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sábado, 18 de julho de 2020

SAI O BOZONAZI, VOLTA O BOLSONARO DO BAIXO CLERO. SE NÃO NOS MEXERMOS, VIRÃO 29 MESES DE PASMACEIRA – 2

Quando Jair Bolsonaro, sabemos agora como, conseguiu eleger-se presidente da República em 2018, cheguei a temer que fosse instaurar um regime verdadeiramente fascista no Brasil. 

Naquele melancólico 28 de outubro, saí caminhando pela noite de uma cidade que, ou tentava voltar a ser a São Paulo da garoa, ou derramava lágrimas pelo inferno a que 39,3% dos brasileiros haviam condenado não só a si próprios, mas também aos restantes 60,7%.

E refleti que havia perigo, sim, de que os piores cenários se materializarem, pesadelos como a Operação Jacarta (eliminação de uns 2 mil dissidentes, para que eles não participassem das fases seguintes de nossa História, pois até mesmo a direita mais hidrófoba sabia que, mais dia, menos dia, a democracia burguesa teria de ser restabelecida).

Tal limpeza de cenário foi mesmo cogitada pelos celerados do regime militar em meados da década de 1970, mas o ditador Ernesto Geisel abortou o projeto no nascedouro, ao exonerar o comandante do II Exército Ednardo D'Ávila Melo, sem que este e seus anjos exterminadores recebessem solidariedade nenhuma da tropa.

Enfim, mesmo naquele domingo nefasto e nefando concluí que bem maior era a chance de o cão que tanto ladrava acabar não mordendo, pois faltava uma peça fundamental do quebra-cabeças: uma economia suficientemente sólida para o Brasil permitir-se atrair uma forte rejeição internacional.

Alguns meses do (des)Governo Bolsonaro bastaram para eu ter a certeza de que a possibilidade maior inevitavelmente prevaleceria. Ele se desconstruía visivelmente e, se altos comandantes militares algum dia cogitaram acompanhá-lo numa aventura dessas, decerto já estariam percebendo que não passava do homem errado no lugar errado. 

Não era Hitler, Mussolini, Pinochet, nem mesmo um Plínio Salgado. Não passava de um farsante do baixo clero fazendo pose de bad boy.

Restava, contudo, o perigo de ele estar gerando uma massa crítica que poderia possibilitar a ascensão de outro líder, no qual a farda de golpista de ultradireita assentasse melhor.  

E, olhando um pouco mais à frente, havia uma tempestade econômica se armando, que certamente Bolsonaro e o mercador de ilusões Paulo Guedes não saberiam administrar.

Então, desde o 2º semestre de 2019 venho pregando o afastamento do Bolsonaro, a partir do verdadeiro rosário de crimes de responsabilidade por ele cometidos, quase todos bem piores do que o estelionato eleitoral da Dilma  Rousseff (as tais pedaladas fiscais, na verdade, não foram apenas o descumprimento de normas burocráticas, mas sim o expediente inconstitucional por meio do qual ela encobriu o descontrole das finanças públicas, para que não fosse um obstáculo à sua obsessão de reeleger-se, mesmo tendo feito um sofrível primeiro mandato).

A pandemia acelerou em muito o derretimento do (des)governo do pior presidente do Brasil em todos os tempos.

Seu negacionismo e sabotagem do combate científico da Covid-19 pode não caracterizar, em termos jurídicos, um genocídio, mas o efeito prático é exatamente o mesmo: o morticínio de dezenas de milhares de brasileiros cujo óbito teria sido evitado sob um presidente com um mínimo de qualificação para o cargo, que unisse União, estados e municípios para desenvolverem um esforço coordenado numa mesma direção e com uma perspectiva cientificamente correta. 

As esquisitices do Bolsonaro, que beiram a insanidade, tornaram o coronavírus fatal... também para ele! Pode não morrer da doença, mas seu futuro político já expirou. 

É cada vez menor o percentual de seus apoiadores bovinamente fanatizados. Parece que repetirá a trajetória dos 300 do Brasil, que na verdade eram uns 30 e agora não devem ser nem três...

E, já que estamos falando nisso, um dos motivos de o castelo de cartas ultradireitista ter sido derrubado pela primeira lufada de vento foi exatamente sua incapacidade de criar uma liderança capaz de desalojar o inepto Bolsonaro e assumir o controle da boiada. Sara Winter? Não me façam rir.

O guru charlatão que, comodamente instalado na segurança da Virgínia, movimenta seus títeres brasileiros para que retirem as batatas do fogo seguindo suas orientações (e correndo o risco de queimarem as mãos enquanto ele preserva as próprias!), não passa de um Sábado Dinotos piorado, pois pelo menos pusilânime o Aladino Félix (vide aqui) não era.

Sergio Moro tem miolos para alçar-se a voos mais altos, mas, para conseguir chegar aonde chegou partindo do quase nada (um mero juiz de 1ª instância!), teve de esconder muitos esqueletos no armário, dando ao Intercept Brasil a oportunidade de promover uma versão brasileira do Dia dos Mortos mexicano, ao colocar todos aqueles esqueletos dançando diante dos olhos espantados dos vivos. 

Jair Bolsonaro completou o serviço, ao açular seus boçalignaristas de raiz contra Moro, dando um de seus piores tiros no pé, mas também fazendo estragos no pé do vampiro de Curitiba (aquele abraço, Dalton Trevisan, firme e forte aos 95 anos!).

Outros desastres para o Bolsonaro foram:
— o desmantelamento de sua rede de fake news
 a saída para o centrão, demonstração cabal de que ele jamais cogitou combater de verdade a corrupção política; e
 a derrocada de Donald Trump, que começou o ano como favorito à reeleição nos EUA e agora não passa de um azarão.

Como desgraça pouca é bobagem, as investigações dos crimes de sua familícia chegaram a um ponto em que não apenas a permanência de Bolsonaro como presidente da República, mas também a dele e dos filhos fora das grades, dependem da anuência do chamado sistema, que pode derrubá-lo com um piparote.

Daí minha total concordância com as avaliações de Thomas Milz (vide aqui) e Ricardo Kotscho (vide aqui), bem sintetizadas por este último:
"Há um grande acordo em marcha entre civis e militares, magistrados e parlamentares, milicianos e evangélicos, gregos e troianos, para deixar tudo como está e ver como é que fica".
E as Forças Armadas? Estão satisfeitas com a nova proeminência e o mundo de cargos que Bolsonaro despejou no colo dos pijamados e até de oficiais da ativa, mas sabem muito bem que seria o pior momento possível para outra aventura como a de 1964: depois da tragédia humanitária em curso, a pior de sua História, o Brasil enfrentará uma depressão econômica igualmente sem precedentes. 

Então, melancolica mas honestamente, comunico a quem dá valor a minhas avaliações que, tendo o sistema vencido o braço de ferro com Bolsonaro e o emparedado, tende agora a deixá-lo  fazendo figuração como presidente nos próximos 29 meses, mas reduzido a um leão desdentado, uma rainha da Inglaterra.
Se nada de diferente acontecer, estamos condenados à estagnação e pasmaceira que marcou o governo do ditador João Baptista Figueiredo, o de José Sarney após o fracasso retumbante de seus planos econômicos e o de Dilma depois que Joaquim Levy se demitiu e ela desistiu de governar, ocupando-se apenas de tentar evitar seu impeachment, enquanto a debacle econômica avançava a passos de gigante.

O que pode alterar tal quadro?

Primeiramente, uma recaída do Bolsonaro, que pode chutar o pau da barraca, encarnar de novo o Bozonazi e tornar imperativo seu defenestramento.

Depois, nossa dita esquerda reencontrar a combatividade perdida, saindo de sua atual prostração.
Por Celso Lungaretti

Por enquanto, movimento secundarista e torcidas organizadas de futebol (!) à parte, a esquerda brasileira está fazendo lembrar o sarcasmo genial do Raulzito, pois neste ano inteiro tem permanecido sentada "no trono de um apartamento/ com a boca escancarada/ cheia de dentes/ esperando a morte chegar"...   

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

ATENTADO AO PORTA DOS FUNDOS É TÍPICO DE AMADORES. MAS, TALVEZ ESTEJAM SENDO INSTIGADOS POR GENTE MAIS GRAÚDA

Até menino de 12 anos consegue fazer
Ainda bem que o Paulo Coelho só se faz passar por mago, e não por adivinho. Caso contrário, sua credibilidade estaria seriamente abalada após ter tuitado esta bobagem:
"Se os terroristas que atacaram o Porta dos Fundos não forem imediatamente punidos, isso vai empurrar o país para conflito de proporções gigantescas".
Não vejo ganho nenhum, para nosso lado, em magnificar um episódios desses, insuflando mais alarmismo e sinistrose ainda nos meios artísticos e culturais, o que evidentemente vai ao encontro das intenções dos autores dessa estultície.

Analisadas friamente, as características artesanais da ação (coquetel molotov até um menino de 12 anos consegue preparar e lançar) não nos levam, por enquanto, a concluirmos que ela provenha de alguma organização ultradireitista que nos deva inspirar temor. Talvez seja apenas um grupelho de aloprados insignificantes agindo de forma autônoma, a partir das pregações alucinadas do seu mito.

Se for este o caso, podemos esperar capturas em curto prazo, pois amadores metidos a bestas não são páreo para os profissionais da polícia.

Não havendo prisões, aí, sim, teremos motivos para suspeitar de que pelo menos uma parte do aparelho repressivo estaria protegendo os incendiários. 
Se não falhasse, atentado do Riocentro mataria milhares
Mesmo assim, o modus operandi ainda não seria de para-militares armados e perigosos, como o chamado Grupo Secreto e o CCC, cujos atentados durante a ditadura militar chegavam a ser fatais. 

Mas, talvez alguns bobalhões estejam servindo de marionetes para a extrema-direita, como aconteceu durante a ditadura militar com o guru Aladino Feliz (o Olavo de Carvalho daquele tempo) e seus zumbis. 

Por ora, são minhas apostas: ou um grupelho de aloprados dando um passo maior do que as pernas ou amadores tirando as castanhas do fogo a serviço de gente mais importante que não quer queimar os dedos.

Para quem quiser saber mais sobre as presepadas do ufólogo de 1968 que tanto se assemelhava ao astrólogo favorito dos Bolsonaros, recomendo esta excelente reportagem do El País.  

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

GASPARI SUGERE QUE MATANÇAS POLICIAIS POSSAM SER PROVOCAÇÕES GOLPISTAS

elio gaspari
O MUNDO IRREAL DE DORIA E GUEDES
Exatamente uma semana depois de a PM de Wilson Witzel ter sujado a festa do Flamengo, o governador João Doria disse no domingo (1º) que “São Paulo tem uma polícia preparada, equipada e bem informada”. 

Naquela hora, os corpos de nove jovens estavam no necrotério, pisoteados depois de uma entrada truculenta de sua PM num pancadão de Paraisópolis. Nas bancas e na rede, nesse mesmo domingo, estava também a entrevista do ministro Paulo Guedes à repórter Ana Clara Costa, na qual ele explicava o timing de suas reformas:
"Você dá pretexto para os outros fazerem bagunça. (...)  Chamar pra rua manifestação ordeira e pacífica, como a que fazem quase todo fim de semana, problema nenhum. Agora, chamar para a rua para fazer igual no Chile e quebrar tudo foi uma insanidade, irresponsabilidade". 
Há algumas semanas o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, acompanhando uma ameaça vinda de um filho do presidente, havia cantado a pedra do perigo chileno como justificativa para um surto ditatorial: 
"Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter".
É irresponsabilidade (ou desejo) trazer o espantalho chileno para a situação brasileira, e a tragédia de Paraisópolis, bem como a pancadaria da festa do Flamengo, mostram que nos dois casos a insanidade saiu da PM. Não é de hoje que isso acontece.

Em outubro do ano passado, durante a gestão do governador Márcio França, a PM entrou num pancadão de Guarulhos e três pessoas morreram em situação semelhante à de Paraisópolis. Doutor Dória poderia examinar a investigação do episódio de Guarulhos. Com uma polícia preparada, equipada e bem informada, deu em nada. 

Um morador de Paraisópolis contou que a PM “chegou jogando bombas de efeito moral”. Pode ser que não tenha sido assim, mas na noite de 13 de junho de 2013 a PM paulista bloqueou uma passeata que protestava contra o reajuste dos ônibus na esquina da rua da Consolação com a Maria Antonia. Quem estava lá viu que uns vinte policiais vieram do nada, jogando bombas de efeito moral. Aquela passeata era ordeira, convocada pelo Movimento Passe Livre e povoada por gente de tênis baratos e camisetas. 

Começavam as jornadas de 2013. Anos depois, as manifestações transmutaram-se e a presidente Dilma Rousseff foi deposta. [Vale lembrar que o governador tucano Geraldo Alckmin e o prefeito petista Fernando Haddad, do PT, que haviam reajustado as tarifas, estavam num evento em Paris, onde cantaram Trem das onze durante um jantar.]
Guedes teme que apareça gente quebrando tudo, mas, até agora, quem apareceu quebrando os outros foram policiais, em São Paulo e no Rio. Esse comportamento persiste pela garantia da impunidade.

Nas divagações chilenas de Guedes e do general Heleno insinuam-se paralelos de incitação política. Já que é assim, pode-se temer também que a incitação política venha de outro lado. 

Em 1968, ela vinha de um maluco chamado Aladino Félix. Antes que terroristas de esquerda começassem a assaltar bancos e a matar gente (naquele ano), ele roubava dinamite e armas. Assaltou pelo menos um banco, explodiu uma bomba na Bolsa e outra num oleoduto. 

Como era doido, não se pode acreditar na sua palavra quando dizia que estava ligado a um general da reserva que, por sua vez, teria conexões com o governo. Uma coisa é certa: no seu grupo estavam 14 soldados e sargentos da Força Pública de São Paulo, mais tarde transformada numa Polícia Militar.

Naqueles dias o governador de São Paulo, Abreu Sodré, denunciava uma conspiração nos "subúrbios do poder". (por Elio Gaspari)
.
TOQUE DO EDITOR  Para quem não tiver entendido direito o que Elio Gaspari está insinuando, vou dar uma aclarada.

Em 1968 havia uma disputa acirrada nos bastidores do poder entre os militares que haviam dado o golpe (a corrente castellista, que pretendia devolver o poder, saneado, para os civis) e a linha dura (que queria continuar usufruindo as muitas vantagens obtidas por seus membros desde a instalação do arbítrio).

Então, paralelamente ao surgimento das primeiras ações de guerrilha urbana da esquerda, muito mais na linha da propaganda armada sem vítimas que da de "matar gente" (Gaspari sempre fez abordagens preconceituosas a tal respeito), entrou na história um guru picareta de extrema-direita, muito parecido com outro da atualidade.

A diferença é que o espertalhão daquele tempo saía na chuva para se molhar, ao contrário do atual, que delega a outros o serviço sujo e se mantém em total segurança no além-mar.

O charlatão anterior foi convencido pela linha dura a realizar atentados para criar o alarmismo propício à radicalização do regime; Gaspari sugere que matanças como a de Paraisópolis  têm exatamente a mesma finalidade.

Eis como evoquei a saga do guru picareta anterior num artigo de 2011:.

"...já houve um bizarro episódio histórico no Brasil envolvendo um debiloide obcecado por discos voadores e a extrema-direita.

Em 1968, os militares da chamada  linha dura  estavam empenhados em radicalizar ainda mais o regime, promovendo o fechamento total (que acabaria vindo com o AI-5). 

Então, incentivaram um lunático chamado Aladino Félix (foto ao lado), vulgo Sábado Dinotos, a efetuar ações armadas, espalhando panfletos fajutos nos locais para que elas fossem imputadas à esquerda. Uma versão tupiniquim do incêndio do Reichstag, enfim.

Liderando um bando de soldados e sargentos da Força Pública, a Polícia Militar da época, Félix foi responsável por 12 explosões de bombas e um assalto a banco. 

A ação mais espetaculosa: mandar pelos ares alguns carros do estacionamento localizado diante do prédio do Deops.

Os aprendizes de feiticeiro eram descuidados: uma unidade policial alheia ao esquema de acobertamento prendeu o guru.

E este, ao ser torturado, confessou que agira sob orientação do general Jayme Portela, chefe da Casa Militar da Presidência da República...
(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O SAMBA DOS FASCISTAS DOIDOS

"Joaquim José,
que também é da Silva Xavier,
queria ser dono do mundo
e se elegeu Pedro Segundo.

Das estradas de Minas,
seguiu pra São Paulo
e falou com Anchieta.

O vigário dos índios
aliou-se a D. Pedro
e acabou com a falceta.

Da união deles dois
ficou resolvida a questão
e foi proclamada a escravidão"
(Sérgio Porto,
Samba do crioulo doido)

A companheira Flávia Leitão chamou minha atenção para uma nova trincheira virtual da extrema-direita: a picaretagem futurológica.

Como principal vedete da nova tendência, ela aponta Laura Botelho, cujo blogue é este aqui  

Eis alguns trechos do que a Flávia me relatou:
"Ela é uma espécie de guru em profecias apocalípticas para o ano que vem.

Tem a cara de pau de dizer às pessoas que elas devem morrer para passar a outro estado de consciência, quando o mundo, daqui a alguns meses, tornar-se palco de guerras e catástrofes. Aconselha as pessoas a não procurarem ajuda de espécie nenhuma em momentos de aflição, a se deixarem morrer!!!

Ela também é bastante mencionada em outros blogues (nos quais ela usa codinomes diferentes) e numa comunidade do Orkut chamada Profecia Maia 2012.

Aliás, o Olavo de Carvalho é um 'mestre' reverenciado pelos membros dessa comunidade.

Pode ser paranóia mas, esses 'gurus' fascistas estão fazendo uma gororoba horrível com assuntos sobre 2012, guerras contra extraterrestres, teorias de conspirações, arqueologia, etc.
E indicam alguns vídeos e áudios sobre conspirações como as que a Laura Botelho sugere sobre o Lula, a Dilma e o Battisti".
Curioso, fui verificar o que havia sobre o Cesare e encontrei isto aqui:
"PAC - Proletários Armados pelo Comunismo - Proletari Armati per il comunismo -  foi um  grupo armado fundado em 1977 na Inglaterra (sic!) e dissolveu se três anos mais tarde. O tal terrorista, assassino e combatente do PAC - Cesare Battisti - fazia parte desse grupo.

Você faz idéia do que esse sujeito sabe sobre 'guerrilhas' urbanas? Sobre seus participantes na história do comunismo e ditadura no mundo?

Pois é... pense nisso. Ele não está aqui à toa. Veio a serviço.

Temos que ir atrás das 'baleias', pois elas são muitas e são grandes!!!  Se você não as vê, não é porque não existam, apenas você não tem informação sobre elas.

É hora de acordar para ver as BALEIAS!!!"
Fica o registro. Não devemos subestimar tais maluquices, pois é deste caldo de cultura que surgem terroristas ensandecidos como o norueguês.

Vale lembrar que já houve um bizarro episódio histórico no Brasil envolvendo um debilóide da mesma laia (tanto que também era obcecado por discos voadores) e a extrema-direita.

Em 1968, os militares da chamada  linha dura  estavam empenhados em radicalizar ainda mais o regime, promovendo o fechamento total (que acabaria vindo com o AI-5). Então, incentivaram um lunático chamado Aladino Félix, vulgo  Sábado Dinotos, a efetuar ações armadas, espalhando panfletos fajutos nos locais para que elas fossem imputadas à esquerda. Uma versão tupiniquim do incêndio do Reichstag, enfim.

Liderando um bando de soldados e sargentos da Força Pública, a Polícia Militar da época, Félix (foto) foi responsável por 12 explosões de bombas e um assalto a banco. A ação mais espetaculosa: mandar pelos ares alguns carros do estacionamento localizado diante do prédio do Deops.

Os aprendizes de feiticeiros eram descuidados: uma unidade policial alheia ao esquema de acobertamento prendeu o guru.

E este. ao ser torturado, confessou que agira sob orientação do general Jayme Portela, chefe da Casa Militar da Presidência da República...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

PARAGUAI EM TRANSE

A direita latinoamericana está saudosa dos Pinochet e Stroessner
Autorizado pelo Congresso paraguaio, o presidente Fernando Lugo declarou estado de exceção, durante 30 dias, em cinco dos 17 Departamentos do país: Concepción (na fronteira com o Brasil), San Pedro, Amambay, Presidente Hayes e Alto Paraguai.

Com isto, o Exército poderá abrir sua caixa de ferramentas, recorrendo às práticas invariavelmente adotadas no combate aos guerrilheiros da América Latina.


Lugo prometeu que os lobos não devorarão ovelhas (acredite quem quiser...):
"O governo oferece as mais amplas garantias de que este processo não comprometerá nenhum procedimento que tenha a ver com os direitos humanos".
O alvo são os militantes do grupo armado Exército do Povo Paraguaio, que assassinaram quatro pessoas numa emboscada da semana passada.

Por que uma reação tão extremada a um atentado estúpido, sem dúvida, mas que nem de longe representou séria ameaça para as instituições paraguaias?

É que o ex-bispo Lugo, um esquerdista cuja eleição acaba de completar dois anos, está sob forte ataque da direita conspiradora, sob a acusação de obstar "reformas liberais modernizantes". Conhecemos bem essa cantilena.

Os corvos de sempre -- como o senador dito liberal Alfredo Luís Jaeggli -- pregam o julgamento político e afastamento de Lugo. Sonham com um novo general Stroessner.

Esboça-se um cenário hondurenho: como o primeiro ovo da serpente não foi esmagado, outros podem eclodir.

Para piorar, Lugo perdeu um tanto de sua autoridade moral com as sucessivas revelações de que, quando sacerdote, tomava ao pé da letra o "crescei e multiplicai-vos". [Estão se queixando do quê? Este, pelo menos, não era chegado em coroinhas...]

Então, tudo indica que esteja exibindo o muque, para se mostrar confiável à classe média e à direita moderada, dissuadindo-as de atrelarem-se à aventura golpista.

É uma aposta arriscada: quando os militares são chamados a resolver os problemas dos civis, costumam tomar gosto pela coisa. Melhor deixarmos as tarefas policiais para a Polícia, tanto no Paraguai quanto nos morros cariocas...

De resto, a Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai já manifestou seu temor de que os fardados barbarizem. É o que farão, com certeza.

Cabe a nós esmagarmos este outro ovo da serpente, não compactuando de nenhuma forma com a idéia de que a tortura se justifica no caso de aloprados como os do EPP. Merecem ser presos e punidos, mas sem o recurso a práticas hediondas.

Levamos milênios erguendo o edifício da civilização. Temos o dever de mantê-lo em pé.

BUMERANGUE

Mas, só devemos zelar para que sejam tratados como seres humanos e não como animais. Solidariedade política seria descabida, pois, com sua insensatez, acabam prestando serviço ao inimigo.

A luta armada deve ser sempre encarada como a última opção de um revolucionário, pois seu custo é imenso e os civis acabam pegando as sobras.

Justifica-se contra ditaduras assumidas e, eventualmente, contra as enrustidas (como foram os 35 anos de Stroessner à frente do Paraguai, conquistando mandato após mandato em eleições fraudadas).

E é um bumerangue: quando fracassa, fortalece os gorilas.

No Brasil, sabe-se que o cabo Anselmo atuava como provocador nos movimentos de marinheiros durante o governo João Goulart, tudo fazendo para radicalizá-los, a fim de assustar a oficialidade das três Armas e jogá-la nos braços dos golpistas.

Depois, em 1968, militares de linha dura empenhados em radicalizar ainda mais o regime, promovendo o fechamento total (que viria com o AI-5), incentivaram um lunático chamado Aladino Félix, vulgo Sábado Dinotos, a efetuar ações armadas que eram imputadas à esquerda.

Liderando um bando de soldados e sargentos da Força Pública (a Polícia Militar da época), Félix foi responsável por 12 explosões de bombas e um assalto a banco. A ação mais sensacional foi mandar pelos ares alguns carros de um estacionamento localizado diante do prédio do Deops.

Os aprendizes de feiticeiros eram descuidados: uma unidade policial alheia ao esquema de acobertamento prendeu o guru. E este. ao ser torturado, confessou que agira sob orientação do general Jayme Portela, chefe da Casa Militar da Presidência da República.

Ou seja, quando faltam espantalhos para a propaganda golpista, a direita os inventa.

A esquerda que pegou em armas contra as ditaduras latinoamericanas cumpriu o papel de resistir à tirania. Embora os resultados tenham sido trágicos, fazia sentido sua aposta em generalizar a resistência, respondendo à generalização das ditaduras em nosso continente. E é bem mais cômodo recriminar-se os derrotados do que travar-se as batalhas quando ainda podem ser vencidas.

Já guerrilhas extemporâneas e isoladas como a do EPP, sem chance nenhuma de êxito e servindo para solapar um governo de esquerda, são crassa idiotice.

"Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue", diziam os antigos.
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