O que tem isso a ver com os verdadeiros guerrilheiros e as nossas verdadeiras ações armadas? Absolutamente nada. E o pior é que omite o lado mais execrável da repressão, como se não tivessem havido sevícias e matanças desembestadas.
| Nossos poucos pentes de metralhadora não eram utilizados em treinamentos |
Para piorar, o diretor Paul Thomas Anderson enxertou comicidade bobinha num assunto muito sério. Centenas de companheiros valorosos morreram na resistência ao totalitarismo e ao terrorismo de estado. Outros tantos sofreram o diabo nos porões da ditadura. Merecemos respeito.
A inferioridade de forças era tão acentuada que nossas organizações começaram fazendo ações armadas sozinhas e acabaram tendo de juntar duas ou três para as levarem a cabo.
Quanto à cambada de gringos e ricaços que nos combatia, eles eram bem diferentes da fantasia mostrada no filme, um misto tosco de CCC, TFP, Opus Dei e linha dura das Forças Armadas. Para começar, não incineravam seus membros.
| A igualação dos desiguais é uma tônica no filme |
Provavelmente, o delegado Sérgio Fleury foi o único assassinado pelo fogo amigo. Sabia demais e estava descontrolado, daí terem feito dele um raro dono de barco que caiu no mar e morreu afogado. Acredite quem quiser...
Nada além de um road movie metido a besta, Uma batalha após a outra fica quilômetros atrás de Sem Destino, sendo inferior até a Mad Max 2, p. ex.
Se o Oscar não fosse um festival da indústria cinematográfica e jamais do cinema, eu consideraria descabida a a premiação de melhor filme e melhor diretor.
Nas principais categorias, o único a merecer a estatueta era o Wagner Moura, como melhor ator. Fez jus a ela por ter conseguido tornar crível um personagem inverossímil.
Já o Sean Penn foi agraciado com a estatueta de ator coadjuvante apesar de haver tido o pior desempenho de sua carreira. Mas, já que o Oscar não tem real relevância afora a comercial, tanto faz, como tanto fez. (por Celso Lungaretti)


