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sexta-feira, 10 de maio de 2019

O GIGANTE ADORMECIDO ESTÁ ACORDANDO: QUARTA-FEIRA SERÁ O "DIA NACIONAL DE LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO"

ricardo kotscho
MAIS ARMAS, MENOS EDUCAÇÃO
O gigante adormecido está acordando, após o corte de 30% nas verbas da Educação, em meio à corrida armamentista desencadeada por Bolsonaro.

Desde a manhã de 2ª feira, quando centenas de estudantes cariocas protestaram contra o presidente em frente ao Colégio Militar (vide foto acima), onde ele participava de uma cerimônia, manifestações de professores e alunos se alastram pelo país.

Embora desta vez os meios de comunicação escondam os protestos, ao contrário do que aconteceu em 2013, alunos, estudantes e funcionários já saíram às ruas em São Paulo, Curitiba, Salvador, Niterói e em Passos, no sul de Minas.

“A gente vai lutar com todas as nossas forças pelo direito de estudar numa instituição de ensino de qualidade e manter nosso campus aberto”, diz Giovana Assis, aluna do Instituto Federal de Passos, onde o MEC cortou R$ 16 milhões, o que corresponde a 40% da verba deste ano.
O Sindicato Nacional dos Servidores da Educação Básica, Profissional e Tecnológica  convocou para o próximo dia 15, 4ª feira, o Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação, que também já está mobilizando as entidades estudantis de todo o país.

Segundo o Sinasafe, este dia servirá como esquenta para a greve geral do dia 14 de junho convocada pelas centrais sindicais.

Com a oposição partidária e parlamentar ainda na tela de repouso, limitada a alguns deputados como Ivan Valente, Alessandro Molon e Paulo Teixeira e outra meia dúzia de quixotes, mais uma vez são os estudantes e professores que saem à frente na defesa dos seus direitos e da democracia.

Na mesmo dia dos protestos no Rio, milhares de manifestantes foram às ruas em Salvador contra o corte de R$ 3,7 milhões na Universidade Federal da Bahia.

Na quarta-feira, estudantes e professores promoveram a Marcha da Ciência contra os cortes de verbas da Educação, na avenida Paulista, em São Paulo, ao mesmo tempo em que o movimento Lutar e Educar, ligado à Universidade Federal do Paraná, protestou em Curitiba, assim como aconteceu na Universidade Federal Fluminense, em Niterói.
Bolsonaro abriu várias frentes de batalha ao mesmo tempo. Talvez sem se dar conta, além de confrontar o alto pijamato dos generais para defender o guru Olavo de Carvalho, o presidente jogou o povo das universidades contra o governo, com a entrada em cena de Abraham Weintraub, o alucinado novo ministro da Educação que resolveu declarar guerra ao marxismo cultural.

Ao decretar o liberou geral de armas e munições, o capitão reformado arrumou confusão também com a bancada evangélica, uma das bases de sustentação do seu governo, que já se declarou contrária às medidas.

Aonde ele quer chegar?

Eleito por 57 milhões de brasileiros num colégio eleitoral de 147 milhões (ou seja, 89 milhões não votaram nele), o presidente se dirige cada vez mais aos chamados bolsonaristas de raiz das redes sociais, liderados por seus filhos, e esquece de governar o país.

Em pouco mais de quatro meses de mandato, corre de um lado para outro para apagar incêndios, provocados por ele mesmo, sem conseguir apresentar um programa de governo.

A crise muda de patamar quando sai dos gabinetes e da internet para as ruas, como já começa a acontecer.

Com o desemprego crescente, a economia paralisada e sem perspectivas de melhorar, uma base parlamentar fragmentada comandada por amadores e o PIB em queda, a unica iniciativa do governo até agora foi cortar verbas, fechar conselhos e destruir programas sociais.

Diante deste cenário tenebroso, a sociedade civil está começando a se reorganizar e dar sinais de vida como aconteceu em 1984, já no fim da ditadura militar. A diferença é que agora o governo está só começando.

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)

terça-feira, 10 de julho de 2018

RESPONSÁVEIS PELO PANDEMÔNIO JUDICIAL DE DOMINGO ABREM O JOGO: QUERIAM DESGASTAR A JUSTIÇA.

Por Celso Lungaretti
Como já escrevi noutra ocasião, a partir da prisão do ex-presidente o clima dentro do PT é de sem Lula, o dilúvio. Petistas importantes demonstram, em suas palavras e atos, ter decidido que vale tudo para que Lula, a despeito de sua atual condição de ficha suja, possa participar da eleição presidencial de 2018.  Mesmo que seja causarem um pandemônio judicial como o do último domingo (8).

Orgulhosos do que fizeram, nem sequer tentam disfarçar. Assim, os autores da tramoia revelaram detalhadamente às repórteres Marina Dias e Cátia Seabra, da Folha de S. Paulo, como agiram e qual era seu objetivo.

Não lhes parece ter passado em nenhum instante pela cabeça que, depois de a paralisação selvagem dos caminhoneiros ter evidenciado claramente que os adeptos de uma nova ditadura militar apostam no esfarelamento dos Poderes para tentarem dar seu sonhado putsch, o confronto de togados é mais um passo rumo à instalação do caos.
Lula livre, evidentemente, tem muito mais importância para eles do que Brasil livre... de ditaduras! Os 36 anos em que nosso país esteve submetido ao totalitarismo de direita no século passado parecem passar longe de suas preocupações. 

Mas, se o circo pegar fogo como consequência desta e de outras iniciativas irresponsáveis, muita gente valorosa queimará junto com esses aprendizes de feiticeiros!

Eis a notícia da Folha:
Os que brincam com fogo: Wadih Damous, Paulo Pimenta...
.
"Os autores do pedido de libertação do ex-presidente Lula já previam uma derrota, mas articularam uma ação minuciosa para desgastar a Justiça e tentar converter em ganho político qualquer decisão contra o petista.

Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) elaboraram estratégia para que o pedido de habeas corpus fosse analisado necessariamente pelo desembargador Rogério Favreto, crítico a Sergio Moro no Tribunal Regional Federal da 4a Região e o plantonista da corte entre os dias 4 e 18 de julho.

O cálculo dos petistas foi premeditado: no início da semana passada, um amigo avisou Pimenta de que a escala de plantões havia sido publicada no site do TRF-4 e que Favreto, amigo de longa data do deputado, seria o responsável pelo tribunal no segundo fim de semana deste mês.
...e Paulo Teixeira.

Pimenta então procurou Damous, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio, e disse que era preciso elaborar uma medida que pudesse cair nas mãos do magistrado. Na 4ª feira (4), decidiu-se pelo habeas corpus em reunião na sala da liderança do PT na Câmara.

...A previsão dos deputados era a de que a decisão de Favreto, favorável a Lula, seria cassada em poucas horas, mas que o episódio ilustraria a tese de que o Judiciário age para prejudicar o ex-presidente".

sábado, 25 de março de 2017

O 6º CONGRESSO DO PT: EM BUSCA DA OUSADIA PERDIDA.

Cartaz do PT em 1980. Onde foi parar esta ousadia? O gato comeu?
Eis o que dizia o Partido dos Trabalhadores no seu manifesto de fundação, datado de 10 de fevereiro de 1980:
"Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PT pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores, tanto no plano econômico quanto no plano social. O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores. O PT manifesta sua solidariedade à luta de todas as massas oprimidas do mundo"
O texto atual é bem mais cauteloso
Eis o 13º e último dos pontos para mudar o PT alinhavados pelo vice-presidente do partido, deputado estadual Paulo Teixeira (SP), como propostas para serem discutidas no próximo congresso nacional petista, marcado para o início de junho:
"Retomar o caminho republicano inspirado nos valores do socialismo democrático, fundados na igualdade, no controle público democrático do Estado e no pluralismo! A renovação programática do PT não pode temer a palavra socialismo, que deve andar junto com a palavra democracia. A atualização do programa do PT que ocorrerá no 6º Congresso precisa compreender que é tempo de enfrentar o fascismo com força, mas sem repetir os erros de conciliação que nos trouxeram até aqui. (...) O capitalismo deu errado: oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população. Os índices de desigualdade social no mundo são parecidos com os do início do século XX, que gerou duas Guerras Mundiais e milhões de mortos. O PT precisa combater esse sistema desigual e através do socialismo e da democracia encontrar novos marcos programáticos para o futuro do país e do mundo".
Resumo da opereta:
  • o PT praticou vergonhosamente a política de conciliação de classes durante os 13 anos e 4 meses durante os quais a burguesia lhe concedeu permissão para gerenciar o capitalismo brasileiro; 
  • agora que os poderosos dispensaram sua colaboração com um pontapé nos fundilhos, deverá discutir uma retomada das bandeiras anticapitalistas, o que seria seu primeiro passo na direção certa em muitos e muitos anos.
Alguém ainda ousa dizer isto numa reunião do PT?
Espero, contudo, que o faça com verdadeira disposição de luta, expressa num discurso muito mais afirmativo do que esse que vocês leem acima. 

O redator estava visivelmente pisando em ovos, como que pedindo desculpas pela mudança de rumo proposta e fazendo questão de escrever democracia cada vez que escrevia socialismo, qual uma atenuante obrigatória. [Antigamente tínhamos total clareza quanto ao fato de que a democracia de uma sociedade de classes jamais será uma verdadeira democracia e não hesitávamos em proclamar esta verdade em alto e bom som, utilizando sempre a expressão democracia burguesa...]

Isto para não falar na patética menção ao caminho republicano, que faria o PT continuar patinando sem sair do lugar até o final dos tempos. Salta aos olhos e clama aos céus que o caminho a ser retomado é o revolucionário

Ou seja, o parágrafo de 2017 é muito pior que o de 37 anos atrás, embora melhor do que a prática recente do PT. Mas, se quiser recuperar a credibilidade, o partido terá de curar-se dessa paúra crônica de dizer algo que possa assustar os pequenos e grandes burgueses.

Ficou meio hilária, p. ex., a recomendação aos companheiros, de que deixem de temer a palavra socialismo, como se fosse a única palavra deletada do dicionário petista. E revolução? E marxismo? E anarquismo? E comunismo? E a expressão marxista exploração do homem pelo homem? E a frase lapidar de Prodhon, a propriedade é o roubo?

Torço para que os companheiros petistas  se deem conta de que o tempo das tergiversações, das papas na língua e dos panos quentes acabou. Ou reencontram a ousadia perdida ou serão varridos do mapa pelos novos ousados. É simples assim.
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