Mostrando postagens com marcador eleições 2016. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eleições 2016. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de maio de 2017

DALTON ROSADO: HÁ UM TERTIUM GENUS!

"Por mais críticas que sejam a situação e as circunstâncias, não aceite o desespero; nas ocasiões em que tudo leva
ao medo, não se deve ter medo de nada; quando
se está rodeado de perigos, não se deve temer
perigo algum; quando já se esgotaram todos
os recursos, deve-se contar com todos os
recursos; quando se é surpreendido,
deve-se surpreender o próprio
inimigo." (Sun Tzu, em 
A Arte da Guerra)
São chocantes as últimas notícias, dando conta do envolvimento do Presidente Temerário e do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, com empresários financiadores de campanhas eleitorais, visando à obstrução da justiça. 

Toda a operação foi planejada pelo Polícia Federal e filmada. Com as imagens de prisões repetidas ad nauseam na televisão, acirram-se as discussões sobre uma falsa dicotomia entre esquerda (representada pelo PT, PC do B e Psol) e direita (PMDB e PSDB), com a participação dos demais partidos, de um lado e de outro, como coadjuvantes. 

Num dos muitos comentários nas redes sociais, um constrangido eleitor de Aécio Neves aproveita o noticiário para proclamar a isenção republicana do funcionamento das instituições do Estado, afirmando criticamente que o PT, agora, considera a Operação Lava-Jato, a PF, a Justiça e a própria imprensa como artefatos sócio-institucionais úteis.

Por seu turno, um deputado federal do PT, que até há bem pouco tempo era líder do governo, se apressa pedir o impeachment do Presidente Temerário (com o semblante feliz de quem se considera redimido de todas as culpas!) e engrossa o coro das diretas-já.

Todos eles estão adstritos a uma mesma imanência básica de organização e funcionamento social capitalista, embora atribuam a si próprios uma divergência fundamental, que afinal não existe (ou existe apenas cosmeticamente) em termos políticos.  

Entretanto, existe um tertium genus (terceiro elemento)! 

Há um contingente, calculado em quase 1/3 dos eleitores brasileiros, que no último pleito se absteve de votar, votou em branco ou anulou o voto, desencantado com a política. 

Há um contingente de 14,2 milhões de desempregados, desesperando-se com as cruéis tragédias humanas decorrentes desta condição, assistindo à decomposição institucional da crise no topo e se inquietando com a conta da luz a pagar e o alimento das crianças por comprar.

Há quem entenda que tanto a justiça quanto todos os demais poderes de Estado encontram-se a serviço de uma ordem econômica decadente, que está na base da decomposição orgânica social em curso. Estes, por isto mesmo, não acreditam na isenção republicana de pretensa independência e harmonia funcional dos poderes republicanos e criticam a sua força institucional, compreendendo que ela não está acima do bem e do mal, mas, acima de tudo, preserva o capitalismo em sua fase de limite existencial, apesar da tragédia humana por ele provocada. 

Os grandes capitalistas e a dita classe média culta defendem o capitalismo por conveniência, já que desfrutam de privilégios sociais (ora ameaçados).
Os primeiros porque querem manter e ampliar seus negócios, apesar do estresse que representa a atividade empresarial em meio à guerra da concorrência de mercado, que elimina paulatinamente parte do empresariado, levado à falência numa autofagia irracional.

Os segundos defendem o capitalismo por medo da perda dos privilégios que adquiriram, vivendo sob o constante temor de voltarem para o andar de baixo; de sofrerem um assalto na esquina; ou, ainda, de uma bala perdida os encontrar, pois a escalada do crime (organizado ou não) é vertiginosa.        

Muitos cidadãos bem intencionados, pertencentes ao segmento explorado dos trabalhadores assalariados, também defendem o capitalismo (aí incluídos os que o aceitam como um mal menor, desiludidos com as experiências socialistas que não passaram de capitalismo de Estado, igualmente deletério). 

Não se dando conta de sua evidente falência como modo de mediação social, querem o impossível: que sejam defenestrados do poder os maus políticos e, nos seus lugares, colocados políticos bons
Tais esperanças ingênuas se devem a desconhecerem a natureza corruptora intrínseca à logica funcional do próprio capital; o seu caráter autotélico segregacionista; e a opressão contida no arcabouço jurídico-institucional que lhe dá suporte.

Não é mais hora de insistirmos nas velhas e decrépitas fórmulas eleitorais que dão sustentação à ordem capitalista, a qual se mostra incapaz de prover a sustentação digna dos indivíduos sociais, mesmo num país rico em recursos naturais como o Brasil (que, apesar de sua imensa extensão territorial, sequer oportuniza terras os trabalhadores erguerem suas moradas, deixando-os amontoados nas favelas). 

Cabe a nós, conscientemente, atentarmos para o sofrimento humano de quem está ao nosso lado e mesmo para as nossas próprias vicissitudes, compreendendo que toda propriedade, seja ela uma morada, uma unidade fabril, ou uma fazenda, devem estar a serviços da vida, e não do capital.

Urge serem quebradas as grades da prisão de um pensar que somente admite a produção de valor, riqueza abstrata, como modo de obtenção da sustentação material da vida, numa ilogia que agora encontra o seu limite interno de expansão e nos arrasta para a barbárie e o genocídio.

Por Dalton Rosado
Para tanto, faz-se necessária a compreensão da opressão contida nas instituições capitalistas cuja decrepitude se evidenciam; e, mais que isto, o entendimento de que toda riqueza abstrata acumulada (dinheiro e mercadoria), que tanto nos faz falta, representa tempo de trabalho assalariado coagulado numa mercadoria e apropriado indevidamente dos trabalhadores. Dela devemos nos apropriar coletivamente, para lhe dar uso mais nobre, até por direito natural. 

Fora tudo, fora todos! 

Há um tertium genus!

sábado, 5 de novembro de 2016

EM 2018, OU VOTO FACULTATIVO OU NULO!

"a noite esfriou,
o dia não veio, 
o bonde não veio, 
o riso não veio, 
não veio a utopia 
e tudo acabou 
e tudo fugiu 
e tudo mofou, 
e agora, José?"
(Carlos Drummond
de Andrade)
Neste período pós resultados das eleições municipais destacam-se os novos prefeitos eleitos, os mesmos de outrora e, também, os especialistas em política, os mesmos de todos os tempos. 

Para estes últimos, quem ganha ou perde são os velhos caciques dos partidos e não os prefeitos eleitos. Partindo de tal  premissa, eles já definiram o candidato à Presidência da República em 2018 pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, cuja sigla nasceu de uma costela do Partido do Movimento Democrático Brasileiro  PMDB, mas ninguém se lembra mais disso.  A constatação óbvia da derrocada do Partido dos Trabalhadores – PT fecha o ciclo de análises políticas.

No afã de realçarem o candidato do PSDB, fazem ilações bizarras, para dizer o mínimo. Costumam atribuir a vitória de qualquer prefeito eleito, do Oiapoque ao Chui, ao apoio dado pelo governador de São Paulo. Qualquer coisa se transforma em fator decisivo, tipo “quando morou em São Paulo nos anos 60, o prefeito vencedor era amigo da amiga de uma cozinheira que trabalhava na casa da prima do governador”. 
Quem ainda lembra deste fracasso do Alckmin?

Simples assim. Com tão poderosa influência, o resultado só poderia ser a vitória certa do candidato.

Utilizam-se da mesma régua, em sentido oposto, para vaticinar a derrota do pretenso concorrente. Aqui um parêntese: só para reforçar que a única função de partidos políticos no Brasil é lançar candidatos. Além de se sustentarem à custa do suado dinheiro do contribuinte, que recebem por meio do Fundo Partidário.

Escolhido o candidato, passa-se à exposição de suas virtudes. Nunca se aponta ou comenta uma falha, algum projeto mal executado. 

O único vitorioso destas eleições, o governador de São Paulo, talvez seja quem exerceu o cargo de governador por mais tempo na história brasileira.

Já o partido dele governa o Estado há 22 anos. Completará 24 na época em que ele estiver em campanha presidencial, prometendo a solução da segurança para o país. 

Nenhum especialista começa a pesquisar se o número de assassinatos ultrapassou um milhão de pessoas no período em que o PSDB governou o estado. Simplesmente para que, quando o candidato deste partido estiver prometendo a solução para a segurança do país, tal número de assassinatos sirva para um confronto, possibilitando indagar ao dito candidato o que faria de diferente para garantir a segurança do País, se fracassou no próprio estado que governou. 

Ele e a segurança servem de exemplo apenas por já ter sido escolhido pela mídia. Mas, vale para qualquer pretenso candidato e para qualquer área, como educação, saúde, estradas, infraestrutura e todas as demais. 
E o abastecimento de água, até bem pouco tempo atrás?
A falta de segurança pode ser atestada por qualquer um, por experiência  própria. No meu caso, em agosto de 2016 minha filha foi assaltada, por um pedestre, ao meio-dia de um sábado, na frente do condomínio em que mora. No último dia 31 de outubro foi novamente assaltada, desta feita por dois homens numa motocicleta, no mesmo lugar. Ela vai continuar pagando um celular que não possui mais.

Este exemplo pessoal não é dirigido somente ao governador, mas também aos especialistas da área de segurança, que vivem defendendo pena branda para “crime de menor potencial ofensivo”. 

Um celular! Não é pelo objeto. Minha filha teve a sensação de morte, ao ficar encostada numa parede, de costas para eles. Itso é o que chamam de menor potencial ofensivo. Se fosse um avião... Mas, o que vale menos, um celular para minha filha ou um aviãozinho para o dono da Odebrecht?]

Obs.: há um blablablá danado sobre a necessária reforma política, na proporção inversa do silêncio sepulcral quanto ao voto facultativo. Em 2018, ou facultativo ou nulo! Lema lançado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FREIXO: "MUITOS QUESTIONAMENTOS QUE SURGIRAM DURANTE AS MANIFESTAÇÕES DE 2013 PERMANECEM SEM RESPOSTA".

"A esquerda brasileira vive agora o seu pior momento desde o fim da ditadura militar. É uma pena, mas pagamos o preço por tudo de ruim que aconteceu durante o ciclo do PT na Presidência da República, apesar de não termos feito parte daqueles governos. 

Na verdade, esta não é apenas uma questão carioca. Se olharmos os resultados das eleições municipais em todo o Brasil, veremos que a esquerda sofreu uma derrota nacional. 

É uma boa hora para refletirmos. Muitos questionamentos que surgiram durante as manifestações de 2013 ainda permanecem sem resposta e os eleitores se sentem distanciados do processo político."
(Marcelo Freixo, derrotado pela Igreja Univer$al e seus zumbis na eleição para prefeito da
cidade que um dia foi maravilhosa, mas agora se tornou bastião de obscurantistas 
tacanhos, obcecados em fazerem as rodas da História girarem para 
trás, levando-nos de volta para as trevas medievais)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

HÉLIO SCHWARTSMAN: "GUINADA PARA A CENTRO-DIREITA PARECE SER MAIS CIRCUNSTANCIAL DO QUE IDEOLÓGICA".

TICO E TECO
A exemplo da economia, a ciência política não é muito confiável na hora de fazer previsões acuradas sobre o futuro. Não é raro que os caprichos da conjuntura se somem às inconstâncias do eleitor para sabotar os mais belos modelos elaborados pelos especialistas. Ainda assim, exatamente como ocorre com a economia, existem alguns princípios muito gerais que atuam na grande maioria dos pleitos.

O algoritmo mais básico usado pelo eleitor é: se a situação está boa, mantenha o governante e seu partido; se está ruim, puna-os. Isso significa que, sempre que houver uma mudança brusca na economia, deve-se esperar um movimento correspondente na política.

Foi exatamente o que verificamos nestas eleições municipais. Dada a ruína econômica do último biênio, o PT viu o número de prefeituras que controla despencar de 644 para 254 (queda de 61%) e a população que governa ser reduzida de 38 milhões para 5,9 milhões (-84%). 

Para tornar a punição mais dolorida, boa parte dos eleitores escolheu votar no partido que mais rivalizava com o PT, que é o PSDB. Os tucanos viram a população sob suas prefeituras passar de 25,8 milhões para 48,7 milhões, salto de 89%. 

Curiosamente, os petistas contribuíram bastante para a vitória do oponente, ao ter pintado insistentemente os tucanos como antípodas do PT ao longo dos últimos 13 anos.

Outro algoritmo muito usado por eleitores é: se você estiver insatisfeito com o sistema, flerte com alternativas. Vimos um pouco disso tanto no aumento da fragmentação partidária quanto no discurso de candidatos vitoriosos que se descreveram como não políticos, o que certamente tem a ver com as revelações da Lava Jato.

As interações entre os dois algoritmos —que podemos chamar de Tico e Teco— sugerem que o ambiente político seguirá ainda bastante instável e que a guinada do eleitor para a centro-direita parece ser mais circunstancial do que ideológica.
Por Hélio Schwartsman

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

BALANÇO FINAL: O NÃO-VOTO BOMBOU NAS CIDADES MAIS PRÓSPERAS DO PAÍS E A ESTRELA DO PT APAGOU.

Os pleitos municipais de 2016 revelaram um enorme desencanto do eleitorado com o Partido dos Trabalhadores em particular e com a política em geral, tanto que não-voto (abstenção, nulos e brancos) superou a votação dos prefeitos eleitos por cidades como São Paulo, o município brasileiro com maior PIB; Rio de Janeiro, o 2º da lista; Belo Horizonte, o 4º; e Porto Alegre, o 8º. Vale lembrar que em Brasília, o 3º, inexiste o cargo de prefeito.

Nas dez cidades restantes com maior peso político e econômico, o percentual dos que mandaram às urtigas a escolha do novo prefeito foi de:
  • 34,84% em São Paulo, totalizando 3.096.304 eleitores, enquanto o eleito, João Doria (PSDB), obteve 3.085.187 votos;
  • 41,53% no Rio de Janeiro, totalizando 2.034.352 eleitores, enquanto o eleito, Marcelo Crivella (PRB), obteve 1.700.030 votos;
  • 38,50% em Belo Horizonte, totalizando 742.050 eleitores, enquanto o eleito, Alexandre Kalil (PHS), obteve 628.050 votos;
  • 39,48% em Porto Alegre, totalizando 433.751 eleitores, enquanto o eleito, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), obteve 402.165 votos;
  • 32,74% em Curitiba, totalizando 422.153 eleitores, enquanto o eleito, Rafael Greca (PMN), obteve 461.736 votos;
  • 31,86% em Salvador, totalizando 620.662 eleitores, enquanto o eleito, ACM Neto (DEM), obteve 982 246 votos;
  • 25,13% em Fortaleza, totalizando 425.414 eleitores, enquanto o eleito, Roberto Cláudio (PDT), obteve 678.847 votos;
  • 22,30% em Recife, totalizando 257.394 eleitores, enquanto o eleito, Geraldo Júlio (PSB), obteve 528.335 votos;
  • 17,30% em Manaus, totalizando 217.540 eleitores, enquanto o eleito, Artur Neto (PSDB), obteve 581.777 votos;
  • 39,28% em Campinas (SP), totalizando 322.875 eleitores, enquanto o eleito, Jonas Donizette (PSB), obteve 323.308 votos.
Ou seja, quem realmente venceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre foi Ninguém, não aquele que sentará na cadeira de prefeito.

E os estados nordestinos continuam tardando em sintonizar-se com o sentimento predominante nas regiões economicamente mais desenvolvidas (aquelas que, segundo Karl Marx, apontam o rumo que as demais seguirão). Em 2014, salvaram Dilma Rousseff da derrota. Dois anos depois já estão rejeitando o PT, mas ainda não estenderam tal rejeição às demais forças da política oficial. Atingirão tal estágio em 2018?

Segundo o Congresso em Foco (vide aqui), o PT despencou de 24,2 milhões de votos obtidos nos dois turnos das eleições para prefeito de 2012 para 7,6 milhões agora, além de passar a comandar uma única capital brasileira (Rio Branco) e de sofrer dolorosa derrota no ABCD paulista, berço político de Lula.
Está pagando caro pela postura que começou a assumir já na década de 1980 e depois foi aprofundando cada vez mais: o abandono dos ideais revolucionários e consequente aposta na melhora das condições econômicas dos explorados sob o capitalismo.

Ou seja, prometeu conduzir a classe operária ao paraíso pelo caminho tão fácil quanto ilusório das urnas; e, previsivelmente, não conseguiu cumprir a promessa. Daí estar agora sendo visto pela maioria dos brasileiros como farinha do mesmo saco, não mais uma exceção à venalidade generalizada, mas tão somente a confirmação da regra de que o homem comum nada de bom deve esperar dos podres Poderes e de quem deles participa.

Isto porque o PT (e boa parte da esquerda não-petista) não levou em conta duas evoluções muito importantes do quadro político e econômico.
.
O CAPITALISMO AINDA RESISTE
MAS SUA AGONIA É IRREVERSÍVEL.
.
O capitalismo continua minado pela contradição fundamental de que, ao usurpar dos trabalhadores parte substancial dos valores que eles criam, não lhes dá condições de adquirir todos os frutos do seu labor. Tal descompasso, antigamente, levava às crises cíclicas, guerras e agudas depressões, formas extremas de tornar mais equilibradas a oferta e a procura. 

Os marcantes avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas vêm reduzindo cada vez mais a componente de trabalho humano nos produtos, o que faz diminuir na mesma proporção o lucro que o capital pode extrair de cada item produzido. Como a expansão ininterrupta é condição sine qua non de sua vitalidade, o fato de cada vez mais chocar-se com limites intransponíveis debilita crescentemente o capitalismo, prenunciando seu colapso definitivo.

A crise devastadora para a qual marcha a economia globalizada só não eclode com força total porque a penúria e o apertar de cintos são transferidos de país para país, com a relativa prosperidade de uns tendo como contrapartida o inferno de outros; e também porque a concessão indiscriminada de crédito sem garantia e a emissão desmedida de moeda sem lastro permitem empurrar com a barriga o acerto de contas, adiando longamente (mas não indefinidamente) o juízo final.

Mais dia, menos dia, o castelo de cartas desabará, impondo ao sistema capitalista como um todo uma depressão econômica tão profunda que fará a da década de 1930 parecer brincadeira de criança. 

Ao trocar a luta de classes pela conciliação de classes, o PT acreditou que bastaria se mostrar tão inofensivo e domesticado quanto um lulu de madame, resignando-se a não meter o bedelho nas decisões macroeconômicas, para os donos do Brasil o deixarem cuidar das miudezas administrativas em paz; e supôs que o bom desempenho que as commodities brasileiras vinham obtendo no comércio internacional durante a década passada duraria para sempre, permitindo-lhe satisfazer o apetite pantagruélico do grande empresariado e, ao mesmo tempo, colocar algumas migalhinhas a mais na mesa dos coitadezas.

O preço destas apostas equivocadas é sua degringola atual.
.
A POLÍTICA OFICIAL É SÓ FIGURAÇÃO, O
 PODER ECONÔMICO MANDA E DESMANDA.
.
Outro fenômeno que vem se acentuando cada vez mais é o avassalamento do poder político ao poder econômico. Não há mais sobrevivência possível fora do modelo capitalista de inspiração neoliberal, pelo menos enquanto ele for dominante em escala global; países ou blocos que tentam isoladamente confrontá-lo, têm até agora sucumbido. [A bola da vez é a Venezuela, símbolo maior do agonizante bolivarismo.]

A lógica da economia capitalista se impõe esmagadoramente sobre o Executivo e o Legislativo (bem como sobre as instâncias superiores do Judiciário), tornando inócuas as tentativas de colocar em xeque a exploração do homem pelo homem a partir das tribunas parlamentares e dos palácios do governo. Os mandatos eletivos servem para dar boa vida a maus representantes do povo, mas não para emancipar o povo.

Então, outra lição importante a tirarmos da ascensão e queda do PT é que a chamada via eleitoral caducou e hoje só serve para manter a esquerda patinando sem sair do lugar.

O que fazermos, então?

O primeiro passo, obviamente, será estancarmos a hemorragia e voltamos a acumular forças.

Resgatarmos nossa credibilidade, tão abalada por escândalos que jamais poderiam ter ocorrido no nosso campo.

E reerguermos a esquerda, como uma alternativa à política oficial e não como parte do seu sistema.

O tempo das bravatas e dos projetos mirabolantes passou. Temos de, humildemente, voltar a participar das lutas justas da sociedade, dando nossos melhores esforços para que elas frutifiquem, ao mesmo tempo em que estivermos alertando os explorados, humilhados e ofendidos, no sentido de que suas conquistas só serão definitivas com a superação do capitalismo. Até lá, continuaremos assistindo a retrocessos como o empobrecimento, nos últimos anos, da nova classe média que os petistas se ufanavam de haver gerado.

Quanto aos voos maiores, são algo para pensarmos quando a correlação de forças não estiver tão desequilibrada em nosso desfavor como está agora; e também quando as crises econômica e ambiental do capitalismo se agravarem ainda mais, provavelmente interagindo entre si. Tudo leva a crer que, nas próximas décadas, a humanidade enfrentará seu maior desafio em todos os tempos.

Como em 1917 na Rússia e em 1949 na China, é bem provável que então se abram janelas revolucionárias, com os homens redescobrindo a solidariedade na luta que terão de travar por sua sobrevivência ameaçada. Pode ser o ponto de partida para uma reorganização da sociedade em bases bem diferentes, passando a priorizar a colaboração fraterna dos homens em prol do bem comum. 

domingo, 30 de outubro de 2016

O CALDEIRÃO DO DIABO

“Por que não deveríamos então lutar decididamente para que,
por meio da crítica categorial, essa crise seja sinônimo de 
uma  revolta consciente e livre de nossa gente para a 
conquista da emancipação humana?" (Crítica
Radical, na mensagem Adeus às ilusões)
A crise causada pela terceira revolução industrial da microeletrônica, agora aditada por fenômenos baseados na robótica, neurotecnologia, nanotecnologia e biotecnologia, deu margem à explicitação de contradições do sistema produtor de mercadorias que estavam apenas latentes, mas agora assumem proporções e velocidades gigantescas nos apontando para um futuro sombrio se permanecermos inconscientemente perpetuando formas sociais de mediação que já não se adequam nem um pouco ao seu conteúdo essencial mesquinho.  

No bojo desses acontecimentos, o processo eleitoral mais parece uma alucinação esquizofrênica de zumbis hipnotizados por uma poção mágica que os mantêm fora da realidade, à semelhança do que ocorre com a população no bom filme Perfume, a história de um assassino

Candidatos dos mais variados matizes ideológicos, agora com maior sucesso nas urnas de salvadores da pátria conservadores, fazem ridículos discursos de futura boa administração das cidades economicamente falidas e cindidas em bairros elegantes (uma menor porção) e bairros miseráveis (uma maior porção). Nestes últimos vive uma população atormentada pelo desemprego, pela violência urbana e pelo individualismo que torna todos os indivíduos sociais adversários de todos na fratricida luta pela sobrevivência.    

Entretanto, tudo parece muito normal. É que o brilho falso do progresso de poucos ofusca as trevas da miséria de muitos, escorraçada para o gueto onde reina a alegria desesperada dos que não têm nada a perder, muito comumente perdendo até a vida, assassinados que são na vala comum da banalidade.   

Em meio a tudo isto, a grande mídia trata a violência urbana com um espanto cínico, como se não soubesse que quem planta vento colhe tempestade, pugnando por medidas de segurança que sabem ser incapazes de conter a avalanche de assombros que desce ladeira abaixo. 

Carmen Lúcia, ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, visita os presídios e fica espantada com a tragédia humana nesses locais que mais parecem masmorras da Idade Média como se se precisasse de visita para se conhecer a realidade de mortes e promiscuidade (entremeadas com regalias para alguns) ali reinante e os diários levantes e motins dos aprisionados, bem como a completa incapacidade do estado de prender, processar e manter preso o enorme contingente de criminosos fabricado por um sistema incongruente.  

Enquanto isso a Belíndia (mistura brasileira de Bélgica e Índia) vai vivendo a sua vida de perplexidades. Os bobos alegres da cada vez mais precária inclusão social temem a perda de status e sonham com a impossível volta a um passado que, mesmo não tendo sido bom, é melhor do que o presente e certamente menos sombrio do que a perspectiva de futuro dentro da lógica do sistema. 

Há entre eles uma intuição (ainda que inconsciente) das verdadeiras causas da tragédia que aponta para um futuro sombrio, tanto em termos sociais quanto ambientais. Mas, como dizia Ibrahim Sued, colunista social famoso do passado, os cães ladram e a caravana passa, às vezes acrescentando um repulsivo sorry, periferia!.

Aos deserdados da sorte resta se contentarem com a vitória do seu time preferido; caso ela não venha ou mesmo vindo, não custa nada a prática do vandalismo aleatório e da agressão catártica para comemorarem a vitória ou desabafarem pela derrota.  

Quanto desrespeito pelo ser humano! Quanta indiferença individualista! Quanta mentira! Quanta irracionalidade! Quanta hipocrisia legalista a respeito dos podres poderes! Estes nada mais fazem do que sustentar o roubo que está nas entranhas de um sistema nascido da corrupção, mas que diz combatê-la, por isto mesmo tendendo a frustrar qualquer tentativa de alguns paladinos da justiça em tentar consertar o desconserto do que lhes dá sustentação: o Estado capitalista.   

Infelizmente, a miséria por si só não é revolucionária. Pelo contrário, trata-se de um fruto da inconsciência social; então, quanto maior a inconsciência social, mais fácil se torna a manipulação da opinião pública por todos os organismos econômicos, institucionais, educacionais e midiáticos. Ou seja, a miséria atrai miséria, ao invés de, por sua existência chocar a sensibilidade dos seres realmente humanos, ser fator de sua extinção. 

É graças a isso que os eternos revolucionários de ontem e de hoje não devem ceder à impressão de fracasso por estarem sempre andando na contramão do fluxo social; pois, além de estarem com a consciência em paz (quantos hoje podem dizer o mesmo?), têm em seu favor a contradição de um modo de ser social que se exaure por seus próprios fundamentos, causando perplexidade entre os que o tentam eternizar. 

Aos revolucionários restam os consolos de não terem sido Maria vai com as outras; de não haverem condescendido com a exploração sistêmica; e de não terem dado aos empedernidos beneficiários dos banquetes capitalistas a oportunidade de os tornarem objetos do mesmo desprezo que têm por suas passivas vítimas inconscientes.          

Nunca foi tão urgente combatermos as categorias fundantes do capitalismo, que se apossaram da nossa mente com um poder hipnótico que é capaz de nos conduzir ao abismo como se fôssemos robôs programados para a autodestruição. Está mais do que na hora de acordarmos do transe.

Então, é de se perguntar novamente: você vai mesmo atender ao apelo institucional e de todos os partidos, desperdiçando seu tempo para ir votar?
(por Dalton Rosado)

domingo, 23 de outubro de 2016

QUER SABER QUEM É MARCELO CRIVELLA (AQUELE QUE TORNARÁ HORROROSA A CIDADE MARAVILHOSA)? RELEIA ESTE POST.

CRÔNICA DE UM EPISÓDIO CANALHA
.
Junho de 2008. 

O senador Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, apostou numa reciclagem dos barracos das favelas como trampolim para a Prefeitura do Rio de Janeiro – à qual pretendia chegar com o apoio do vice-presidente José Alencar (são ambos do PRB) e a benção do Governo Federal.

Cimento Social foi um projeto maldito desde o início.

Primeiramente por ser superfaturado, conforme então denunciou o veterano analista político Zuenir Ventura: "o custo para reformar uma casa [R$ 22 mil] é mais da metade do preço de construí-la por inteiro [R$ 32 mil]”.

Depois, porque os fornecedores escolhidos foram, obviamente, empresários ligados à IURD. Aqueles que pagam vultosos dízimos.

E, ainda, por ser um pacote escandalosamente eleitoreiro: a equipe de Crivella fez o projeto e elaborou o cadastro dos beneficiados, de forma a colher todos os dividendos políticos. Quanto à conta de R$ 16 milhões, ficou para a viúva pagar, claro.

Por último, poupou-se o custo de seguranças para a execução do projeto no Morro da Providência, delegando a função ao Exército, que sabia ser uma roubada, mas acabou engolindo o sapo.
Pitorescas fotos antigas do Crivella, que estão na capa da revista veja.

José Sarney naquele tempo falava grosso, pois ainda não devia a sobrevivência política a Lula. Então, disse que o Exército não honrara suas tradições ao aceitar tal empreitada, contrariamente ao que fazia quando se recusava a caçar escravos fugidos por considerar que era tarefa de capitães-do-mato e não de militares.

Quando a substância fedeu, José Alencar tirou o corpo fora, negando ter sido ele quem aconselhara Lula a dar esse péssimo passo:
"Nosso partido, o PRB, não tem esse poder de convencimento, de uma força militar fazer algo que não queira. Isso tudo passou pelo presidente Lula".
A comédia de erros terminou em tragédia. Agindo com a truculência que lhes-é habitual quando atuam junto a comunidades carentes, os militares mataram ou provocaram a morte de três jovens que voltavam de uma balada.

Uma patrulha suspeitou deles e os submeteu a uma revista cujo resultado foi nulo: não portavam armas nem drogas.
As vítimas da jogada eleitoreira do Crivella

Houve bate-boca. O tenente que comandava a patrulha os deteve por desacato. Seu superior (capitão) ordenou que fossem soltos. O tenente, inconformado, desatendeu a ordem. Acabaram barbaramente torturados e executados a sangue-frio (um deles recebeu 26 tiros).

A versão oficial é a de que o tenente os entregou a traficantes rivais de outro morro. A versão alternativa, sustentada por Jânio de Freitas e por mim, foi a de que algum deles sucumbiu às torturas no quartel (como acontecia freqüentemente na ditadura de 1964/85) e os militares decidiram assassinar os outros dois, montando uma farsa para atenuar suas responsabilidades.

Ambas deixavam a imagem do Exército em frangalhos. Além dos detalhes escabrosos, havia os fatos de que um tenente ignorou olimpicamente a decisão de um capitão; um capitão não teve a mínima curiosidade em verificar se sua ordem havia sido cumprida; e o comandante militar do Leste, diante de um acontecimento de tal gravidade, preferiu continuar em férias na Europa do que vir descascar o abacaxi.

O assassinato, as circunstâncias chocantes que o cercaram e o alegado conluio entre militares e traficantes foram prato cheio para a imprensa. O castelo de areia desabou.

A Justiça Eleitoral embargou as obras do Cimento Social após a mídia noticiar que Crivella estava destacando esse projeto em folhetos e outras peças de campanha.

O ministro da Defesa ordenou a retirada das tropas.
O resultado da demagogia

E, o melhor de tudo: o episódio desmoralizou tanto Crivella que ele perdeu a vaga, dada como certa, no 2º turno. O azarão Fernando Gabeira arrancou na reta final.

Mais que cimento, foi uma pá de cal nas chances eleitorais do citado elemento (o jargão policial cai como uma luva neste contexto...).

Quanto aos militares, 11 foram acusados na 7ª Vara Criminal da Justiça Federal no RJ, que acaba de absolver e libertar os nove subalternos; estes safaram-se em definitivo.

O tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade e o sargento Leandro Bueno ainda irão a júri, provavelmente no mês que vem. Não vai dar em nada, claro.

A Justiça Militar também julgou o tenente, condenando-o a um ano de prisão por recusa de obediência.

Ou seja, ter desacatado a ordem do capitão, que mandara libertar os coitados, é o único crime que ele cometeu, na ótica do Exército.

Seria cômico se não fosse trágico.
.
(post publicado em maio de 2010 neste blogue, evocando um 
episódio que ocorrera três meses antes de sua entrada no 
ar, mas que fora, à época, dissecado neste artigo.)
.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

ELEIÇÕES: O ETERNO RETORNO AO PONTO DE PARTIDA.

“O número de abstenções e de votos brancos e nulos
mostra a necessidade indispensável de passar
uma reforma política no Congresso”
(Michel Temer, o Presidente Temerário)
Quando se analisam os governos outrora eleitos (carregados de esperança!) e os seus desempenhos governamentais, vamos verificar que todos eles se desgastaram ao longo do tempo. É o que se constata a partir de um breve apanhado histórico das eleições municipais de São Paulo e seus respectivos governos municipais nos últimos 35 anos: 
– em 1982, favorecido pelo desgaste da ditadura militar, foi eleito Mário Covas (PMDB), com um discurso de defesa dos postulados democráticos; 
– Jânio Quadros (1986/1988), do PTB (ou seja, a bordo de um partido pseudo-trabalhista que no passado lhe fizera ferrenha oposição) com o velho discurso de combate à corrupção e abusando de factoides politiqueiros;   
– Na esteira na decepção com Jânio Quadros e da ascensão dos movimentos populares e trabalhistas, veio o crescimento do PT, com suas bandeiras vermelhas e estrela do socialismo, que venceu com a equivocada (quanto às ilusões eleitorais) Luíza Erundina (1989/1993). Resultado? Não emplacou um segundo mandato; 
Jânio Quadros, o folclórico homem da vassoura.
 – em seguida foi eleito um candidato com um discurso oposto ao da Erundina e egresso da ditadura Militar. O sucessor da política do Adhemar de Barros, do rouba, mas faz. O Paulo Maluf (malufar virou significado de roubar), que realizou a proeza de fazer seu sucessor: 
– Celso Pitta (1997/2000 e 2000/2001, com breve afastamento, quando foi substituído pelo seu vice Régis Oliveira), e que terminou por sumir nas brumas de um presente sem passado e sem futuro, desmoralizado pelas acusações de corrupção partidas de sua própria ex-esposa;  
– Como novo contraponto ao conservadorismo malufista, veio a recém-socialista, com seus belos vestidos vermelhos estrelados do PT, a outrora sexóloga da Rede Globo Marta Suplicy (sobrenome que já não expressava a verdade quando disputou a eleição e que preferiu manter ao tornar-se oficialmente a sra. Favre...), cujo desgaste levou ao governo;  
– José Serra, um tucano de bico longo, outrora um combativo presidente da União Nacional dos Estudantes, depois convertido em neoliberal desde criancinha, que sem maior brilho cedeu o seu lugar de prefeito; 
José Serra, vulgo Nosferatu.
– Gilberto Kassab, um político da linha oportunista conservadora no qual cabe como uma luva a máxima “não sou eu quem muda, quem muda são os governos, eu permaneço sempre governista”. Até ontem era dilmista, mas antes mesmo do impeachment já pulara para o barco de Michel Temer, o Presidente Temerário (este também, até ontem, aliado confiável do PT); 
– após o tradicional desgaste dos governantes sob o capitalismo, voltou a brilhar a estrela vermelho-fosco petista de Fernando Haddad, cuja tentativa de reeleição foi coroada com a pior votação de um candidato do PT a prefeito paulistano até agora;  
– João Dória, o político do PSDB, que diz não ser político, ou seja, já começa mentindo para se eleger com um discurso oportunista baseado na ojeriza do eleitor à política. Será mais um pouco do mesmo. 
Somando-se os votos do Ninguém (abstenções, brancos e nulos) aos votos do apolítico João Dória, chegaremos a uma esmagadora maioria de rejeição ao voto, porque o povo está cansado de tanta farsa (e, logo, logo, desiludir-se-á com o pseudo-apolítico Dória).
.
O ENGODO DO VOTO
.
O carrasco disse a um condenado à morte que ele teria o direito de escolher entre dois modos de execução: a injeção letal ou a cadeira elétrica. O condenado respondeu: "Eu prefiro a vida!”

Esta parábola, mutatis mutandis, aplica-se à questão do voto, como ela é, hoje, colocada. Dizem os submissos carrascos da vida mercantil que ao cidadão é concedida a escolha entre dois modelos: a ditadura ou a democracia, essa última exercida por meio do voto. Diante disto, o que resta ao indivíduo social comum, tornado cidadão democrata? Abster-se de votar ou votar em branco ou nulo. 

Caso os indivíduos sociais tivessem consciência da negatividade do enquadramento jurídico-institucional-estatal-mercantil inserido no contexto do voto, ele responderia tal qual o exemplo da parábola acima: Eu prefiro a vida! O voto é a legitimação representativa do poder jurídico-institucional-estatal opressor e regulador do capitalismo, e é por isto que consideramos a democracia antidemocrática, se tomarmos o termo como sinônimo da vontade soberana do povo.

A questão que ora se coloca para uma população descrente nos políticos e na política é a superação do sistema produtor de mercadorias, por mais que isto, aos olhos do indivíduo social comum, pareça algo impossível de acontecer. Aos incrédulos dizemos que impossível é vivermos sob a égide da mediação social pela mercadoria, e que só a sua superação poderá viabilizar a vida social no atual estágio do desenvolvimento tecnológica da sua produção.  

Obviamente, a superação do sistema produtor de mercadorias passa indiscutivelmente pela rejeição das instituições que lhe dão suporte, entre elas estando o exercício do voto, pilar de sustentação da legitimidade institucional capitalista e da assunção aos cargos governamentais e legislativos. 

Que o Presidente Temerário se preocupe ou diga preocupar-se com a expressiva percentagem de abstenções, votos brancos e nulos, e proponha uma reforma política para que tudo continue como está, lá isto é compreensível, posto que tal postura do eleitorado nas eleições municipais de 2016 representa a negação daquilo a que ele dedicou a sua vida: a politicagem. 

Mas a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B) dizer que a rejeição ao voto é o pior dos mundos, somente demonstra a identidade essencial do pensar de ambos (apesar de aparentarem ser diferentes) e quão distante da emancipação se situa o pensar da chamada esquerda. (por Dalton Rosado)
Related Posts with Thumbnails