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quarta-feira, 7 de julho de 2021

UMA JÓIA DA SABEDORIA POPULAR: "QUEM DORME COM CÃES, ACORDA COM PULGAS'"

rui martins
O ALTO CUSTO BOLSONARO PARA OS EVANGÉLICOS
Quanto vai custar às igrejas e grupos evangélicos, em termos de credibilidade, terem apoiado a eleição e sustentado até agora o governo de Jair Bolsonaro, embora seu programa eleitoral e suas decisões e indecisões como presidente nada tenham a ver com os princípios morais do cristianismo?

Podemos começar pela linguagem chula, sem educação, rude, um tanto grosseira, obscena e tantas vezes de baixo calão, inapropriada para quem ocupa o cargo de presidente de um país até há pouco respeitado em todo o mundo. 

Imaginem o tosco Bolsonaro no púlpito de uma igreja, ao lado de uma bíblia, ou num encontro internacional da ONU em Genebra, falando como se estivesse num boteco.

Mas até Mazzaropi seria respeitado se, em termos de governo, mostrasse inteligência e respeito ao povo, a todos os cidadãos, com suas diferenças de cor, gênero e de comportamento. 
Até Mazzaropi seria respeitado...

Não é o caso. Bolsonaro é racista, desrespeita as mulheres como um machista já fora da moda, não considera os indígenas como seres humanos e não tem nenhum respeito pelos pobres, muito menos quando morrem de covid.

Não se pode esquecer que ele defendeu, em seu passado de deputado, a esterilização dos pobres como meio eficaz para combater a criminalidade e a miséria. Ou seja, em lugar de se resolver a questão social, se diminui a população miserável.

Já se pode perceber que, com ele, não tem essa de direitos humanos. Ou, como dizia quando deputado federal, o Brasil só vai melhorar quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro

E completou: Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil. Não deixar ir para fora, não, matando. Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem, em tudo quanto é guerra morrem inocentes.

Essa mesma atração patológica pela morte ressurge quando começam a morrer brasileiros com a covid-19 – ninguém morre antes da hora! 

Fazia questão de se dizer um nostálgico da ditadura militar, sempre apoiou a tortura e as execuções extrajudiciais (bandido bom é bandido morto), fez até o elogio do chefão do DOI-Codi paulista, o torturador Brilhante Ustra, em plena votação na Câmara Federal do pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff , transmitida por TV para todo o Brasil.

Isto vale como introdução, pois tal linguagem de extrema-direita de Bolsonaro, responsável por ser qualificado como fascista e, logo depois, como nazifascista, foi confirmada na prática ao tratar com desdém a crise sanitária do coronavírus, qualificando-a como gripezinha e chamando de maricas quem quisesse se vacinar. 
...qualquer um... menos o Bozo!

Assessorado por um gabinete paralelo, tornou-se o único outro presidente em todo mundo a, seguindo as pegadas do estadunidense Donald Trump, adotar e a fazer propaganda da cloroquina como remédio para o coronavírus.

Obcecado com essa pretensa droga milagrosa, demitiu sucessivamente dois ministros da Saúde com formação médica que se recusaram a avalizar tal farsa, até indicar para tal posto um general sem nenhuma familiaridade com a tarefa e disposto a obedecer qualquer ordem disparatada do capitão. 

O resultado dramático, de quase 550 mil mortes, prestes a ultrapassar o número de óbitos nos EUA (onde o ex-presidente Donald Trump, após iniciar tal onda, acabou desembarcando da canoa furada), já lhe garantiu o epíteto genocida.

A tudo isso vem se juntar o escândalo do superfaturamento na compra da vacina indiana Covaxin e as denúncias da cunhada de Bolsonaro sobre a rachadinha

Sem esquecer a destruição da Amazônia, a liquidação das nossas empresas estatais e a liberalização do porte e compra de armas. No exterior, os jornais chegam a dar capa para as manifestações contra Bolsonaro. Geralmente, quando isso ocorre, quando começa a cheirar mal até no exterior, ou vai cair ou vai haver golpe.
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E A RESPONSABILIDADE DOS EVANGÉLICOS NISSO TUDO? 
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Não é preciso ser teólogo para ver a responsabilidade dos evangélicos, de maneira geral tanto as denominações tradicionais (como presbiterianos, metodistas, batistas) quanto as populares (como pentecostais e congregações cristãs) na eleição e no apoio ainda atual ao presidente Bolsonaro.

Como haveria sido costurado esse acordo? Teriam sido as grandes empresas agropecuárias as articuladoras, em troca da liberação das áreas protegidas das florestas amazônicas para o plantio de cereais e criação de gado? A rapidez com que se iniciaram os desmates e os incêndios aponta em tal direção.
Jesus expulsaria esses hereges da marcha a golpes de vara!
Esse fiel apoio religioso a um presidente cujo programa e declarações não correspondem ao credo evangélico tem sido retribuído com distribuição de cargos de confiança e mesmo de ministérios aos pastores, possuidores de uma forte bancada na Câmara Federal. Mas essa participação inédita dos evangélicos no poder só continuará com a manutenção de Bolsonaro na presidência.

É importante assinalar que, nos últimos anos, as denominações evangélicas brasileiras não tradicionais souberam simplificar a mensagem cristã como compensatória da pobreza e miséria, transformando-a num tipo de populismo religioso. 

Nada a ver com a Teologia da Libertação dos católicos progressistas, pois os evangélicos não parecem interessados em qualquer tipo de reforma social, apenas na doutrina da salvação da alma, no quadro fundamentalista e conservador de um cristianismo de submissão.

Esta nova situação na estrutura política do Brasil, onde um governo é sustentado por cerca de 30% de religiosos, nos remete ao ocorrido no começo do século passado na Alemanha, quando o regime nazista conseguiu ganhar o apoio dos luteranos e evangélicos, incluindo a cumplicidade na perseguição aos judeus.

A semelhança, contudo, termina aí, porque a cultura teológica na Alemanha, onde ocorrera a Reforma, engendrou o surgimento de uma oposição cristã, com pastores como Karl Barth, Martin Niemöller e Dietrich Bonhoeffer (este último enforcado, os outros presos em campos de concentração). 

Isso, porém, não impediu que Hitler, também atraído pela morte, levasse a Alemanha à guerra e ao holocausto dos judeus. No Brasil, só alguns pastores destoam do culto prestado a Bolsonaro.

Quando acabar esse pesadelo no qual vivemos, o evangelismo e o protestantismo brasileiro deverão também assumir suas responsabilidades, como fizeram, depois da 2ª Guerra Mundial, os luteranos e evangélicos alemães enfeitiçados por Hitler. 

Mas aí terão perdido muito de sua credibilidade. (por Rui Martins)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

SEGUNDO RUI MARTINS, A DEDURAGEM NÃO É UM FATO INUSITADO ENTRE EXPOENTES DO EVANGELISMO BRASILEIRO

rui martins
QUANDO MALAFAIA DEDURA DEPUTADOS EVANGÉLICOS
No catolicismo, o delator Judas sempre foi visto como vilão. Com os evangélicos será diferente?
Foi de espanto minha reação ao abrir, dias atrás, o Youtube do conhecido pastor evangélico Silas Malafaia. Naquele seu estilo agressivo e popularesco de dono absoluto da verdade, dedo em riste, ele criticava os deputados federais evangélicos, culpando-os por terem votado pela manutenção na prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira.

Segundo ele, essa prisão é uma ilegalidade, um ato inconstitucional cometido pelo Supremo Tribunal Federal. E o voto de certos deputados evangélicos teria demonstrado falta de espírito de justiça, de amor e de misericórdia. Para meia centena desses deputados, pouco havia adiantado um tweet que Salafaia lhes enviara, nos seguintes termos despóticos:
"Alerta à Frente Parlamentar Evangélica! Deputado evangélico que votar em favor dessa aberração jurídica de manter um deputado preso por suas falas, vou denunciar aos evangélicos, para nunca mais ser votado por nós".
Bonhoeffer: "grande cristão"
Por isto, diante da desobediência, embora não seja o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, decidiu concretizar sua ameaça, dando os nomes, por escrito num painel, dos 57 deputados evangélicos, alguns pastores, além de pronunciar um a um os nomes dos 13 parlamentares de sua denominação, a Assembleia de Deus.

Um ato de denúncia, como ele mesmo explicitou no seu tweet, para o qual se pode usar um sinônimo mais conhecido: deduragem. Tanto a ameaça como a denúncia não seriam os procedimentos mais indicados para um líder evangélico, porém não ocorre pela primeira vez.

Aqui mesmo, neste espaço, contei a comovente história de um grande cristão alemão na época do nazismo, cujo nome foi dado a escolas e instituições públicas depois da derrota do III Reich. Trata-se do pastor alemão Dietrich Bonhoeffer, denunciado pela Igreja Luterana da época por não aceitar o alinhamento com o nazismo. Foi preso e morreu na forca, pouco antes da derrota alemã.

E como o tema versa sobre pastores evangélicos denunciados, não poderia esquecer do presbítero presbiteriano Paulo Stuart Wright, denunciado em Curitiba, preso, torturado e assassinado durante a ditadura militar (que tantos desejam agora restabelecer sonhando com um novo golpe).

Sua história está contada no livro Brasil: Nunca Mais (projeto coletivo que teve seu irmão, o pastor presbiteriano Jaime Wright, como um dos coordenadores), provando o que nem sempre a igreja é um lugar seguro para os autênticos seguidores de Cristo. 

Outro livro importante é Jaime Wright: o pastor dos torturados, de Derval Dasílio, mostrando como funcionava a repressão naquela época.

Dietrich Bonhoeffer e Paulo Stuart Wright são casos isolados, mas, ainda na história dos evangélicos em nosso país, podem-se citar casos de denúncias coletivas. 
Caça às bruxas: uma mancha na imagem de religiosos  

Logo depois do golpe militar de 1964, a Igreja Presbiteriana do Brasil, na qual havia um forte movimento de preocupação social, passou a ser dirigida pelo importante pastor conservador Boanerges Ribeiro, que provocou intervenções repressivas nos seminários e dentro das igrejas.

As denúncias corriam soltas e foram demitidos professores de seminário, acusados de esquerdistas e modernistas; pastores e, até mesmo presbíteros, diáconos e membros de igrejas, alguns com denúncias ao aparelho militar repressivo da época, como aconteceu com o irmão de Jaime Wright.

Muitos desses relatos estão noutro livro importante sobre os evangélicos em nosso país:  Inquisição sem Fogueiras, 20 anos de história da Igreja Presbiteriana do Brasil – 1954 a 1974. Nele se contam as consequências funestas da adesão da direção da Igreja Presbiteriana ao golpe militar.

Denunciar e perseguir pastores e leigos evangélicos por suas ideias políticas não é novidade no Brasil. (por Rui Martins, no Observatório da Imprensa) 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

NÃO, MILTON RIBEIRO, VOCÊ NÃO É DIETRICH BONHOEFFER...

Ambos calvos e miopes, mas...
Olhem bem para esta foto de 1939 do alemão Dietrich Bonhoeffer. 

Não é exagero se dizer que nas fotos divulgadas do pastor brasileiro Milton Ribeiro, indicado para ministro da Educação, ele se parece com o seu congênere germânico.

Mas, atenção! O pastor presbiteriano santista Milton Ribeiro não é nem de longe o pastor alemão Dietrich Bonhoeffer.

Arrependo-me mesmo da ideia  de escrever um texto comparando os dois pastores. Isto porque, antes de iniciar este quarto parágrafo, fui fazer uma pesquisa sobre o teólogo Milton Ribeiro e agora me sinto constrangido por haver ousado citar Bonhoeffer no título deste artigo.

Por quê? Porque o pastor luterano alemão Bonhoeffer é um herói nacional e também europeu, com estátuas construídas em sua homenagem, não só na Alemanha como na Inglaterra, Estados Unidos e países que lutaram na 2ª Guerra Mundial contra o nazismo e seu criminoso líder, Adolf Hitler.

Porque Bonhoeffer foi um corajoso combatente da resistência alemã, quando a própria igreja luterana daquele país havia aderido ao nacional-socialismo de Hitler.

Porque Bonhoeffer foi dos primeiros a denunciar o risco do nazismo de Hitler provocar uma 2ª Guerra Mundial. E pagou caro por isso: preso num campo de concentração, foi enforcado, por ordem de Hitler, pouco antes da derrota da Alemanha.

Ainda mais, Bonhoeffer era um teólogo erudito, que não se satisfazia com interpretações fáceis e evidentes dos textos bíblicos. Estudioso da teologia de Kart Barth, não deixava de lado Hegel e Max Weber. 

Bolsista durante um ano, em Nova York, logo depois da Grande Depressão, descobriu a importância do Evangelho Social ao constatar a miséria em que viviam principalmente os negros estadunidenses.
...que enorme diferença de postura!
Seu retorno à Alemanha, depois de exercer o pastorado na Inglaterra, coincidiu com a ascensão de Hitler e da ideologia nazista. Um de seus primeiros combates foi contra o controle da Igreja Luterana por Hitler.

E o que se sabe sobre o pastor Milton Ribeiro? Alguma semelhança com a resistência de Bonhoeffer ao nazismo de Hitler na Alemanha? Não, nenhuma.

Muito ao contrário. Embora não sejam de hoje as declarações extremistas de direita do ex-deputado federal e do candidato à presidência Jair Bolsonaro, isso não impediu o pastor Milton Ribeiro lhe dar seu apoio na campanha eleitoral. E sabemos que os apoios dos pastores evangélicos em geral equivalem aos de cabos eleitorais.

O culto às armas; a afirmação de que deveriam ter sido mortos uns 30 mil opositores do regime; a linguagem violenta e suja; a defesa de uma política indígena contrária às reservas; a destruição da Amazônia; os gracejos racistas contra os negros; os achincalhes contra os homossexuais, além das denúncias veiculadas na imprensa sobre as tendências nazifascistas do candidato, não foram obstáculos ao apoio do pastor Milton Ribeiro a Jair Bolsonaro.

A recompensa não tardou: Ribeiro foi contemplado com um cargo na Comissão de Ética do governo. 

Agora, a cereja em cima do bolo é a atual indicação para cuidar da Educação, sem levar em conta tratar-se de um pastor ultra-conservador e fundamentalista, que não aprovará nenhum projeto, promoção ou atividade artística fora dos rígidos padrões morais puritanos presbiterianos, dignos dos passageiros do Mayflower e das primeiras colônias inglesas na América do Norte.

O Ministério da Educação entrará em plena Idade Média, com o risco de tentar-se modificar a Lei das Diretrizes e Bases da Educação, em vigor desde 1996, que considerou fundamentais valores como estes:
— igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
— liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
— pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
— respeito à liberdade e apreço à tolerância;
— coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
— gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
— gestão democrática do ensino público;
— vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; e
—  consideração com a diversidade étnico-racial.

.Com a quebra do princípio da laicidade e a pressão dos evangélicos, o novo ministro poderá permitir a influência da religião na fixação dos currículos escolares, num tipo de censura velada mas que poderá desvirtuar e corromper todo o programa educacional do Brasil. Foi isso o que ocorreu durante as ditaduras de Franco e Salazar, com prejuízo cultural enorme para Espanha e Portugal. 
É evidente que alterada a maneira de se educar, sob pressão religiosa nos princípios pedagógicos, haverá consequências noutra área – na maneira de se propor a cultura ao povo, e isto inclui espetáculos, música, cinema, teatro e literatura.

Caso continue o governo Bolsonaro ou, pior ainda, no caso de uma reeleição, a censura educacional se alastrará e vai repercutir nos programas culturais do Brasil sob o controle de igrejas e pastores, num retrocesso cultural alarmante.

E a influência do privatismo educacional estadunidense poderá chegar às universidades brasileiras, colocando em perigo sua gratuidade, o que tornaria o acesso às universidades um privilégio das classes alta e média.

Do retrocesso educacional ao retrocesso cultura bastará um passo. Haverá queima de livros considerados amorais ou imorais? Quem sabe do que será capaz o novo defensor da verdade e da moral bíblicas... 

Haverá apoio à montagem de espetáculo musicais que não sejam gospels? Até onde irá a censura ao teatro, ao cinema e à televisão?

Será punido o ato sexual sem casamento? Em todo caso, reviveremos a época antepassada em que amigar sem casar era malvisto. Num dos quatro vídeos do pastor puritano moralista Ribeiro, só vale sexo no casamento. E a punheta masculina e a masturbação feminina? Sem dúvida levam ao inferno.

Se eu não tivesse visto o vídeo do próprio pastor Milton Ribeiro não acreditaria – p. ex., nos casos de pedofilia, seriam culpadas as vítimas, por provocarem o pedófilo.

Quando sai da ordem moral, o pastor condena o bolsa-família por incentivar a vagabundagem.

Deve haver ainda muitos outros absurdos, suficientes para impedir esse pastor de dirigir um Ministério da Educação, porém um só deles bastaria para os pais e mães saírem às ruas e exigirem a demissão, antes mesmo da posse,  dessa figura: é quando Ribeiro nos revolta ao defender com voz de anjo o retorno do castigo corporal nas crianças, talvez influenciado por textos do Velho Testamento. 

Ou seja: teremos um ministro contrário ao Estatuto Nacional das Crianças, que, numa igreja, prega para seus fiéis aplicarem corretivo corporal no seu filho ou filha, a fim de andarem no bom caminho. 

O Estatuto, no seu quinto artigo, diz:
Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
POR ÚLTIMO, UM ADENDO Em 1964, por influência do pastor Boanerges Ribeiro, ex-pastor da Igreja Presbiteriana de Santos, logo depois do golpe militar, foi instaurado um Inquérito Policial Militar no Seminário Presbiteriano de Campinas (hoje Seminário do Sul) e no de Recife. 

Boanerges Ribeiro é até hoje a mais importante figura do presbiterianismo brasileiro. Teólogo, intelectual e escritor, conservador fundamentalista, homem de direita, dirigiu durante 12 anos o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e, logo depois, assumiu a direção e a reitoria da Universidade Mackenzie, sempre imprimindo suas convicções religiosas e políticas.

O IPM nos seminários presbiterianos significou o desligamento de numerosos seminaristas e professores que eventualmente tivessem mostrado qualquer interesse ou entusiasmo pelas chamadas reformas de base que agitavam o Brasil da época ou que tivessem escrito ou apoiado críticas ao chamado evangelho fundamentalista, nos jornais Brasil Presbiteriano ou Mocidade.

Por Rui Martins

Depois da limpeza, com novos professores sem a mesma formação teológica inspirada nos grandes teólogos europeus, sem o mesmo espírito crítico que caracterizou a Reforma de Lutero e Calvino, não se pode esperar de Campinas, que lá voltem a surgir teólogos da têmpera de Bonhoeffer.

Outra coisa a lamentar é ter sido a defesa da laicidade no poder público uma bandeira do protestantismo, hoje ignorada no Brasil pelos evangélicos em geral. Assim, como ignoram a defesa de nossas florestas, de nossos indígenas e dos direitos humanos dos homossexuais, numa rejeição do legado conceitual da Reforma. 
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