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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

MAS, QUEM ELEGEU O CAPITÃO DESGRAÇA?

N
as comemorações da virada, externei (neste artigo) meu pessimismo diante da realidade de haver ainda um ano inteiro de Bolsonaro pela frente. É um período longo, no qual se pode fazer muita besteira – e, certamente, esse presidente fará.

Hoje, gostaria de fazer uma volta ao passado e lembrar como pôde acontecer tal desgraça: a eleição de um presidente incompetente, desqualificado para o cargo, sem classe alguma, sem cultura, que até mesmo comprometeu o nome do Brasil nas grandes organizações internacionais como a ONU e a Organização Mundial da Saúde.

Essa pergunta todos nós já fizemos, inúmeras vezes, encontrando algumas respostas que nos ajudam a entender.

E, no processo, vamos nos lembrando de amigos que foram nos bloqueando por termos criticado o desmatamento da Floresta Amazônica. Como se para defenderem o capitão Desgraça, precisassem também aceitar a destruição das árvores e os assassinatos de indígenas.

Outros, fomos nós mesmos que bloqueamos, por se revelarem, ainda hoje, defensores da ditadura militar e do golpe de 1964. Amigos, parentes que, mesmo sabendo dos crimes e das torturas cometidos, de repente tomaram coragem de nos dizer que tinham apoiado e continuavam apoiando os gorilas de 64.

Estes três anos de Bolsonaro têm sido anos de descobertas tristes, porque nos mostraram a outra face de pessoas que faziam parte do nosso convívio, das nossas mesas. Pessoas que, de repente, sem vergonha de esconder, defendiam as prisões, o extermínio dos chamados esquerdistas, comunistas ou corruptos, apregoado por Bolsonaro, não só na sua campanha eleitoral como nos encontros com seus admiradores.

Mas como pudemos chegar a isso, se entre os defensores da linguagem do ódio havia frequentadores de igrejas, padres e mesmo pastores que conheci pessoalmente. 

Gente que se esqueceu daqueles episódios em que seus pais abrigaram ou tomaram conta de filhos pequenos de pessoas presas ou perseguidas pela ditadura. “Eu não acho que a ditadura tenha sido ruim ou perseguido pessoas inocentes”, me disse um deles, esquecido de que sua mãe guardara minha filha.

O que teria feito tantas pessoas comuns, amigas, frequentadoras dos mesmos cafés, missas e cultos, leitoras da Bíblia, se tornarem más, apoiarem as frases mais maldosas, as ameaças mais duras, o escárnio, a linguagem chula de um presidente sem formação moral, sem nenhum respeito sequer pelos mortos, tanto no início da pandemia, como ainda há alguns dias na tragédia que se abateu sobre a Bahia?

Por que se tornaram pessoas desumanas, maldosas, redistribuindo as mentiras cheias de ódio que mantiveram o apoio popular aos dois primeiros anos do governo do genocida? Quantos de nós se perguntam ainda hoje, nas reuniões com os amigos, que fatores levaram tanta gente boa a aderir à linguagem e à teoria do Mal? Mesmo pastores?

Todos nós chegamos a conclusões semelhantes, mas decidi tocar nesse tema ao me chegar um texto de um professor de sociologia de uma universidade gaúcha, que sintetiza nossas respostas e as unifica quanto àquela questão: como pudemos chegar a isso? 

Trata-se do professor e doutor em Sociologia Política, Ivan Lago, cujo longo artigo me fez lembrar do livro de Mário de Andrade, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter…

Eis alguns trechos:
"Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país".

Não a "imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e malandro".

"No mundo real o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto”.

É esse brasileiro que se viu bem representado no Bolsonaro.

"Agora esse cidadão comum tem voz. Ele de fato se sente representado pelo presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. 

Ele se sente importante quando seu mito enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender”. (um artigo de Rui Martins)

domingo, 9 de janeiro de 2022

OS INTRUMENTOS DO BOZO SÃO A AMEAÇA DE MORTE, A BADERNA ARMADA E O GROTESCO NAUSEABUNDO

vinícius torres freire
BOLSONARO EXPÕE A IMUNDÍCIE DE SUAS
ENTRANHAS E DE SEU PROJETO ELEITORAL
O
espetáculo, a massificação da mentira e a propaganda da morte são atitudes típicas de políticos do espectro fascista. Jair Bolsonaro não é lá diferente. 

Foi assim a virada de ano da extrema-direita brasileirinha, ainda mais repugnante na sua decomposição avançada, mas até por isso mesmo capaz de causar mais pestes.

O país se degrada, mais gente padece de fome, doença ou desgraças como as enchentes da Bahia. A administração pública se desorganiza mais, ora em revolta contra caprichos sectários desse tipo que ocupa a cadeira de presidente, que quer agradar polícias a fim de manter consigo falanges armadas.

Há operações-padrão de auditores da Receita, o que ameaça p. ex. a importação de combustíveis; há ameaça de greve geral de servidores. 

A produção da indústria encolheu pelo sexto mês seguido, o que não se via desde a recessão de 2015. 

Azares do tempo podem fazer com que a safra de grãos seja menor que a do ano passado –​se esperava recorde, um anteparo mínimo para a recessão que começa a aparecer no horizonte. Mas não há governo, tentativa de reação ou remédio. Ao contrário.

O capitão da morte vadiava, indiferente a sofrimentos e desordens, rindo com sua catadura selvagem e sua boca espumante. Fazia o show do tiozão grosseiro desfilando com brinquedos caros e barulhentos. 

Era parte da palhaçada da autenticidade, show que em breve voltaria quase à indecência teratológica dos tempos das cirurgias, durante a internação indigesta do tapado. 

Uma parte do espetáculo de Bolsonaro é a exposição de suas entranhas morais e quase literalmente físicas: intimidades com a mulher com quem se casou, o corpo nu cheio de tubos, as cicatrizes e, agora, sua indigestão monstruosa.

"Foi domingo. Eu não almoço, eu engulo. Foi uma peixada, tinha uns camarõezinhos também. Eu mastiguei o peixe e engoli o camarão", disse, ao explicar sua mais recente internação.

A indecência, a brutalidade e a feiura são parte da estética política do bolsonarismo. Entender porque o despudor ainda comove suas falanges e um tanto mais do eleitorado é um problema, mas desde a irrupção de Bolsonaro tal exposição faz algum efeito. 

A exibição do desmazelo pessoal, corporal e social, sua boca-suja, seu linguajar iletrado e cafajeste, o chinelão, o leite condensado com migalhas espalhadas pela mesa, tudo faz parte da fantasmagoria da autenticidade.
O espetáculo vai além, claro. Há motociatas e comícios golpistas, assim como a nomeação de inimigos da pátria, do cardápio tradicional do espectro fascista. 

Há o heroísmo de fancaria de quem diz lutar contra o sistema e a difusão de mentiras conspiratórias que tempera esse brutesco. 

Há o farisaísmo, as blasfêmias e o uso do nome de Deus em vão, o que espantosamente não abala muita gente religiosa. 

Há a propaganda da morte, a crítica aos tarados por vacina e a indiferença quanto à morte de crianças. 

Tudo isso é tolerado, como se o salvador da pátria e da família tivesse de vir travestido de anticristão (o que também é o caso de Donald Trump).

E daí? Esse é o monstro que, daqui a outubro, tentará obter votos para a reeleição ou algum modo de sobreviver politicamente ou fora da cadeia. Esses são seus recursos. 

Bolsonaro não tem nada que qualquer governante no limite do universo da razão e da decência pudesse apresentar como realização. 

Seus instrumentos são a ameaça de morte, baderna armada, golpe e tirania, o grotesco nauseabundo e a apelação aos sentimentos mais baixos e desumanamente lunáticos 
– o tipo é indiferente à morte de crianças, ressalte-se.

Foi assim o Ano Novo de Bolsonaro. Por que acreditar que o ano eleitoral será diferente? O que mais lhe resta além da fuga? A desordem imunda. (por Vinícius Torres Freire)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O BOZO REBAIXOU O BRASIL AO NÍVEL DE ESTREBARIA DE QUARTEL, DIZ RUY CASTRO

NOVOS XINGAMENTOS CONTRA BOLSONARO
D
esde sua posse, Jair Bolsonaro já foi chamado de cretino, grosseiro, cínico, despreparado, irresponsável, omisso, analfabeto, homófobo, arrogante, racista, fascista, nazista, desequilibrado, escatológico, demente, golpista, incendiário, miliciano, xenófobo, criminoso, mentiroso, psicopata, torturador e genocida.

Os autores dessas desqualificações são cidadãos comuns que escrevem mensagens para os jornais, produzem memes e entopem as redes sociais. Está tudo registrado e seria divertido ver o governo processar tal multidão.

Nenhum outro governante brasileiro foi agraciado com tantos epítetos, a provar que a língua é rica o bastante para definir o pior presidente da história do país. Mas é inútil, porque nada ofende Bolsonaro. Ele se identifica com cada desaforo.

Afinal, foi quem rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel, ao inundar os lares com um vídeo sobre golden shower, chamar um jornalista para a briga (“Minha vontade é encher a sua boca de porrada!”) e ejacular mais palavrões numa reunião ministerial do que em todas as reuniões ministeriais somadas desde 1889.

Seus seguidores absorvem tudo isso porque ainda acreditam que ele livrou o Brasil da corrupção. Não se perturbam com o fato de que Bolsonaro subverte as leis para impedir que seus filhos se sentem no banco dos réus —por corrupção. 

E não percebem que ele é que é, ao contrário, o grande corruptor —da Justiça, do Exército, da diplomacia, do meio ambiente, da saúde. É o Midas do terror. Ao seu toque, tudo ganha cheiro de vela e se decompõe.

Nos últimos dias, Bolsonaro ganhou dois novos epítetos populares. Um, o de covarde, ao jogar a culpa por seus crimes nos ministros que ele mesmo escolheu e doutrinou.

Outro, e que só agora começa a ser percebido por seu próprio público, o de traidor, ao se pôr de quatro diante dos países, pessoas e instituições que ele ordenou odiar. (por Ruy Castro, que está tendo um artigo  humorístico anterior –e menos contundente– investigado pela Polícia Federal, por determinação do ministro da Justiça André Mendonça) 
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