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sexta-feira, 17 de junho de 2022

RELAÇÃO COM ROBERTO TEIXEIRA PREJUDICA A IMAGEM DO LULA DE NOVO

O tal Roberto Teixeira é um óbvio
calcanhar de Aquiles do Lula
Notícia de Marcelo Godoy e Luiz Vassallo, publicada n'O Estado de S. Paulo, desta 5ª feira (16), trombeteia que Justiça decreta sequestro de bens do PCC e do contador ligado a Lula. Eis os parágrafos principais:
"...a Justiça estadual de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 45 milhões em imóveis e ônibus de integrantes do PCC e do contador João Muniz Leite, que foi responsável pelo Imposto de Renda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, até hoje, cuida da contabilidade e divide sala com empresas do filho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

...O ex-presidente Lula não é alvo da investigação. Muniz é contador da família do ex-presidente até os dias atuais. Levam o logo da JML Assessoria Contábil e Fiscal os documentos de cadastro (...) da mais recente empresa criada por Lulinha, a LLF Tech Participações, sediada no apartamento onde o filho do ex-presidente reside. 
O imóvel está em nome do empresário Jonas Suassuna, que foi sócio de Lulinha e proprietário formal do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, propriedade em razão da qual Lula foi processado na Lava Jato".
A Folha de S. Paulo, por meio dos repórteres Rogério Pagnan e Victoria Azevedo, acrescentou detalhes ao furo do jornalão concorrente, como este:
"Em seu depoimento a [Sérgio] Moro [na Operação Lava Jato], o contador disse ter sido responsável pelas declarações de renda de Lula, a pedido do advogado Roberto Teixeira, compadre do ex-presidente, de 2011 a 2015".
Ou seja, trata-se de mais um fruto podre da relação de Lula com Roberto Teixeira, confirmando meu alerta de 25 ANOS ATRÁS (!!!).

Foi quando enfatizei, em artigo publicado no Jornal da Tarde (SP), que, ao não expulsar Teixeira como corruptor, mas expulsando um militante honesto que denunciou suas falcatruas, o PT sinalizava um liberou geral para as práticas viciadas da política convencional alastrarem-se por suas fileiras.

Ou seja, se a cúpula do partido tivesse levado a sério minha advertência, não teriam existido mensalãopetrolão e outros escândalos que ainda hoje vêm a público, fornecendo trunfos valiosos para os tucanos no passado e os bolsonaristas no presente. Quem estava certo?
.
PT EXPULSA PT – Foi a insistência de Lula em manter o Roberto Teixeira dentro do PT que determinou uma das decisões mais infames tomada pelo partido no século passado: a expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, veterano do movimento universitário e da resistência à ditadura (foi da ALN), militante dos mais honestos e dignos, tão identificado com o partido que era chamado carinhosamente de PT Venceslau.

Tal economista foi a única voz no partido a protestar contra o primeiro grande esquema de desvio de recursos públicos para financiamento partidário, por meio de uma firma chamada CPEM.

Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras do PT no interior paulista, em ambas ele resistira às pressões para contratar a CPEM ou para pagar-lhe valores exorbitantes por serviços não prestados, acabando por ser exonerado da última delas, a de São José dos Campos.

Depois de dois anos de denúncias infrutíferas aos dirigentes máximos do partido, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CPEM em entrevista ao
 Jornal da Tarde (SP).

Como resposta ao escândalo, o PT submeteu o assunto a uma Comissão Especial de Investigação presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau errara ao vazar um assunto interno para a imprensa burguesa; e o Roberto Teixeira, titular da CPEM, deveria ser julgado por corrupção.
Para preservar o Teixeira, o PT
perdeu o Bicudo. Compensou?
Vale a pena lembrar o que concluiu a Comissão a respeito do segundo, em relatório assinado por Bicudo, Paul Singer e José Eduardo Cardozo:
 
"...parece provável que ROBERTO TEIXEIRA possa ter se valido, de forma pouco ética, da amizade com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, para não só se omitir face ao dever de informar e acautelar em relação à CPEM como também para desqualificar denúncias contra a mesma. 
No caso presente, parece ser difícil descartar a hipótese de que ROBERTO TEIXEIRA tenha cometido ‘abuso de confiança’ com ‘aproveitamento das relações de amizade’ que mantém com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Entre a defesa da empresa que gerou renda para seu irmão e presumivelmente para si e o interesse público e partidário, ROBERTO TEIXEIRA optou pela primeira. No âmbito desta opção deve ser, portanto, avaliado em sua conduta. 
Assim sendo, a presente Comissão de Investigação não pode deixar de concluir que a presumível conduta de ROBERTO TEIXEIRA, na conformidade do que acima se relatou, não se coadunaria com os rígidos padrões éticos que devem orientar as condutas dos militantes do PARTIDO DOS TRABALHADORES. Se em outras agremiações partidárias comportamentos de tal natureza costumam ser aceitos como normais ou não qualificados como dignos de repreensão, no PT comportamentos dessa natureza se colocam como descabidos e inaceitáveis. 
É, portanto, dentro desta dimensão que esta Comissão sugerirá ao final deste Relatório à Executiva Nacional do PT a abertura de processo ético-disciplinar contra o militante ROBERTO TEIXEIRA pela prática de grave conduta a ser avaliada e julgada, após regular direito ao contraditório e ampla defesa, pelo órgão partidário competente".
O companheiro Venceslau, outro símbolo do PT idealista.
Lula ameaçou desfiliar-se do PT caso fosse instaurado tal procedimento contra Teixeira – que era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo para morar de graça com sua família .

A direção partidária optou, então, por desconsiderar o parecer da Comissão, expulsando Venceslau e aliviando para Teixeira. Foi o instante em que se assumiu como um partido igual aos outros, capaz até de sacrificar um militante exemplar e revolucionário para preservar uma maçã podre

Segundo Venceslau, o tal Teixeira teria sido, inclusive, "torturador do delegado Fleury". 

Tudo que de ruim aconteceria depois foi consequência dessa terrível decisão. Orgulho-me de haver me solidarizado a Venceslau, antecipando que o partido tendia ao desvirtuamento, no artigo PT expulsa PT – que o Jornal da Tarde então publicou com destaque na sua página de Opinião,

Faço questão de reproduzir um trecho do meu artigo de então, desagravando o companheiro injustiçado (ele mereceu isto e muito mais!). 
"Poucos no Brasil levam suas convicções às últimas consequências, como Paulo de Tarso. Ele correu todos os riscos em nome de princípios que acreditava serem compartilhados por seus companheiros. Terão eles a coragem de manter-se fiéis a esses princípios? Cada um, ao definir sua atitude em relação a Paulo de Tarso, estará definindo quem é e o quanto vale"
Depois daquele episódio de 1997/78, o nome de Teixeira reapareceria no noticiário político-policial:
— em 2006, quando era advogado da Brasil Telecom e foi convocado para depor na CPI dos Bingos (ele admitiu conhecer Daniel Dantas, mas se disse impedido de dar mais detalhes por haver cláusula de confidencialidade). 
— em 2017, quando se tornou réu da Operação Lava jato, após ser citado nas delações premiadas da Odebrecht; e
— em 2020, quando a Polícia Federal investigou tráfico de influência no STJ e no TSU, com desvio de recursos públicos do Sistema S e foram tornados réus dois advogados do Lula, Cristiano Zanin e ele próprio, Roberto Teixeira, acusados de liderar o esquema.

Para não perder o hábito, ei-lo novamente na origem do noticiário adverso ao Lula, e isto num momento dos mais importantes... (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

ROBERTO TEIXEIRA É NOVAMENTE RÉU; PARA LIVRAR A CARA DELE O PT EXPULSOU O HONESTO PAULO DE TARSO VENCESLAU

A
cabo de encontrar no UOL a seguinte notícia: 
"A  Polícia Federal deflagrou na manhã desta 4ª feira (9) operação para investigar um suposto esquema de tráfico de influência no STJ e no TCU com desvio de recursos públicos do Sistema S. 
Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estão os advogados do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, acusados de liderar o esquema. Os dois já se tornaram réus pelo caso. 
O advogado Frederick Wassef, ex-defensor da família do presidente Jair Bolsonaro, também é alvo de busca e apreensão".
Como amiúde acontece com as advertências que lanço e são ignoradas de imediato pela esquerda brasileira, o desenrolar dos acontecimentos encarregou-se de mostrar quão certo eu estava em 1997. 

Foi quando alertei, em artigo publicado no Jornal da Tarde (SP), que ao não expulsar Teixeira como maçã podre, mas expulsando o militante honesto que denunciou suas falcatruas, o PT sinalizava um liberou geral! para as práticas viciadas da política convencional alastrarem-se por suas fileiras, o que acabaria por destruí-lo em médio ou longo prazo.

Quem então me criticou deveria ter a dignidade de desculpar-se agora comigo: a corrupção realmente se tornou frequente nas administrações petistas, isto realmente acabou destruindo o partido e Teixeira realmente responde na Justiça por mais uma maracutaia.   

Depois daquele episódio de 1997/8, o nome de Teixeira reapareceria no noticiário político-policial em 2006, quando era advogado da Brasil Telecom e foi convocado para depor na CPI dos Bingos (ele admitiu conhecer Daniel Dantas, mas se disse impedido de dar mais detalhes por haver cláusula de confidencialidade); e em 2017, quando se tornou réu da Operação Lava jato, após ser citado nas delações premiadas da Odebrecht, conforme Josias de Souza informou no seu blog:
No topo, o tal Teixeira; aqui, o companheiro PT Venceslau.
"Surgiu entre os delatores o engenheiro escalado pela Odebrecht para realizar a reforma do sítio de Atibaia: Emyr Costa. Ele conta como tocou a obra, fala do dinheiro vivo que teve que manusear e dá nomes aos bois. 
Como se fosse pouco, informa que, sob orientação de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, elaborou um contrato falso para apagar da obra as digitais da Odebrecht e da família Lula".
Este é o compadre do Lula, para cuja salvação ele chegou inclusive a ameaçar desligar-se o PT. 

Vale a pena relembrarmos o episódio.
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PT EXPULSA PT
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Foi a insistência de Lula em manter o Roberto Teixeira dentro do PT que determinou uma das decisões mais infames tomada pelo partido no século passado: a expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, veterano do movimento universitário e da resistência à ditadura (foi da ALN), militante dos mais honestos e dignos, tão identificado com o partido que era chamado carinhosamente de PT Venceslau.

Tal economista foi a única voz no partido a protestar contra o primeiro grande esquema de desvio de recursos públicos para financiamento partidário, por meio de uma firma chamada CPEM (Consultoria para Empresas e Municípios).

Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras do PT no interior paulista, em ambas ele resistira às pressões para contratar a CPEM ou para pagar-lhe valores exorbitantes por serviços não prestados, acabando por ser exonerado da última delas, a de São José dos Campos.

Depois de dois anos de denúncias infrutíferas aos dirigentes máximos do partido, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CPEM em entrevista ao
 Jornal da Tarde (SP).

Como resposta ao escândalo, o PT submeteu o assunto a uma Comissão Especial de Investigação presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau errara ao vazar um assunto interno para a imprensa burguesa; e o Roberto Teixeira, titular da CPEM, deveria ser julgado por corrupção.

Vale a pena lembrar o que concluiu a Comissão a respeito do segundo, em relatório assinado por Bicudo, Paul Singer e José Eduardo Cardozo:

Desrespeito à sua investigação começou a afastar Bicudo do PT
"...parece provável que ROBERTO TEIXEIRA possa ter se valido, de forma pouco ética, da amizade com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, para não só se omitir face ao dever de informar e acautelar em relação à CPEM como também para desqualificar denúncias contra a mesma. 
No caso presente, parece ser difícil descartar a hipótese de que ROBERTO TEIXEIRA tenha cometido ‘abuso de confiança’ com ‘aproveitamento das relações de amizade’ que mantém com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Entre a defesa da empresa que gerou renda para seu irmão e presumivelmente para si e o interesse público e partidário, ROBERTO TEIXEIRA optou pela primeira. No âmbito desta opção deve ser, portanto, avaliado em sua conduta. 
Assim sendo, a presente Comissão de Investigação não pode deixar de concluir que a presumível conduta de ROBERTO TEIXEIRA, na conformidade do que acima se relatou, não se coadunaria com os rígidos padrões éticos que devem orientar as condutas dos militantes do PARTIDO DOS TRABALHADORES. Se em outras agremiações partidárias comportamentos de tal natureza costumam ser aceitos como normais ou não qualificados como dignos de repreensão, no PT comportamentos dessa natureza se colocam como descabidos e inaceitáveis. 
É, portanto, dentro desta dimensão que esta Comissão sugerirá ao final deste Relatório à Executiva Nacional do PT a abertura de processo ético-disciplinar contra o militante ROBERTO TEIXEIRA pela prática de grave conduta a ser avaliada e julgada, após regular direito ao contraditório e ampla defesa, pelo órgão partidário competente".
Lula ameaçou desfiliar-se do PT caso fosse instaurado tal procedimento contra Teixeira – que era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo para morar de graça com sua família .

A direção partidária optou, então, por desconsiderar o parecer da Comissão, expulsando Venceslau e aliviando para Teixeira. Foi o instante em que se assumiu como um partido igual aos outros, capaz até de sacrificar um militante exemplar e (revolucionário) para preservar uma maçã podre

Segundo Venceslau, o tal Teixeira teria sido, inclusive, "torturador do delegado Fleury". 

Tudo que de ruim aconteceria depois foi consequência dessa terrível decisão. Orgulho-me de haver me solidarizado a Venceslau, antecipando que o partido tendia ao desvirtuamento, no artigo PT expulsa PT – que o Jornal da Tarde então publicou com destaque na sua página de Opinião, ao lado de uma crítica que João Paulo Cunha (depois condenado no julgamento do mensalão) fazia ao correto trabalho jornalístico de Luiz Maklouf Carvalho.

Vale reproduzir dois trechos do artigo em questão, um desagravando o companheiro injustiçado (ele mereceu isto e muito mais!) e outro antevendo o futuro que se desenhava para o PT a partir do péssimo precedente que fora aberto:
"Poucos no Brasil levam suas convicções às últimas consequências, como Paulo de Tarso. Ele correu todos os riscos em nome de princípios que acreditava serem compartilhados por seus companheiros. Terão eles a coragem de manter-se fiéis a esses princípios? Cada um, ao definir sua atitude em relação a Paulo de Tarso, estará definindo quem é e o quanto vale"
"O episódio em questão evidencia que a ideologia dominante do PT passou a ser mesmo a da banda podre do funcionalismo. Os cofres públicos existem para ser saqueados. Nada há de errado em desviar recursos públicos das administrações municipais para campanhas políticas. O único pecado é violar a lei de silêncio da máfia estatal"

Felizmente sou longevo: precisei chegar vivo à idade atual para, na iminência de tornar-me septuagenário, ver o Teixeira na condição que ele merece (a de réu). E, se alguns petistas me devem desculpas, é o próprio partido quem deveria desculpar-se com Paulo de Tarso Venceslau, hoje com 76 anos, e anular aquela expulsão injusta e infame. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O HOMEM QUE ENFRENTOU O ESQUADRÃO DA MORTE E FEZ O HEDIONDO DELEGADO SÉRGIO FLEURY CAIR EM DESGRAÇA – 2

celso lungaretti
PARTIDO QUE PERDE UM HÉLIO BICUDO PARA TER UM ROBERTO TEIXEIRA E UMA MARTA SUPLICY SÓ
PODERIA CHEGAR À SITUAÇÃO ATUAL
D. Paulo Evaristo Arns, Hélio Bicudo e Audálio Dantas: firmeza nos momentos mais críticos.
Os muitos méritos da trajetória marcante de Hélio Bicudo como jurista e homem público estão sendo desconsiderados pelos internautas para os quais os interesses e conveniências do PT são a medida de todas as coisas. Estes o estão julgando apenas e tão somente por sua participação no impeachment de Dilma Rousseff; e o fazem, ademais, de forma bem simplista, repetindo acriticamente as narrativas partidárias. 

No post anterior, a ex-secretário nacional de Direitos Humanos Flávia Pioversan, acertadamente, avalia como principal mérito de Bicudo seu devoção à causa dos DH, lembrando tudo que ele fez neste sentido.

Bicudo foi, ademais, um homem público honesto e competente, desde a década de 1950, ao presidir as Centrais Elétricas de Urubupungá quando Carvalho Pinto era o governador de São Paulo. Depois foi ministro da Fazenda interino, por uma semana, no Governo João Goulart.

 Davi venceu Golias de novo

Adquiriria enorme prestígio como o homem que derrotou o Esquadrão da Morte, mas há um componente político importante que a Flávia deixou de mencionar: tal grupo de extermínio nasceu na segunda metade da década de 1960, sob a liderança do delegado Sérgio Fleury, que então comandava o radio-patrulhamento na capital paulista.

Em 1968, Fleury foi requisitado pelo Dops para atuar na repressão aos movimentos de resistência à ditadura militar, distanciando-se do Esquadrão. Foi quem armou a tocaia para que Carlos Marighella fosse assassinado a tiros (teria sido até fácil prendê-lo com vida, mas todo o modus operandi adotado evidencia que nunca foi esta a intenção).

E participou de várias outras execuções, como as de Devanir de Carvalho (o Henrique) e Eduardo Collen Leite (o Bacuri), ambos torturados até morrerem. Como reconhecimento dos bons serviços (de carniceiro) prestados, foi condecorado pelo Exército com a Medalha do Pacificador e pela Marinha com a Medalha Amigo da Marinha.

Então, Bicudo teve contra si não apenas os protetores de policiais que exterminavam delinquentes, mas também os protetores de um policial que era, àquela altura, o maior exterminador de resistentes.

Ou seja, por haver se tornado um dos principais assassinos e torturadores da repressão política, Fleury era ostensivamente protegido pelos militares. A ditadura chegou a criar uma lei unicamente para evitar sua prisão imediata quando virou réu de um processo do Esquadrão.

Com extrema coragem, Bicudo levou sua cruzada até o fim; o incisivo apoio que recebia do jornal O Estado de S. Paulo deve ter dissuadido aquelas bestas-feras de atentarem contra ele, pois a repercussão seria enorme, no País e no exterior, o que não convinha ao governo militar. 
O tocaieiro do Marighella virou arquivo queimado

Bicudo deu o xeque-mate ao colocar quem o apoiava na imprensa na pista da verdade sobre o Esquadrão: este não agia com fins de faxina social, mas sim para fazer jus à mesada de traficantes que utilizavam seus préstimos para eliminar a concorrência. A repercussão desta notícia foi péssima na caserna.

Os militares não tinham restrições morais quanto a proverem um escudo protetor para matadores covardes, mas a coisa mudou de figura quando se tornou conhecido que eram, ademais, capangas do narcotráfico. Então, os fardados deixaram Fleury e os outros carrascos do Esquadrão entregues à própria sorte. 

O primeiro sabia demais e foi, como diziam os mafiosos, dormir com os peixes, caso único de dono de barco que se afoga no ancoradouro. Os demais acabaram condenados ou transferidos para o quinto dos infernos (ou seja, para localidades as mais distantes possíveis da capital...).

Bicudo passou a ser visto pela esquerda como o homem que, por vias indiretas, vingara Marighella e outros resistentes martirizados. Daí o interesse do PT em recebê-lo nas suas fileiras: era um patrimônio moral de primeira grandeza. 

As decepções viriam com o tempo, à medida que seus feitos foram sendo esquecidos por nosso povo de memória curta e seu valor político, consequentemente, diminuiu. Falemos das duas maiores.
O partido oPTou por Marta contra Bicudo. Depois ela bateria asas...

Em 1998 (vide aqui), presidiu a Comissão de Ética que o PT criou para apurar as denúncias do economista e ex-guerrilheiro Paulo de Tarso Venceslau contra o empresário Roberto Teixeira, responsável pela montagem do primeiro esquema de desvio de recursos públicos para os cofres do partido. 

Foi uma satisfação à opinião pública, pois Venceslau, depois de passar dois anos recorrendo em vão à direção do PT, levara suas acusações ao Jornal da Tarde

Os grãos petistas certamente esperavam que Bicudo fizesse um jogo de compadres. Ele, contudo, optou por uma justiça salomônica. Recomendou a expulsão de Teixeira como maçã podre e de Venceslau por ter vazado à imprensa um assunto interno do partido. 

Lula, compadre do Teixeira, ameaçou desligar-se do PT. Chantageada, a Executiva Estadual avocou a decisão final e, desautorizando a comissão de ética, livrou a cara do corruptor. Bicudo teve de engolir um sapo gigantesco.

Depois, no final de 2004, era vice de Marta Suplicy e assumiu a Prefeitura quando ela se licenciou para disputar o governo do Estado.  
É ingenuidade supor que isto não ocorreria sem o Bicudo
Ao invés de ficar simplesmente coçando o saco e discursando em solenidades, resolveu governar de verdade. Suas iniciativas foram muito elogiadas pela imprensa, provocando ciumeira na Marta e seus cupinchas. Hostilizaram Bicudo de tal forma que a ruptura com o partido se tornou mera questão de tempo. Cumpriu seu mandato até o fim e logo se desligou.

A partir de então, tornou-se um crítico contundente do PT. Apoiou José Serra na eleição presidencial de 2010 e Marina Silva na de 2014.

Suas justificadas mágoas o levaram, na minha opinião, mais longe do que deveria ter ido. Mas, seria ingenuidade supormos que as razões jurídicas eventualmente por ele alinhavadas e sua assinatura num documento tenham decidido qualquer coisa. Tudo aquilo não passou de encenação mambembe para preencher partes de uma peça cujo final já estava escrito muito antes de as cortinas se abrirem.

De resto, um partido que perde um Hélio Bicudo para ter um Roberto Teixeira e uma Marta Suplicy só poderia mesmo chegar à situação atual.

sábado, 9 de dezembro de 2017

QUEM FOI MESMO QUE INVENTOU A CORRUPÇÃO, LULA?

Toque do editor
Falando a estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro nesta 6ª feira (8), Lula afirmou: "Estamos entorpecidos [não reagindo à reforma trabalhista do Governo Temer]. Para aplicar essa anestesia, inventaram uma doença, a corrupção".

Como não gosto de pensar mal das pessoas, vou supor que Lula esteja apenas esquecido. Apagou da lembrança mais de duas décadas do nosso passado recente.

Então, como homem compassivo que sou, vou ajudá-lo a recuperar a memória. Neste sentido, reproduzirei trechos de um post de 03/01/2017, no qual  expliquei tintim por tintim como a doença da corrupção se alastrou pela esquerda (a direita e o centro estão enfermos há tanto tempo que é quase impossível identificar exatamente quando a coisa começou):
"Uma das maiores desilusões da minha vida, depois da derrota da luta armada, foi o desvirtuamento do Partido dos Trabalhadores, que ajudei a nascer e depois vi apodrecer aos poucos, até se tornar a antítese de quase tudo que pregava no final de 1979/começo de 1980.

Até agora, eu supunha que o primeiro marco emblemático do abandono da moral revolucionária por parte do PT tivesse sido o duelo Paulo de Tarso Venceslau x Roberto Teixeira, em 1997. Uma reportagem publicada [em 01/01/2017] pela Folha de S. Paulo, contudo, obriga-me a corrigir tal informação.

Na verdade, o ovo da serpente começara a ser chocado alguns anos antes. E a primeira oportunidade (desperdiçada!) que os petistas tiveram para esmagá-lo foi quando, após a derrota de José Dirceu na eleição de 1994 para o governo de São Paulo, a lista dos doadores de sua campanha, publicada pela imprensa, trouxe esta revelação pra lá de indigesta:
'Dirceu declarou ter arrecadado R$ 1,1 milhão. Desse total, 42% vieram da Odebrecht e de uma empresa sob seu controle, a CBPO. A empreiteira também doou para as campanhas do PT no Distrito Federal e no Espírito Santo. 
A notícia chocou a militância mais à esquerda no partido porque a Odebrecht havia passado por dois escândalos duramente atacados pelo PT – em especial por José Dirceu, na época deputado federal– nas CPIs que investigaram o esquema PC Farias, durante o governo de Fernando Collor, em 1992; e os Anões do Orçamento, em 1993.
Uma corrente do PT em Brasília tentou até mesmo devolver à empreiteira os R$ 200 mil que a sigla havia recebido. Um dos fundadores do partido, o economista e ex-guerrilheiro Paulo de Tarso Venceslau disse à Folha que soube do próprio Dirceu o quanto o caso Odebrecht o incomodou na época.
Zé Dirceu chegou a chorar: sua campanha não era a real destinatária da doação da Odebrecht.
'Eu tive reuniões com ele e estava frustradíssimo. Ele dizia que esses recursos da Odebrecht estavam aparecendo na prestação de contas dele, mas que o dinheiro era para a campanha do Lula. A campanha do Dirceu foi usada para fazer a triangulação', disse Venceslau, que contou a mesma história à CPI dos Bingos, em 2006.
Venceslau disse que, no começo de 1995, Dirceu se mostrava disposto a deixar a organização do partido e chegou a procurar um imóvel para montar um escritório de advocacia na companhia de outras duas militantes petistas. Mas ele se acertou com Lula e passou a ser apoiado para a presidência nacional do PT, segundo Venceslau'.
O repórter lembrou também que em agosto de 1995, diante dos cerca de 500 delegados presentes no 10º Encontro Nacional do PT, o ex-guerrilheiro César Benjamin fez duras críticas às relações promíscuas do partido com a Odebrecht, arrancando lágrimas de Zé Dirceu e do Lula.
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O ESCÂNDALO
 DA CPEM
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Percebo agora que o traumático episódio da expulsão do honesto Paulo de Tarso Venceslau enquanto o partido atirava uma boia para o encalacrado Roberto Teixeira foi apenas o ato seguinte de um drama que já estava em curso.

Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras petistas no interior paulista, em ambas Venceslau resistira a pressões para contratar uma empresa de Teixeira (a CPEM - Consultoria para Empresas e Municípios) ou para pagar-lhe valores exorbitantes por serviços não prestados. 

Tratava-se, obviamente, de um esquema de desvio de recursos públicos para financiamento partidário; e, por não compactuar com a maracutaia, Venceslau foi exonerado de seu posto na prefeitura de São José dos Campos. 
O companheiro Paulo de Tarso Venceslau...

Depois de dois anos de queixas infrutíferas aos dirigentes máximos do PT, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CPEM em entrevista ao Jornal da Tarde.

Como resposta ao escândalo, o partido criou uma Comissão Especial de Investigação, presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau errara ao vazar um assunto interno para a imprensa burguesa, enquanto Roberto Teixeira deveria ser julgado por corrupção.

Vale a pena lembrar o que concluiu a Comissão a respeito do segundo, em relatório assinado por Bicudo, Paul Singer e José Eduardo Cardozo:
'...parece provável que ROBERTO TEIXEIRA possa ter se valido, de forma pouco ética, da amizade com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, para não só se omitir face ao dever de informar e acautelar em relação à CPEM como também para desqualificar denúncias contra a mesma. 
...parece ser difícil descartar a hipótese de que ROBERTO TEIXEIRA tenha cometido ‘abuso de confiança’ com ‘aproveitamento das relações de amizade’ que mantém com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Entre a defesa da empresa que gerou renda para seu irmão e presumivelmente para si e o interesse público e partidário, ROBERTO TEIXEIRA optou pela primeira... 
...e o tal Teixeira.
Assim sendo, a presente Comissão de Investigação não pode deixar de concluir que a presumível conduta de ROBERTO TEIXEIRA (...) não se coadunaria com os rígidos padrões éticos que devem orientar as condutas dos militantes do PARTIDO DOS TRABALHADORES... no PT comportamentos dessa natureza se colocam como descabidos e inaceitáveis. 
...esta Comissão sugerirá ao final deste Relatório à Executiva Nacional do PT a abertura de processo ético-disciplinar contra o militante ROBERTO TEIXEIRA pela prática de grave conduta a ser avaliada e julgada (...) pelo órgão partidário competente'.
Lula ameaçou desligar-se do PT caso fosse instaurado tal procedimento contra Teixeira  que era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo para morar de graça com a família .

A direção partidária optou, então, por desconsiderar o parecer da Comissão, expulsando Venceslau e aliviando para Teixeira. Foi o instante em que o PT se assumiu como um partido igual aos outros, capaz de, ao sabor das conveniências, mandar às favas todos os escrúpulos de consciência (lembrando a frase imortal com que Jarbas Passarinho recomendou a assinatura do AI-5).  

Orgulho-me de haver sido, naquele momento, um dos raros esquerdistas a protestarem publicamente contra a decisão infame do PT, solidarizando-me ao Paulo de Tarso Venceslau em artigo publicado no Jornal da Tarde.

Segundo Venceslau, o tal Teixeira teria sido até 'torturador do delegado Fleury'. Não tendo como apurar tal acusação, apenas a registro". 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O ERRO QUE O PT COMETEU EM 1997 EXPLODE NA SUA CARA EM 2017

O compadre Roberto Teixeira...
Quase 20 anos depois, o alerta que lancei quando do primeiro episódio rumoroso de conivência explícita com a corrupção por parte do Partido dos Trabalhadores foi totalmente validado pelos fatos. 

Pela porteira que foi então aberta para um boi enlameado passar, acabou entrando uma boiada inteira: seguiram-se ocorrências cada vez mais graves de desvios de recursos públicos para o financiamento de campanhas eleitorais e instrumentalização dos governos comandados pelo PT para favorecer interesses particulares, inclusive os de grandes empresas capitalistas e os de dirigentes petistas, esse estranho casal cuja repugnante promiscuidade hoje é exposta nos mínimos detalhes pela Operação Lava Jato.

Como se o destino quisesse corrigir um episódio histórico cujo desfecho tinha sido terrivelmente injusto, os dois principais responsáveis pela desastrosa decisão que o partido tomou em 1997 (ao sacrificar seus valores morais em nome de uma conveniência espúria e momentânea) estão atolados até o pescoço no mar de lama que jorra das delações premiadas da Odebrecht, conforme se constata em post de hoje (5ª feira, 20), do Blog do Josias. Vide este trecho:
"Surgiu entre os delatores o engenheiro escalado pela Odebrecht para realizar a reforma do sítio de Atibaia: Emyr Costa. Ele conta como tocou a obra, fala do dinheiro vivo que teve que manusear e dá nomes aos bois. 
Como se fosse pouco, informa que, sob orientação de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, elaborou um contrato falso para apagar da obra as digitais da Odebrecht e da família Lula. (...) Vem aí a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS. Vai falar sobre a reforma do tríplex do Guarujá".
...e o companheiro Paulo de Tarso Venceslau.
Ou seja, tudo indica que o castelo de cartas do Lula desmoronará exatamente por causa de outros episódios envolvendo sua parceria com Roberto Teixeira, que já deveria ter sido desfeita em 1997, face ao enorme dano que ela acabara de causar para a credibilidade do PT. 

Ao insistirem no erro, o partido e Lula acenderam uma vela para o diabo. Estão sofrendo as consequências, conforme se evidenciará na recapitulação do caso.
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PT EXPULSA PT
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Foi a insistência de Lula em livrar a cara do Roberto Teixeira que determinou uma das decisões mais infames tomada pelo PT no século passado: a expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, veterano do movimento universitário e da resistência à ditadura, militante dos mais honestos e dignos, tão identificado com o partido que era chamado carinhosamente de PT Venceslau.

Tal economista foi a única voz no partido a protestar contra o primeiro grande esquema petista de desvio de recursos públicos para financiamento partidário, por meio de uma firma chamada CPEM - Consultoria para Empresas e Municípios.
Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras do PT no interior paulista, em ambas ele resistira às pressões para contratar a CPEM ou para pagar-lhe valores exorbitantes por serviços não prestados, acabando por ser exonerado da última delas, a de São José dos Campos.

Depois de dois anos de denúncias infrutíferas aos dirigentes máximos do partido, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CPEM em entrevista ao Jornal da Tarde (SP).

Como resposta ao escândalo, o PT submeteu o assunto a uma Comissão Especial de Investigação presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau errara ao vazar um assunto interno para a imprensa burguesa; e o Roberto Teixeira, titular da CPEM, deveria ser julgado por corrupção.

Vale a pena lembrar o que concluiu a Comissão a respeito do segundo, em relatório assinado por Bicudo, Paul Singer e José Eduardo Cardozo:
"...parece provável que ROBERTO TEIXEIRA possa ter se valido, de forma pouco ética, da amizade com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, para não só se omitir face ao dever de informar e acautelar em relação à CPEM como também para desqualificar denúncias contra a mesma. 
No caso presente, parece ser difícil descartar a hipótese de que ROBERTO TEIXEIRA tenha cometido ‘abuso de confiança’ com ‘aproveitamento das relações de amizade’ que mantém com LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Entre a defesa da empresa que gerou renda para seu irmão e presumivelmente para si e o interesse público e partidário, ROBERTO TEIXEIRA optou pela primeira. No âmbito desta opção deve ser, portanto, avaliado em sua conduta. 
Assim sendo, a presente Comissão de Investigação não pode deixar de concluir que a presumível conduta de ROBERTO TEIXEIRA, na conformidade do que acima se relatou, não se coadunaria com os rígidos padrões éticos que devem orientar as condutas dos militantes do PARTIDO DOS TRABALHADORES. Se em outras agremiações partidárias comportamentos de tal natureza costumam ser aceitos como normais ou não qualificados como dignos de repreensão, no PT comportamentos dessa natureza se colocam como descabidos e inaceitáveis. 
É, portanto, dentro desta dimensão que esta Comissão sugerirá ao final deste Relatório à Executiva Nacional do PT a abertura de processo ético-disciplinar contra o militante ROBERTO TEIXEIRA pela prática de grave conduta a ser avaliada e julgada, após regular direito ao contraditório e ampla defesa, pelo órgão partidário competente".
Desrespeito à sua investigação começou a afastar Bicudo do PT
Lula ameaçou desfiliar-se do PT caso fosse instaurado tal procedimento contra Teixeira – que era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo para morar de graça com sua família .

A direção partidária optou, então, por desconsiderar o parecer da Comissão, expulsando Venceslau e aliviando para Teixeira. Foi o instante em que se assumiu como um partido igual aos outros, capaz até de sacrificar um militante exemplar (e revolucionário!!!) para preservar uma maçã podre. 

Segundo Venceslau, o tal Teixeira teria sido, inclusive, "torturador do delegado Fleury". E em 2006, quando era advogado da Brasil Telecom e foi convocado para depor na CPI dos Bingos, Teixeira admitiu "conhecer" Daniel Dantas, dizendo-se impedido de dar mais detalhes por haver cláusula de confidencialidade

Tudo que de ruim aconteceria depois foi consequência desta terrível decisão. Orgulho-me de haver me solidarizado a Venceslau, antecipando que o partido tendia ao desvirtuamento, no artigo PT expulsa PT – que o Jornal da Tarde então publicou com destaque na sua página de Opinião, ao lado de uma crítica que João Paulo Cunha (depois condenado no julgamento do mensalão) fazia ao correto trabalho jornalístico de Luiz Maklouf Carvalho.

Vale reproduzir dois trechos do artigo em questão, um desagravando o companheiro injustiçado (ele mereceu isto e muito mais!) e outro antevendo o futuro que se desenhava para o PT a partir do péssimo precedente que fora aberto:
"Poucos no Brasil levam suas convicções às últimas consequências, como Paulo de Tarso. Ele correu todos os riscos em nome de princípios que acreditava serem compartilhados por seus companheiros. Terão eles a coragem de manter-se fiéis a esses princípios? Cada um, ao definir sua atitude em relação a Paulo de Tarso, estará definindo quem é e o quanto vale"
"O episódio em questão evidencia que a ideologia dominante do PT passou a ser mesmo a da banda podre do funcionalismo. Os cofres públicos existem para ser saqueados. Nada há de errado em desviar recursos públicos das administrações municipais para campanhas políticas. O único pecado é violar a lei de silêncio da máfia estatal"
Encerro com um diálogo antológico do filme Julgamento em Nuremberg (d. Stanley Kramer, 1961).

Um juiz alemão (Burt Lancaster) antes respeitadíssimo, mas que não ousara resistir às pressões do nazismo, conversa a sós com o presidente do tribunal (Spencer Tracy).

Envergonhado do papel que ele próprio e vários outros magistrados tinham desempenhado, ele pergunta:
— Mas, afinal, quando foi que este pesadelo começou?
E recebe esta resposta:
— Começou quando o primeiro juiz condenou o primeiro réu que ele sabia ser inocente.
O primeiro réu inocente condenado pelo PT atende pelo nome de Paulo de Tarso Venceslau.
  
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