Talvez o apocalipse em questão esteja mesmo próximo, mas não privo da intimidade do Temer, Cunha & cia. Quando houver uma data, não será aqui que você vai tomar conhecimento dela em primeira mão.
Mas, o apocalipse está mesmo bem próximo: basta você clicar na janelinha abaixo para assistir a Apocalypse Now, (1979), o filme mais ambicioso da carreira de Francis Ford Coppola, mas que acabou batendo na trave, não sendo tudo que poderia ser.
A ideia era ótima: transferir a ação da obra-prima de Joseph Conrad, O coração das trevas (escrito em 1889), da África colonizada para a Ásia convulsionada pela guerra do Vietnã.
No livro, um vapor sobe um longo rio à procura de um chefe de posto a ser resgatado.
No livro, um vapor sobe um longo rio à procura de um chefe de posto a ser resgatado.
| Hopper seria melhor protagonista bem melhor que Sheen |
No filme, é uma pequena embarcação militar que vai em busca de oficial (Marlon Brando) que endoidou, tornando-se uma espécie de deus para os nativos e criando um reinado de horrores.
A loucura da guerra x a loucura de quem não suportou mais a irracionalidade da guerra. E um sicário (Martin Sheen) incumbido de atravessar a zona da guerra para eliminar o mau exemplo que incomodava os guerreiros do Pentágono.
A viagem tem contornos de pesadelo, com matanças chocantes em penca; um oficial mais doido ainda (Robert Duvall) espalhando napalm para todo lado, só que este tipo de loucura os senhores da guerra aprovam; um show de coelhinhas da Playboy para a soldadesca que quase acaba em estupro coletivo, etc.
O que mais faltou para se tornar um monumento cinematográfico é o ator certo no papel certo. Se um Gary Cooper foi capaz de tornar Matar ou morrer num dos maiores westerns de todos os tempos, Martin Sheen, como matador que os militares estadunidenses incumbem de serviços sujos, não é crível em momento algum.
O que mais faltou para se tornar um monumento cinematográfico é o ator certo no papel certo. Se um Gary Cooper foi capaz de tornar Matar ou morrer num dos maiores westerns de todos os tempos, Martin Sheen, como matador que os militares estadunidenses incumbem de serviços sujos, não é crível em momento algum.
| Marlon Brando aparece pouco, mas rouba o filme. |
Pior: como seu alvo é o Marlon Brando, o duelo fica totalmente desequilibrado: o carismático ao extremo contra o sem carisma nenhum. Quando estão ambos em cena, só vemos o Brando.
No final, quando ele pergunta "Quem é você, um carrasco?", ficamos com a impressão de que faz uma gracejo, tipo "Pode um sujeitinho tão insignificante como você ser um carrasco?". Em suma, ao não conseguir Steve McQueen nem Al Pacino para o papel, Coppola pisou feio na bola.
Tinha Dennis Hopper ao seu dispor, mas só o viu como um hippie na linha de Sem Destino. David Lynch enxergaria outro lado dele, em Veludo Azul, no qual Hopper faz um dos mais contudentes vilões de Hollywood. Atuando daquela maneira, teria travado um acachapante duelo de interpretação com Marlon Brando. Mas, a chance passou na janela e só Coppola não viu...
Destaque, também, para a incorporação na trilha sonora de uma canção incrível do Doors, "The End". Caiu tão bem que ficou, desde então, identificada com o filme.