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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

HOJE TENHO VERGONHA DE SER CORINTHIANO

Foi simplesmente sórdida a atitude dos cartolas corinthianos, primeiramente por demitirem o técnico mais vencedor da história do clube e responsável direto pelas duas maiores conquistas do Timão em seus 103 anos de existência (o Mundial de Clubes e a Copa Libertadores das Américas).

E, em segundo lugar, por terem secretamente acertado com Mano Menezes DOIS MESES ANTES DE DESCARTAREM O TITE (!!!), só o cientificando de que não está nos planos para 2004 depois de afastada (nesta 4ª feira) qualquer possibilidade de rebaixamento.

Falta de ética, de respeito, de profissionalismo e até de capacidade de julgamento, pois, sendo ele quem é, estou certo de que cumpriria seu contrato até o fim, com a dedicação de sempre.

Aliás, dignidade é o que falta a quase todos os me(r)dalhões do futebol brasileiro.

Faltou a Mano Menezes, que jamais deveria ter desertado do Flamengo com uma desculpa esfarrapada (para estar livre quando o Corinthians o chamasse) nem se comprometido a ocupar adiante um cargo que não estava vago -repetindo o comportamento de Felipão quando José Maria Marin o convidou para assumir a Seleção Brasileira. Foi apunhalado pelas costas daquela vez e agora coube a ele o papel de traíra. Esses três, mais o o presidente corinthiano Mário Gobbi de contrapeso, somados, não perfazem um homem de verdade.

A única esperança de dignidade é Paulo André. É Alessandro. É Emerson Sheik. Vamos ver se eles honram os calções que vestem e as posições antes assumidas. Os veteranos não têm tanto assim a perder, mas o jovem tem tudo. Trata-se da sua hora da verdade; ou se mostrará um líder como o Sócrates, ou apenas um jogador que raciocina bem e escreve bem, diferentemente da maioria dos colegas.

Por último: não é a primeira vez que Tite é tratado a pontapés no Parque São Jorge. Em 2005, os repulsivos cartolas não se solidarizaram a ele quando colidiu com o gangster da máfia russa que enchia o Corinthians de dinheiro sujo.

Agora, a troca de treinador foi decidida apenas em função do impacto que terá na luta de Gobbi para conservar o poder, face à investida de Andrés Sanchez (que o quer retomar). 

E há outra razão, mais profunda. Os ratos de esgoto que dominam a política clubística não suportam quem, por contraste, os achata. Felipão e Mano é que são seus iguais. Tite os fazia sentirem-se como os liliputianos que jamais deixarão de ser.

Que ele agora coroe sua brilhante carreira com uma passagem vitoriosa por um grande time europeu. E que jamais volte onde o trataram tão mal. O Corinthians não o merece. 

sábado, 11 de agosto de 2012

COM ZAGUEIROS TRAPALHÕES, BRASIL PERDEU DO CHAVES


Dizem que, quando recomendavam um oficial ao grande Napoleão Bonaparte, este se impacientava com os previsíveis elogios ao currículo militar do candidato. Logo interrompia com a pergunta: "Mas, ele tem sorte?"

Mano Menezes, evidentemente, não tem.

Assumiu a Seleção Brasileira depois do acachapante fracasso de Dunga  em 2010 e porque Muricy Ramalho preferiu se preservar.

Técnicos  astutos evitam a longa travessia de quatro anos até a Copa do Mundo seguinte; sabem que a chance de serem derrubados pelo caminho é muito maior que a de chegarem ilesos à competição máxima do futebol.

Ingênuo, o Mano acreditou que os amistosos servissem apenas para testar jogadores. Não colheu resultados expressivos e, ao mudar o comando da CBF, sua cabeça ficou a prêmio.

Aguentou até a Olimpíada e, se houvesse conquistado uma inédita medalha de ouro para o Brasil, conseguiria mais um tantinho de sobrevida.

Mas, a sorte lhe foi madrasta e o goleiro em quem confiava (o Rafael, do Santos) se contundiu à véspera dos Jogos.

Para piorar, Mano não só havia levado reservas inconfiáveis para a meta, como deixara de fora o melhor zagueiro brasileiro da atualidade, grande responsável pela solidez defensiva corinthiana na Copa Libertadores da América: Leandro Castán.

Deu no que deu: a defesa-peneira do Brasil entregou um gol de mão beijada para o México antes de se completar o primeiro minuto de partida, dando aos astecas a chance de jogarem como gostam, bem fechadinhos lá atrás e especulando num ou noutro contra-ataque.

O Brasil até que fazia por merecer o empate, mas os nossos zagueiros não olharam direito o calendário: na véspera do Dia dos Pais, atuaram como verdadeiras mães para os mexicanos. Deram-lhes mais um gol de presente, incrivelmente desperdiçado (aquela bola no travessão de Fabian). E insistiram, permanecendo pregados no chão num óbvio lance de bola parada.

Mediano, sem carisma, sem malícia, sem sorte, sem nada, Mano deverá ficar também sem emprego quando retornar ao Brasil.

Os candidatos mais cotados para a vaga são os piores possíveis:
  • o ultrapassado Felipão e o  mutreteiro  Luxemburgo, cujas estrelas há muito se apagaram; e
  • o refugão Muricy, que era quase uma unanimidade da primeira vez mas, desde então, mostrou uma faceta assustadora (entrou em pânico poucas horas antes da final do Mundial Interclubes no Japão, desarrumando a defesa e condenado sua equipe a vexatórios 0x4 que poderiam muito bem ter sido 1x7, tais a superioridade e as chances desperdiçadas pelo Barcelona.
O técnico dos sonhos, o melhor com que poderíamos contar: Pep Guardiola.

O menos ruim dos brasileiros: Tite, que é capaz de tirar leite de pedra, como demonstrou no Corinthians.

É com dor no coração que, depois de uma vida inteira defendendo o futebol-arte, sou obrigado a reconhecer: jogando de igual para igual, o Brasil não tem time para encarar a Alemanha, a Espanha e a Argentina (leia-se Messi). 

Então, um Tite pelo menos montaria uma defesa decente, primeiro passo para não sermos humilhados em casa como fomos em 1950.

domingo, 25 de julho de 2010

A MELHOR DEFINIÇÃO

"Mano é ponderado. Sabe impor
a disciplina sem pôr o atleta
numa camisa de força."
(William, jogador de Mano
Menezes no Grêmio e no Corinthians)

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS

A alegria, o companheirismo e a leveza de
espírito estão de volta à Seleção Brasileira.
É isto que o mundo espera de nós em 2014,
não carrancas, truculência e ordem unida.

sábado, 24 de julho de 2010

RICARDO TEIXEIRA ERRA ATÉ QUANDO ACERTA

Tão logo o Brasil entrou em parafuso contra um timeco da Holanda, tropeçando nas próprias pernas, eu adverti que não bastava expelirem-se os óbvios culpados diretos pela derrota, como o tiranete Dunga, a eminência parda Jorginho, o ferrabrás Felipe Melo, o limitadíssimo Michel Bastos e que tais.

Esses quatro e alguns outros jamais deveriam ter ido à África com o uniforme canarinho. Então, o verdadeiro culpado e a pior ameaça ao futebol brasileiro continuava sendo o cartola eterno Ricardo Teixeira, que fez ou avalizou todas as escolhas erradas.

No pastelão desta 6ª feira (23) isto ficou sobejamente comprovado, mais uma vez.

Primeiramente, a CBF andou cogitando técnicos inaceitáveis em termos morais, como Vanderlei Luxemburgo.

Depois, cansou de projetar a imagem de que seu favorito era Felipe Scolari, o modelo de quem Dunga foi a versão tosca: também discrimina craques e monta suas famílias com os jogadores que lhe são mais fiéis (não os melhores), também impõe restrições ridículas ao trabalho da imprensa, também transforma a concentração em internato, também privilegia o futebol de resultados (no seu caso, defesas bem fechadas e ataques com um especialista em alçar bolas e outro em cabecear).

Quando Felipão lhe aplicou um merecido pontapé no imenso traseiro, Teixeira emitiu todos os sinais na direção de Mano Menezes, mas acabou anunciando Muricy Ramalho, que lhe é imensamente inferior.

Muricy arma defesas cerradas, que seguram a onda. Mais nada. O tricampeonato brasileiro do São Paulo (2006 a 2008) foi a apoteóse do futebol mesquinho, calculista e tedioso.

O destaque do time era o goleiro e os torcedores ficavam sempre com a impressão de ter almoçado em restaurante chinês: faltava alguma coisa e sobrava alguma fome.

Quando tinha Telê Santana no banco, sabíamos como e por que o São Paulo conquistava seus títulos.

Com Muricy, parecia estar pousando de paraquedas na entrega do troféu: ganhava sem ser brilhante e sem jamais convencer.

A comédia de erros de Teixeira, que anunciou Muricy sem saber se o Fluminense liberaria seu técnico, serviu para escancarar a ausência de critérios (a prioridade não era resgatar a essência do futebol brasileiro, que deixamos de mostrar na África?) e o amadorismo nos encaminhamentos (por que não combinar direitinho com o Flu antes?).

Por mero acaso, a moeda acabou caindo em pé. Por problemas em relação aos dois preferidos pela CBF, a incumbência sobrou para o melhor.

Mano Menezes sabe tratar os jogadores como homens (não os infantiliza), consegue ser respeitado pela autoridade moral e não por meio de chicote, monta times com os melhores que tem, busca sempre o equilíbrio entre os três compartimentos (defesa, meio de campo e ataque) e se relaciona bem com imprensa, torcedores e quem mais surja.

Isso tudo ele mostrou, principalmente, nas belíssimas conquistas do Campeonato Paulista (invicto) e da Copa do Brasil em 2009, pelo Corinthians. Houve resultado e havia espetáculo, com direito até a gols de placa.

No entanto, o que passou para os torcedores brasileiros, graças à crassa incompetência de Teixeira, foi que Mano teria sido escolhido na base do "não tem tu, nem tu, então vem tu mesmo!".

Poderia estar iniciando cheio de moral seu trabalho, coroamento de uma brilhante carreira. Em vez disso, ficou com a imagem de ter aceitado aquilo que outros desprezaram.

Quantos outros erros Teixeira cometerá até a Copa de 2014?


Reta de chegada do Paulistão 2009: o 3º gol corinthiano é uma pintura.
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