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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

RELÓGIO DO FIM DO MUNDO MAIS PRÓXIMO DA MEIA-NOITE

 

Desta vez não são apenas os religiosos profetas das desgraças, com suas previsões sempre falsas e erradas, desde o apóstolo João na ilha de Patmos com seu Apocalipse aos norte-americanos Russel e Rutherford com suas datas do fim do mundo variando a cada guerra maior e, para resumir, aos fake news dos evangélicos assustando seus seguidores com a próxima Batalha do Armagedon.

Desta vez são os cientistas da Universidade de Chicago, criadores em 1947 do Relógio do Fim do Mundo, numa época considerada bastante instável, pois já existia a bomba atômica, responsável pela destruição das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Era o começo da guerra fria com o temor de russos e americanos destruírem o mundo com o emprego das armas atômicas numa terceira guerra mundial.

Houve novas guerras, principalmente na Ásia, como a do Vietnã, nas quais russos e americanos se enfrentavam indiretamente, porém não se utilizou a destruição atômica. Porém, mesmo que utilizassem, o estrago seria enorme nos países atingidos, mas teria proporções limitadas. Naquela época, não se poderia falar em destruição de toda humanidade vivendo no planeta.

Passaram-se mais de 70 anos e, embora o relógio seja atualizado anualmente, o sinal de alarme não parecia próximo a soar. O relógio é simbólico e tem como hora fatal a meia-noite. A cada ano, os cientistas da Universidade de Chicago abastecem o relógio com as informações consideradas capazes de influir no futuro do planeta. Nesta terça-feira , 23 de janeiro, feita a atualização anual, o ponteiro de minutos repetiu a situação do ano passado, mostrando estar a apenas 90 segundos da meia-noite, havendo portanto, de acordo com os cientistas, um momento de perigo sem precedentes.

Estamos “mais perto do que nunca de uma catástrofe global", disse a presidente do Boletim de Cientistas Atômicos, Rachel Bronson.

Por que essa visão alarmista de uma catástrofe global? Rachel Bronson explicou seus temores:

 “A guerra na Ucrânia representa a ameaça constante de uma escalada nuclear e o ataque de 7 de Outubro e a guerra em Gaza são mais um exemplo dos horrores da guerra moderna, mesmo sem a escalada nuclear. Os países que possuem armas nucleares estão aplicando programas de modernização que poderão levar a uma nova corrida às armas nucleares.”

Mas não é só! As anunciadas mudanças climáticas já estão se manifestando no planeta com inundações, deslizamentos, temporais, incêndios provocados pelo aumento da temperatura jamais registrados na superfície do globo.

Esse aquecimento da temperatura vem acelerando o derretimento das geleiras nas montanhas e nos polos com o consequente aumento do volume das águas nos mares e oceanos. Países, cidades e suas belas praias costeiras já estão ameaçados de desaparecem inundados.

A consequência, com a diminuição de áreas habitáveis e produtivas, será a migração em massa e a criação de conflitos com os países menos afetados. Essa perspectiva não tem sensibilizado as grandes indústrias e nem os países produtores de petróleo, numa espécie de insistência numa autodestruição. O risco é de o mundo ser destruído por um aquecimento global cuja origem humana já foi suficientemente demonstrada.

Para muitos observadores, a outra ameaça grave poderá ser a reeleição do ex-presidente Donald Trump. Com uma personalidade instável, irascível e egocêntrica, Trump terá o poder de decidir a utilização de armas atômicas, provocando respostas capazes de incendiar o planeta.

O outro perigo vem do Oriente Médio, com países como o Irã governados por teocracias religiosas e organizações islamitas como o Hamas com objetivos de expansão. A centelha capaz de incendiar o mundo poderá ocorrer nessa região. 

Por fim, na Europa também preocupa o retorno da extrema-direita, seu enxerto com os grupos evangélicos nos EUA e Brasil, o surgimento de uma islamização da esquerda entre intelectuais e o retorno do antissemitismo. (por Rui Martins) 

sábado, 20 de janeiro de 2024

CRESCE O IMPASSE CAPITALISTA

 


Os exemplos dos acontecimentos nos Estados Unidos com Donald Trump, o destrumpelhado, e com Boçalnaro, o ignaro, devem servir de análise do que está a acontecer no mundo político nesta fase de ocaso do sistema capitalista. 

Mas o governo de Joe Biden, Emanuel Macron, Alberto Fernandes e Lula podem também servir de referências de análises, pois são estilos de governos diferentes nas concepções da condução do poder político diante da crise do capital: ambos ineficazes. 

Houve uma inquietante similaridade entre o que ocorreu nos Estados Unidos de Trump e no Brasil de Bolsonaro e que pode nos servir de exemplo. 

Lá, um governante fanfarrão que aparecia na mídia como um lutador e valentão de briga de rua; aqui, um tenente promovido a capitão por afastamento das fileiras do exército, devido ao planejamento de atos terroristas, que teve como símbolo de campanha as armas ostensivamente empunhadas em comícios, algo copiado por Milei com sua motosserra, tendo sido igualmente eleito. 

Lá, o presidente em exercício denunciou possível fraude eleitoral de  votos que seriam dados pelo correio na disputa presidencial, já antevendo a possibilidade de derrota e premeditando um golpe; aqui, o presidente em exercício denunciou as urnas eletrônicas que o elegeram antes (2018) e depois os governadores dos principais estados brasileiros  - Minas, Rio de Janeiro e São Paulo em 2022 - e a maior bancada conservadora da história do Congresso Nacional como passíveis de manipulação, tendo a mesma intenção: dar um golpe de estado. 

Lá, o Presidente derrotado nas urnas orquestrou a invasão do Capitólio, sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos, com pessoas fantasias com bandeiras dos Estados Unidos e outros modelitos mais estilizados, usando a violência que sempre marca a vida estadunidense num putsch no qual morreram 6 pessoas; aqui, desde a derrota, os seus fanáticos defensores se postaram diante dos Quarteis do Exército em várias capitais e no Distrito Federal a pedir intervenção militar contra a posse do então presidente eleito. Não tendo conseguido evitar a posse, perpetraram um violento putsch contra as sedes vazias dos três poderes da República num dia de domingo, 08.01.2024, esperando que houvesse uma adesão militar a partir da decretação da GLO – Garantia da Lei e da Ordem; 

Lá, foi eleito um socialdemocrata da ala mais conservadora do partido; aqui um socialdemocrata mais à esquerda da socialdemocracia, mas que faz alianças e concessões até com o diabo, se ele garantir a sua elegibilidade, e governa como qualquer socialdemocrata à direita governaria.  

Acho até que tem muitos bravos militantes remanescentes do PT de outrora  - que abrigava incômodas correntes marxistas que foram expulsas pelo anticomunismo e  centralismo lulopetista -, e que ainda estão por lá, devem sentir incômodos de terem que engolir tantos sapos ideológicos em nome de uma governabilidade que apenas faz mudanças cosméticas, mas mantêm a essência do corpo inalterada. 

Mas o que podemos inferir de um extrato analítico mais profundo destes dois acontecimentos políticos?  

A primeira constatação é a de que há uma insatisfação popular contra os governos que se expressa no pêndulo eleitoral entre posições políticas administrativas de direita e de esquerda como busca de solução para os problemas que se agravam socialmente, sem a compreensão que tais governantes e governos são espécies políticas de um mesmo gênero: a relação social capitalista.  

A segunda constatação é que os governantes têm um problema a resolver: a ingovernabilidade do Estado falido e a depressão capitalista que os impedem de promover a tão sonhada retomada do desenvolvimento econômico, que faria os governantes posarem como defensores liberais ou keynesianos das causas populares e dos trabalhadores, desde que estes continuem dependendo das esmolas do estado - cada vez mais precarizadas - e precisando de advogados na defesa ante o escravismo indireto do trabalho abstrato.    

Nos países da periferia capitalista, a governabilidade é ainda mais difícil porque o poder político está submetido à chantagem do capitalismo internacional hegemônico e ao poder econômico das elites burguesas poderosas que esperam resolver tudo pela força militar, quando a pressão for insurgente. 

A África com seus déspotas militares corruptos e sanguinários serve de exemplo irretocável do que estamos falando.  

No Brasil, o mesmo Supremo Tribunal Federal que condenou os corruptos do mensalão, deixando ileso o presidente Lula, encontrou uma série de desvios processuais patrocinados pela direita raivosa e ambicionando a volta ao poder político de seus membros serviçais - um juiz federal parcial de primeira instância guindado a Superman e Ministro da Justiça com aspirações presidenciais e que hoje é Senador. 

 Diante do temor da vitória eleitoral de um fascista tupiniquim genocida, pretendente a ditador supremo nos seus desvarios de plutocrata, que prometia o fechamento das instituições e substituição dos seus membros por gente da direita terrivelmente obediente, trouxeram Lula de volta, o único candidato capaz de vencer toda a máquina governamental dispendiosa colocada à serviço do candidato presidente.  

Tanto Boçalnaro, o ignaro, se deu mal, quanto seus filhos zero à esquerda, asseclas milicianos e colaboradores facciosos que vão desde alguns membros do Ministério Público até alguns membros energúmenos do judiciário.  

Já disseram que o Brasil não é para principiantes, e eles não aprenderam essa lição passada desde Jânio Quadros e Collor de Mello: a elite brasileira tem suficiente discernimento político para saber a quem deve temer à direita e à esquerda e na hora adequada. 

O quadro é de crescimento irrefreável da crise do capital. Até mesmo organismos internacionais criados pelos países que detêm hegemonia econômica, como a OCDE e a ONU divulgam dados insuspeitos. 

 Afirma a ONU que cerca de 3,3 bilhões de pessoas – mais de 41% da população mundial – vivem em países que hoje gastam anualmente mais com o pagamento de suas dívidas do que investem em educação ou saúde. Essa é a principal conclusão do estudo "Um Mundo de Dívidas", recentemente divulgado. 

Segundo esse estudo, a dívida pública de todos os países do globo quintuplicou em 20 anos: saiu de 17 trilhões de dólares em 2002 e atingiu US$ 92 trilhões no ano passado – cerca de R$ 450 trilhões hoje, e não há lucros e extração de mais valia que possam quitar sequer os juros dessa dívida. As rolagens da dívida já apresentam sinais de insolvência incontornável. 

Há um prenúncio claro de insolvência num ponto futuro cada vez mais próximo e que significará a bancarrota do sistema bancário mundial e suas graves consequências para o mundo capitalista e para a governabilidade do Estado.  

A administração política da debacle capitalista está cada vez mais difícil e, também, em países como o Brasil, apesar de toda a sua potencialidade em riquezas materiais que não se transformam em riquezas abstratas da economia mundial - valor monetário -, senão vejamos: 

- aumentar impostos, como fez Fernando Haddad, que serão repassados a uma população já exaurida economicamente, pode aliviar a escassez financeira do Estado, mas sacrifica na outra ponta ao sacrificar aqueles que já estão exauridos pela constante redução dos salários e da oferta de empregos mal remunerados ou não. 

- pagar os pesados juros da dívida pública significa extrair do povo e da economia uma soma de valores absurdamente penosa - juros de 10% ao ano sobre um dívida que gira em torno de 84% de um pibinho inexpressivo, e que se anuncia que será ainda menor em 2024; 

- definir como meta o déficit zero nas contas públicas, como quer o mercado e como já anunciou o Ministro da Fazenda, significa submeter o orçamento da União e seus gastos exorbitantes com a máquina pública - os salários de parlamentares e membros do judiciário são um escárnio diante do salário mínimo -, a um critério no qual as demandas  sociais ficam sempre postergadas para um futuro inatingível; 

- estabelecer como vitória a fixação de um salário mínimo - R$ 1.412,00 - acima da inflação, mas que não dá para comprar duas cestas básicas, incapaz de alimentar uma família de 5 pessoas, é garantia de aceitação do menos ruim por medo do pior;      

- com um Estado que tem a conta do chá para manter o déficit zero, é impossível ter recursos para controlar os imensos gastos de combate ao tráfico de madeira, minérios, animais exóticos, biodiversidade vegetal, e de entorpecentes numa Amazônia onde a cobiça capitalista atua com olhos de exploração criminosa, e que corresponde a 41% de todo o território da Europa - Boçalnaro, o ignaro, havia dito que era maior do que toda a Europa, num arroubo de quem não tem a necessária precisão do que firma;  

- alocar recursos do orçamento para a infraestrutura capitalista - estradas e manutenção destas, energia, água, portos, aeroportos, combate à predação ecológica, etc. -, numa pretensão de retomada do desenvolvimento econômico - leia-se: mais exploração capitalista para fazer face à fratricida concorrência mundial de mercado -, é algo assim como querer que o meu botafogo volte no tempo e retome o nível de vitórias do primeiro turno do campeonato brasileiro de 2023; 

- e por aí vai... 

Somente a subserviência ideológica ao sistema;  

- o amor vaidoso pelo poder político e suas solenidades e reverências institucionais;  

- a comodidade do uso dos recursos da máquina pública em favor próprio ou de grupos e partidos;  

- ou uma ingênua ilusão de que a partir do aparelho de estado se pode mudar substancialmente a realidade;  

 - ou ainda o interesse dos representantes políticos dos grandes interesses econômicos que os financiam, justificam alguém querer se sentar na cadeira governamental falida.

- ou todos os aspectos elencados juntos. 

Há pessoas, poucas, que entram para a política institucional com propósitos bem-intencionados em servir à coletividade; essas, se não forem laçadas pela gravata e não se tornarem dependentes economicamente da máquina estatal, somente permanecem nela até quando descobrem a ingenuidade de tais propósitos. 

Revolucionários verdadeiros são avessos ao poder vertical. 

A Administração da crise do capital e da sua cidadela protetora e opressora do povo, o Estado, pela esquerda, é um contrassenso e uma contradição à essência dos seus postulados anticapitalistas, em suma, uma capitulação que a história há de condenar.  (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 10 de abril de 2023

O REI ESTÁ NU!

 

Na fábula do dinamarquês Hans Christian Andersen, um rei ditatorial e vaidoso se admite fantasiosamente vestido com uma roupa deslumbrante descrita por seu alfaiate charlatão, ao que os seus áulicos bajuladores confirmam a fantasia como sendo real e atestam a beleza da vestimenta inexistente. 

Mas um menino descompromissado com o comportamento real e de seu séquito, ao ver o Rei afirma: o Rei está nu! Então, o confronto da realidade com a mentira desnuda a farsa.  

A metáfora da conhecida fábula cai como uma luva para o depoimento do ex-Presidente Boçalnaro, o ignaro, na Polícia Federal, após a sua esvaziada chegada ao Brasil vindo dos Estados Unidos como um derrotado fujão.  

Primeiro ele afirmou: não pedi e nem recebi!, para depois de descoberto o recebimento de uma das três caixas com diamantes valiosos em seu poder, e acossado pelo Tribunal de Contas da União para a devolução de um presente pretensamente de natureza diplomática, ter que devolvê-lo acabrunhado.  

A ex-primeira dama Michele também disse com ar de quem desconhece o fato: isso era tudo meu e eu não sabia?!

O ex-presidente tentou de todas as formas, por intermédio de gente orientada pela alta cúpula do seu (des)governo, retirar o pacote de joias mais valiosas, composto por colar de diamantes e outros badulaques preciosos, que somente foram retidos graças ao comportamento firme e criterioso do funcionário da alfândega aeroportuária após a detecção de tais preciosidades minerais na fila do nada a declarar pelo detector de metais.  

A tentativa de apropriação indébita das joias durou longo período e culminou com uma tentativa bisonha de um militar de baixa patente, sob as ordens de superiores e utilizando avião da Força Aérea Brasileira, de retirá-las das mãos da Receita Federal. 

Tal ato criminoso culminou num último gesto no apagar das luzes de sua opaca administração genocida e com o mandatário maior se preparando para a fuga sorrateira enquanto a sua turma ainda acreditava num golpe militar sob o clamor da volta da ditadura por grupos patéticos de embandeirados a desfilar nas portas dos quarteis e fazer continências para paredes e pneus.  

Indagado na PF, disse não se lembrar de quem e nem de quando foi avisado das joias e da apreensão destas pela Receita Federal, apesar do seu Ministro das Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, ter afirmado logo após o incidente que ditas joias se referiam a um presente saudita para a primeira dama Michele. 

Perguntado por que teria agido de tal maneira após a evidente contradição de argumentos,  disse que tentou evitar um incidente diplomático constrangedor com o governo da Arábia Saudita.  

Ora, quem deveria estar constrangido era a Arábia  Saudita por ter dado - possivelmente sem protocolo, fato que está sendo apurado - presente tão valioso a um mandatário estrangeiro, com ares de presentes de usos pessoais, prática pouco usual nestes tipos de transições numa negociação entre os dois países.  

Quanto mais se apura a questão vê-se que para cada enxadada sai uma minhoca nova,  e para cada pena extraída aparece uma galinha inteira.  

O Brasil de Boçalnaro, o ignaro, conseguiu superar o beija-mão do ex-governador baiano Otavio Mangabeira ao Presidente dos Estados Unidos, General Dwight Eisenhower, vez que ele nunca foi tão parecido com a antiga submissão brasileira aos Estados Unidos, repetida agora quando o país foi recém-governado pela ultradireita brasileira saudosa do militarismo de triste memória. 

A similaridade com Donald Trump não é pura e mera coincidência, mas parte de um comportamento submisso a uma ordem ditatorial de direita que se conjectura mundialmente a partir do desespero pela autodestrutibilidade da lógica capitalista que se desintegra por dentro. Já não dá para prender comunista como culpado de tudo, mas a retórica maniqueísta continua.  

A negação da eficácia do isolamento das pessoas diante da propagação do vírus da covid-19, como forma de manutenção do fluxo econômico já depressivo desde antes por lá, foi o mesmo de cá, sendo que aqui se condenou a vacinação e se comprou cloroquina em quantidades e valores proibitivos, o que provocou a morte evitável de pelo menos 300 mil pessoas. 

A previsão de fraude eleitoral como antídoto para uma possível e previsível derrota eleitoral de lá, e que se confirmou, foi a mesma de cá: lá com o questionamento do voto pelo correio, por aqui com a afirmação fantasiosa de fraude nas urnas eletrônicas que elegeram grande número de seus apoiadores para governos estaduais e parlamento.

Após a derrota do destrumpelhado, por lá veio o 6 de janeiro e a invasão ao Capitólio com cinco mortes e um presidente tentando deixar as suas digitais do evento apagadas; por aqui, o 08 de janeiro, com o acumpliciamento do seu ex-Ministro da Justiça, então Secretário de Segurança do DF, ora preso e processado.  

Nunca fomos tão plagiadores do mal e submissos ao Tio Sam como neste (des)governo de triste memória que felizmente foi derrotado, apesar das evidentes manipulações do poder econômico e institucional nas eleições por ele praticado - sem que isto represente a nossa redenção sob Lula.  

 Diferentemente do que disse o guru da família Bolsonaro e de tantos outros terraplanistas - o charlatão de triste memória, Olavo de Carvalho, que afirmava haver uma conspiração comunista internacional -, devemos considerar existir um crescimento da direita em face da incapacidade de social-democracia de tornar palatável o capitalismo em fim de feira.  

Já agora na França cresce a popularidade da direita com Marine Le Pen, conforme divulgou o jornal francês Le Figaro, em face da decisão de Emmanuel Macron de aumentar a idade para a aposentadoria dos trabalhadores franceses como medida para minimizar o desequilíbrio do déficit crescente das contas previdenciárias. Algo similar ao ocorrido por aqui. 

Governar, atualmente, é administrar a escassez, e é por isto que Lula já se defronta com o empacamento da pretendida retomada do desenvolvimento econômico - leia-se mais capitalismo, pretensamente próspero - nos seus 100 dias de governo. 

Se Boçalnaro, o ignaro, perdeu credibilidade e prestígio como afirmam as pesquisas de opinião pública, e as demonstrações de seu isolamento do cenário político a que estamos observando dão provas disto, não significa estar a direita brasileira, historicamente influente e numerosa, morta e sepultada.  

O vácuo deste segmento conservador já está sendo ocupado por herdeiros do espólio boçalnarista, como se pode inferir das posições de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e Tarcísio Freitas, governador de São Paulo, que com discursos republicanos de relações com o governo Lula, e com acenos discretos ao antigo chefe, também pretende ocupar o espaço existente na liderança deste segmento político.   

Lula tenta se alçar à condição de estadista com a sua intervenção e participação nos BRICS, num mundo em que as lideranças dos países hegemônicos perdem prestígio interno por conta da crise capitalista. Mas a sua esperteza de político sagaz que usa as insígnias históricas do anticapitalismo, mas propõe o impossível desenvolvimento do dito cujo, tem fôlego curto. 

Atenção Lula! Não se trata aqui de pessimismo derrotista ou otimismo bobo, mas de realismo esperançoso -como diria Ariano Suassuna -, e com crença firme na possibilidade de superação dos nossos problemas sociais sob parâmetro anticapitalista de produção social e organização jurídica de base na sua essência definitiva, como solução unicamente possível de alternativa inafastável.  

E sem medo de ser feliz! (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

TRUMP E O FIM DA PAX AMERICANA



Pax Americana pode ser considerado um período de forte crescimento econômico, estabilidade política e hegemonia mundial dos EUA. O marco deste período é certamente o fim da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente o lançamento das duas bombas atômicas sobre o Japão. 
Naquele momento, diante de uma Europa arruínada e um Japão prostrado, os EUA saíram intactos do furacão, com uma poderosa indústria e uma força militar titânica. Seu único adversário a nível global, a URSS, estava alguns degraus abaixo, pois sofrera fortes perdas durante a guerra. 

A reconstrução da Europa e da Ásia foi o motor de um robusto crescimento econômico dos EUA, alavancando a riqueza do país e parindo uma poderosa classe média. 

Nos tempos de McCarthy, socialistas eram linchados nas ruas dos EUA
O MARCATHISMO cuidou de limpar a política estadunidense de qualquer sombra de forças de esquerda: SOCIALISTAS, COMUNISTAS, SOCIAL-DEMOCRATAS, TRABALHISTAS e qualquer um que tivesse o mínimo de crítica social foi retirado da vida política, seja pelo ostracismo, seja pelo exílio ou mesmo pela morte. 

Veio daí uma forte hegemonia política conservadora, de centro-direita, a qual, aliada a um enriquecimento das classes trabalhadoras, levou a um marasmo político. Mesmo as agitações das décadas de 60 e 70 não vieram abalar o status quo, sendo relativamente bem absorvidas pelo sistema institucional. Afinal, no fim, foi o pacifista e negociador Martin Luther King quem triunfou e não o revolucionário Malcolm X.


O céu de brigadeiro começou a se desmanchar em fins da década de 70. O choque do petróleo e uma profunda crise levou a economia dos EUA a derrapar. A subida de Ronald Reagan marcou nova fase política, com a implementação do neoliberalismo, paulatino empobrecimento da classe média e radicalização direitista do partido republicano. 
Reagan iniciou a Era Neoliberal nos EUA


A partir desta época, a queda de renda dos trabalhadores começou a ser compensada pelo endividamento generalizado, com pessoas hipotecando suas casas para manter um nível de vida já impossível. 

A bomba começou a ser armada e foi estourar em 2008. O rei estava nu!

Occupy Wall Street e a eleição de Obama foram manifestações à esquerda do descontentamento popular. O governo Obama conseguiu mitigar, mas não resolver, o problema da crise e milhões de desiludidos acabaram rumando para as fileiras de Trump. 

Por outro lado, o Ocuppy levou à ascensão de social-democratas hoje influentes: Sanders, Ocasio-Cortez, etc. 
O Occupy foi a primeira resposta popular à crise de 2008

No meio do caos entra Trump. Longe de ser um ponto fora da curva, Trump é o produto necessário da crise do capitalismo estadunidense. A grave crise de 2008, o empobrecimento generalizado, a falta de perspectiva e o fracasso de Obama levaram a um profundo discrédito dos trabalhadores frente ao sistema institucional. 

O povo estava cansado das limitações e inoperância do establishment e por isso almejava um franco atirador, alguém para declarar guerra de dentro do governo e virar a mesa. 

Sanders era o homem à esquerda, mas foi barrado pelos chefões do Partido Democrata. Trump conseguiu triunfar, à direita, talvez porque o Partido Republicano já tivesse décadas de radicalização direitista, o que facilitou imensamente a vitória do agora ex-presidente.
 
Sanders não conseguiu fazer frente ao poderoso establishment do Partido Democrata

E Trump fez o que foi eleito para fazer: declarar guerra ao sistema institucional. E isto colocou fim à Pax Americana, repolitizando a presidência da república. 

Trump trouxe a crise econômica, as tensões da sociedade, a fúria do americano médio para dentro da Casa Branca. O indivíduo comum, sobretudo dos cinturões mais devastados do interior e dos subúrbios, sentiu-se plenamente realizado com o presidente. Para eles, a questão maior era, e é, a destruição do sistema que virou as costas para eles. Por isso, Trump teve uma votação tão maciça e, por isso, o Capitólio foi invadido. 

A invasão ao Congresso, inclusive, é a mostra desta fúria de amplos setores populares contra o sistema institucional. O símbolo sagrado da democracia americana, nas palavras de Guga Chacra, é para estes populares o símbolo da raiva e do ressentimento. 
A invasão ao Capitólio expressa o ódio de frações populares frente ao "abandono" das instituições

No entanto, como se fosse uma neurose freudiana, Trump apenas significou a vingança simbólica, pois a verdadeira base concreta da crise não pode ser por ele resolvida. Ao contrário, ele até a piorou, elevando-a a novo patamar. 

A guerra hoje empreendida no seio do centro do capitalismo mundial poderá determinar o futuro do próprio sistema. É algo para se ver. Fato é que a Pax Americana está sepultada e deu lugar à BELLUM AMERICANA. 
 

Ele se foi, mas seu "legado" não


(Por David Emanuel Coelho)


SUBSTITUIÇÃO: SAI TRUMP E ENTRA BIDEN



 Hoje, 20 de janeiro de 2021, ao meio dia, pelo horário da costa leste dos EUA, tomará posse Joe Biden, encerrando quatro anos do governo de Donald Trump. 

Logo de largada, Biden anunciará uma série de medidas para reverter ações de Trump ou para dar o pontapé em seu programa de governo, o qual promete ser mais progressista que o de Obama. 

Entre as principais medidas a serem tomadas já hoje por Biden estão:

RETORNO DOS EUA AO ACORDO DE PARIS
RETORNO DOS EUA À OMS
REVISÃO DAS MEDIDAS DE IMIGRAÇÃO SEGREGACIONISTAS
PARALISAÇÃO DO MURO COM O MÉXICO

 Além de outras centenas de ações executivas. 

No entanto, tais medidas terão mais o caráter restaurador, corrigindo medidas disruptivas de Donald Trump. 

O nó górdio será depois, com as medidas propositivas. Entre elas, medidas para conter as MUDANÇAS CLIMÁTICAS, REFORMAS DA IMIGRAÇÃO, REFORMAS DA POLÍCIA, REFORMAS DO SISTEMA DE SAÚDE, COMBATE AO RACISMO e MUDANÇAS NO SISTEMA TRIBUTÁRIO. 
Embora tenha uma maioria relativa no congresso, Biden terá desafios imensos. Os EUA, enquanto centro do capitalismo mundial, enfrentam uma profunda crise de reprodução do capital que se soma à já antiga crise de desindustrialização e queda da renda média da população. Esta crise profunda é a base material que alimenta o radicalismo da extrema direita, que continuará vivo durante seu mandato. 

Biden pode acreditar em um fictício retorno à normalidade, entendida enquanto a Pax Americana do pós-guerra, mas a dura realidade acabará por se impor. A roda da história girou e hoje os ares são turbulentos. 

Quanto ao Brasil, é difícil cravar uma queda automática de Bolsonaro após a subida de Biden. Certamente, haverá muitas dificuldades para o presidente brasileiro neste novo contexto, mas acredito que, a princípio, o pragmatismo falará mais alto e Biden tentará seguir o jogo em nome das relações comerciais e diplomáticas.

 Penso que, se houver dificuldades, elas virão de Bolsonaro e não de Biden, pois o brasileiro tem mais a perder, simbolicamente, em se ajustar às políticas do novo presidente estadunidense. 

No entanto, uma coisa é certa: dias agitados virão pela frente e Biden, apesar de seu conservadorismo, terá de tomar decisões fundamentais. (Por David Emanuel Coelho)
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