir no governo um consenso mínimo do que fazer com a economia”, diz.

Em sua opinião, o fato de o Brasil estar com as contas externas equilibradas justificaria um dólar abaixo de R$ 4,50. Somando-se a isso, a ociosidade no mercado de trabalho (com 14,8 milhões de desempregados) e nas empresas suportaria uma eventual recuperação mais robusta sem grandes pressões inflacionárias.

“Seria toda uma outra história se tivéssemos outro tipo de liderança e postura. Isso cai na conta do presidente, símbolo desse desarranjo e principal causador de ruídos”, afirma o economista. (matéria de capa da edição dominical da Folha de S. Paulo, escrita por Fernando Canzian)

domingo, 20 de junho de 2021

FAMÍLIAS POBRES FORAM ÀS RUAS SÁBADO POR NÃO CONSEGUIREM SOBREVIVER COM AUXÍLIO EMERGENCIAL TÃO IRRISÓRIO

leonardo sakamoto
FOME, FILHA DE BOLSONARO, TAMBÉM ESTAVA
NOS PROTESTOS POR SEU IMPEACHMENT
P
ostagens que circulam em grupos bolsonaristas tentam fazer crer que os protestos contra Jair Bolsonaro, ocorridos em todo o país neste sábado (19), reuniram militantes de partidos políticos para eleger Lula. Apontam como prova o uso de bandeiras e camisas vermelhas. Argumentos pró-Terra plana são mais elaborados do que isso. 

Para além de estudantes, professores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, sindicatos, partidos políticos e uma massa de cidadãos comuns cansados da sabotagem do governo federal contra a vacina e a favor do coronavírus, as manifestações também trouxeram novamente brasileiros que não estão conseguindo sobreviver com a mixaria paga pelo governo como auxílio emergencial. 

Ou seja, a fome, que não tem cor, também estava lá representada. A incapacidade de enxerga-la só reforça que ela parece invisível aos planos do presidente e de seu rebanho. 

Conversei com mulheres que chefiam famílias em ocupações nas zonas Leste e Sul após os dois atos na avenida Paulista. Apesar de algumas terem, finalmente, conseguido sacar o benefício após um longo trâmite, elas continuam relatando o óbvio: que o valor pago não é suficiente para alimentar seus filhos, dependendo de doações. 

O auxílio emergencial está sendo pago em parcelas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375. O piso compra menos de 25% da cesta básica em Florianópolis, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, segundo o Dieese

Na primeira onda da pandemia, o governo propôs um auxílio de apenas R$ 200, mas o Congresso Nacional forçou o aumento do valor, que passou a ser de R$ 600/R$ 1.200 por domicílio. No segundo semestre, o benefício foi reduzido para R$ 300/R$ 600 por família.
PRESIDENTE CONTINUA RECORDISTA EM ARREMESSO DE RESPONSABILIDADE À DISTÂNCIA – Bolsonaro culpa prefeitos e governadores pela fome, afirmando que ela é fruto das medidas de isolamento social. Terceirizando responsabilidades que são suas, como sempre faz, joga uma cortina de fumaça sobre as reais causas da falta de alimentos nas casas dos brasileiros pobres. 

O Brasil é um dos recordistas em duração de quarentena porque, enquanto governadores e prefeitos tentavam conter o aumento do contágio fechando atividades econômicas, o presidente da República atuava para boicotar as medidas. Se houvesse ajudado, ao invés de atrapalhar, os fechamentos seriam bem mais curtos, como em outros países, e teriam afetado menos o emprego e a economia. 

Mas Bolsonaro acreditou nas palavras de seu gabinete das sombras, de que a pandemia iria durar pouco e a saída era forçar a contaminação em busca de uma imunidade coletiva. Uma mentira que ignora as mutações do vírus. 

Da mesma forma, se tivesse comprado vacinas no ano passado, aceitando as dezenas de milhões de doses ofertadas pela Pfizer e pelo Instituto Butantan, estaríamos tão adiantados que discutiríamos agora a reabertura geral. 
Com isso, chegamos a 500 mil mortos e 14,8 milhões de desempregados. Sem falar de 19,1 milhões de famintos em um universo de 116,8 milhões que não tiveram acesso pleno e permanente à comida. 

A pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional que chegou a esses números foi realizada em dezembro do ano passado, quando o auxílio emergencial estava sendo pago em parcelas de R$ 300 ou R$ 600. 

Há seis meses, a fome chegava a 9% da população, a maior taxa desde 2004. A situação hoje está bem pior, ainda mais porque Bolsonaro suspendeu por 96 dias o pagamento do benefício no começo de 2021. 

Tudo o que o presidente faz na pandemia é pensando em outubro do ano que vem. Foi assim, p. ex., na briga com o governador João Doria, que fez atrasar a aquisição da CoronaVac. Ainda hoje, aliás, ele sabota esse imunizante por questões eleitorais – na semana que passou, disse que ele não tem eficácia nem comprovação científica. 

Não se importa se suas mentiras matarem, contanto que se reeleja. 

A mesma lógica é adotada ao discutir um aumento no Bolsa Família, que deve ir de R$ 190, em média, para algo em torno de R$ 280. O efeito disso é para 2022, ano de eleições. Mas as pessoas estão passando fome neste momento, vivendo da caridade de outras pessoas. 

O governo usa como escudo o teto de gastos, mas o Congresso Nacional estava pronto para costurar uma saída que permitisse um auxílio digno. Jair é que não quis. Preferiu distribuir trator para a base aliada que impede que seu impeachment seja apreciado. 

Agora, redes bolsonaristas tentam apagar o fato de famílias pobres terem engrossado o caldo dos protestos, pois isso é uma pedra no sapato do argumento presidencial. 

Após serem tratados como invisíveis na política pública, agora são invisibilizados até na hora de reclamar. (por Leonardo Sakamoto)
"Meus filhos de perna bamba, pelo amor de Deus. / Inda tem minha Maria,
pelo Zebedeu, / que traz mais um na barriga, pelo amor de Deus, / com os
que tem no pensamento, pelo zebedeu. / Até se perdeu a conta, pelo amor
de Deus. / Vá sentar minha filhinha, pelo zebedeu. / Joguem um pouco de
dinheiro, pelo amor de Deus, / aumentou mais a farinha, pelo zebedeu"

segunda-feira, 3 de maio de 2021

NÃO ME ENGANA QUE EU NÃO GOSTO: AS MORTES POR COVID JÁ ULTRAPASSAM MEIO MILHÃO E OS DESEMPREGADOS, 20 MILHÕES

N
ão são apenas as estatísticas da pandemia que mentem no Brasil. As do desemprego, também.

Quanto às de contaminações e óbitos da covid, os epidemiologistas não têm dúvidas de que o número real seja cerca de 40% maior do que o oficial, pois o Consórcio de Imprensa só consegue impedir o Governo Genocida de alterar as totalizações. Mas, se os dados já vêm viciados dos estados e municípios, não há como desmascarar o logro. 

Então, podemos dar de barato que a contagem de cadáveres já ultrapassou há várias semanas a casa dos 500 mil. Só que, como maquilagem nenhuma resolve um problema de feiura extrema, não há qualquer chance de, mesmo nas contas fajutas, o meio milhão deixar de ser atingido entre maio e junho. Triste Brasil...

Quanto aos nossos patrícios que estão na rua da amargura, os 14,4 milhões oficiais não esgotam a questão, porque são apenas aqueles que continuam procurando ativamente uma vaga.

Há, além deles, 5,9 milhões que já se curvaram à evidência dos fatos e não perdem mais tempo correndo atrás dos empregos que para eles deixaram de existir, seja porque estejam cansados de recusas, seja porque em suas regiões não vislumbram chances de recolocação. 

Então, para termos um quadro mais preciso da desgraça e da miséria brasileiras, devemos acrescentar, aos 14,4 milhões de desempregados reconhecidos pelo IBGE, os 5,9 milhões de desalentados da Pnad Contínua, cuja série histórica vem sendo apurada desde 2012 e cujo contingente chegou ao ápice neste terrível ano de 2021.   

Resumo da ópera: há 20,3 milhões de brasileiros aptos a trabalhar mas impedidos de o fazer  nos moldes capitalistas, como assalariados.  É este o verdadeiro total de desempregados hoje em nosso país.

Mas não contem para o Paulo Guedes, ou ele estudará formas de maximizar o cancelamento de CPFs de brasileiros, antes que essa realidade dilacerante gere uma explosão social capaz de cancelar o capitalismo no Brasil. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

POR QUE AUMENTA TANTO A DEPRESSÃO SOCIAL E VAMOS REGREDINDO A PASSOS LARGOS PARA A BARBÁRIE? – 1

Vivemos num tempo de depressões: psicológicas e econômicas. 

A depressão psicológica (excluídos os fatores patogênicos congênitos ou adquiridos) pode decorrer de uma sensação de impotência diante do próprio provimento da sustentação dos seres aptos à produção, mas impossibilitados de sua execução por fatores que excedem a sua vontade, ou por medo da morte. 

Quero aqui, mesmo sem ser profissional da psicanálise, denominar a depressão própria aos seres humanos aptos à produção social como sendo depressão socio-coletiva, de vez que lhes é imposta exteriormente e derivada de um modo de ser social que priva as pessoas de uma interação salutar com seus semelhantes e com a natureza, no sentido do provimento de suas necessidades de consumo.

Trata-se dos efeitos da esquizofrenia causada pela obediência cega ao comando social fetichista da forma-mercadoria em seu limite de expansão ora atingido, no qual uma abstração conduz e destrói a realidade.

O ser humano sequer compreende a causa do seu infortúnio e carrega como sua uma culpa que lhe é estranha, daí haver uma depressão coletiva, social.  

Paradoxalmente, no exato momento em que o saber adquirido pela humanidade atinge o nível de conhecimento capaz de oferecer ao ser humano um nível de produtividade e comodidade jamais visto no seu itinerário sobre a Terra, ocorre uma paralisia das relações sociais que o impede de produzir. 

Os 12 milhões de brasileiros desempregados de antes da crise sanitária agora somam 14 milhões, e é fácil imaginar o que sente uma família cujos adultos estão desempregados e vê faltar aquilo de que seus membros necessitam, pois somente podem sobreviver a partir da capacidade financeira de pagar:
— o consumo de água e de energia elétrica;
— alimentos;
— aluguel, se não tiver casa própria (a maioria dos trabalhadores desempregados não tem);
— vestuário;
— educação de qualidade e material didático para seus filhos;
— transporte; 
— atendimento médico e remédios;
— todos os equipamentos que a propaganda lhe diz para comprar e que representam, na chamada modernidade, conforto e comodidade; e
— lazer, que ninguém é de ferro.

Mais do que depressão, a resultante inevitável dessa incapacidade de provimento do próprio sustento representa desespero. 
Temos o mais alto nível de criminalidade da nossa história, e não me venham os insensíveis justificar que é falta de policiamento eficaz. As cadeias que mais parecem masmorras medievais estão abarrotadas de pobres, predominantemente negros, e o Estado já não tem como lhes garantir o sustento na prisão, que é bastante caro mesmo sem respeitarem-se os padrões mínimos da dignidade humana.

Não podemos, contudo, simplesmente passar pano na criminalidade praticada por pessoas que antes não tinham uma mente criminosa, mas derivaram para o crime. Tais desesperados deveriam usar toda a sua revolta na luta contra o mal que os oprime: a sociedade da forma sujeito-abstrata das relações mercantis. Não o fazendo por inconsciência social, tornam-se nocivas aos demais seres humanos e têm de ser impedidas, por mais que compreendamos o processo que minou sua consciência moral.
O crime não é solução contra o crime social oficialmente consentido da extração de mais-valia que acumula o capital nas mãos de uns pouco, e que agora está se autodestruindo por conta de suas próprias contradições internas fundamentais.

Mas, podemos compreender claramente que o alto nível de criminalidade que temos deriva de um sentimento de injustiça social recôndito e incompreendido na sua essência mais profunda, bem como de necessidades várias. 

Tal caldo de cultura é igualmente nefasto para os litigantes da sobrevivência social (os ricos com seus privilégios desmedidos e os pobres na concorrência fratricida pelo emprego inexistente): ambos são gestados no ventre da serpente capitalista depressiva, o que os torna tão cruéis quanto os mais cruéis tiranos da antiguidade. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

JUAN ARIAS BATE FIRME NO BOZO: "CONHECE COMO POUCOS OS SUBSOLOS E AS CLOACAS DOS PODERES MAFIOSOS"

juan arias
"O BRASIL ESTÁ QUEBRADO E EU NÃO POSSO FAZER NADA":
A SIBILINA E AMEAÇADORA AFIRMAÇÃO DE BOLSONARO
Ao voltar de suas férias de pesca, Jair Bolsonaro fez uma das mais graves afirmações desde que chegou à presidência. Dirigindo-se aos seus seguidores mais fiéis, confessou que o Brasil está quebrado e que ele não pode fazer nada. E ainda acrescentou, desafiador: Vão ter que me aguentar até 2022

E o pior é que os seus e o mercado continuam a apoiá-lo. A maior vítima será a grande massa de desempregados e pobres, sobre os quais, como sempre, cairá a crise.

Não creio que haja um único chefe de Estado no mundo que seja capaz de confessar que o seu país está quebrado e que não pode fazer nada sem renunciar no dia seguinte. A arrogância de Bolsonaro já é proverbial. Seus erros e sua incapacidade de administrar são, na verdade, o que não o deixa governar. 
No entanto, há algo mais grave e sibilino em sua afirmação quando diz que o país está quebrado e que não o deixam fazer o que quer.

Com isso está dando a entender que é impossível governar com as atuais instituições democráticas. Seria a difícil, mas indispensável, pluralidade de instituições que o arrastaria à tentação de querer viver sem elas.

E é esse equilíbrio de diálogo nem sempre fácil entre as diferentes instituições com seus freios e contrapesos, mas que são a base indispensável dos regimes democráticos, o que Bolsonaro não pode suportar.

É claro que o sonho não confessado de Bolsonaro é poder ter o Congresso e a Justiça amarrados a seus pés à moda de Vladimir Putin e Nicolás Maduro.

De fato, desde que chegou ao poder vem flertando com um golpe contra o Congresso e o STF. Para ele, todo o jogo democrático é um estorvo.

E o mais grave é que os poderes fáticos não se mexem para retirá-lo do cargo, quando não o bajulam para arrancar cargos e privilégios. Daí que o capitão reformado do Exército se sinta forte e se permita todo tipo de provocações sem que haja uma oposição capaz de parar seus coices contra os valores democráticos e civilizatórios.

A arrogância de dizer que ninguém o tirará do poder é típica dos caudilhos populistas e prepotentes. 

Diante das declarações de Bolsonaro de que este país está à deriva e que não pode fazer nada, seria necessário perguntar o que os militares continuam fazendo, ao apoiarem o aprendiz de ditador. O Exército sempre apareceu nas pesquisas junto com a Igreja como uma das instituições mais valorizadas pela opinião pública.

A Igreja já está perdendo o crédito por ter se jogado nos braços do novo mito e caudilho. E os militares que permanecem no Governo podem acabar sujando toda a instituição.

O que esperam então os militares para abandonar o Governo quando o presidente se declara impotente para governar? A menos que se trate de não perder os privilégios do cargo, o que seria mesquinho em uma instituição da envergadura e da importância do Exército.

E o poder econômico está vendo que o Bolsonaro é incapaz até mesmo de entender o que é a força da economia e sua importância para o bem-estar do país. E seu famoso Posto Ipiranga, o ministro da Economia, hoje é apenas uma marionete nas mãos do mito. Como são, no final, até os generais que estão no Governo.

Às vezes, ver como Bolsonaro trata os generais ministros faz pensar que o capitão reformado do Exército por suas aventuras com o terrorismo hoje está se vingando ao tratar os militares de seu Governo como simples coroinhas.
Sem dúvida, as graves declarações de Bolsonaro de que o Brasil é um país quebrado não animarão os empresários estrangeiros a investir aqui, prejudicando ainda mais a já frágil economia que cria cada vez mais desempregados, abandonados à própria sorte enquanto a inflação galopante atinge ainda mais a massa de pobres que é a maioria do país.

Todos nós entramos em 2021 com a esperança de que fosse um ano melhor.

As declarações de Bolsonaro e seu boicote contínuo à vacina enquanto cresce a nova onda de covid-19 estão começando a balançar nossas esperanças.

Fica a incógnita de se as outras instituições do Estado estão cientes de que a presença de Bolsonaro é um dos maiores perigos para a democracia desde a ditadura. Há poucos dias, o presidente alertou seus seguidores que não aceitaria o resultado das eleições se fossem usadas urnas eletrônicas novamente. Nesse caso, disse-lhes pode esquecer a eleição, dando a entender que se perdesse não aceitaria o resultado.

Já houve analistas políticos que levantaram a hipótese de que a nova paixão de Bolsonaro pela corporação policial e os contínuos mimos que lhes está fazendo é para tê-los ao seu lado se perder as eleições e tentar dar um golpe autoritário. 

Ele sabe hoje que, para isso, dificilmente poderia contar com a cúpula do Exército, do qual se espera que não terá apoio explícito na campanha eleitoral.

É mais fácil esse apoio vir da polícia e das milícias que sempre lhe foram favoráveis e com a qual ele, seus filhos e toda sua família sempre tiveram relações misteriosas que ainda não foram decifradas.

Bolsonaro é claramente um despreparado culturalmente e incapaz de governar com as regras democráticas, mas conhece como poucos os subsolos e as cloacas dos poderes mafiosos. 

O Brasil é muito importante aqui e no xadrez mundial para continuar sendo governado por um presidente que não deixa um só dia de brincar com seus sonhos de ditador.

Todo o resto, até que o país esteja quebrado, lhe importa menos. E o pior é que não tem pudor em confessar. (por Juan Arias, na edição brasileira do jornal global El Pais) 

sábado, 5 de dezembro de 2020

O ESTADO É UM ENTE INSTITUCIONAL EMINENTEMENTE OPRESSOR, FUNDADO NUMA RELAÇÃO SOCIAL ESCRAVISTA – 3

(continuação deste post)
3
. 
inflação em alta e salário minimíssimo
 – Como resultante da emissão de moeda sem lastro e aumento da dívida pública para cobrir o necessário auxilio emergencial, veio o aumento da inflação, atingindo em cheio a população de baixa renda.

É o que sempre acontece nos processos inflacionários: muitos ricos ficam ainda mais ricos graças a ela e aos mecanismos que lhe são inerentes e imanentes. Desta vez, para piorar o péssimo, tal aumento se deu principalmente nos preços dos alimentos, maior faixa de gastos dos pobres. 

Aumento de consumo sem produção causa inflação, diz a rima da lei capitalista da oferta e da procura. Mais uma vez é os coitadezas, que se deslumbram com genocidas apenas por receberem míseros R$ 600 ou R$ 300 mensais; são os que mais sofrem com a inflação e ainda beijam a mão do seu pseudo-benfeitor, na verdade carrasco... 

O aumento do salário-mínimo anunciado pelo (des)governo, mesmo diante do crescimento da inflação, foi de apenas 4,02%, indo de R$ 1.045,00 para R$ 1.087,84; segundo o Dieese, deveria ser de R$ 5 mil mensais. 
É o próprio presidente (?) quem, num involuntário sincericídio, atesta a submissão dos governantes à ditadura das regras impostas pelo capitalismo, ao assim justificar a
impossibilidade de elevar o mínimo de forma mais equilibrada:  
"[O aumento do mínimo] reflete diretamente nos [ganhos de] aposentados e pensionistas. Reflete no pessoal do BPC [Benefício de Prestação Continuada]. Não sei o montante, mas são dezenas de bilhões de reais que se gasta com isso".
Tal afirmação confirma aquilo que venho dizendo em tantos artigos: o governante não governa soberanamente, mas é governado pelo poder econômico ao qual serve. 

Qualquer um, da direita ou da esquerda, governará com maior ou menor sensibilidade para o drama social e, obviamente, com reflexos mais ou menos intensos na vida da população, mas estará sempre preso à forma vertical cobradora de impostos e indutora do crescimento econômico segregacionista. 

O Estado é um ente institucional eminentemente opressor, fundado numa relação social escravista: eis a sua definição conceitual. 

Tal ocorre com os governantes e políticos em geral não apenas por jurarem respeito à Constituição (o conhecido ajoelhou, tem de rezar), ordenamento legal capitalista definidor da exploração imanente aos seus regramentos, mas, principalmente, pela ditadura da lógica econômica capitalista que enquadra a tudo e a todos. 

Precisamos nos libertar do Estado, e não reafirmá-lo ou tentarmos transformá-lo por dentro (algo impossível de se fazer).    
4. aumento do número de desempregados – segundo o IBGE acaba de divulgar, o número de desempregados com carteira assinada subiu para 14,6 milhões de trabalhadores aptos neste terceiro trimestre de 2020.

Isto sem levar em conta aqueles desempregados crônicos, que estão fora do mercado de trabalho há algum tempo e já desistiram de arrumar novo emprego – os trabalhadores informais. Acrescentado este outro contingente, chegaríamos a mais de 30 milhões de desempregados. 

Uma tragédia humana que transforma em pedintes desesperados cidadãos(ãs) brasileiros(as) pais de famílias em sobreviventes precarizados do capitalismo, muitos deles vivendo abaixo de que se chama
linha de pobreza e em condições subumanas de vida social. 

Aí vem o ministro Paulo Guedes, o mercador de ilusões, a nos dizer pela televisão que os meses de outubro e novembro trouxeram uma melhora do nível de empregabilidade (o que é verdade), mas omitindo que durante tais meses tradicionalmente há uma elevação na oferta de empregos em razão da produção industrial e agrícola visando às vendas do Natal. A carruagem torna a ser abóbora em dezembro (mês de vendas, sem produção) e a taxa de desocupação da mão-de-obra volta a seu patamar real. 

As projeções para o ano vindouro também não são animadoras, apesar do anúncio de produção das vacinas que deverão salvar milhões de vidas no Planeta (se os terraplanistas empoderados deixarem...)..

Mas mesmo que se consiga a volta para a normalidade das relações de circulação, os ensinamentos advindos do uso da computação e comunicação eletrônica como ferramentas de trabalho residencial (o work home, como vem sendo chamado) representará uma nova etapa das relações outrora existentes de fluxo de circulação de pessoas, e isto deverá representar uma redução irreversível nas relações de produção e consumo, ainda maiores do que as que estão em curso pelas questões estruturais já explicadas. 

O mundo clama por soluções estruturais transformadoras de um sistema colapsado, e tal condição exige de nós posturas que estejam à altura da dimensão deste momento histórico. 
(por Dalton Rosado) 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

NOSSA CAPACIDADE CEREBRAL RACIONAL AINDA ESTÁ LONGE DE HAVER ATINGIDO O ÁPICE DO SEU POTENCIAL – 2

(continuação deste artigo)
E
ntendemos por ócio produtivo a possibilidade de, a partir de um produzir social coletivo e tecnológico, podermos dispor, cada um de nós, de mais tempo para o convívio social e para o desenvolvimento do intelecto humano.

Nossa luta é contra a permanente disputa e hostilidade inter-racial e entre os seres humanos estratificados em classes sociais.

Travamos uma anti-luta pela paz, para que o ser humano possa desenvolver as suas potencialidades, ao invés de ficar preso a um processo de inclusão escravista e de exclusão indutora ao crime. 

O ócio produtivo somente pode ser exercido numa sociedade que produza os bens necessários à cômoda subsistência material, tendo esta, por sua vez, como premissa o esforço coletivo conjugado e equitativo.

Não me resta a menor dúvida de que, com tempo e condições materiais disponíveis, a evolução do ser humano caminhará para um estágio de qualificação que surpreenderá a todos, pois essa nossa caixinha cerebral racional ainda está longe de haver atingido o ápice do seu potencial. 

Mas, voltando à vaca fria, como o ministro Paulo Guedes ousa sustentar que o Brasil estaria eliminando o desemprego como jamais aconteceu (ele chegou ao cúmulo de afirmar que teríamos recuperado mais de 100 mil empregos!), quando todos sabemos que mais de 30 milhões de brasileiros já estão na desesperadora condição de mão-de-obra ociosa?

Como pode Guedes dizer, supostamente a sério, que estamos surpreendendo o mundo com nossa recuperação (afirma que antes a previsão mundial era de queda do PIB em 10% ao ano e que agora é  de 5% ao ano!), quando o real foi a moeda que mais se desvalorizou perante o dólar dos Estados Unidos, entre todas as moedas mundiais? 

Será que ele considera que a recuperação de um estágio catastrófico para outro um tiquinho menos catastrófico, mas ainda assim desastroso, pode ser considerada saudável???

Mas, como a intenção do artigo é darmos tratamento ameno às realidades desagradáveis, finalizemos dedicando ao  Guedes uma antiga música do Erasmo Carlos que parece ter sido composta especialmente para os pinoquios da política brasileira e os mercadores de ilusões em geral:
Zico tá no Vasco, com Pelé
Minas importou do rio, a maré
Beijei o beijoqueiro na televisão
Acabou-se a inflação
Barato é o marido da barata
Amazônia preza a sua mata
Tá tá tá

Pega na mentira
Pega na mentira
Corta o rabo dela
Pisa em cima
Bate nela
Pega na mentira

Já gravei um disco voador
Disse a Castro Alves seu valor
Em Copacabana não tem argentino
Sou mais moço que um menino
Vi Papai Noel numa favela
O Brasil não gosta de novela
Pega na mentira
Pega na mentira
Corta o rabo dela
Pisa em cima
Bate nela
Pega na mentira

Sônia Braga é feia, não é boa
Já não morre peixe, na lagoa
Passa todo mundo no vestibular
O amor vai se acabar
Carnaval agora é um dia só
Sem censura e guaraná em pó
Pó pó pó

Pega na mentira
Pega na mentira
Corta o rabo dela
Pisa em cima
Bate nela
Pega na mentira
(um artigo de Dalton Rosado)

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