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terça-feira, 19 de abril de 2016

AS LÁGRIMAS DOS TRABALHADORES ME COMOVEM. A AUTO-VITIMIZAÇÃO DOS PODEROSOS, NÃO!

Então, ficamos assim: Dilma Rousseff desistiu de convencer os cidadãos conscientes e politizados de que mereça continuar presidente da República, passando a direcionar seu discurso para os indivíduos despolitizados e suscetíveis de se deixarem iludir pela demagogia rasteira. 

Mas, claro, a penúria para a qual deu enorme contribuição é um considerável empecilho. Papo furado não bota pão na mesa. E quando falta pão, poucos se satisfazem com embromação.

Ela protesta inocência, mas sua culpa é imensa: assumiu a Presidência quando os cenários econômicos mundiais começavam a se tornar desfavoráveis para o Brasil e quis porque quis exumar o vetusto nacional-desenvolvimentismo da década de 1950, tentando fazer a economia deslanchar graças a  perdulários estímulos estatais. 

Como a História só se repete em farsa, o resultado foi péssimo: retração dos investimentos, perda de competitividade, evolução incipiente (e depois negativa) do PIB, tendência inflacionária só mitigada pela queda de poder aquisitivo dos consumidores. 

Resumindo: quebrou a cara  e engatilhou uma forte recessão para o quadriênio 2015/18. 

Aí bateu o desespero e ela mandou seus valores esquerdistas às urtigas, adotando a racionália do inimigo de classe.

Primeiramente fez campanha à reeleição escondendo do povo a situação crítica da economia e a decisão já tomada de dar uma guinada de 180º à direita. Pelo contrário, acusou Marina Silva e Aécio Neves de pretenderem fazer o que ela já havia resolvido fazer. Ou seja, o compromisso dos revolucionários com a verdade virou pó de traque. E os trabalhadores que seu partido deveria representar foram tratados como otários.

Foi o estelionato eleitoral mais grotesco da política brasileira em todos os tempos, pior ainda do que quando a campanha de Eurico Gaspar Dutra atribuiu em 1945 a Eduardo Gomes uma afirmação que este jamais fizera, a de que não necessitaria dos "votos de marmiteiros [operários]". 

Tão logo foi empossada, Dilma jogou as bandeiras econômicas do PT no lixo e aderiu ao neoliberalismo de Milton Friedman, Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Augusto Pinochet tendo, ainda por cima, a implementá-lo um economista inexpressivo que o presidente do Bradesco, Luís Carlos Trabuco, indicou, depois de declinar o convite para pilotar ele próprio a barca furada.

Desde o primeiro momento alertei que jamais daria certo, pois um partido originário na esquerda não consegue governar com uma política econômica escrachadamente de direita. 

Foi o que João Goulart aprendeu da maneira mais difícil: ele pretendia ir transformando o Brasil com as reformas de base (vide aqui), enquanto, em termos imediatos, mantinha diretrizes econômicas convencionais, aplicadas por ministros moderados como Carvalho Pinto e San Tiago Dantas. Mas, o fogo amigo de Brizola e do PCB inviabilizou tal intenção e afugentou tais ministros, colocando o governo na rota da radicalização (que era tudo de que os golpistas precisavam para o sucesso da quartelada há tanto tramada...).

A História se repetiu: Joaquim Levy não conseguiu socar o ajuste fiscal goela dos brasileiros adentro e a situação econômica brasileira não cessa de piorar ao longo deste segundo governo de Dilma.

É difícil quantificar algo assim, mas o ziguezague de Dilma na condução da economia seguramente aumentou em milhões o número de desempregados, que seria considerável de qualquer forma, mas não tanto (uma pista: na comparação do quarto trimestre de 2014 com idêntico período de 2015, aumentou em 2,6 milhões o número de pessoas procurando emprego sem encontrar).

Por que considero Dilma pessoalmente responsável pelo desastre econômico?

Primeiramente, pela arrogância & ignorância com que tentou fazer a História retroceder mais de meio século, como se a globalização dos mercados não houvesse mudado a face da economia capitalista nesse meio tempo. 

O delírio retrô de Dilma acabou resultando num formidável tiro pela culatra: o símbolo maior do nacionalismo dos anos 50, a Petrobrás, foi praticamente destruído sob sua tutela, como presidente do Conselho de Administração (2003/2010), ministra das Minas e Energia (2003/2005), chefe da Casa Civil (2005/2010) e presidente da República (desde 2011).

E, após suas diretrizes econômicas do primeiro mandato terem sido pulverizadas pela realidade, por ter tentado conciliar duas grandezas incompatíveis entre si. Deveria governar como petista no segundo mandato ou afastar-se do PT e buscar o apoio de tucanos e peemedebistas para seu ajuste fiscal. Não fez uma coisa nem outra, acabando por nos conduzir ao pior dos mundos possíveis.

O estelionato eleitoral que a reelegeu e o desastre econômico que protagonizou a fazem totalmente merecedora do impeachment ou cassação do seu mandato, pois o País não pode continuar paralisado como está há 15 meses e meio. Blablablá legalista não altera o fato de que nações não se suicidam, nas circunstâncias extremas fazem o necessário para sobreviver (justificativas legais sempre são encontráveis).

E, o principal: o povo sofredor não merece tamanho aumento dos seus tormentos, nem tem como aguentar isso por muito tempo mais.  

Dilma jura inocência pessoal, como se fosse uma autista que ignorava todas as ilegalidades que ocorriam sob seu nariz e como se isto importasse alguma coisa em contraste com a devastação que causou. E os milhões de desempregados, eram culpados de alguma coisa? 

Como revolucionário, estarei sempre ao lado dos coitadezas contra os poderosos. Tenho dedicado toda minha vida consciente à causa dos explorados, não à defesa de governantes omissos e incompetentes. Mantenho minha opção.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

AINDA SOBRE A RENÚNCIA DE DILMA

Submeter-se à direita foi o erro mais desastroso de Dilma
Por que posto no blogue e remeto para meu mailing artigos como Exorto Dilma a um gesto de grandeza: a renúncia? Sei, de antemão, que textos polêmicos como este me acarretarão alguma rejeição e dificilmente vão evitar os desastres que já se vislumbram mas os atores políticos teimam em ignorar.

Respondo com outra pergunta: de que adiantaria haver passado a vida adulta inteira aprendendo a projetar e analisar cenários futuros, se não tivesse coragem para expor minhas conclusões?

Quando eu tinha 18 anos e Carlos Lamarca vislumbrou em mim uma insuspeitada aptidão para ser o primeiro comandante de Inteligência da VPR, colocou-me num rumo do qual jamais sairia. O que comecei a fazer como dever revolucionário, depois continuei fazendo tanto na defesa dos meus ideais quanto na vida profissional (a carreira jornalística). 

Então, por menor que seja a chance de alterar o rumo dos acontecimentos, considero que valha a pena apostar nela, independentemente dos benefícios ou prejuízos que advenham para mim. 

[Sempre vi a causa como maior do que as pessoas. E, por piores que sejam as perseguições movidas contra mim pelas burocracias insensíveis, jamais equivalerão às agruras pelas quais passou, p. ex., o grande Trotsky, que comandou a tomada de poder em 1917 e garantiu a sobrevivência da URSS nos campos de batalha. Quando um jornalista indagou quais eram seus sentimentos diante da usurpação dos seus louros históricos e o assassinato de seguidores e parentes, ele respondeu secamente: "Não conheço nenhuma tragédia pessoal". É um dos exemplos que me inspiram.]
O que podemos esperar de Levy? Sopa dos pobres?

Dois companheiros que recebem meus textos há anos pediram para ser excluídos da lista, solicitação que eu sempre atendo numa boa. Infelizmente, fizeram-no com extrema deselegância, como é moeda corrente na internet. 

O fracasso retumbante do stalinismo não impede que muitos até hoje sejam stalinistas em espírito, acreditando que na esquerda haja uma única linha justa e que todos os adversários, inclusive os representantes de outras tendências do nosso campo, devam ser esmagados. Quanta estreiteza!

Felizmente, ainda existem os que sabem discutir civilizadamente, como um veterano companheiro que argumentou: Dilma acreditaria numa ordem mundial mais justa e teria o apoio dos Brics neste sentido, faltando-lhe, contudo, um ministério identificado com seus propósitos. Caso contrário poderia, p. ex., anunciar uma grande virada política neste 1º de maio. 

A resposta que lhe dei serve para aclarar um pouco mais meu posicionamento. Então, resolvi postá-la aqui (sem massificá-la), como mais uma contribuição para os que ainda ousam usar a cabeça para o que ela serve: pensar.

Sou marxista da velha guarda: para mim, a identidade dos governos é dada, em primeiro lugar, pela sua política econômica. A de Joaquim Levy é totalmente inaceitável para a esquerda. 
Quando Jango enfim se posicionou à esquerda, era tarde demais.
O que eu vejo é uma presidenta insegura, que tenta se salvar do impeachment seguindo à risca o receituário neoliberal para crises financeiras, exatamente como o João Goulart tentou salvar-se da destituição dando carta branca a ministros como San Tiago Dantas e Carvalho Pinto.

E, assim como a ala esquerda da base janguista (Brizola à frente) inviabilizou os ministros "burgueses", tudo leva a crer que, quando a recessão chegar ao auge, a esquerda do PT (Lula à frente) fará com que o Levy seja expelido. Ou seja, o governo atual está marchando para os mesmos ziguezagues que derrubaram o Jango.

Conheci pessoalmente a Dilma no comecinho da trajetória de nós ambos, em outubro/1969, no congresso de Teresópolis da VAR-Palmares. Não senti firmeza nela então, nem sinto agora. Vejo-a como uma ex-revolucionária que havia involuído para mera tecnoburocrata quando o Lula resolveu torná-la presidenta do Brasil. 

Então, concordo contigo que ela não tem um ministério que a respalde para fazer o que seria certo --trilhar um novo caminho, alternativo aos terríveis ajustes recessivos que não deixam pedra sobre pedra. E também não vejo ela própria com estatura política para encabeçar uma guinada destas. Temo que a Dilma vá seguir a ortodoxia capitalista até o mais amargo fim. E que, assim procedendo, ela se direcione irreversivelmente para a destituição.
Jogo sujo contra Marina redundou no fim de feira atual

Daí a minha tese de que seria melhor ela renunciar agora do que continuar esperneando e favorecendo a acumulação de forças por parte da direita. Caso contrário, lá por agosto os adversários acabarão impondo-lhe o impeachment e nossa perda vai ser total, pois eles terão se tornado fortes como nunca estiveram nas últimas décadas.

Se você se recordar dos meus textos antigos ou consultá-los no arquivo do blogue, perceberá que eu não só favorecia uma vitória da Marina Silva, mas também a substituição da Dilma pelo Lula como cabeça de chapa. Exatamente porque tinha certeza absoluta de que o segundo mandato da Dilma seria um convite ao golpe de Estado, podendo nos acarretar uma nova ditadura. E meu pesadelo cada vez se materializa mais. Ela é muito fraca e não aguentará o rojão, ainda mais em meio a uma recessão que vai atravessar, pelo menos, os anos de 2015 e 2016 inteiros. Simples assim.
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