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domingo, 14 de junho de 2020

VEJA COMO O GOVERNO QUERIA EXCLUIR DA CONTAGEM DE CADÁVERES 44% DOS ÓBITOS

Excelente reportagem da Folha de S. Paulo revela qual o modus operandi das manipulações que o governo federal tentou efetuar nos boletins diários do avanço do coronavírus, sendo frustrado pela presteza com que a imprensa e o ministro Alexandre de Morais do STF reagiram à tramoia:
"Ao menos 44% das mortes por coronavírus não entrariam no boletim diário caso o Ministério da Saúde mudasse a metodologia para informar o número de novos óbitos a cada dia.

Na semana passada, a pasta anunciou que pretende mudar o modo de divulgar os dados, informando como novas mortes o número de pessoas que efetivamente morreram nas últimas 24 horas.

Desde o início da pandemia, o ministério utiliza como parâmetro a data de notificação, padrão adotado na maioria dos países.

Dizer que morreram 1.185 pessoas na 4ª feira (10), significa, portanto, que 1.185 novas mortes foram notificadas pelas secretarias de Saúde naquele dia, ainda que parte delas tenha ocorrido em datas anteriores.

Estimativa feita com base em registros do Sistema de Vigilância da Síndrome Respiratória Aguda Grave mostra que, em 44% das mortes por Covid-19 registradas até o último dia 24, o resultado do exame diagnóstico só ficou pronto depois que o óbito havia acontecido.

São mortes que, portanto, não entrariam no balanço do Ministério da Saúde.

...a pressão para mudar a metodologia partiu da cúpula militar à frente do Ministério da Saúde. A intenção foi pressionar técnicos a entregar uma plataforma com destaque para números menos impactantes".
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Bolsonaro e os militares que o servem não levaram em conta que, depois de a eleição presidencial de 2018 ter sido decidida por uma enxurrada de fake news, os cidadãos conscientes deste país aprenderam a desconfiar de tudo que provenha dos autores e beneficiários daquele estelionato eleitoral.

Então, ninguém engoliu as fake statistics com que agora se pretendia iludir os brasileiros e sabotar ainda mais o combate à pandemia. 

Só não entendo como tantos e tão inquestionáveis crimes de responsabilidade ainda não produziram a consequência obrigatória, qual seja a abertura de processo de impeachment contra Jair Bolsonaro. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 9 de junho de 2020

O ESTADÃO BATE PESADO EM PAZUELLO: DEVERIA TER-SE DEMITIDO AO INVÉS DE ESCONDER OS NÚMEROS DA COVID-19.

Pazuello, o ministro da Saúde Militarizada 
CORAGEM MORAL
Tivesse alguma coragem moral, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, teria pedido demissão ao receber a ordem para esconder os números relativos à pandemia de covid-19

Ao permanecer no cargo e cumprir a absurda determinação, Pazuello não apenas colaborou para desmoralizar ainda mais o Ministério da Saúde, como danificou a imagem das Forças Armadas, já que é militar da ativa e apresentado pelo presidente Bolsonaro como um dos sustentáculos militares de seu governo. Se não é, deveria deixar isso claro.

Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro vem colocando em dúvida o número de mortos na pandemia. Mais de uma vez, acusou os governadores de Estado, seus desafetos, de inflar as estatísticas para justificar a quarentena e, assim, criar uma crise com o objetivo de prejudicar o governo.

Foi necessário afastar dois titulares da Saúde para que Bolsonaro finalmente encontrasse um ministro subserviente o bastante para transformar essa teoria da conspiração em política de governo. 

Em perfeita sintonia, o empresário Carlos Wizard, convidado para ocupar uma Secretaria no Ministério da Saúde, deu o tom da presepada ao dizer que os dados produzidos até aqui eram “fantasiosos ou manipulados” e que uma “equipe de inteligência militar” identificou sinais de fraude nas informações prestadas pelos Estados. 

Em resposta, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde divulgou nota em que diz que Wizard, “além de revelar sua profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta terrível pandemia e suas famílias”. 

Quando já estava claro que suas declarações prejudicariam a imagem de suas empresas, Wizard pediu desculpas e declinou do convite – mas a lembrança da ofensa que praticou será perene.

Ao maquiar os dados, o presidente Bolsonaro e seus serviçais no Ministério da Saúde atentam contra as regras básicas de transparência da administração pública. 

Sem a publicidade ampla e integral de informações produzidas pelo Estado, a democracia não se realiza, pois a manipulação de dados compromete a capacidade dos cidadãos de exercer o controle público da administração. 

Além disso, informações distorcidas certamente resultam em decisões equivocadas, tanto por parte dos cidadãos como por parte do governo.

Na hipótese de que a ardilosa revisão dos números da pandemia desenhe um quadro menos grave do que o atual, seria natural que os cidadãos desafiassem as regras de isolamento social impostas pelas autoridades estaduais e municipais – exatamente como deseja o presidente Bolsonaro. Ou seja, tomariam uma decisão temerária baseados em estatísticas falsas ou adulteradas, colocando em risco ainda maior a saúde pública em meio à pandemia.

Como bem lembrou o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, “a manipulação de estatísticas é manobra de regimes totalitários” e, portanto, é preciso “parar de brincar de ditadura” no Brasil. 

Na Venezuela chavista, que o presidente Bolsonaro tanto critica, os dados oficiais foram tão manipulados que perderam completamente a credibilidade, obrigando a sociedade civil a apurar as informações por conta própria.

Há um movimento semelhante aqui no Brasil. Logo depois que o País tomou conhecimento da iniciativa do governo de esconder os dados da pandemia, veículos de comunicação – entre os quais O Estado de S. Paulo – decidiram trabalhar de forma colaborativa para obter as informações nas Secretarias de Saúde de todos os Estados. 

Além disso, o Tribunal de Contas da União ofereceu-se para fazer a consolidação dos números. 

Por fim, partidos de oposição entraram na Justiça para exigir a divulgação correta e ágil das estatísticas.

A firme reação da sociedade ante as patranhas do governo Bolsonaro em relação à pandemia coincide com o início de um movimento de defesa da democracia, que no domingo passado, a despeito da necessidade de manter o isolamento social, levou milhares de pessoas às ruas, em protestos pacíficos. 

Para o governo, esses cidadãos cansados do embuste bolsonarista são terroristas.

Um governo que vive de enganar os cidadãos e de criminalizar a oposição não é democrático e deve ser denunciado com o maior vigor, mesmo diante das limitações sanitárias impostas pela pandemia. 

A coragem moral que falta a alguns no governo sobra entre os brasileiros de bem – maioria absoluta da população. (editorial de 09/06 d'O Estado de S. Paulo)

sábado, 6 de junho de 2020

MANDETTA QUALIFICA DE "UMA TRAGÉDIA" A CENSURA DE INFORMAÇÕES SOBRE A EVOLUÇÃO DA COVID-19

Desde a noite de 6ª feira (5), o Ministério da Saúde deixou de informar o total de casos confirmados da Covid-19 e de mortes decorrentes.

O portal do MS com as informações consolidadas saiu então do ar e só retornou na tarde deste sábado (6), com a página mostrando somente os números registrados no último dia.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta qualificou de "uma tragédia" tal decisão, pois ela "pode ser mais nociva do que a própria doença".

Parece-lhe que "o que estão querendo fazer é uma grande cirurgia nos números".

Isto explica, avalia ele, a substituição de médicos por militares no MS, pois, com uma cultura militar de lealdade e de cumprimento de missão, fica mais fácil "manipular e distorcer os números".

Mas, completou ele, no caso se trata de uma "lealdade burra e genocida".
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