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sábado, 26 de setembro de 2020

INVESTIGAÇÃO EM 88 PAÍSES COMPROVA A CONIVÊNCIA DOS GRANDES BANCOS COM LAVAGEM TRILIONÁRIA DE DINHEIRO – 1

dalton rosado
O CAPITAL É CRIMINOSO
"A corrupção é uma praga apodrecida da sociedade, é um pecado grave que brada aos céus porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. 
.
A corrupção impede olhar para o futuro com esperança porque, com a sua prepotência e avidez, destrói os projetos dos fracos e esmaga os mais pobres.
                                                                                      .
É um mal que se esconde nos gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos..." (papa Francisco)
No meu último artigo publicado nesta trincheira de luta do pensar crítico social que é o blog Náufrago da Utopia, lembrei a fábula de Esopo (O escorpião e a rã) sobre a natureza comportamental imutável de algo que é intrinseca, essencial e naturalmente definido e estabelecido.

Mal ele acabava de entrar no ar e eis que nos deparamos com as notícias produzidas pelo jornalismo investigativo (quantos jornalista já morreram por conta de denúncias das falcatruas capitalistas!) sobre envolvimento do sistema bancário internacional com a lavagem de dinheiro em larga escala. 

Não me surpreendi com a notícia. E não por considerar a agiotagem mais pecaminosa do que a extração de mais-valia na produção industrial. Não, o processo é o mesmo.

O sistema financeiro apenas vende dinheiro, que é uma mercadoria, e espera a remuneração do capital pelo mesmo motivo daqueles que investem dinheiro na produção visando ao lucro e se apropriando do tempo de trabalho (dinheiro) do trabalhador assalariado. 

Um é agiota da multiplicação do dinheiro a partir do aluguel do próprio dinheiro para a produção de mercadorias; o outro, um agiota que usa a produção de mercadorias para multiplicar o próprio dinheiro. 

Eles repartem a acumulação do capital extraído de quem o produz, o trabalhador produtor de valor pelo trabalho abstrato (as diferenciações de proporções caso a caso não alteram essa essência comportamental e sua lógica).

O industrial cujos recursos estão investidos na produção de mercadorias é constantemente pressionado para aumentar o seu capital sob pena de ficar para trás na corrida concorrencial de mercado, e usa (e é obrigado a usar) os mais sórdidos mecanismos de sobrevivência para sair vitorioso nessa guerra. 

Aliás, o empresário industrial ou comercial, diante da atual debacle capitalista, pressionado por uma legislação que defende os parcos direitos obtidos pela civilização (e que as poucos vêm sendo corroídos ou varridos de cena pela lógica capitalista, como os direitos trabalhistas e previdenciários nos últimos anos), ou burla a lei e sobrevive, ou é levado à falência.

O diferença entre o empresário financeiro e o empreendedor industrial ou comercial é o risco. O primeiro tem sempre maiores garantias de sucesso, mas somente até o dia do juízo final capitalista.

É pura hipocrisia do empresariado dizer que atua com espírito humanista (mesmo que tenha esse sentimento), de vez que o regime de concorrência de mercado o obriga a deixar o coração na prateleira quando exerce a sua função de empreendedor. 
Com o capital financeiro não é diferente. Tanto que hoje, no Brasil e no mundo, avança cada  vez mais a monopolização do setor por parte dos grandes bancos que compram as cartas patentes de seus concorrentes menores, autofagicamente concentrando a atividade financeira.

Aqueles bancos municipais de outrora já não mais existe; e os que cresceram a ponto de incomodar os grandes, logo recebem ofertas de compra tentadoras às quais se curvam por temerem a avassaladora força político-econômica dos tubarões do sistema financeiro. 

Mas, os gigantes têm pés de barro e, citando também um velho provérbio japonês, quanto maior a nau, maior a tormenta

O grande colapso do capitalismo vai começar quando o artificialismo do sistema de crédito bancário (ou sistema financeiro, como é mais conhecido) ficar demonstrado, em razão dos créditos podres que detêm, relativamente à dívida pública crescente e impagável.

Já observamos um processo de rolagem contínua da dívida pública, cujos juros são até negativos para os países detentores de moedas fortes. Isto está a carrear dinheiro das aplicações financeiras para ativos de risco (como as aplicações financeiras nas bolsas de valores em ações de empresas que já veem diminuídos os seus lucros e distribuição de dividendos).

Mas, os lucros obtidos nas bolsas estão também diminuindo, principalmente nos mercados acionários da periferia do capitalismo, como é o caso de Brasil, que nos últimos doze anos amargou prejuízo de pouco mais de um terço nos investimentos. 

[Só alguns especuladores ganham na compra e venda imediata de ações, e isto por possuírem informações de cocheira, tais quais os apostadores de corridas de cavalos...]

Os prejuízos dos aplicadores nas bolsas só não estão maiores porque a lei da oferta e da procura por ações tem mantido artificialmente as cotações, demonstrando para os mais atentos a irracionalidade da relação preço/lucro do valor das ações. 

A conclusão a se tirar de tudo isso é que o capital está desempregado, como consequência do desemprego estrutural que atinge a todos, mas principalmente àqueles que o sustentam: os trabalhadores.

Aqueles têm apenas para vender ao capital a sua força de trabalho abstrato produtor de valor!!! (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

UMA FORCINHA PARA O "COMPANHEIRO" ABÍLIO DINIZ

Teoricamente, o BNDES é uma empresa pública federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que tem como objetivo apoiar empreendimentos capazes de contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

De sua ação deveriam resultar a melhora da competitividade da economia brasileira e a elevação da qualidade de vida da sua população.

Só que, conforme o bordão do Joelmir Beting, na prática a teoria é outra.

Eis que o BNDES, por meio de seu braço de investimento (BNDESPar), comprometeu-se a aportar R$ 3,91 bilhões (85% DO MONTANTE TOTAL DA TRANSAÇÃO!!!) para viabilizar a compra das operações do Carrefour no Brasil por parte do empresário Abílio Diniz.

A justificativa retórica é que a incorporação do Carrefour pelo Pão de Açúcar criará um "campeão nacional" do varejo supermercadista.

E daí? Desde quando o avanço da monopolização de um setor da economia conduz ao "desenvolvimento do Brasil", à "melhora da competitividade da economia brasileira" e à "elevação da qualidade de vida da sua população"?

Muito pelo contrário. Mal foi anunciado o negócio, os bem informados já cantaram a bola:
  • perderão os fornecedores, que vão ter seu poder de barganha reduzido;
  • perderão os consumidores, pois o gigante varejista imporá seus preços a bel prazer, sem a pressão de concorrentes à altura; e
  • perderão os funcionários, pois muitas lojas serão fechadas e muitas atividades concentradas, daí resultando os inevitáveis passaralhos.
Quem ganhará? Os de sempre: os bilionários que comandam as empresas e os (geralmente) bilionários ou milionários que nelas investem. Previsivelmente, as ações do Pão de Açúcar valorizaram, de imediato, 12,6%. 

Faz quase um século que Lênin já disse tudo (1):
"...o desenvolvimento do capitalismo chegou a um ponto tal que, ainda que a produção mercantil continue 'reinando' como antes, e seja considerada a base de toda a economia, na realidade encontra-se já minada e os lucros principais vão para os 'gênios' das maquinações financeiras. Estas maquinações e estas trapaças têm a sua base na socialização da produção, mas o imenso esforço da humanidade, que redundou nessa socialização, acaba beneficiando ... os especuladores".
Lembra, Dilma? Você, eu, todos os companheiros, o que nós queríamos era tirar dos ricos e dar para os pobres. Este belo sonho foi um dos motivos para termos assumido tantos riscos e sofrido tanto no início de nossa trajetória.

Será muito chato se você, na outra ponta da vida, comportar-se segundo o figurino do sistema, como Robin Hood às avessas...
  1. Imperialismo, fase superior do capitalismo, 1916
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