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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

MOTINS MILITARES REFLETEM O AGRAVAMENTO DA CRISE NO TOPO

Todos sabemos que as polícias militares, parte importante do braço armado do Estado, têm função estratégica na ordem capitalista, qual seja a de prevenir e coibir militarmente a prática de crimes comuns insculpidos como tais nos nossos digestos penais: os crimes contra a vida, os costumes e contra o patrimônio, seja ele privado ou estatal. 

Como atua na defesa da ordem capitalista ora vigente, constituem-se implícita e explicitamente numa corporação defensora de toda a mediação social estabelecida a partir do trabalho abstrato produtor de valor. 

Aliás, foi a formação dos estados, desde a antiguidade (mas, principalmente, na modernidade) que consolidou a necessidade de criação de forças militares regulares, remuneradas por soldos militares em dinheiro, fazendo aumentar a necessidade da produção de valor abstrato, já que se tornou não só viabilizar tal remuneração, como cobrir os gastos militares crescentes.

A máquina de guerra escravista precisava de uma força de coerção militar que garantisse a exploração social (originalmente formadas por mercenários e, mais tarde, por militares de carreira). Esta é a razão da existência de forças militares cada vez mais onerosas, seja nos países ricos ou pobres. 

Mas os policiais militares, empoderados pela força das armas em sua função primordial, também podem, eventualmente, utilizar as ditas cujas para tentarem obter melhor remuneração para si e para os seus, ou, ainda, deixando-se cooptar por interesses escusos que podem promover os desvios de suas funções constitucionais.
Fevereiro de 2017: motim de PMs em Campos, ES. Mais de 700 foram indiciados
As suas funções militares são as de trabalhadores especiais (todos os de baixa patente originam-se na classe trabalhadora), não produtores de valor, que se constituem em custos operacionais do Estado capitalista, mas atuando em defesa do próprio capital. 

Mas elas podem mudar de direção tão logo se evidencie a impossibilidade estatal de arcar com os pesados custos militares, cada vez mais proibitivos face à falência do Estado.

Em meio às muitas e cada vez mais agudas contradições capitalistas, a insatisfação dos militares com remunerações abaixo do que necessitam para uma vida minimamente digna representa uma explicitação de grave efeito decorrente da depressão econômica, a qual reduz o Estado o montante dos impostos por meio dos quais ele sustenta.  

Ademais, cabe aqui lembrar que a atividade militar de combate a uma violência urbana levada ao paroxismo, verdadeira guerra civil não declarada, causa estresse permanente (bandidos matam militares, que matam bandidos, numa ciranda infernal). Consequência: depressões e suicídios em porcentagens especialmente altas entre os policiais militares. 
O motin de 2014 na Bahia foi também contra a ortografia...

É que as suas atividades conspiram contra o instinto natural de vida do ser humano, representando uma condição antinatural de existência. Trata-se, também, de uma anomalia provocada pela tensão de uma mediação social desumana, baseada na corrupção do trabalho abstrato escravista.

Quando a força armada estatal se desvirtua de sua função originalmente constituída, este é mais um eloquente testemunho de que há algo de profundamente errado na ordem a que ela defende. 

Os motins militares são comuns na história moderna, como na revolução republicana francesa do final do século 17, contra o estado monárquico-feudal absolutista; ou na revolta dos marinheiros do Encouraçado Potemkin, na Rússia em 1905, contra o despotismo do czar. Hoje, sinalizam a falência de um modelo instituído, que já não consegue manter satisfeitos sequer os seus guardiãs armados. 

Graças à falência dos Estados membros da Federação, o Brasil ora assiste a um completo esfacelamento do ordem hierárquica militar, ao mesmo em que ocorre uma convivência de alinhamento conivente de setores policiais com a criminalidade urbana como forma de enriquecimento ilícito. 

Daí resultam anomalias estruturais como a criação de milícias e a formação de bancadas de políticos militares que chegam a ter representação tão numerosa nas casas legislativas municipais, estaduais e federais a ponto de se constituírem como um corpo institucional denominado bancada da bala
Inaceitável: senador baleado mostra radicalização  política sendo levada ao paroxismo!
E o mais grave é estarmos presenciando hoje a defesa desses motins por parte daqueles que representam a entourage do poder Executivo ou membros do poder Legislativo.

No Executivo, aliás, já se observa o empoderamento da força militar no comando político, como decorrência da necessidade de sustentação pela força de um Estado que já não pode se manter por meio de relações sociais econômicas frutíferas e saudáveis. 

Os milicianos, geralmente egressos das forças miliares por aposentadoria ou por exclusão disciplinar, associam-se aos civis do crime organizado, colocando toda a sua expertise militar a serviço do crime. 

A formação militar, sem o desejar, e como mais uma contradição capitalista, forma quadros que conspiram contra a ordem capitalista legal, aquela que admite o roubo oficial, da mais-valia, mas que recrimina o roubo patrimonial penalizado pelas leis criminais. 
Fardados creem que jamais serão punidos pelo atual governo

Tal resultante apenas se constitui em mais uma evidencia de quão nociva socialmente é uma ordem social baseada na escravização indireta pelo trabalho abstrato. 

Entendo que, diante desse quadro falimentar capitalista, cuja continuidade prenuncia a formação de nuvens sombrias, não cabe ao projeto revolucionário de emancipação humana a proposição de participação numa administração estatal capitalista impossível de ser bem administrada em favor do povo.

A precariedade da governabilidade capitalista somente se sustenta com o sacrifício deste mesmo povo e como forma da salvação do status quo estatal e capitalista decadente que não deve nos interessar preservar.

A nós cabe a denúncia dessa realidade que somente pode ser superada a partir de novos conceitos de produção social, organização jurídica e sustentabilidade ecológica.

Não devemos ter o menor apego às migalhas de poder que podem ser oferecidas pela estrutura político-institucional, pois isso representaria (já no curto prazo) o descrédito provocado pelas desilusões com as quimeras eleitorais, que cedo se esfumariam como a brancura das espumas que se desmancham na areia (lembrando um velho sucesso de Nelson Gonçalves: Risque). 
Assistimos à volta das badernas militares da década de 1920?

O descompasso entre poder Executivo (exercido por um presidente tão tosco, deselegante e grosseiro quanto despreparado para o gerenciamento da máquina estatal, e por uma bizarra coleção de ministros feios, sujos e malvados) e uma elite política eleita pelos mais absurdos e detestáveis mecanismos eleitorais Brasil afora, apenas demonstra quão grave é a crise no topo, agora reforçada pelos motins militares.

Se vivemos um tempo de dores, devemos fazer com que sejam apenas o parto do novo capaz de trazer paz, comodidade e sustentabilidade para as nossas vidas e a vida do nosso Planeta Terra. (por Dalton Rosado) 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

BADERNA MILITAR NO CEARÁ DEVE NOS SERVIR DE ADVERTÊNCIA CONTRA O CAOS

O velho sociólogo está certo: há um vácuo de poder que leva cada força política e social a magnificar seus interesses específicos, mandando às favas os interesses comuns da nação e do povo brasileiro. 

A baderna militar no Ceará foi o primeiro alerta de que o trem pode descarrilar de vez. Por aí só chegaremos ao caos, com grande chance de repetirmos as experiências mais funestas do século passado, como o nazismo.

Então, para começarmos a sair do atoleiro que nos traga, precisamos reentronizar o pensamento crítico, em substituição às narrativas convenientes, tendenciosas e unilaterais que pululam nesta era de polarização fanática, sob a égide da internet.

Fato é que o capitalismo flagrantemente perdeu pujança desde a crise imobiliária estadunidense do final da década passada. 

Seus defensores testam em vão fórmulas  e mais fórmulas para restituir-lhe o dinamismo, enquanto seus opositores alegam que se trata da culminância de um processo de agravamento de suas contradições intrínsecas que vem desde o século retrasado (lembram-se das crises cíclicas de superprodução que outrora ocorriam mais ou menos a cada 10 anos?).

Eu tenho, tu tens, quase todos temos um ponto de vista formado a tal respeito. Mas, apostar todas as fichas na corrente mais extremada do capitalismo, em detrimento até dos mais óbvios interesses nacionais (como vem fazendo a dupla Guedes-Bolsonaro), é coisa de jogador que está perdendo as calças no cassino e insiste em renovar as mesmíssimas apostas fracassadas até o mais amargo fim.

Quanto à milicianização da Presidência da República, está colocando todos contra todos em disputas insanas e canibalescas, de forma que cada força se vê impelida a usar todos os trunfos de que dispõe para alcançar seus objetivos: desde as mais sórdidas campanhas de difamação nas redes sociais até balas disparadas contra vereadoras ou senadores. Vale tudo. Perdem todos.

Então, antes que a governança esfarele de vez e voltemos à lei da selva, temos de pensar em como ainda se pode deter a descida aos infernos. 

Não vejo outra possibilidade que não seja a formação de uma coalizão entre a esquerda, o centro e a direita moderada que:
—  restabeleça, pelo menos, o respeito aos direitos individuais e coletivos constantes na Constituição que está aí e que, ultimamente, vêm sendo rudemente atropelados; e 
— defina, pragmaticamente, medidas econômicas na linha da salvação nacional, já que, num país pobre como o nosso, o crescimento insuficiente ou negativo do PIB que vem desde 2013 (média irrisória de 0,9% ao ano) é simplesmente insuportável. Mata gente. 
Como nas diretas-já, temos de reaprender a unirmo-nos contra um inimigo maior
Por último, um lembrete à esquerda: ignorar a correlação de forças sempre foi fatal para nós. E, neste momento, ela nos é das mais adversas. 

Passamos muito tempo sem fazer a lição de casa direito e agora somos obrigados a tirar da cabeça quaisquer veleidades de confronto direto com as forças da intolerância e do atraso. Inevitavelmente perderíamos, e as consequências seriam trágicas. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

NO EPISÓDIO DA BADERNA MILITAR, DESTAQUE PARA O CALA-BOCA DO CIRO GOMES NO FILHO 03. FOI DE LAVAR A ALMA!

"É inacreditável que um Senador da República lance mão de uma atitude insensata como essa, expondo militares e familiares a um risco desnecessário em um momento já delicado" (Eduardo Bolsonaro, sobre a tentativa de Cid Gomes de dar fim a um protesto de PM's invadindo o quartel com uma retroescavadeira)
"Deputado Eduardo Bolsonaro, será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua familia fizeram com o Rio de Janeiro"(Ciro Gomes, esfregando a cara do filho 03 no chão)
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