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sexta-feira, 22 de julho de 2022

GABEIRA USA EUFEMISMO PARA QUALIFICAR O BOZO DE RETARDADO MENTAL...

...pois diz que ele é "um líder com algumas deficiências cognitivas" (tradução: "alguém sujeito a ter maior dificuldade do que uma pessoa com capacidade mediana, ao executar um ou mais tipos de tarefas mentais")
.
fernando gabeira
DISCURSO DE PERDEDOR
COM AMEAÇA DE GOLPE
No momento em que os partidos preparam convenções, o que se espera dos candidatos são discursos sobre seu projeto de governo e o otimismo sobre a possibilidade de vitória.

Bolsonaro está na contramão. Ele reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para fazer um discurso de perdedor, levantando uma série de dúvidas sobre o sistema eleitoral, já amplamente respondidas.

Na verdade, Bolsonaro violentou os fatos muitas vezes:
— usou indevidamente um inquérito da Polícia Federal para concluir o que não está nele (a possibilidade de alterar nomes e votos);
— mencionou o questionamento do PSDB ao resultado das eleições, sem admitir que o partido ficou satisfeito com a resposta;
— afirmou que o sistema não seria auditável, quando este é um dos seus atributos, ao lado da segurança e da transparência.

Bolsonaro reuniu os embaixadores para caluniar o sistema eleitoral e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal. É algo que deveria ser punido pelas leis brasileiras, porque isso foi, inclusive, realizado num prédio público e tinha objetivos eleitorais.

É uma contradição dizer que Bolsonaro fez um discurso de perdedor e tinha objetivos eleitorais. Ocorre que a contradição está no seu próprio comportamento.

Um dos objetivos de Bolsonaro é preparar o campo para resistir ao resultado das eleições e tentar um golpe de Estado, no estilo de Trump e sua invasão do Capitólio. Mas, há dois problemas no caminho. 

O primeiro deles é que pode perder feio nas eleições e a própria dúvida sobre as urnas eletrônicas não terá crédito. 

O segundo deles é anunciar com muita antecedência o golpe de Estado, dando tempo à sociedade para se preparar e neutralizá-lo.

Por outro lado, Bolsonaro fala tanto em golpe que parece ter anestesiado a sociedade. Tornou-se natural uma manifestação como esta diante dos embaixadores. Os próprios políticos, todos eleitos por meio das urnas eletrônicas, estão parcialmente silenciosos.

Isso fala muito sobre sua inteligência. Parecem não ter compreendido ainda que, se Bolsonaro tenta invalidar as eleições, eles também, os eleitos, serão levados na tempestade de dúvidas.

Todos os que foram eleitos por meio de urnas eletrônicas deveriam se manifestar quando Bolsonaro afirma as barbaridades que pronunciou diante dos embaixadores. Afinal, até sua legitimidade no momento está sendo questionada.

Infelizmente, Bolsonaro está arrastando no seu projeto insano o próprio ministro da Defesa e, possivelmente, uma fração das Forças Armadas.
À esq., a imagem que o Bozo tinha de si próprio;
à dir., e imagem que os embaixadores tinham dele.
Os militares viram muitas eleições no Brasil, desde o processo de democratização. Num momento da trajetória, as eleições tornaram-se eletrônicas e desde então foram assim. Nunca foram contestadas pelos militares, exceto agora, por alguns deles. Como dizia o criminoso de Foz do Iguaçu,
aqui é Bolsonaro, logo, a faculdade de pensar sofre um grande abalo.

O fato de Bolsonaro se comportar como um perdedor e caminhar para a derrota não significa um futuro confortável. 

Em primeiro lugar, será necessário um grande esforço para neutralizar o golpe, punir responsáveis. Só aí, então, será possível tratar com mais calma aqueles temas que dominam uma eleição democrática: que políticas aplicar para a retomada da economia, a superação da fome, a preservação do meio ambiente, o salto de qualidade na educação, a recuperação da credibilidade internacional.

O fato de Bolsonaro ter anunciado seu golpe e encarnado o perdedor facilita, mas não resolve o problema da resistência. A começar pelas instituições, o País inteiro precisa reagir, preparando-se para garantir o resultado eleitoral.

Bolsonaro diante dos embaixadores realizava uma tarefa impossível: tentar convencer governos de que o sistema eleitoral é inutilizável. Os países já têm informação adequada sobre isso.

Uma outra batalha diz respeito à opinião pública internacional. Certamente, Bolsonaro já a perdeu. Mas, ainda assim, é necessário que todos os brasileiros no exterior se manifestem, escrevam para jornais, mobilizem amigos e conhecidos, preparem a resistência, porque ela será fundamental para combater a tendência à timidez dos governos em momentos como este.

Bolsonaro, ao falar com os embaixadores, ligou na verdade o sinal amarelo. Será, de certa forma, uma grande incompetência se a sociedade brasileira não se preparar adequadamente para um golpe anunciado por um líder com algumas deficiências cognitivas e uma extrema-direita a quem o poder serviu apenas para mostrar sua incapacidade radical de governar o País.

É muito raro um governante começar mal nas pesquisas. Significa que ele já foi julgado pelo seu trabalho. Por mais pedaladas que dê – e a chamada PEC das eleições foi uma das maiores da história –, será difícil de sepultar esse julgamento formado ao longo de quase quatro anos, com uma epidemia no meio, crise econômica, fome, desemprego e misoginia num país em que a maioria do eleitorado é feminina.

Só resta uma tentativa de golpe para conquistar pela força o que foi perdido em empatia e credibilidade. Missão quase impossível, nos tempos modernos. (por Fernando Gabeira)

quinta-feira, 22 de abril de 2021

SE O BOZO NÃO FOR EXPELIDO ANTES DA ELEIÇÃO DE 2022, SÓ OS ÓBITOS POR CORONAVÍRUS CHEGARÃO A 2 MILHÕES...

...AFORA OS OUTROS TANTOS BRASILEIROS QUE MORRERÃO GRAÇAS À MISÉRIA, FOME E DOENÇAS QUE ADVIRÃO DA DEPRESSÃO ECONÔMICA! 
ricardo melo
CUSTO BRASIL DEVE PASSAR DE 1,8 MILHÃO DE VIDAS
Não é preciso ter nenhum diploma daquelas universidades celebradas para ver o descalabro em curso no Brasil. O descaso do governo Bolsonaro diante da pandemia já custou a vida de 380 mil brasileiros desde 21 de abril do ano 2020.

Suponha-se que ele fique no mandato até dezembro de 2022, a contar de abril do ano passado. Na ponta da caneta Bic serão mais cerca de 600 dias. A uma média conservadora de 2.500 mortes por dia, o país tem pela frente algo como 1,5 milhão de covas para abrir —fora as 380 mil já lacradas. Os requintes de crueldade se sofisticaram: não há insumos suficientes para aliviar as dores de intubações.

Não fosse o Brasil, estes números assustadores, omitidas as subnotificações, já deveriam ter mobilizado uma elite política e econômica digna desse nome. Nada disso.

Nos altos escalões só se ouve falar de articulações eleitorais. Não há uma única proposta para estancar esta hemorragia moral e mortal que ceifa principalmente os mais pobres e desvalidos.

Brasileiros que pretendem viajar ao exterior têm que ser desinfetados em algum país. A expectativa de vida por aqui andou pra trás pela primeira vez desde 1940.

Do governo do capitão expelido da caserna só se podem aguardar medidas de autodefesa e de sua famiglia. Bolsonaro está acuado. Sua reposta é (tentar) se blindar com mais e mais militares em Brasília e cooptar PMs para engrossar a tropa de milicianos. Uma guarda pretoriana. 

Os processos da rachadinha que enriqueceu ele e seu clã esbarram em manobras turvas no Judiciário emanadas do Planalto.

As mudanças em ministérios provam que o ruim sempre pode ficar pior. O da Saúde anterior, Eduardo Pazzuelo, deixou como legado uma curva exponencial de óbitos. Recusou a compra de vacinas e de oxigênio, mudou o mapa do Brasil com sua logística e terminou o mandato assumindo que era apenas um estafeta de um alucinado.

Hoje o ministério da área está entregue a um médico de currículo medíocre, cuja promessa ao assumir foi dar continuidade ao temporal. Está cumprindo a previsão. Marcelo Queiroga adiou novamente prazos de vacinação, sem cronograma ou anúncio de qual cartola vai tirar os imunizantes. Não há programa unificado de combate ao vírus nem orçamento previsto para este fim.

Quanto ao resto, é o resto mesmo. Ricardo Salles, p. ex., não passa de uma serra elétrica movida a madeireiros criminosos. Desmoralizado aqui e lá fora, está prestigiado pelo presidente encurralado.
Agora quer dinheiro internacional para criar uma tropa de milicianos ambientais depois de desmontar o Ibama, ICMbio e a estrutura responsável por reduzir o desmatamento.

Só um especulador deslumbrado como Paulo Guedes imagina que R$ 200 mensais sustentam famílias. O valor mal paga as gorjetas que o gran monde deixa nos valets após regabofes estampados em colunas sociais.

Dados disponíveis mostram que parte significativa da classe C voltou para baixo. Anos perdidos. 

Campanhas de arrecadação de alimentos são sempre bem-vindas, mas o povo não quer viver de esmolas. Quer trabalhar, conquistar o que tem direito, assumir o controle do país no qual é maioria.

Para isso, antes de tudo o Brasil precisa de um plano nacional de vacinação, testagem em massa, medidas coordenadas de combate ao vírus que condicionam a retomada da economia destruída pela dupla Temer-Bolsonaro e aliados de sempre. Sem isso, é o abate puro e simples a que estamos assistindo.

É bom a oposição verdadeira enxergar isso o quanto antes, em vez de se dedicar a colóquios politiqueiros com cúmplices de um impeachment farsesco.

O governo Bolsonaro não tem conserto. Qualquer conclusão fora dessa equivale ao fim da tal CPI antes mesmo de ela começar. Tirá-lo do Planalto é para ontem, e não depois de 1,8 milhão mortos. (por Ricardo Melo).
TOQUE DO EDITOR – Concordo e assino embaixo de tudo que o colega escreveu, até porque ele vem ao encontro de uma posição há muito sustentada por este blog, de repúdio àqueles que pretendem levar a situação em banho maria até outubro de 2022. 

O motivo de tal aposta obscena é que eles, Lula à frente,  priorizam acima de tudo sua vitória pessoal no pleito (mais fácil de ser alcançada se o principal adversário for o Bozo, e danem-se os que morrerem até lá!). 

Merecem, portanto, ser chamados de facilitadores de genocídio. 

De resto, creio que seja possível quantificarem-se quantificar as subnotificações da Covid: elas estão sendo estimadas por epidemiologistas em cerca de 130 mil óbitos até agora. Então, até a eleição haveria mais ainda do que 1,8 milhão de mortos: pelo menos 2 milhões.

E devemos levar em conta que a pior depressão econômica brasileira de todos os tempos, sob o pior presidente brasileiro de todos os tempos, tenderia a provocar até outros 2 milhões de óbitos, que devem ser acrescentados aos motivos pelos quais o afastamento do Bolsonaro é de urgência extrema. (por Celso Lungaretti) 
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