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domingo, 2 de maio de 2021

CIENTISTAS PREVEEM: MAIO E JUNHO SERÃO AINDA MAIS CALAMITOSOS PARA O BRASIL!!!

jânio de freitas
PIORA NOS ÍNDICE SOCIAIS VAI SE
 ACELERAR EM NÚMERO E DESUMANIDADE
As charges que ilustram este post são do Jota Camelo
J
air Bolsonaro quer mais cortes em gastos sociais previstos no Orçamento para este ano. 

As mutilações já feitas foram brutais, mas Bolsonaro quer mais alguns bilhões para o que se mostra no governo como o segundo gasto na ordem de nobreza: a compra de parlamentares com a liberação de bilhões para suas propostas de obras, que são catapultas eleitorais. 

O único gasto mais nobre no Planalto é o dos militares, cujo montante inicial perdeu apenas 3%.

As reduções são o oposto do requerido pelo forte agravamento das condições de sobrevida da maioria dos brasileiros. A retenção por mais de três meses do também mutilado auxílio emergencial anulou o alívio trazido pelas parcelas do ano passado, concedidas pelo Congresso.

A fome aumenta, e se espraia mais. Qualquer oferta de alimento atrai filas enormes, e as coletas de doações recebem ainda quantidade ínfima para a necessidade crescente. A maioria não tem disponibilidades para ser solidária.

Aos que a têm, o que falta, historicamente, é o próprio sentido de solidariedade, até de humanidade mesmo. Fosse diferente, já veríamos, há tempos, forte movimento de socorro aos que têm fome.
Na chegada de Bolsonaro ao poder, considerava-se, com provável otimismo, haver em torno de 24 milhões de brasileiros vivendo com menos de R$ 246 por mês (R$ 8 por dia). Passados dois anos, a FGV e dados do IBGE indicam o aumento desse contingente para 35 milhões de pessoas.

Não só os já habitantes da pobreza descem à miséria mais miserável. O título de reportagem recente de Fernando Canzian (vide resumo aqui) sintetiza o que se passa nos intermediários: Fenômeno dos anos Lula, classe C afunda e cai na miséria. Eloquência justificada por mais de 30 milhões que estão despencando diretamente da classe C para a miséria.

A pandemia não é causa única da derrocada social. Desde seu primeiro momento, o governo investiu contra os programas sociais, sem exceção, e os manteve na precariedade quando o vírus se anunciou, se propagou e se impôs.

Nem a mínima atenção foi dada à necessidade de se buscarem modos de atenuar os efeitos socioeconômicos da pandemia. E, em paralelo, fosse preparada a defesa da população com a compra de vacinas, campanhas instrutivas, orientação para as alternativas empresariais e gerais.

Nada disso, era só uma gripezinha, a cloroquina a eliminaria. A vaguidão de Paulo Guedes, com os pés no ministério e a cabeça na Bolsa, e o desvario de Bolsonaro associaram-se ao vírus.

Passamos de 400 mil mortes. Esse morticínio atordoa, as crianças e famílias que caem no desamparo, se desorganizam, também perdem a vida por outra que começa e só podem temer.

O vírus não é o causador único dessa imensa desgraça coletiva. Tanto que maio e junho são esperados por cientistas como ainda mais calamitosos no Brasil, por decorrência da baixa vacinação até aqui, da falta de vacinas porque o governo chegou tarde, desacreditado e arrogantemente suspeito ao balcão mundial dos imunizantes.

Logo, os passos degradantes na escala socioeconômica, mais do que continuar, vão se acelerar em número e em desumanidade. Nenhuma resposta lúcida pode ser esperada do governo que pretende até cortar mais gastos sociais.

Se a sociedade, por sua vez, é inerte por preguiça moral maciça ou indolência cultural incapacitante, a alienação é a mesma e mesma a consequência. 

Então, lamento, o que há a dizer é isto: a perspectiva de futuro próximo é péssima —talvez seja o que nossa paralisia mereça. (por Jânio de Freitas)

sábado, 1 de maio de 2021

O GOVERNO PASSOU UM RECADO ERRADO NA PANDEMIA E PESSOAS SÔFREGAS CORRERAM A INCORPORÁ-LO

camila de mario
PORQUE SÓ VACINAR NÃO RESOLVE: A
ANSIEDADE PELA NORMALIDADE SEM VOLTA
Desde o início da pandemia de Covid, o mundo vem buscando caminhos e alternativas para garantir a normalidade, nem que seja sinalizando com a promessa de um novo normal.

A necessidade de dar garantias de normalidade vem conduzindo discursos políticos, decisões em políticas públicas, debates na mídia e as escolhas de cada um de nós.

Em vários países isso se soma a uma gestão pública antidemocrática pautada pelos princípios neoliberais: a urgência do mercado, o apagamento do social, a austeridade fiscal, a manipulação dos medos individuais e coletivos. Monta-se uma impiedosa armadilha coletiva.
O consumismo não pode parar; a vida pode.

Ao focar na campanha de vacinação e em seus benefícios, e ao mesmo tempo relaxar restrições de circulação, permitindo a reabertura de escolas e shopping centers, o governo incentivou a retomada da rotina, potencializando a circulação do vírus, a proliferação de novas cepas e o contágio.

Como resultado, viu-se uma explosão nas taxas de ocupação de leitos de UTIs, um esgotamento das equipes e profissionais de saúde, e uma transformação no perfil de seus doentes: estão cada vez mais jovens.

Se antes os leitos de UTI eram ocupados por idosos e pessoas dos grupos de risco, o vírus encontrou seu caminho entre os que agora não apresentam resistência imunológica: adultos jovens.

Apesar do avanço da vacinação nos grupos de risco, a letalidade continua a mesma, pois o vírus só migrou e se adaptou a um novo grupo. Adicionalmente, por ser mais jovem, esse grupo é composto por pessoas que passam mais tempo lutando pela vida quando a doença se agrava. Com isso, ocupam os leitos de UTI por um tempo muito maior, mesmo quando evoluindo a óbito.

Em suma, o governo passou o recado errado, e as pessoas ansiosas por normalidade não pensaram duas vezes para incorporá-lo.
Que graça tem um sabadão sem balada, mesmo que clandestina como esta?

A SITUAÇÃO DO BRASIL – Vacina tornou-se palavra de ordem no Brasil. Os esforços e a comunicação dos governos voltaram-se para a vacinação, que ganha ares de passaporte para o normal.

Porém. a isso se soma o abre e fecha de escolas, comércio, áreas de lazer, bares e restaurantes.

Um dia atividades ao ar livre estão proibidas; na semana seguinte são permitidas apenas individualmente; na outra semana, em grupo. Praias fecham, mas bares e restaurantes abrem ao público.

País afora, o que vemos é um vai e vem de recomendações disparatadas a partir de lógicas locais e fragmentadas, todas voltadas para o esforço de manter a rotina e não desagradar aos interesses econômicos mais poderosos. E sem qualquer coordenação centralizada.
As vagas nas UTIs, disputadas como nunca, acabam causando paradoxais aglomerações
Na mídia discutem-se quantidade de leitos e aberturas de vagas de UTI como se fossem um recurso infinito, independente de orçamento ou de recursos humanos.

Conforme aumenta a curva de casos, o gestor aumenta o número de leitos. A taxa de ocupação de leitos é um dos principais indicadores adotados para a decretação das fases que indicam a gravidade da pandemia que cada município atravessa (ocupação de leitos, taxa de casos e mortalidade).

Indicadores que passaram a pautar nosso cotidiano, quando as taxas sobem aumentam as restrições, quando descem se relaxam as restrições.
Sem abrigo na pandemia: quantos continuarão vivos?

Pior, esse vai e vem dos dados e das decisões parece nos conferir uma frágil, porém necessária, sensação de previsibilidade e de controle. Afinal, as decisões são tomadas com orientações técnicas embasadas por monitoramento de dados.

E as pessoas entendem o recado: se bares, restaurantes, shoppings, escolas... estão abertos, então posso frequentá-los. Uma míope gestão dos riscos voltada para a normalização e ditada pelas urgências do mercado.

Estamos diante de decisões tomadas a partir de parâmetros fora do lugar, orientadas por ideias e valores que não são capazes de dar uma luz à crise que estamos vivendo, estabelecendo uma gestão de políticas públicas que pode bem ser definida pela imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Enquanto a comunicação sobre os riscos da Covid e as orientações de prevenção e de comportamento para evitar transmissão e contágio não forem claras, e prevalecerem ações voltadas para o retorno a uma vida normal que nunca virá, a gestão pública se resumirá à gestão das urgências impostas pela fila da morte nos leitos hospitalares –de escalada imprevisível diante de recursos finitos.

Um dia precisaremos de leitos, no outro de oxigênio, depois de sedativos, e amanhã de um incremento na produção de caixões.
Até quando? Quantos mais?
Para além do risco da normalização da escalada da morte, põe-se em jogo a credibilidade da vacinação.

A armadilha está em fazer crer que a vacina é a grande saída para uma crise que requer muito mais do que ações e esforços realizados a partir de uma lógica de urgência.

A vacina é somente parte da solução. Deveria ser acompanhada por medidas de distanciamento, um longo período de isolamento social, utilização de máscaras, testagem em massa e monitoramento dos doentes. 

Acima de tudo, pela aceitação de que houve uma ruptura definitiva com a vida que vivíamos. (Camila De Mario é doutora em ciências sociais pela Unicamp e professora de sociologia política na Universidade Cândido Mendes)

sábado, 17 de abril de 2021

O BRASIL DO BUFÃO PINOQUIARO É UM PAÍS QUE SE DESOBRIGOU DE FAZER SENTIDO

josias de souza
GOVERNO TRATA COMO 'ANTECIPAÇÃO' A
CHEGADA TARDIA DE DOSES DA VACINA PFIZER
Depois que o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) apresentou como boa notícia a antecipação da entrega da primeira leva de frascos da vacina da Pfizer, ficou todo mundo desobrigado de fazer sentido. 

Se o Brasil de Bolsonaro fosse um país lógico, o imunizante da Pfizer já estaria sendo aplicado nos braços dos brasileiros em dezembro do ano passado, época em que ainda dava expediente na pasta da Saúde o general Eduardo Pazuello. 

Os primeiros contatos de representantes da Pfizer com autoridades brasileiras ocorreram em julho de 2020. Em agosto, a farmacêutica formalizou a proposta de fornecimento de 70 milhões de vacinas. As doses inaugurais chegariam antes do Natal. 
Pazuello e Bolsonaro deram de ombros. O ministro disse que o contrato continha cláusulas
leoninas. O presidente declarou que os vacinados correriam o risco de virar jacaré.

As vacinas da Pfizer foram finalmente adquiridas apenas no mês passado: 100 milhões de doses. Pazuello rubricou o documento quando já estava a caminho da porta de saída. Na última 4ª feira (14), o sucessor Queiroga acionou o bumbo para transmitir uma boa notícia aos repórteres:
"A antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses já no mês de abril, maio e junho". 
O ministro soou didático: 
"Ou seja, conseguimos antecipar no calendário anteriormente previsto das 100 milhões de doses — 2 milhões de doses da vacina da Pfizer, que vão fortalecer o nosso calendário de vacinação". 
Nesta 6ª feira, o Ministério da Saúde esclareceu que 1 milhão de doses desembarcarão no país no próximo dia 29. Seria parte da antecipação. 

Conversa fiada. A coisa já estava prevista no cronograma alardeado por Pazuello em 15 de março. Vai abaixo a tabela: 
— abril: 1 milhão de doses;
— maio: 2,5 milhões;
— junho: 10 milhões;
— julho: 10 milhões;
— agosto: 30 milhões;
— setembro: 46,5 milhões. 
.
Fica entendido que a crise no Brasil não é apenas sanitária, mas semântica. No tempo em que as palavras ainda faziam sentido, inépcia governamental ornava com pedidos de desculpa, não com celebrações. 

No país que se desobrigou de fazer nexo, o Ministério da Saúde adiciona ao suplício da escassez de vacinas a tortura da intubação a seco, sem sedativos. (por Josias de Souza)

segunda-feira, 15 de março de 2021

COVEIRO DA NAÇÃO OU COVEIRO DANAÇÃO?

Até agora, eu acreditava piamente (e emprego mesmo vocábulos religiosos) serem os pastores evangélicos e seus seguidores a principal base de apoio do presidente Bolsonaro, ao qual decidi chamar, em toda oportunidade possível, de Coveiro Danação. 

Ora, pequei por ingenuidade. Os evangélicos, a maioria dos 30% ainda favoráveis ao presidente, também chamado atualmente de genocida, não estão sós. Embora a imprensa esteja sendo chamada de principal oponente ao coveiro genocida, existem muitos jornalistas fiéis ao Messias rebatizado no rio Jordão, na campanha eleitoral. 

De uma fidelidade religiosa cega e canina, a ponto de postar num grupo de jornalistas o vídeo de um nazifascista (não havia seu nome), ao final do qual surge um apelo em favor de um golpe militar, sem faltar o som de fundo de uma marcha militar. Estivéssemos nos anos 30, haveria uma suástica ao lado da bandeira verde-amarela. 

Hipocrisia ou ignorância, segundo eles, os culpados pela desgraça brasileira atual seriam os governadores, justamente os favoráveis ao confinamento e à vacinação. Seria o caso de se perguntar:
mas não leem jornais esses jornalistas? Casa de ferreiro, espeto de pau!

Por isso, talvez valha a pena detalhar as razões pelas quais fazemos oposição cerrada ao Coveiro Danação. 

O popular presidente começou sua campanha eleitoral promovendo o armamento. Em lugar de sugerir medidas que fizessem diminuir a violência, propunha. com a mímica da arminha, a importação dos bangue-bangues estadunidenses. Isso sem chocar pastores evangélicos, seus cabos eleitorais ativos pelo Youtube antes mesmo das restrições impostas pelo coronavírus.

Não é preciso fazer qualquer esforço para se identificar no lema Brasil acima de tudo e Deus acima de todos uma cópia do slogan nazista Alemanha acima de tudo. Além disso, o candidato Bolsonaro era (e é) homofóbico.

Desde o início de seu governo, começaram os incêndios das florestas na Amazônia visando liberar áreas para plantação de soja e criação de gado, sem qualquer proteção aos indígenas habitantes da região. 

Essa destruição se fez sentir também no domínio da cultura, fortalecendo-se um movimento pela implantação do gênero gospel estadunidense entre o povo, no lugar da riqueza da nossa música. 

Destruir
parece ser seu alvo principal, como acentuam diversos analistas políticos. Nem a Petrobras, marco das lutas nacionalistas do século passado, vai escapar. 

Embora o povo sofra a dor do luto e da perda de entes queridos, ele desrespeita e escarnece desse sofrimento, enquanto dificulta e adia a concessão de um prolongamento do auxílio assistencial.

Não é a pandemia a responsável pela desgraça atual no Brasil, mas a falta de planejamento, de ação, da demora na compra de vacinas, pois o presidente não acreditava no vírus: comparava-o a uma gripezinha sem importância, da qual as pessoas poderiam se proteger com cloroquina, na verdade um medicamento contra a malária.

As últimas previsões são alarmantes, a ponto de a Organização Mundial da Saúde temer que o Brasil se torne um foco permanente ou um celeiro de mutações descontroladas do coronavírus e, portanto, uma ameaça constante para os outros países. 

A anunciada compra de 100 milhões de doses da vacina Pfizer, devendo chegar ao Brasil por etapas até o final do ano, só foi possível graças à pressão dos governadores. Mesmo assim, o atraso dessa compra não poderá conter a tempo o avanço do vírus. 

Morrerão ainda dezenas de milhares de pessoas, talvez centenas, reforçando a acusação de
genocida que os brasileiros mais conscientes fazem ao  coveiro da Nação. 
(por Rui Martins) 

quarta-feira, 10 de março de 2021

A SOCIOPATIA A SERVIÇO DO GENOCÍDIO – 3

(continuação
Em maio acentuaram-se as mortes e a necessidade de isolamento social, mas, mesmo assim, não poucas vezes o presidente fez questão de dar demonstrações contra tal imperiosa necessidade. 

É que, no seu desumano entender,  a manutenção da ordem econômica sustentável, então ameaçada, importava muito mais do que a vida dos seres humanos, numa prova prática, empírica, de que a forma-sujeito da mercadoria dá ordens aos seus súditos dirigentes, dela dependentes. E, no caso de tão insensível personagem, o que se viu foi a fome se juntando à vontade de comer.  

Como já detalhei em muitos artigos, o capital nos dá ordens insanas e não nos permite raciocinar fora de seus enquadramentos mesquinhos e oportunistas (a necessidade que temos de suprimento da vida a partir da produção de mercadorias é usado para nos manter escravizados). 

São proibidas quaisquer ações ou atividades fora da lógica do capital e os governantes, mais do que quaisquer outros seres sociais, são a ela obedientes, pois, afinal, é dos impostos advindos de sua mediação social que o Estado e a política sobrevivem. Uma lástima. 

O presidente Boçalnaro é um emblemático representante dessa submissão autofágica, daí a sua renitente sabotagem do isolamento social. Cobrado por medidas de suprimento social necessário, principalmente para os milhões de desempregados crônicos (que agora se somam aos novos milhões de desempregados da crise sanitária), ele esquivou-se de sua óbvia responsabilidade:  
"Cobre do seu governador".
Para, dias depois, acrescentar:
"Lembro à nação que por decisão do STF, as ações de combate à pandemia ficaram sob total responsabilidade dos governadores e prefeitos".
Pouco tempo se passou até que, por conta de sua rejeição das medidas preventivas, participando sem máscara de muitos eventos públicos, foi infectado pelo vírus. Aí passou a ser cuidado num dos melhores hospitais brasileiros e a despachar por vídeoconferência, fazendo lembrar uma velha comédia de Hollywood: O Valente Treme-Treme...

O vírus, entretanto, não teve contra ele a mesma letalidade que vitimou milhares de outros sexagenários brasileiros. 

Circulando sem máscara entre multidões e esfregando-se no máximo de devotos que podia, contribuiu pelo exemplo e na prática para a disseminação do vírus. E ainda teve o desplante de queixar-se, no lançamento de um programa nacional de incentivo ao turismo:
"Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio, pô!".
Não satisfeito com a promoção criminosa da quebra do isolamento social por atos, manifestações e obras, veio em seguida a politização contra o uso de vacinas, e sua renitente e reiterada objeção ao uso das mesmas, fato que se pode inferir de uma eloquente e insana afirmação: 
"Dos chineses não compraremos. A decisão é minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população por sua origem. Esse é o pensamento nosso!"
Dias depois, espalhou-se o boato de que uma pessoa vacinada como teste morrera e, mesmo sem comprovação de que isto era verdade (tinha sido suicídio!), disparou, com ar de triunfo:
"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la (sic). O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro acerta".
Não acertou nem na informação, nem na correção gramatical. E, seguindo na mesma toada, dobrou a aposta:
"Quanto à Pfizer, está bem claro no contrato: nós não nós responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar jacaré, é problema de você. Não vou falar outro bicho aqui para não falar besteira. 

Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher ou se um homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com você".
Quando a pandemia amainou por conta das restrições adotadas pelos governadores e prefeitos de muitas cidades, que compreenderam a necessidade do isolamento social como medida única até então para conter o avanço das infecções e mortes, eis que o presidente voltou à carga com seus prognósticos irrefletidos e irresponsáveis incitando as aglomerações e a volta a uma normalidade ainda inviável: 
"A pandemia realmente está chegando ao fim. Os números têm mostrado isso aí. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que se chama de pequeno repique. Pode acontecer. Porém a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas".
Estávamos em dezembro de 2020 e a pequena ascensão a que ele se referiu era na verdade o prenúncio de uma nova onda que se intensificou nas festas de fim de ano com aglomerações de jovens que se acreditaram a salvo e sentiram-se estimulados a retomarem suas
baladas noturnas. 

Por sua vez, o presidente continuou a retardar as iniciativas de compra de vacinas que estavam sendo disputadas ansiosamente pelo resto do mundo. 

Com relação às cobranças que lhe estavam sendo feitas para que acelerasse a aquisição dos imunizantes, ele considerou mais importante posar de galo do terreiro do que cumprir seu dever presidencial:
"Ninguém me pressiona por nada".
Ele se considera um senhor absolutista da vida e da morte. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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