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sexta-feira, 11 de julho de 2014

DILMA VAI PEGAR O TOURO PELOS CHIFRES OU É CONVERSA PRA BOI DORMIR?

O diagnóstico do zagueiro campeão do mundo Paulo André (acesse aqui) é impecável: "Os que dirigem o futebol nacional (...) evitaram e evitarão ao máximo falar sobre as propostas para o futuro pois não entendem bulhufas do que deve ser feito. Entendem de política, de se manter no poder, de explorar o futebol, de mamar nas tetas da vaca".

Desde o mineirazo, muitos textos foram divulgados e muitas declarações  ouvidas sobre as mazelas do futebol brasileiro: 
  • corrupção exacerbada e crassa incompetência da cartolagem; 
  • descaso com as categorias de base;
  • a preferência dada, nas peneiras dos clubes e escolinhas de futebol, aos jovens parrudos, desincentivando os franzinos talentosos (o genial Mané da perna torta, carregou nosso escrete nas costas em 1962, não teria vez hoje em dia);
  • idem aos famigerados volantes de contenção, deixando-nos praticamente sem meiocampistas capazes de conduzir a bola com qualidade da defesa para o ataque (ao invés disto, opta-se cada vez mais pela ligação direta, ou seja, os chutões varzeanos para a frente, na esperança de que algum atacante os alcance) e aptos a desempenharem o papel de cérebros de suas equipes;
  • boicote velado aos atletas de personalidade forte e capacidade de liderança, como o próprio Paulo André:
  • perpetuação de técnicos ultrapassados como o Felipão, incapazes de darem organização tática e variações de jogadas a seus comandados, tão maus como professores (pois ensinam a encarar o futebol como guerra) quanto como alunos (pois passam a vida inteira repetindo as lições de outrora ao invés de atualizarem seus conhecimentos, reciclando-se permanentemente); etc.
Marin e Rebelo: cadê o hexa que estava aqui?
O ministro dos Esportes Aldo Rebelo fala em intervenção estatal no futebol, a presidenta Dilma Rousseff quer renovação e fim da prática vergonhosa de exportarmos nossos futebolistas promissores tão logo despontam.

Estão certos, mas o xis do problema é: até onde o governo está disposto a ir para eliminar o principal obstáculo a todas as medidas modernizantes e moralizadoras?

Não há dúvidas de que conseguiremos reunir facilmente esportistas íntegros e lúcidos para formatarem um plano de desenvolvimento nacional do futebol, como propõe o Paulo André. Mas, isto de nada adiantará enquanto os Marins e Del Neros continuarem dando as cartas e optando sempre pelo atraso (o primeiro descartou desdenhosamente a possibilidade de termos Pep Guardiola à frente de nossa seleção, preferindo retirar Scolari do ostracismo a que estava relegado desde sua passagem catastrófica pelo Palmeiras), desmoralizando os certames com maracutaias explícitas como a que alijou a Portuguesa da série A do Brasileirão, gerindo recursos como raposas que tomassem conta de galinheiros. 

Agora, lemos o absurdo de que Tite, o brasileiro preferido em todas as pesquisas sobre melhor técnico para o escrete, estaria sendo vetado por parte dos cartolas por pertencer à escola gaúcha(?), a exemplo de Dunga e Felipão!!! Como se o fato de haver nascido no mesmo Estado igualasse este brasileiro cordial, competente, estudioso e bom esportista, a dois toscos apóstolos do vencer na bola ou no grito...

Então, a primeira providência, sem a qual todas as outras acabarão sendo esvaziadas, é resgatar nosso futebol da corja nauseabunda do qual está refém: os dirigentes que só "entendem de política, de se manter no poder, de explorar o futebol, de mamar nas tetas da vaca".

Infelizmente, não se trata de ervas daninhas que brotaram apenas nos gramados esportivos, mas são parte de um todo. Têm ligações com a política, com os grandes negócios, com as comunicações. Se extirpadas haverá muitas consequências, inclusive eleitorais.

A dúvida é: Dilma terá coragem de mexer neste vespeiro, em plena campanha para a reeleição? Ou vai ficar só nos paliativos, platitudes e cortinas de fumaça?

O que nos remete a outra pergunta: o PT está disposto a voltar às origens, ou continuará compactuando oportunisticamente com a podridão que prometeu combater?

Lembre-se, Dilma: desde meados do ano passado o Brasil está mudando. O repúdio aos Marins e Del Neros, bem como a todos os seus congêneres do mundo da política, é cada vez mais generalizado.

Outsiders tipo homem da vassoura e caçador de marajás ganham eleições quando há um profundo desencanto com as forças políticas dominantes. Já aconteceu antes, pode acontecer de novo. Pense nisto, presidenta. 

DEMOCRATIZEM A CBF E SALVEM O FUTEBOL BRASILEIRO!!!

"...este filme é uma cópia fidedigna do que aconteceu na derrota do Santos para o Barcelona, em 2011.

Aquele jogo deixou a mesma péssima impressão, de homens jogando contra meninos; causou os mesmos óbvios questionamentos (...) e promoveu uma tentativa de caça às bruxas, mudança de mentalidade e evolução tática que em nada resultou.

O buraco é muito mais embaixo.

Os que dirigem o futebol nacional não deram as caras, se esconderam em ambas oportunidades. Como de costume, evitaram e evitarão ao máximo falar sobre as propostas para o futuro pois não entendem bulhufas do que deve ser feito. Entendem de política, de se manter no poder, de explorar o futebol, de mamar nas tetas da vaca.
"péssima impressão de homens jogando contra meninos"

E como disse o senhor José Maria Marin na primeira reunião do Bom Senso na CBF: "Posso afirmar que não temos nada a aprender com ninguém de fora, principalmente no futebol. Sempre tivemos os melhores do mundo no Brasil. Já vencemos cinco vezes a Copa".

Ninguém tem necessidade daquilo que desconhece. Coitado, ele e seus pares achavam que tudo ia muito bem e que o talento bruto resolveria a questão. 

Pior, nem fazem ideia de que a Seleção Brasileira é o menor, apenas a ponta do iceberg (incrível dizer isso depois de tomar de sete!) dos problemas do nosso futebol.

...Se a procura por um legado era apenas para justificar o excesso dos gastos públicos, agora passou a ser o último lampejo de dignidade. Então proponho uma solução ao caos, DEMOCRATIZEM A CBF e salvem o futebol brasileiro!

Campeões, bicampeões, tricampeões, tetracampeões, pentacampeões, vocês que construíram o futebol brasileiro dentro de campo, estão convocados.
Qual o tamanho? Sete polegadas, Marin...  

...Zico, Tostão, Leonardo, Raí, Cafu, Juninho Pernambucano, Kaká, Ricardo Gomes, Roque Junior, Edmilson, Juninho Paulista, Vagner Mancini, Tite, Paulo Autuori e tantos outros, venham, passou da hora de discutirmos um plano de desenvolvimento nacional do futebol, de criarmos regras e licenças para capacitar os novos treinadores, de formarmos melhor as nossas jovens promessas, de desenvolvermos ou resgatarmos o estilo de jogo brasileiro, de protegermos as boas práticas de gestão, de punirmos os infratores, de trazermos as famílias de volta aos estádios de futebol, etc…

Se a CBF não promove esse debate, montemos a nossa Seleção fora dos gramados para desbancar a paralisia da entidade e desatar os nós das amarras políticas que impedem o desenvolvimento, a transparência e a democracia do nosso futebol.

...Queremos sua experiência, sua paixão pelo esporte, sua alma vencedora e incansável para concretizar mudanças significativas a longo prazo. Acadêmicos, cientistas, estudiosos também são bem vindos, o conhecimento de vocês é fundamental na construção de um novo rumo.

À imprensa e ao torcedor, digo: não esperem milagres, não acreditem em soluções mágicas como uma simples troca de comissão técnica ou o aparecimento de um novo Neymar. 

Se o planejamento e o trabalho forem executados por pessoas competentes, apaixonadas e com conhecimento técnico em cada uma das diversas dimensões do futebol, ainda assim, levaremos pelo menos 10 anos para chegar lá. Uma caminhada de mil milhas começa com um simples primeiro passo."

(trechos da nota lançada por um legítimo campeão mundial, o 
zagueiro Paulo André. ex-Corinthians, a voz mais lúcida 
dentre os futebolistas brasileiros em atividade. A 
íntegra pode ser acessada clicando aqui)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

BOM SENSO FC 10 x filhote da ditadura 0


Faz muito tempo que eu não vejo um massacre intelectual tão acachapante como a carta que o Bom Senso Futebol Clube enviou ao filhote da ditadura José Maria Marin.

Só não teve mais graça porque foi como bater em bêbado. Trata-se de um presidente da CBF que se recusa ao diálogo simplesmente porque não tem o que dizer, nem como justificar sua desastrosa gestão. Um zero à esquerda, enfim.

A pergunta que não quer calar é: até quando o ministro do Esporte continuará em cima do muro, assistindo à deterioração das relações entre os que fazem o futebol e aquele que o parasita, bem na véspera da Copa do Mundo que sediaremos.

Acorda, Aldo! Se o Marin está no lugar errado, na hora errada, é porque você deixou. Com o imenso poder de fogo do governo face à cartolagem medíocre, venal e eternamente pendurada nas tetas da viúva, bastaria uma ATITUDE (em português claro: um murro na mesa) de sua parte para o Brasil não estar correndo o risco de disputar uma Copa do Mundo tendo como dirigente máximo do seu futebol um lambe-botas de torturadores.   


Acorda, Lula! O Mundial que você tanto quis trazer para o nosso país poderá terminar num terrível fiasco se não houver uma intervenção saneadora e AGORA. Explica isso pra Dilma, que de futebol não entende bulhufas. Se o Mandela também ficasse vendo a banda passar, a África do Sul não venceria o Mundial de Rúgbi, nem o país teria se unido em função do esporte.

Delenda est Marin. Vou continuar repetindo isto enquanto ainda houver tempo para evitar o vexame anunciado. Deu certo para o Catão, pode dar certo de novo. 

Mas, por favor, entendam como Marin tem de ser DESTITUÍDO. Sendo um brasileiro cordial, não chego ao extremo de pregar a DESTRUIÇÃO... de quem quis a destruição do Vladimir Herzog e vibrou com a destruição do Carlos Marighella. 

Abaixo reproduzo o brilhante manifesto que, certamente, foi o Paulo André quem redigiu, confirmando a minha expectativa de que, fora do gramado, ele viria a ser um novo Sócrates. Já é.

Caro Presidente,

Talvez o senhor não saiba, mas não somos apenas um grupo de jogadores. Somos mais de 1000 (mil), reunidos em apenas três meses, em prol de um futebol melhor para todos.

Um grupo democrático, onde todos os envolvidos têm poder de votar, opinar e participar. Sabemos que o senhor não está acostumado com essa tal democracia e até entendemos que seja difícil se adaptar, faz pouco tempo…

O senhor tem razão quando diz que existe um calendário permanente desde 2003. E um calendário ruim desde então. Porque antes disso ele era péssimo.

Mas o senhor conseguiu resolver todos os problemas do calendário do dia para a noite. Foi só limitar o número de jogos dos jogadores e não dos clubes e pronto, eis que melhoraremos a qualidade no espetáculo. Ou seja, a saída escolhida é o mesmo que encontrar um burro dentro de sua sala e pedir para trocarem o sofá, pois algo lhe parece estranho.

Não nos diga que o senhor tem orgulho do calendário de apenas quatro meses de competição para a maioria dos clubes do Brasil. Talvez o senhor dê pulos de alegria quando vê a formula de disputa do Campeonato Paulista de 2014, que pode fazer com que um time seja campeão e rebaixado ao mesmo torneio.

Desconfiamos até que o êxtase o atinja quando o senhor percebe a extraordinária estratégia de um time precisar ser desclassificado de uma competição nacional (Copa do Brasil) para se classificar para um torneio internacional (Copa Sul-Americana).

Em nome da honra, este dia tem de chegar antes do Mundial!
Quanta genialidade! Responda-nos uma coisa: É justo que os times percam seus melhores jogadores quando há partidas das seleções simplesmente porque o campeonato daqui não para nas datas FIFA?

Responder não parece ser seu forte, não é mesmo?

Inclusive, esse “grupo de meia dúzia de jogadores” deve ser muito chato mesmo para exigir explicações tão “complicadas”.

De qualquer forma, e apesar de tudo, foi importante o senhor ter falado das Séries C e D e ressaltar a boa ação da CBF com essas duas competições. Mas veja, caro presidente, a fonte de receita da CBF é a Seleção Brasileira, fruto final do futebol jogado no país. Logo, usar parte desses recursos para subsidiar as competições para as quais a confederação não consegue receita não é caridade, é uma simples obrigação. Afinal, assim como os direitos sobre a NOSSA Seleção são da CBF, os deveres sobre o futebol brasileiro também devem ser.

Só para lembrá-lo, é graças à grandeza do futebol brasileiro, construída por clubes e jogadores nos últimos 100 anos, que a CBF possui hoje, 14 legítimos patrocinadores. Logo, não basta cuidar apenas da Seleção, é preciso regar a raiz do nosso futebol.

Outra coisa. Talvez o senhor não tenha lido, mas já falamos abertamente sobre os salários do futebol. E temos certeza de que o Fair Play Financeiro implementado de forma eficaz (não aquele de faz de conta da FPF) irá diminuir os salários. E mesmo cortando na nossa própria carne, continuaremos lutando pelo bem do futebol. Porque quem regula o salário pago aos jogadores é o mercado e se o gestor for obrigado a gastar apenas o que o clube arrecada, pagará menos a todos. O que gera salários astronômicos (e atrasados) é a falta de um dispositivo punitivo (esportivo e civil) a quem gasta mais do que ganha.
Velho ditado: quem se deita com cães, acorda com pulgas.

Mas isso é encrenca política demais para alguém assumir em ano de eleição, não é?

E para ajudar o Bom Senso FC a virar consenso de uma vez por todas, o Campeonato Brasileiro terminou de forma melancólica, dentro do tribunal! A frase: “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” não poderia se encaixar melhor nessa situação. A justiça desportiva se torna protagonista e o resultado de campo fica para trás. Sem discutir o mérito de quem está certo ou errado, a conclusão final é de que a CBF é que deveria ir para a segunda, terceira, quarta divisão.

No fundo e para finalizar, a nossa expectativa é que a CBF, que se denomina entidade maior do futebol brasileiro, realmente assuma o seu papel de gestora do nosso esporte e participe do debate jogando, atuando, e não apenas assistindo.

E antes que nos perguntem, as férias têm nos feito muito bem.

Em janeiro nos vemos por aí. Boas Festas!

Bom Senso Futebol Clube

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

HOJE TENHO VERGONHA DE SER CORINTHIANO

Foi simplesmente sórdida a atitude dos cartolas corinthianos, primeiramente por demitirem o técnico mais vencedor da história do clube e responsável direto pelas duas maiores conquistas do Timão em seus 103 anos de existência (o Mundial de Clubes e a Copa Libertadores das Américas).

E, em segundo lugar, por terem secretamente acertado com Mano Menezes DOIS MESES ANTES DE DESCARTAREM O TITE (!!!), só o cientificando de que não está nos planos para 2004 depois de afastada (nesta 4ª feira) qualquer possibilidade de rebaixamento.

Falta de ética, de respeito, de profissionalismo e até de capacidade de julgamento, pois, sendo ele quem é, estou certo de que cumpriria seu contrato até o fim, com a dedicação de sempre.

Aliás, dignidade é o que falta a quase todos os me(r)dalhões do futebol brasileiro.

Faltou a Mano Menezes, que jamais deveria ter desertado do Flamengo com uma desculpa esfarrapada (para estar livre quando o Corinthians o chamasse) nem se comprometido a ocupar adiante um cargo que não estava vago -repetindo o comportamento de Felipão quando José Maria Marin o convidou para assumir a Seleção Brasileira. Foi apunhalado pelas costas daquela vez e agora coube a ele o papel de traíra. Esses três, mais o o presidente corinthiano Mário Gobbi de contrapeso, somados, não perfazem um homem de verdade.

A única esperança de dignidade é Paulo André. É Alessandro. É Emerson Sheik. Vamos ver se eles honram os calções que vestem e as posições antes assumidas. Os veteranos não têm tanto assim a perder, mas o jovem tem tudo. Trata-se da sua hora da verdade; ou se mostrará um líder como o Sócrates, ou apenas um jogador que raciocina bem e escreve bem, diferentemente da maioria dos colegas.

Por último: não é a primeira vez que Tite é tratado a pontapés no Parque São Jorge. Em 2005, os repulsivos cartolas não se solidarizaram a ele quando colidiu com o gangster da máfia russa que enchia o Corinthians de dinheiro sujo.

Agora, a troca de treinador foi decidida apenas em função do impacto que terá na luta de Gobbi para conservar o poder, face à investida de Andrés Sanchez (que o quer retomar). 

E há outra razão, mais profunda. Os ratos de esgoto que dominam a política clubística não suportam quem, por contraste, os achata. Felipão e Mano é que são seus iguais. Tite os fazia sentirem-se como os liliputianos que jamais deixarão de ser.

Que ele agora coroe sua brilhante carreira com uma passagem vitoriosa por um grande time europeu. E que jamais volte onde o trataram tão mal. O Corinthians não o merece. 

domingo, 10 de novembro de 2013

BOLEIROS 10x0 PAVÕES

Este líder de verdade segue os passos do Sócrates
Nunca atuei no jornalismo esportivo propriamente dito, mas travei contato com alguns craques em épocas de Copa do Mundo, quando as revistas dão mais destaque ao futebol. Principalmente o Rivellino, a quem entrevistei duas vezes, e o Zico. 

Pareceram-me dignos, honestos e boa gente (ao contrário dos empresários, políticos e artistas que eu era obrigado a ouvir amiúde). Cordiais mas autênticos, não fazendo nenhum esforço para agradarem, nem tentando me manipular. Sua postura era tão digna de admiração quanto seu talento nos gramados.

O Manfrini, meiocampista de um esquadrão lendário do Fluminense, fora meu colega de ginásio; jogáramos juntos umas poucas vezes, pois eu era só o goleiro reserva. Mais tarde, depois que ele já pendurara as chuteiras, reencontrei-o no Desafio ao Galo da TV Record, como diretor do Parque da Mooca, o timinho de várzea no qual iniciara sua vitoriosa trajetória. Tão gordo que só aguentou disputar o primeiro tempo.

Eu estava lá cobrindo a participação do adversário, a Duratex, pois fazia a revista dessa empresa. No final, o Manfrini me convidou para bater papo com os quatro outros veteranos que ele aliciara para sua equipe, dentre eles o zagueiro Amaral, ex-Corinthians, que chegara a disputar um Mundial pelo Brasil. A efusiva camaradagem entre eles, sem ciumeiras e vedetismo, me chamou a atenção. Tão diferentes dos artistas!

Este falso líder abandonou os liderados no fogo
Vale lembrar, também, um episódio uruguaio que comprova a firmeza de caráter de um grande boleiro. O capitão da Celeste Olímpica, Obdulio Varela, se tornara uma lenda viva ao encher sua seleção de brios no maracanazo de 1950, levando-a a compensar a inferioridade técnica  com esforços sobre-humanos; não se envolvia, contudo, com lutas reivindicatórias.

Certa vez, os cartolas caíram na besteira de declararem à imprensa que o movimento dos jogadores era uma roubada, tanto que até o Obdulio Varela o rechaçara. Furioso por terem invocado seu nome em vão, Varela compareceu à reunião seguinte, passou a liderar os colegas e os guiou para a vitória.

Colegas me contaram que o Nelson Piquet também não bajulava repórteres. Quando apareciam sem convite na casa dele, atendia-os no portão. Fazia questão de preservar sua intimidade. [Nunca entendi a compulsão da maioria das pessoas, de colocarem na vitrine a esfera pessoal de suas existências. Eu só uso o twitter para anunciar os escritos que lanço. Jamais você lerão que estou em tal lugar, fazendo tal coisa. Muito menos encontrarão, em lugar nenhum, revelações sexuais. Abomino a exposição/banalização da vida íntima. Sempre considerei repugnantes os homens que se vangloriam de conquistas amorosas e ficam trombeteando detalhes de suas noitadas e de suas parceiras.]  

Enfim, não é surpresa nenhuma para mim que os jogadores do Bom Senso Futebol Clube estejam tão lúcidos e coesos em seu movimento contra os cartolas escravagistas em geral e o capataz da CBF em particular: o nefando José Maria Marin, aquele puxa-saco da ditadura militar que rasgava seda para o delegado Sérgio Fleury e pediu a cabeça dos comunistas da TV Cultura pouco antes de o Vladimir Herzog ser preso e assassinado pelo DOI-Codi.

O que aconteceria se o movimento não fracassasse
Só lamento que o jovem e bom zagueiro Paulo André, do Corinthians, não tenha a estatura futebolística do Sócrates, pois está seguindo os passos do doutor enquanto líder e, se fosse igualmente um jogador fora de série, sua influência e seu destaque na mídia aumentariam muito.

Também não me surpreendeu o melancólico esfacelamento do Procure Saber, o movimento dos censores acidentais. Constatando a péssima repercussão, o primeiro a pular fora foi exatamente o inspirador e líder, Roberto Carlos, que policia até teses universitárias sobre a Jovem Guarda. RC usou o Fantástico para tirar o dele da reta, dizendo que aprova as biografias não autorizadas e só queria que fossem melhor equacionados alguns detalhes. [Fez lembrar a velha piada de colegiais sobre a virgindade pela metade: não existe...]   

O divo Caetano Veloso foi o primeiro a reagir: confessou haver defendido uma tese "estranha" por solidariedade aos outros e se queixou de o rei  ter abandonado a todos no fogo. 

Resta saber que atitude tomarão os magníficos traídos Chico Buarque e Gilberto Gil.

Como o Bom Senso e o Procure Saber são praticamente simultâneos, faz sentido dizer que, numa comparação moral entre ambos, o placar seria Boleiros 10x0 Pavões.
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