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quinta-feira, 8 de maio de 2025

TAL COMO SEU ANTECESSOR NOMINAL, IRÁ LEÃO XIV FAZER UM PONTIFICADO CONTRADITÓRIO? O TEMPO DIRÁ.

O nome escolhido por um Papa diz muito sobre os caminhos que ele deseja trilhar em seu reinado e no caso do novo pontífice a escolha vem carregada de significado. 

Leão XIII foi o Papa responsável pela encíclica chamada De Rerum Novarum, um documento publicado em 1891 que tratava especificamente da questão operária em um contexto de perda de influência do catolicismo entre a classe trabalhadora europeia, cada vez mais ganha pelo socialismo. Contraditório, o documento criticava a situação miserável dos trabalhadores, defendia o direito de greve e de sindicalização, mas também atacava o socialismo, o liberalismo e a laicização social. Foi a primeira grande tentativa do Vaticano de entrar no mundo moderno. 

Leão XIII tentou combater a influência
socialista entre os trabalhadores.

Essa informação histórica é importante para entendermos a escolha de Robert Francis Prevost pelo nome Leão XIV. Arcebispo de origem estadunidense, nascido em Chicago, Prevost foi durante mais de duas décadas bispo no Peru, país do qual é cidadão naturalizado. Portanto, a rigor, ele é o primeiro Papa estadunidense, mas também o primeiro peruano, continuando com o movimento do Vaticano, iniciado com Francisco, de eleger pontífices oriundos da América Latina, região onde hoje o catolicismo encontra-se em franca decadência. Que ele também seja estadunidense é mais uma peça política nada gratuita, diante dos recentes desgastes da Igreja nos EUA por causa das denúncias de pedofilia que abalaram aquele país. 

O agora Papa, inclusive, é criticado por ter acobertado padres pedófilos e é lembrado por ter feito declarações nada abonadoras a respeito da comunidade LGBT, declarando que suas práticas não estariam de acordo com o evangelho. Condenou igualmente a tentativa de se ensinar ideologia de gênero nas escolas da pequena e miserável cidade peruana onde era bispo. Em geral, é tido como um moderado, mais à direita que Francisco, mas sem o reacionarismo de um Bento XVI. 

Daens acreditou na encíclica
de Leão XIII, mas foi por ele
abandonado.
A encíclica de Leão XIII foi muito mais um documento vazio que uma correção concreta de rumos na empoeirada Igreja Católica. Quem tiver curiosidade, pode assistir ao filme Daens, colocado na janelinha ao final deste post, cuja trama aborda a história do padre belga  Adolf Daens. Vivendo no interior da Bélgica, esse sacerdote acreditava nas promessas da De Rerum Novarum e inicia potente campanha em prol dos operários, ali submetidos à superexploração e à miséria mais implacável, e entra em disputa com os burgueses locais. Os industriais da região iniciam brutal perseguição contra ele, o levando a bater nas portas do Papa em busca de ajuda. Contrariando sua encíclica, Leão XIII não ousa se colocar contra a poderosa burguesia belga e abandona o pobre Daens à própria sorte. No fim, condenado ao silêncio obsequioso, sua única alternativa é abandonar a Igreja e seguir sua luta.

Ao escolher seu nome, Leão XIV mostra qual será o espírito de seu pontificado e esse espírito parece ser o mesmo de seu antecessor nominal: contraditório e formal, buscando se entregar ao mundo moderno, mas o condenando, confrontando os poderosos no discurso, mas não na prática, e no fim acima de tudo preocupado com sua perda acelerada de fiéis. No fim, o novo Papa parece ser uma síntese impossível de uma Igreja atravessada por uma profunda crise entre os ressentimentos reacionários e as aspirações liberalizantes. (por David Coelho) 

segunda-feira, 26 de março de 2012

CUBA ENVERGONHA A REVOLUÇÃO. O PAPA ENVERGONHARÁ O CATOLICISMO?

Eram estes que faziam o que bem
entendiam sem dar satisfações a ninguém
Cuba, lamentavelmente, repete práticas vetustas, obtusas e autoritárias como a de prender cidadãos que poderiam criar embaraços para o regime durante a visita do Papa.

Isso os antigos faziam com prostitutas e marginais.

E ditaduras costumam fazer com seus descontentes.

É cansativo e tedioso ser obrigado a repetir o óbvio, mas adultos jamais podem ser tutelados: se cometem crimes, que sejam indiciados; se não cometeram crime, estado nenhum tem o direito de privá-los  preventivamente  da liberdade ou de restringir seus direitos civis.

Os dirigentes cubanos envergonham a revolução ao impedirem a saída do país da blogueira Yoani Sánchez sem acusá-la formalmente de coisa nenhuma e ao deterem 150 pessoas apenas porque, presumivelmente, encabeçariam protestos ou deles participariam durante a estada de Bento 16.

Nós, revolucionários, existimos para conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, não para restaurar o absolutismo.

Finalmente: Bento 16 envergonhará os católicos do mundo inteiro caso não exija a imediata libertação de quem não deveria ter sido preso.

Se fosse um papa de fibra, nem sequer desembarcaria na ilha enquanto alguém estivesse detido em função de sua visita.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

REPÚDIO AO "SADISMO DOENTIO DO SISTEMA PENAL-JUDICIAL DOS EUA"

Ainda sobre o assassinato legalizado de Troy Davis, o bravo companheiro Carlos Lungarzo traz algumas informações e ponderações importantes:
"Davis sofreu o sadismo doentio do sistema penal-judicial dos EUA, representado por 20 anos de espera por sua execução, enquanto todas as protestos de milhões de pessoas no planeta, e os sucessivos recursos eram ignorados.

Troy foi defendido durante anos por Anistia Internacional, e celebridades do mundo todo, incluindo o ex-presidente Carter e o Papa Bento XVI, que pediram seu indulto.

As nove testemunhas disseram inicialmente que tinham visto Troy atirando no policial, mas, vários anos depois, quando a causa foi julgada em segunda instância, sete deles reconheceram que tinham sido ameaçados e extorquidos pela polícia para depor contra Davis.

Para que o julgamento parecesse normal, o juiz e o promotor escolheram mais de metade de jurados negros, mas estes confessaram depois que, por causa da perseguição racial no Sul americano e a situação indefesa de afroamericanos pobres, eles votaram pela condenação pois se sentiam incapazes de suportar as ameaças do promotor e dos juízes contra os membros de suas famílias".
E a Anistia Internacional, à qual Lungarzo pertence, emitiu nota oficial condenando o linchamento judicial de Davis. Eis os trechos principais:
"Troy Davis, de 42 anos, que se encontrava no corredor da morte desde 1991, foi executado por injeção letal na prisão do Estado da Geórgia em Jackson, no dia 21 de Setembro, apesar das sérias dúvidas em torno da sua condenação.
No mesmo dia, o Irã enforcou publicamente um jovem de 17 anos condenado pelo homicídio de um afamado atleta, apesar das proibições internacionais de execução de adolescentes, enquanto a China executou um paquistanês condenado por tráfico de drogas apesar dos crimes de droga não se incluírem nos crimes 'mais graves' do Direito internacional.
'Este é um dia triste para os direitos humanos em todo o mundo. Ao executarem estes indivíduos, estes países estão a mover-se contra a corrente global da abolição da pena de morte', afirmou Guadalupe Marengo, Vice-diretor da Amnistia Internacional para a América.
Os ativistas da Anistia Internacional fizeram uma extensa campanha contra a pena de morte. Nos últimos dias, foram enviadas, às autoridades da Geórgia, quase um milhão de assinaturas em nome de Troy Davis, apelando para comutarem a sua sentença de morte. Foram realizadas vigílias e eventos em aproximadamente 300 locais por todo o mundo.
Troy Davis foi condenado à morte em 1991, pelo homicídio do polícia Mark Allen Macphail em Savannah, no estado da Geórgia. O caso contra Troy Davis baseou-se principalmente em declarações de testemunhas. Desde o seu julgamento em 1991, sete das nove testemunhas chave retiraram ou alteraram o seu testemunho, algumas alegando coerção policial.

A Anistia Internacional opõe-se à pena de morte em todos os casos, sem exceção.

'A pena de morte é um sintoma de uma cultura de violência e não uma solução', acrescentou Guadalupe Marengo. 'Devemos manter a esperança e as execuções angustiantes levadas a cabo no dia 21 de Setembro devam levar os membros da Amnistia Internacional e outros ativistas a quererem continuar a luta contra a pena de morte'".
Somo minha voz à da AI: sou totalmente favorável à abolição da pena de morte em todos os casos, sem exceção. Exorto meus leitores a fazerem o mesmo, ajudando a dar um fim a mais este resquício de barbárie que, para nossa imensa vergonha, perdura em pleno século 21.

Que nunca mais um inocente seja covardemente assassinado como o foi Troy Davis!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TROY DAVIS: ASSASSINADO!

Os EUA assassinaram Troy Davis na noite desta 4ª feira (21), indiferentes ao pedido de clemência de quase 1 milhão de peticionários e ao apelo do Papa Bento XVI.

A condenação foi grotesca: inexistia qualquer prova material; nem sequer foi encontrada a arma do crime; e, das 9 testemunhas, 7 caíram em contradição.

Negaram a Troy o direito a novo julgamento, apesar de a sentença ser questionável ao extremo.

Salta aos olhos que houve componente racista no caso, tendo o presidente Barack Obama se omitido vergonhosamente. É covarde, indigno e cúmplice de linchadores.

A pena de morte constitui, ela sim, um crime e uma aberração. Pertence à pré-História da humanidade. Já passou do tempo de a extirparmos da face da Terra.

sábado, 6 de novembro de 2010

PROTESTOS E BEIJAÇO GAY MARCARÃO A VISITA DO PAPA REAÇA À ESPANHA

Maré baixa para os dois maiores derrotados da eleição presidencial brasileira.

José Serra, que deveria estar hibernando para esfriar a cabeça depois da derrota, preferiu deitar falação de mau perdedor e se tornou a vidraça da vez nos grupos de discussão virtuais: os internautas, em peso, reprovam sua atitude de ter ido lavar roupa suja na França, abordando com furor incontido nossos assuntos domésticos, num sóbrio encontro sobre as relações entre a América Latina e a União Européia,

Como no caso da bolinha de papel que, mal orientado por sua campanha, tentou canhestramente fazer passar por brutal agressão, o tiro saiu pela culatra e o mergulhou em ridículo: mais do que sua catilinária contra Lula, o que marcou mesmo nesse  dia de fúria  de Serra foi o "por que não te calas?!" que um mexicano da platéia lhe endereçou.

Já o papa Bento XVI, que na véspera do 2º turno tentou mudar o resultado do pleito com uma intervenção desastrada (cujo único efeito concreto foi mostrar que o rebanho brasileiro não segue os maus pastores com a mesma passividade de 1964), insiste em levar sua cruzada conservadora e reacionária a países tradicionalmente católicos.

E recebe a mesmíssima rejeição, conforme se constata no despacho da BBC Brasil Visita do papa gera protestos e polêmicas na Espanha, cujos principais trechos reproduzo:
"O papa Bento 16 chega neste sábado à Espanha para uma visita de 32 horas que já vem sendo marcada por protestos e polêmicas.

"...pelo menos 147 instituições católicas condenam a visita e desde quinta-feira, mais de 70 organizações civis já vem realizando protestos.

"A posição da igreja em relação a assuntos como o aborto, os gastos com a viagem do papa (que custará ao governo espanhol R$ 7 milhões) e a forma como vêm sendo apuradas as suspeitas de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes católicos são alguns dos motivos que mobilizam os manifestantes.

"O teólogo e presidente da organização Redes Cristãs, Evaristo Villar, representante de 147 instituições católicas contrárias à visita, considera a viagem 'uma tentativa do Vaticano de mostrar poder e desafiar o Estado perante leis como a do aborto, casamento gay e a futura lei de liberdade religiosa'.

"Pelo menos cem das pessoas que se opõem à vinda do papa se declaram vítimas de pedofilia dentro da Igreja e pedem o afastamento de Bento 16, considerando-o último responsável pelos crimes.

"O país tem menos casos divulgados de pedofilia do que outros países, como os Estados Unidos, onde há mais de 4,5 mil sentenças a favor de vítimas.

"O ex-professor de catecismo Sánchez Mato disse que as vítimas de abuso cometidos por religiosos na Espanha 'não se atrevem [a reclamar na Espanha] por medo de pressões, por acreditar que não conseguirão nada e porque aqui a Igreja ainda manda muito'.

"As 70 organizações civis que já vem protestando contra a visita reúnem ativistas laicos, sindicatos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

"Na quinta-feira, eles iniciaram as manifestações do 'Habemus Party' – um trocadilho misturando a frase usada no anúncio de um novo papa no Vaticano (Habemus Papa) com a palavra inglesa  party, que significa  festa.

Os organizadores convocaram a população para atos simbólicos polêmicos como um encontro de mulheres vestidas de prostitutas e um 'beijaço' de homossexuais nas ruas próximas à catedral de Barcelona no momento em que o Papa estiver na Sagrada Família.

"Estão previstas também uma palestra com o título de  Santa Máfia: o império econômico da Igreja e a distribuição de mais de 30 mil objetos como adesivos, bandeiras e cartazes contra o papa Bento 16".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

LIÇÕES PARA UM PROFESSOR À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

Villa por Villa, eu fico com o lendário
Pancho, herói da Revolução Mexicana...


Hilário o artigo do historiador Marco Antonio Villa, que a Folha de S. Paulo -- sempre ela! -- publicou: 44% estão na oposição.

Furibundo com o resultado eleitoral, ele começa ignorando a matemática, com esta afirmação "44% do eleitorado disse não a Dilma".

Ora, se os eleitores eram 135.804.433, dos quais 43.711.388 teclaram 45 no 2º turno, bastaria uma simples regrinha de três para o professor constatar que foram apenas 32,2% os que votaram contra Dilma Rousseff.

O douto acadêmico estava com a cabeça tão quente que esqueceu-se  dos votos em branco, dos nulos e das abstenções.

E de onde ele tirou essa conclusão de que os 43,9% de  votos válidos  favoráveis a Serra são  oposicionistas?

Os eleitores não poderiam estar apenas convencidos da superioridade do tucano como administrador, que sua propaganda cansou de trombetear?

E não existirão paulistas que gostaram de seu governo?

[Há alguns, sim. Dentre eles, evidentemente, não estão os professores e estudantes universitários, insatisfeitos com a condição de sacos de pancadas da PM. Mas, nem Cristo conseguiu agradar a todos....]

E não podemos esquecer os velhinhos agradecidos a Serra pelos genéricos.

Enfim, colocar todos no saco de  oposicionistas  é uma forçação de barra indigna de um mestre. E o exemplo edificante para os pupilos, onde é que fica?

Depois de ignorar a matemática e o bom senso, Villa ignorou também a isenção e o equilíbrio, ao tentar dar uma injeção de moral nos demotucanos ainda grogues do nocaute de domingo:
"...ter chegado ao segundo turno foi uma vitória [para a oposição]. No último mês deu mostras de combatividade, de disposição de enfrentar um governo que usou e abusou como nunca da máquina estatal".
Ou seja, embora a oposição, pelo seu lado, tenha usado e abusado das manipulações da mídia golpista, determinante mesmo foi a máquina estatal. Brilhante.

Como se o jogo não tivesse ido para a prorrogação apenas porque o PIG transformou o aborto no principal assunto da campanha às  vésperas do 1º turno, ao mesmo tempo em que levantava descaradamente a bola de Marina Silva!

Bem que tentou repetir a dose no 2º turno, mas não conseguiu fazer com que o eleitorado acreditasse na metamorfose de bolinha de papel em meteoro.

E ainda houve jornalão dando capa para a inqualificável intromissão do Papa Bento XVI nos assuntos internos brasileiros, três dias antes da votação, mas esse trunfo chegou muito tarde e a Igreja Católica não tem mais a influência que tinha em 1964, quando mobilizou a classe média conservadora para apoiar a quartelada.
Villa ignorou, ainda, a compostura, atacando os vencedores da forma mais deselegante e destrambelhada:
"O lulismo tem pilares de barro. É frágil. Não tem ideologia. Não passa de uma aliança conservadora das velhas oligarquias, de ocupantes de milhares de cargos de confiança, da máfia sindical e do grande capital parasitário".
Substitua-se "máfia sindical" por "viúvas da ditadura" e a frase cairá como uma luva para a aliança demotucana. Ou os governos estaduais e municipais que eles pilotam não têm velhos oligarcas, grandes capitalistas e a turma das  boquinhas?

Por último, Villa ignorou a verdade, ao acusar todo o lulismo de estar perseguindo Monteiro Lobato ("Como disse Monteiro Lobato, preso pelo Estado Novo e agora perseguido pelo lulismo...").

Desde quando o insignificante Conselho Nacional de (Des)Educação, ao elaborar pareceres desnecessários e tolos, expressa a posição de Lula, dos dirigentes do PT, dos movimentos sociais,  do clero progressista, do  universo do lulismo, enfim?

Seria simplesmente asnático brigar com a extraordinária biografia de Monteiro Lobato, ainda mais num momento em que a Petrobrás é o grande cartão postal do governo.

Noves fora, tudo não passou de mais um exemplo da crassa ignorância de funcionários subalternos, incumbidos de tarefas além de suas qualificações. E o Villa sabe muito bem disto.

Satanizar os adversários é feio, professor!

domingo, 31 de outubro de 2010

SÓ FALTA BENTO XVI RECOMENDAR CINTOS DE CASTIDADE...

Chego até a ter pena do José Serra: na derradeira semana da campanha presidencial, sua única esperança de salvação, logo dissipada, foi a de que a fé retrô do Papa Bento XVI movesse montanhas de votos.

As pesquisas divulgadas neste sábado pelo Ibope e pelo DataFolha, as últimas antes da votação, confirmaram que o rebanho católico não segue mais pastores que querem fazer o mundo retroagir à Idade Média. A parlapatice papal, quanto muito, privou Dilma Rousseff de um mísero ponto.

Também, pudera! Quem leva a sério um papa que prega a castidade aos jovens em pleno século XXI?!

É isto que Bento XVI acaba de fazer, ao recomendar-lhes que não se deixem levar por um "amor reduzido à troca de mercadorias".

Ué, os fluídos corporais viraram mercadorias? Será que já estão cotados nas bolsas?

Eis a frase completa:
"Vocês não podem e não devem se adaptar a um amor reduzido a uma troca de mercadorias, a ser consumado sem respeito por si e pelos outros, incapaz da castidade e da pureza. Isto não é liberdade".
O que será liberdade, então? Reintroduzirmos os cintos de castidade?

Quando tomamos conhecimento, dia após dia, de novos casos de sacerdotes que não conseguiram manter a "castidade" e a "pureza", a afirmação papal é de um ridículo atroz.

Mais: pedófilos são execráveis, mas reprimidos sexuais não ficam muito longe, com sua tendência ao fanatismo e à inclemência, que faz de cada um deles um genocida em potencial.

Freud cansou de explicar que a privação da libido, enfraquecendo o instinto de vida, faz crescer a componente de morte nos seres humanos, mergulhando-os em melancolia e depressão.

Isto leva uns à autodestruição e outros a destruírem seus semelhantes, como forma extrema de se livrarem da morte que carregam dentro de si,  expelindo-a  para o exterior na forma de agressividade desmedida e compulsiva.

Assim foram produzidos os Torquemadas daquele passado tão caro a Bento XVI.

E, talvez, também certos papas  reaças da  atualidade...

sábado, 30 de outubro de 2010

FALOU E DISSE


"Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele - uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
P'ra cobrir os ombros nus."
(Castro Alves)

ARTIGO DO PROCÓPIO MINEIRO: "A QUEM SERVE O PAPA?"

Depois que coloquei no ar seu ótimo comentário ao meu post Bento XVI lança a "Teologia do Retrocesso", o jornalista Procópio Mineiro (procopiom@gmail.com} sentiu-se estimulado a escrever um artigo sobre o assunto. E acertou na mosca, novamente. Vale a pena dividi-lo com vocês. 

Bento XVI reduziu o conceito de direito à vida a uma pura questão de concepção e prosseguimento ininterrupto da gravidez. Reduziu a questão central da humanidade – direito à dignidade da vida e a uma vida digna – às conseqüências de um ato sexual.

Em nome do que entende ser direito à vida – isto é, em nome de um posicionamento apenas anti-aborto – o papa virou depressa demais muitas páginas dos Evangelhos. E ignorou exemplos de tantos outros papas e de santos e santas – inclusive da candidatos e candidatas à santificação, com a Irmã Dulce, mãe dos pobres das favelas de Salvador.

Ao tentar induzir bispos nordestinos a se meterem na política brasileira do lado errado, o Papa esqueceu-se da dignificação da vida social que Jesus pregou ao estabelecer, em suas falas aos apóstolos e ao povo, que somente o amor a Deus está acima do preceito de amar o próximo – a solidariedade humana radical, suprarracial, supratribal, supranacional, que é a marca transformadora do cristianismo.

Dai de comer a quem tem fome, acolhei o desabrigado, não basta rezar “Senhor! Senhor!”, mas sim fazer a vontade de Deus, que vos ameis como eu vos amei, és responsável por teu irmão. Em tradução rápida: a fraternidade deve superar o individualismo.

Ao longo da Era Cristã, de dois milênios, a humanidade deu saltos gigantescos e viveu convulsões desesperadas em busca da realização desses preceitos - tanto na esfera religiosa, quanto na esfera política.

Lutas impuseram a expansão da dignidade humana às massas, na linha cristã, mesmo quando seus autores ignoravam e até mesmo combatiam o cristianismo.

Outras lutas destruíram avanços já conquistados e impuseram regressões – até com o aval equivocado de papas e bispos católicos, que preferiram e preferem ficar ao lado do individualismo contra a fraternidade, e se puseram e se põem ao lado dos ricos, aqueles que não irão ao reino dos céus, pois mais fácil será um camelo passar pelo furo de um agulha.

São lutas do tempo presente, ainda. São equívocos ainda do tempo atual.

Luta-se em todo o mundo pela dignificação da vida, que depende de mudanças políticas estruturais. Na América Latina, após uma década devastadora dominada pelo neoliberalismo individualista e excludente, os pobres levantaram governos comprometidos com a mudança na linha da fraternidade cristã e da construção de uma realidade emque se torne mais fácil a todos se sentirem humanamente dignos.

A Igreja de João Paulo II e de Bento XVI disse não aos povos latino-americanos empenhados em mudanças igualitárias na linha do pensamento cristão. A Igreja de João Paulo II e Bento XVI aliou-se aos que promovem o individualismo e a exclusão das massas. 

A quem serve o papa? A quem o papa manda seus bispos servirem? 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BENTO XVI LANÇA A "TEOLOGIA DO RETROCESSO"

Reunido com bispos brasileiros na manhã desta quinta-feira (28) em Roma, o patético papa Bento XVI conclamou-os a meterem o nariz em assuntos que não lhes dizem respeito, como se a separação entre a Igreja e o Estado não vigesse há 120 anos em nosso país!

Sem se dar conta de que os valores medievais hoje nada mais são do que cinzas de um passado que envergonha os civilizados, quer o Papa que a Igreja faça proselitismo político ("quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas"), pressionando partidos e candidatos no sentido de que:
  • seja negado às mulheres o direito de interromper, mesmo no início, uma gravidez indesejada, e aos desenganados o direito de escolherem o momento e a forma como preferem morrer ("Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático é atraiçoado nas suas bases");
  • seja imposto o ensino religioso em escolas públicas do Estado, obrigando professores a cumprirem o papel de sacerdotes e invadindo a esfera de decisão das famílias ("uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado"); e
  • sejam expostos símbolos religiosos em ambientes públicos, em gritante violação dos direitos de religiosos de outras confissões, ateus e agnósticos ("Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito").
Em tempos corriqueiros, este anúncio da  Teologia do Retrocesso  de Bento XVI já seria uma descabida incitação ao lobbismo.

Três dias antes do 2º turno de uma eleição presidencial, a interferência  indevida desse papa (cujo horizonte mental é o de um ativista da TFP...) assume gravidade ainda maior.

Pois se trata, pura e simplesmente, de uma CHANTAGEM contra a democracia brasileira.
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