Mostrando postagens com marcador Eleições EUA 2024. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eleições EUA 2024. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

HE IS BACK: DA INVASÃO DO CAPITÓLIO À REOCUPAÇÃO DA CASA BRANCA

Muitos já davam Trump como morto e enterrado em 2021 quando ele sofreu momentânea derrota eleitoral. Mais uma vez, uma leitura superficial e imediadista fez escola e reinou euforia com a vitória do patético Biden, uma das figuras mais lastimáveis da história mundial. Desconsideram de onde vem Trump: ele vem da podridão capitalista, de décadas de rearranjo do capitalismo mundial que jogou milhões na sarjeta da falta de perspectivas e do desencanto. 

O carcomido Biden entrou em cena para ser o salvador da democracia e da liberdade - filme adaptado aqui no Brasil, mas piorado pela dublagem - em que tudo passaria por voltar à normalidade do antigo pacto do bom mocismo estadunidense, com instituições respeitadas, com o multilateralismo, a responsabilidade institucional e outras bobagens enquanto manteria the business as usual, espoliando os trabalhadores, aplicando o tacão imperialista, devastando a Palestina, etc. 

A derrota não foi derrota. 

Seu péssimo governo foi sendo engolido pela crise capitalista, conforme já tinha aventado em post do ano passado (aqui), com o alto custo de vida e o subemprego engolindo os trabalhadores dos EUA. Percebendo seu desgaste interno, resolveu lançar mão do nacionalismo e se aventurou na guerra da Ucrânia, cavando insustentável conflito com a Rússia, acreditando que assim arregimentaria as fileiras patrióticas e que o país se uniria em torno dele. O custo da guerra acabou sendo combustível de insatisfação e sua popularidade caiu ainda mais. 

Por fim, conseguiu alienar a esquerda estadunidense e os eleitores de origem árabe ao apoiar e sustentar o massacre ao povo palestino, chegando a sustentar a repressão contra as manifestações estudantis ocorridas nos EUA na primeira metade deste ano. Fazia coro ao discurso descabido de que questionar Israel seria ser antissemita

Já Trump jogou parado. Manteve sua base arregimentada e apenas aguardou pacientemente pelo fiasco previsível dos democratas. A saída do presidente anão e a entrada de Kamala, a draconiana, não mudou em absolutamente nada o cenário, pois a vice-presidente era ainda mais mal vista que o atual presidente. 

Do ataque ao capitólio à nova passagem pela presidência, a estratégia de Trump foi perfeita e exata. A invasão, taxada equivocadamente de golpe pelos analistas, serviu de mecanismo para galvanizar seus apoiadores no momento da derrota, ação depois copiada por Bolsonaro no Brasil no pastelaço de 8 de janeiro de 2023. Taxar tais ações de golpe sempre foi um equívoco cometido por análises apressadas e esquemáticas, que insistem em não entender a dinâmica da extrema direita no século XXI e sua estratégia de longo prazo na conquista do poder. 

Trump volta ainda mais poderoso que em 2016 e com muito mais sangue nos olhos. Certamente, imporá um regime autocrata à Putin, com aparência de democracia, mas com profundas limitações das liberdades e do funcionamento das instituições. 

Em breve, poderemos ver novamente essa cena.

Contudo, quem mais perde é Lula, pois já vinha fazendo um governo extremamente reacionário e rebaixado, com baixa popularidade. Agora, não terá mais seu principal fiador, Biden, e se verá acossado pelo possível retorno de Bolsonaro à arena política. Não será surpresa se Lula até mesmo sofrer um impeachment antes das eleições, tamanha sua crescente fragilidade. 

Bolsonaro deverá se tornar elegível novamente. É pouco provável que os valentes do STF irão resistir a uma rodada de sanções da Casa Branca contra seus passaportes, suas posses no exterior e seus cartões de crédito. Xandão é valente até tirarem sua possibilidade de ir à Disney ver o Pateta. Temos grandes chances de assistir à mesma mágica que liberou Lula da cadeia e o garantiu de volta ao pleito. Milagres existem, basta ter fé!

De resto, fica o aviso que dei em post (veja aqui) do dia 5 de março deste ano de 2024:

"Vai ficando mais uma vez a lição de que a extrema-direita nunca será derrotada eleitoral ou judicialmente, mas apenas pela transformação radical da sociedade, pois não poucos colocavam as fichas no fim do trumpismo graças à sua derrota eleitoral em 2020 ou mesmo pelas ações judiciais, ignorando que a raiz da extrema direita está no capitalismo em crise acelerada, que levam milhões a optarem por uma solução radical, mas reacionária. Enquanto uma esquerda revolucionária não retornar ao palco mundial, assistiremos ao avanço incólume das forças do atraso."

(por David Coelho)


sábado, 27 de julho de 2024

É IRRELEVANTE KAMALA HARRIS SER NEGRA E MULHER?

 

É sempre bom dar uma volta pelas redes sociais para saber como elas reagem diante das últimas notícias, pois pode haver surpresas ou temas para discussões. É o caso da desistência da candidatura à reeleição pelo presidente Joe Biden em favor da atual vice-presidenta Kamala Harris.

Kamala não tem nada a ver com os Pilgrims Fathers, os primeiros colonizadores dos EUA. Bem ao contrário, ela é negra,  filha de pai jamaicano e de mãe indiana, ambos imigrantes. Os EUA já tiveram um presidente negro por dois mandatos, Barak Obama. Já houve uma candidata mulher à presidência dos EUA, Hillary Clinton, esposa do ex-presidente Bill Clinton e descendente de famílias brancas tradicionais de origem européia. Para quem não se lembra, Bill Clinton foi reeleito e deixou o governo com alta popularidade. Mesmo assim, Hillary foi derrotada em 2016 por Donald Trump.

O Brasil já se antecipou aos EUA nessa experiência com a eleição em 2010 de Dilma Rousseff, branca, filha de pai búlgaro e mãe brasileira, reeleita e destituída dois anos depois por impeachment. Marina Silva, negra e filha de pais pobres, foi três vezes candidata à presidência sem sucesso. Que fatores teriam ajudado Dilma Rousseff e prejudicado Marina Silva?

De uma maneira geral, a imprensa internacional se pergunta se o eleitorado dos EUA já está no ponto para eleger uma mulher e, além disso, uma mulher negra. Ou ainda, mulher negra filha de imigrantes, quando o principal programa do candidato opositor, misógino e machista, é a deportação em massa de imigrantes.

Essa é a primeira pergunta genérica que leva a outra mais precisa: existe um significado maior para essa escolha por um dos partidos do país mais rico e mais desenvolvido do planeta? E, no caso de Kamala Harris ser eleita, poderá haver um avanço mundial para a situação das mulheres em termos de paridade com os homens?

Ou o fato de surgir a candidatura de uma mulher negra vinda da imigração com a possibilidade de ser eleita presidente dos EUA "não tem a menor importância, é irrelevante, não é determinante e é apenas uma questão secundária"? É simples assim? Isso não vai mudar em nada a situação mundial - e como ouvi e li - "continuará a exploração e o domínio do mundo pelo imperialismo norte-americano?"

Vou deixar de lado as críticas do Diário da Causa Operária ao texto do site Esquerda Online sobre "o caso Kamala Harris", por ser um debate mais específico. Agora, o mais apropriado é o vídeo de Breno Altman, no Opera Mundi, voltado ao grande público, no qual ele considera irrelevante e secundária a candidatura de uma mulher negra filha de imigrantes à presidência dos EUA. "As questões de raça e gênero só têm relevância no que concerne a direitos, preconceitos e privilégios".

Me lembro, durante o caso do treinador Cuca do Grêmio, alvo de um processo na Suíça por estupro coletivo de uma menor, que acabou se demitindo do Corinthians por pressão da torcida feminina, ter ouvido de alguém de esquerda, que a questão de gênero e o feminismo deveriam vir depois e não antes da revolução. E a recente piada de mau gosto do presidente Lula sobre violência doméstica contra mulher de corintiano vai nessa mesma linha.

"Qual a diferença" - pergunta Breno no seu vídeo - "se o povo palestino se faz bombardear por bombas enviadas por um homem branco ou uma mulher negra?" Isso não é uma síntese ou uma conclusão um tanto precária e redundante?

Diante da decisão de escolher uma mulher, negra e filha de imigrantes, por um dos principais partidos políticos da maior nação do mundo, minha reflexão é bem diferente. É a de constatar o longo caminho percorrido pelas mulheres norte-americanas até chegarem a esse tipo de conquista e reconhecimento - a de serem consideradas iguais aos homens para dirigirem o país. 

Elas estavam no navio Mayflower que há 400 anos transportou da Inglaterra os puritanos peregrinos povoadores da primeira colônia permanente na costa leste norte-americana. Chegaram também nos navios vindos da África  para viverem a escravidão e muittas delas sofrem ainda o racismo generalizado, mesmo depois do fim de uma guerra civil pondo fim à escravatura. Sem esquecer das mulheres nativas do continente, grande parte massacrada pelos colonizadores, e das imigrantes de todo o mundo.

Enquanto isso, em muitos países, a situação social, econômica e individual das mulheres é de submissão e de privação de direitos, seja em consequência de ditaduras ou de teocracias retrógradas. (por Rui Martins)

domingo, 21 de julho de 2024

DESISTÊNCIA DE BIDEN É MAIS UM CAPÍTULO DA ATUAL INGOVERNABILIDADE DO REGIME BURGUÊS


 Biden finalmente atendeu à voz da razão e decidiu abandonar a corrida pela reeleição. Evitando o inescapável fiasco que viria em novembro, o atual presidente dos EUA colocou ponto final em sua infeliz saga política, poupando os estadunidenses de verem mais cenas lamentáveis durante os meses vindouros. Seria melhor mesmo que renunciasse também à presidência, mas isso deixaria Kamala Harris, sua possível substituta, impossibilitada de concorrer a um possível segundo mandato. 

O governo do morto-vivo Biden tem sido um desastre do início ao fim. Consumido lentamente pela crise capitalista, incapaz de dar respostas ao alto custo de vida e preso às concepções políticas ultrapassadas pela realidade histórica, afundou na impopularidade e tentou se salvar provocando uma guerra contra a Rússia. Porém, apesar de todos os esforços, a guerra da Ucrânia não foi abraçada pela população estadunidense, que passou mesmo a se opor fortemente a gastos estratosféricos com envios de armamentos em um contexto em que pessoas morrem de fome pelas ruas da terra do Tio Sam. 

Uma outra guerra - se é possível usar efetivamente tal designação àquele massacre - selou seu destino: a devastação israelense contra o povo palestino. Ao apoiar Israel e sustentar a matança perpetrada contra a população da Faixa de Gaza, Biden se viu diante de uma mobilização estudantil sem precedentes em anos pelos campi estadunidenses. Passou a ser denominado de GenocideJoe e manifestações contra ele passaram a ocorrer cotidianamente, encurralando-o às vésperas do início de sua campanha. 

A gota d'água, contudo, viria no primeiro debate transmitido pela rede de TV CNN, oportunidade na qual um perdido e fragilizado Biden foi tratorado por Trump. Ali ficou mais nítida a tendência que já se mostrava há pelo menos dois anos, o ex-presidente estava com o caminho totalmente aberto para vencer facilmente as eleições em novembro, por competir com um presidente fragilizado não apenas politicamente, mas também mentalmente. 

Com sua desistência, Biden se une a outros presidentes que também não conseguiram emplacar a continuação de seus mandatos, a exemplo de Alberto Fernández, Bolsonaro e do próprio Trump. A razão não poderia ser mais óbvia e está ligada à atual crise capitalista que gera um estado generalizado de ingovernabilidade da ordem burguesa. Tal ingovernabilidade é a causa das variadas substituições de governo ao redor do mundo nos anos recentes, levando mesmo a uma situação de impasse político em não poucos lugares, a exemplo dos governos minoritários em Portugal e mais recentemente na França. 

Não será surpresa caso essa ingovernabilidade se aprofunde, com crises não apenas dos governos, mas também dos regimes políticos, levando a uma situação de instabilidade generalizada. A estagnação do capital poderá evoluir para uma depressão, com consequências drásticas para o futuro capitalista e da própria humanidade. 

Por isso, é pouco provável que uma substituição de Biden por Kamala Harris vá trazer algum efeito para a corrida eleitoral. Essa é ainda mais impopular que o atual ocupante da Casa Branca e continua por demais associada ao establishment do partido democrata. Uma opção mais viável seria ou lançar Michele Obama -a qual conta em seu favor com o fato de nunca ter sido política e ter criado certo carisma enquanto primeira-dama - ou alguém da ala esquerda dos democratas, do grupo de Bernie Sanders. Esse é pouco provável que se candidate pela idade já avançada, mas alguém de seu grupo, como Ocássio-Cortez, poderia ter maior combatividade a Trump. 

Contudo, nas circunstâncias atuais, um governo mais à esquerda nos EUA poderia ser desastroso para a esquerda estadunidense, pois Sanders e cia nem de longe dariam solução aos problemas do país e poderiam mesmo desmoralizar o socialismo junto àquela população. Nesse aspecto, Michele poderia ser o melhor caminho, pois teria viabilidade eleitoral e seu desgaste não impactaria a esquerda.

De qualquer forma, hoje, Trump está mais próximo de sua vitória que nunca, enquanto Biden parte pateticamente para sua aposentadoria. (por David Coelho)

sexta-feira, 19 de julho de 2024

OS SAPATOS DE TRUMP

 

Já passei em revista numerosas informações sobre o atentado contra o ex-presidente Donald Trump, o décimo sexto atentado de uma série iniciada com o assassinato do presidente Abraham Lincoln, mas não achei explicações conclusivas para um pormenor talvez supérfluo.

Não se trata de incluir aqui uma homenagem póstuma ao Sérgio Cabral pai, falecido no domingo, criador junto com Jaguar e Tarso de Castro do jornal Pasquim, em 1969, com o qual cheguei a colaborar de Paris. Mas até que poderia ser.

Quem viu os primeiros vídeos, logo depois do atentado, vai se lembrar. Tão logo Trump se abaixou e foi envolvido pelos agentes do FBI para ser protegido e retirado do local, ouve-se a voz do ex-presidente, ainda de cabeça baixa, enquanto parece resistir aos agentes para procurar alguma coisa - "where are my shoes?" (onde estão meus sapatos?) e querendo calçar os sapatos.

Só depois do gesto de uma agente do FBI se abaixar e pegar alguma coisa, no caso o referido sapato, Trump se ergue, levanta a cabeça, mostra o punho cerrado e convoca seus seguidores para a luta dizendo um "fight!". Ainda bem para Trump, pois se insistisse em procurar ou colocar o sapato, sua frase no vídeo distribuído no mundo inteiro seria "Onde estão meus sapatos?", digna de participar da mesma campanha de descrédito de Biden por seus esquecimentos e trocas de nomes.

Passado o susto, acalmados os ânimos, desapareceu dos vídeos a preocupação de Trump por seus sapatos! Uma espécie de mini-censura para limpar o vídeo de uma coisa tão insignificante. Mesmo porque algum democrata poderia vir com um piadinha - "e a agente do FBI lavou as mãos depois de pegar o sapato do Trump?".

Entretanto, antes de prosseguirmos, vou contar talvez um outro pormenor secundário ou insignificante nessa história trágica bem estadunidense, de armas, atentados e mortes, na qual morreram duas e ficaram feridas outras duas pessoas. No local do atentado, no tablado vermelho onde falara Trump, depois de removidos o ex-presidente ferido no alto da orelha, o morto, os feridos e os policiais protetores agentes do FBI, ficou solitário um sapato preto clássico inglês de laços, Oxford, marca tradicional de origem inglesa. Com a confusão, arrastado pelos agentes do FBI, Trump não teve tempo para calçá-lo e com um só sapato foi de meia mancando ao carro que o levou ao hospital.

Talvez esse pormenor não seja assim tão insignificante. Senão vejamos: Reinaldo Azevedo no Uol diz ter havido um erro de meio centímetro por parte do jovem atirador Thomas Matthew Crooks, na sua tentativa de matar o próximo presidente dos EUA. Qual teria sido a causa desse erro? Ele era míope? Sim, tanto que usava óculos.

Nas investigações feitas sobre Crooks se descobriu, além de ser um rapaz inteligente em matemática e ciência, ter um gosto pelas armas. Isso nada tem de repreensível nos EUA onde todo mundo pode ter revólveres, fuzis, cartuchos de balas em casa à vontade, onde é tão fácil comprar armas como cigarros. Razão pela qual - e isso pode parecer absurdo - Crooks tentou fazer parte da equipe de atiradores de carabina no seu liceu ou ginásio Bethel Park. Tentou, mas não conseguiu por ser mau atirador ou ruim de pontaria.

A reprovação como atirador no seu ginásio poderia ter sido miopia, mas o ligeiro erro no atentado ao ex-presidente poderia ter sido também consequência de um certo nervosismo causador de tremor nas mãos, fazendo desviar os tiros de alguns milímetros ou meio centímetro do foco da cabeça de Trump e acertar em pessoas próximas, matando uma e ferindo outras duas. Mas poderia também ter sido o sapato de Trump...

Quem pode retornar às primeiras imagens do atentado, ou gravou no celular ou computador as primeiras imagens divulgadas ao vivo pelas reportagens de TV no local, poderá comprovar não haver mais, nos vídeos recentes do atentado, os cartazes trumpistas erguidos atrás e ao lado de Trump por seus seguidores com as palavras "Joe Biden you are fired" (Joe Biden você está demitido). E nem ouvirá o ex-presidente Trump perguntando por seus sapatos, querendo recuperá-los e calçá-los antes de ser arrastado do local pelos agentes do FBI.

Alguém poderia comentar - "mas depois de sofrer um atentado é hora de se preocupar com seus sapatos?" Ora, pelo jeito, Trump não queria ser visto de meias por seus seguidores! Mas por que estava sem sapatos se os sapatos Oxford são considerados ultra-confortáveis? Ora, o sapato de Trump deixado no local do atentado não tem salto e nem reforço interno escondido para aumentar seu tamanho, como fazem certos políticos de pequena estatura.  Mesmo porque Trump não precisa disso, pois tem 1,90m de altura.

Será que Trump costuma descalçar os pés ao fazer seus discursos? Seria um par de sapatos novos e ainda um tanto apertados? Ou, ao contrário, os sapatos eram largos, fáceis de descalçar como um mocassim, e saíram dos seus pés quando Trump foi jogado ao chão pelos agentes do FBI? E, neste caso, por que usar sapatos largos? Tem pés inchados, joanetes, unha encravada ou dores nos pés?

Uma coisa é certa, Trump não queria ser flagrado pela TV de meias ou mancando por falta de sapatos. Vaidoso, imaginava mesmo naquele instante tenso, que isso poderia ferir sua imagem - herói não é para ser fotografado de meias!

Enfim, existe a hipótese de Trump ter tirado os sapatos como se fossem mocassins, enquanto discursava, usando os calcanhares, justamente no momento de ser alvejado, saindo fora do alvo pela falta de um centímetro da sola e salvando assim sua vida. Ao que se saiba, os agentes do FBI não voltaram para recuperar o sapato Oxford deixado no tablado, documentado por alguns fotógrafos, até desaparecer levado como troféu por algum trumpista. (por Rui Martins)

sábado, 13 de julho de 2024

O CAPITALISMO EM ESTADO DE SENILIDADE

 


P
utin é o presidente da Ucrânia? Trump é o vice-presidente dos EUA? De acordo com recentes gafes cometidas por Joe Biden, sim. O presidente estadunidense vem sofrendo severas críticas quanto à sua condição física e mental após sucessivas frases infelizes e, sobretudo, após sua desastrosa participação no primeiro debate presidencial com seu adversário - e não seu vice! - Donald Trump

Não é preciso ser médico para diagnosticar em Biden claros sinais de senilidade, uma degeneração evidente de suas condições intelectuais e mesmo corporais. Obviamente, o presidente de 81 anos não é regra geral, pois existem inúmeros idosos que, com quase cem anos, levam vidas ativas e lúcidas, mas é impossível negar que a condição do atual ocupante da Casa Branca é claramente de alguém cujo melhor lugar hoje seria em casa repousando e não governando o país mais poderoso da história. 

Mas é equivocado pensar ser a saúde de Biden o grande motivo para os posicionamentos contra a continuidade de sua campanha à reeleição. A deterioração de sua saúde pode ter contribuído para aprofundar uma situação já existente, a do completo fracasso de sua presidência, conforme já analisávamos neste post, motivo de ele amargar baixíssimos níveis de aprovação.

Na verdade, Biden foi lançado pelo establishment do Partido Democrata unicamente para evitar a vitória de Bernie Sanders nas primárias de 2020, tal como já havia acontecido em 2016, quando igualmente Hillary Clinton usou e abusou de manobras para barrar o socialdemocrata. Igualmente, Biden se manteve no páreo para 2024 unicamente para não abrir disputa primária em seu partido, evitando mais uma vez que a ala esquerda vencesse por agora. São os democratas sem democracia. 

É bem possível que Biden se retire da disputa em prol de sua vice, a igualmente decrépita - embora apenas politicamente - Kamala Harris. Tudo indica que Trump vencerá, seja concorrendo com Biden ou com sua vice, a real, não a da gafe. Mas isso importa zero para o partido democrata e para a burguesia estadunidense, que dormirá em berço esplêndido sabendo que seus reais inimigos, Sanders e seu movimento, estarão fora do governo.

Não que Sanders seja um revolucionário ou mesmo uma ameaça séria à burguesia estadunidense. Igual Jean-Luc Mélechon, é apenas um reformista moderado, muito mais à esquerda que reacionários do tipo Lula ou Macron, mas ainda muito mais à direita que qualquer posicionamento autenticamente socialista. Contudo, Sanders e Mélechon dão caláfrios nos conservadores de qualquer lugar do mundo, pois colocam o dedo na ferida do capitalismo e ousam encampar a causa Palestina. Contra eles, os Biden, Lula e Macron - seguidos pelos seus séquitos - não irão pestanejar um só minuto em preferir que estejam no poder algum membro da extrema-direita, mas defensor intransigente do capital. 

Por isso, Biden insiste em sua campanha de faz de conta e, no máximo, aceitará ser substituído pela igualmente farsesca Kamala. No fim, vencendo Trump ou não, o capitalismo fica inquestionável. 

Mas, há algo profundamente sintomático quando se observa que a concorrência ao cargo de presidente dos EUA está entre um idoso senil e um idoso criminoso. Não teria ali indivíduos com mais qualidade? Mas colocar a questão em termos de indivíduos já é um erro, pois a política nunca é a respeito de indivíduos, mas da luta de classes e a disputa pela Casa Branca sempre foi um jogo ultra controlado em que, ao fim, disputam apenas os ungidos pelo capital, existindo zilhões de mecanismos -econômicos, administrativos, políticos, midiáticos, etc. - para filtrar os participantes e confluir em uma eleição bipartidária, engessada e estéril. Até a escolha do Papa é mais plural!

Assim, a disputa entre um presidente em estado avançado de senilidade e um ex-presidente criminoso condenado é apenas a expressão de algo muito mais profundo, a decadência da própria burguesia estadunidense e, ao fim, a senilidade do próprio capitalismo, incapaz de encontrar novas expressões. A caducidade eleitoral expressa a impossibilidade do capital em se reproduzir de forma ampliada, entrando em estado vegetativo. Essa é sua crise e esse é o estado terminal em que a sociedade capitalista se encontra neste começo de século. (por David Coelho)



terça-feira, 5 de março de 2024

PÉSSIMA NOTÍCIA PARA BIDEN E LULA: TRUMP ESTÁ LIVRE PARA CONCORRER NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 De forma unânime, a Suprema Corte dos EUA derrubou decisão da justiça do estado do Colorado que havia impedido Donald Trump de participar das primárias republicanas daquele estado. A decisão é mais significativa porque contou com o voto favorável até mesmo dos juízes democratas da Suprema Corte, indicando nenhum espaço para questionamento futuro. Na prática, Trump está liberado para concorrer não apenas nas primárias republicanas, mas também, e sobretudo, nas eleições presidenciais de novembro. 

O veredito da corte é uma péssima notícia para Joe Biden que hoje aparece atrás de Trump nas pesquisas eleitorais. A mais recente indica 48% de votos para o antigo presidente, enquanto o atual figura com 45%, embora nos EUA o que seja mesmo determinante é o número de delegados no Colégio Eleitoral, pois a eleição para presidente é indireta. Aí, contudo, a situação é mais dramática ainda para o democrata, indicando plena adesão dos eleitores de vários estados-chave a Trump. 

Profundamente impopular, Biden passou seu governo sem dizer a que veio e hoje enfrenta pesadas críticas por seu apoio ao massacre israelense ao povo palestino, tendo se tornado costumeiros protestos exigindo um cessar fogo de Israel em cada aparição pública  do presidente, além de já estar impactando eleitoralmente sua campanha, como mostrou  uma forte ação de protesto convocada pelos comitês de apoio à causa palestina nas primárias do Michigan. Os eleitores foram instados a votar uncommitted - não comprometido - para mostrar sua rejeição à candidatura Biden, sendo o resultado estrondoso: 101 mil eleitores optaram pelo não comprometido, enquanto o morador da Casa Branca ficou com 600 mil votos. Para se ter ideia do impacto de tal votação, em 2020 o democrata venceu Trump neste estado - um dos chaves - por uma diferença de 150 mil votos e em 2016 o ex-presidente venceu Hillary ali por meros 11 mil votos. 

As chances de uma parte decisiva do eleitorado não ir às urnas em novembro - o voto nos EUA é facultativo - devido à insatisfação com Biden são enormes. Já do outro lado, a base trumpista nunca esteve tão mobilizada e coesa. Pesquisa divulgada nesta terça-feira, dia 05/03, pela CNN, mostra que 55% dos republicanos consideram Trump apto para ocupar a presidência mesmo estando preso. Em alguns estados, o índice chega a 65%.

Diante disso, vai se tornando factível uma vitória de Trump em novembro e seu retorno à presidência dos EUA em 2025, o que poderia chacoalhar não apenas os EUA, mas o mundo inteiro. Um dos impactados seria Lula, pois ele perderia um de seus grandes pilares internacionais. O bolsonarismo poderia voltar a se fortalecer e mesmo as investigações e ações contra Bolsonaro e sua turma poderiam assistir a um recuo, afinal nossa elite não é muito conhecida pela independência frente ao imperialismo...

Vai ficando mais uma vez a lição de que a extrema-direita nunca será derrotada eleitoral ou judicialmente, mas apenas pela transformação radical da sociedade, pois não poucos colocavam as fichas no fim do trumpismo graças à sua derrota eleitoral em 2020 ou mesmo pelas ações judiciais, ignorando que a raiz da extrema direita está no capitalismo em crise acelerada, que levam milhões a optarem por uma solução radical, mas reacionária. Enquanto uma esquerda revolucionária não retornar ao palco mundial, assistiremos ao avanço incólume das forças do atraso.  (por David Coelho)


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

TRUMP BUSCA CRIAR UMA DITADURA AO ESTILO DE PUTIN

 

No terceiro aniversário do ataque dos trumpistas ao Capitólio, ocorrido em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de impedir a posse de Joe Biden sob a alegação de fraude nas urnas, e dez meses antes da eleição presidencial nos EUA, as sondagens dão uma vantagem em favor do retorno de Donald Trump.

E isso provoca inquietação, não só dentro dos Estados Unidos como na comunidade internacional, diante das intenções declaradas do ex-presidente de reformular diversas leis e criar, na maior potência mundial, um governo forte, para não dizer uma inédita ditadura de extrema-direita nos Estados Unidos, um contraponto a Vladimir Putin na Rússia.

Num dos seus primeiros discursos na campanha eleitoral por sua reeleição, o presidente Joe Biden é bem claro: “Está acontecendo alguma coisa perigosa na América. Existe um movimento extremista que não participa dos valores fundamentais da nossa democracia".

Essa não é uma simples frase de campanha eleitoral. Realmente, se Trump não se tornar inelegível por haver incitado o ataque ao Capitólio, no qual seus seguidores excitados poderiam ter liquidado deputados e senadores democratas, e se reeleger presidente, estará aberta a mitológica Caixa de Pandora.

Os Estados Unidos vivem um momento de polarização, no qual a extrema-direita nacionalista, liderada por Trump, poderá criar leis autoritárias e arbitrárias, podendo levar os EUA à mesma aventura vivida no passado pela Alemanha, dando-se a Trump os poderes para resolver todos os problemas do país. Sua política externa poderia acabar com o precário equilíbrio mundial existente.

Um de seus planos, segundo o New York Magazine, seria o de assumir o controle total da administração norte-americana descartando os atuais altos funcionários, valendo-se para isso da cumplicidade da Suprema Corte, na qual, quando presidente, já construiu a maioria para ter sempre seu controle.

Não se trata de temores infundados ou de um alarme excessivo diante da hipótese de Trump, personalidade dotada de grande egolatria, chegar novamente à presidência. Ainda recentemente, um escritor canadense, Stephen Marche, previa no seu novo livro A Próxima Guerra Civil o declínio das instituições democráticas norte-americanas.

Quase ao mesmo tempo, o escritor norte-americano Douglas Kennedy publicou, em junho, um livro cuja capa é uma bandeira dos EUA rasgada ao meio, sobre uma nova secessão entre os Estados, depois de uma rápida guerra civil. Surgem dois países totalmente opostos, um com bastante liberdade e outro religioso cristão fundamentalista onde aborto, divórcio, homossexualidade são pecados punidos severamente.

Essa apreensão diante do futuro dos EUA coincide com o reforço da extrema-direita na Europa. Fator importante no país do continente americano, Trump significa o reforço da influência religiosa e o controle pela religião com seus dogmas na elaboração das leis e nos julgamentos do judiciário. Assim como ocorreu no Brasil com Bolsonaro, os evangélicos norte-americanos são os grandes apoiadores de Trump. (por Rui Martins) 

Related Posts with Thumbnails