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| Empresas de segurança: mais um custo que se tornou inescapável |
(continuação deste post)
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Isto ocorre porque não é você quem dá ordens ao capitalismo, mas sim o capitalismo que dá ordens ditatoriais de comportamento para você. E, como a desobediência à sua lógica insensível lhe acarretará a falência e o fim das suas atividades empresariais, você obedece:
— vai temer a corrupção no poder Judiciário, que pode numa canetada destruir todos os seus sonhos empresariais, bem como a ineficiência e morosidade quando precisar dos seus serviços judiciais;
— terá de contratar uma empresa de segurança, pois os assaltos são cada dia mais frequentes, bem como pagar seguros cada vez mais caros contra roubos, danos, incêndios, etc.;
— verá que os grandes empresários se fundem em empresas monopolistas de mercado com as quais você não pode concorrer.Diante disso e impelido pela concorrência que sonega impostos, você será impelido à sonegação.
Ufa! Se depois de tudo isso você continuar vivo como empresário médio (de cada dez novos negócios que se abrem, apenas um sobrevive, conforme estatísticas oficiais), você estará com os nervos esfrangalhados pelo estresse e dificilmente vai ser um rico sadio do corpo e da alma.
Se falir e depender da previdência social na velhice você estará ferrado.
Se falir e depender da previdência social na velhice você estará ferrado.
| "Se depender do INSS, você estará ferrado" |
Observe-se que o Estado moderno, republicano, cuja função precípua é a defesa institucional do capital, agora se volta contra o próprio capital pela via da cobrança de impostos de uma população economicamente exaurida e que tem no empresariado um agente de intermediação dessa cobrança.
Assim, é o próprio empresariado médio e pequeno quem mais sofre, também, o achaque estatal. Trata-se de mais uma contradição da dinâmica do capital em seus estertores.
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A VIDA DOS TRABALHADORES DE BAIXA RENDA (A GRANDE MAIORIA) – Por outro lado, se você for um trabalhador assalariado de baixa renda, vai viver no inferno:
— terá de enfrentar diariamente ônibus lotados de casa para o trabalho e vice-versa;
— vai cai comer mal e ficar gordo por ingestão de alimentos inadequados (tipo pão com salsichas ou mortadelas baratas, mais refrigerante espoca-bucho) que, ao invés de lhe fortificar, apenas inflam o seu estômago;
— temerá ser despejado da sua casa na favela por não ter pagado o aluguel ou a prestação da minha casa, minha dívida;
— vai ter de rezar para não ser achado por uma bala perdida;
— vai ter de enfrentar a fila do SUS se ficar doente, e ter dor de dente, pois serviços odontológicos são caros;
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| "Seu filho concluirá que ser trabalhador honesto é coisa de otário" |
— vai ver seu filho ter uma educação deficitária em razão de uma escola pública precária, tornando-se mais um analfabeto funcional;
— vai temer que o seu filho descambe para o crime diante das ofertas de ganhos pretensamente fáceis que lhe permitam as regalias que ele vê na TV e tanto sonha em obter.
Para o trabalhador, se o salário é ruim, pior é o desemprego que já atinge alguns dos seus vizinhos por anos a fio, pois isto significa o desespero e a morte.
Além dessa flagrante disfunção entre capital/trabalho e a decomposição institucional, há os efeitos colaterais que afligem toda a sociedade, como:
— o aquecimento global;
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| "a locomoção tão lenta quanto no tempo das carroças" |
— a poluição de rios, lagoas e oceanos;
— os congestionamentos insuportáveis de veículos, tornando a locomoção tão lenta quanto no tempo das carroças;
—a violência urbana bárbara (são 21 mil assassinatos registrados nos cinco primeiros meses de 2018, fora os não registrados, que correspondem a números de guerra);
— a perplexidade no semblante da maioria da população, oprimida por condições de uma vida aflitiva, entre outras tantas mazelas sociais que poderiam ser evitadas.
— a perplexidade no semblante da maioria da população, oprimida por condições de uma vida aflitiva, entre outras tantas mazelas sociais que poderiam ser evitadas.
Isso é o capitalismo no seu estágio de limite interno absoluto.
Mas será que, mesmo diante de tantas evidências de saturação de um contrato social que se tornou anacrônico e ameaça a vida humana, nós não seremos capazes de sequer discutir uma mediação social fora dos padrões da forma-valor? Afinal, esta última não é nenhum dado social a-histórico, ontológico, imutável...
Onde está a capacidade do cérebro humano, tão pródigo em descobertas científicas antes inimagináveis, mas que agora não se mostra capaz de tomar consciência dos mecanismos que estão na base de todas as nossas mazelas sociais e superá-los?
| Por Dalton Rosado |
Que força dominadora fetichista é essa que nos impede de adquirirmos consciência do que somos e tomarmos nas mãos o nosso destino?
Será que seremos sempre obrigados a seguir celeremente rumo ao abismo, tal qual gado no estouro da boiada?
85 anos depois, continuamos vendo "quem trabalha andar no miserê"






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