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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

...E O TRUMP SE EMBANANOU TODO!

"
...o verniz de invencibilidade de Trump está se desfazendo. Ele perdeu sua tentativa de reeleição e lançou a tentativa de golpe mais incompetente desde o filme Bananas, de Woody Allen. 

Ele pode se enfurecer e falar loucuras sobre o que aconteceu em novembro, mas não poderá impedir seus seguidores de verem Joe Biden tomar posse em janeiro. 

O medo de qual possa ser seu próximo passo está dando lugar às gargalhadas. Trump está parecendo mais fraco e assustado a cada dia que passa." (Yascha Mounk, cientista social, autor de O Povo contra a Democracia) 
Não encontrei o filme inteiro para disponibilizar
aqui, mas estes trechos são hilários...

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

CADÊ A EXTREMA-DIREITA QUE ESTAVA AQUI? O CORONA COMEU...

eliane cantanhêde
CAINDO NA REAL
O Brasil é o Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é o presidente Jair Bolsonaro. O que é bom para o Brasil não é necessariamente bom para Bolsonaro e a recíproca é verdadeira. 

Aliás, muitas vezes é o oposto. O risco de derrota de Donald Trump é também de Bolsonaro, com sua política externa e seus delírios ideológicos, mas não para o Brasil, que lucra com um mundo melhor.

Com Trump e os Estados Unidos era uma coisa, sem ambos é outra. O projeto de um mundo de extrema-direita vira um sonho (ou pesadelo) de uma noite de verão. É hora de acordar e cair na realidade – que, aliás, não está fácil, com pandemia, economia quebrada, dívida pública descontrolada e milhões de desempregados. O caos não é ideológico, é real.

Em 2018, após a vitória do pai, o deputado Eduardo Bolsonaro patrocinou a Cúpula Conservadora das Américas, em Foz do Iguaçu, como contraponto ao Foro de São Paulo, das esquerdas, mas a sociedade não deu bola para um nem para o outro. 

Em 2019, no primeiro ano de governo, ele voltou à carga, anunciando o maior evento conservador do mundo em São Paulo, mas só se ficou sabendo que o filho 03 foi recebido aos gritos de mitinho e que o seu guru só apareceu no telão, direto da Virgínia.

O
03 orna a parede da sala de jantar com um rifle (ou sei lá o que é aquilo), fritou muito hambúrguer nos EUA, desfilou com o boné da reeleição de Trump e passou vergonha ao ser indicado pelo papai para ser embaixador em Washington. Por sorte (dele e do Brasil), os senadores avisaram que era um pouco demais.

A ideia morreu, mas o delírio conservador – e autoritário – sobreviveu. Em fevereiro deste ano, o chanceler Ernesto Araújo – que definiu Trump como o único Deus capaz de salvar o Ocidente – foi a Washington para a criação, com EUA, Hungria e Polônia, de uma Aliança Internacional pela Liberdade Religiosa. O carimbo de religiosa escamoteava algo muito mais ambicioso.

O passo seguinte seria a ida do próprio presidente Bolsonaro à Hungria e à Polônia, ainda neste segundo semestre, para consolidar a aliança da extrema-direita. Por ironia, a pandemia de Covid-19, tratada com igual ignorância por Trump e sua réplica brasileira, impediu a empreitada. Sem a reeleição de Trump, o que Bolsonaro poderia fazer agora em Budapeste e Varsóvia? Só chorar as mágoas.

O democrata Joe Biden não tem nada de socialista, diferentemente do que disse Trump e os cubanos e venezuelanos da Flórida engoliram. Biden é um liberal na economia, antirracista, defensor de minorias, direitos humanos, meio ambiente, Acordo Climático de Paris, ONU, OMC e OMS. 
Eleito, interromperá as investidas de Trump e dos Bolsonaro, calcadas em ódios e armas, sob inspiração do mentor da extrema-direita internacional, Steve Bannon, que nem Trump aguentou e anda às voltas com a polícia.

Sem Trump e EUA, evaporam o projeto ultra-conservador e política externa de Bolsonaro. Bolsonaro chutou China e Europa porque tinha Washington na retaguarda, mas, agora sozinho, repete o muxoxo de que as potências querem nos tomar a Amazônia e empurrar a América do Sul para a esquerda. 

Não tem pé nem cabeça tanto que, sob a perspectiva de vitória de Biden, as Bolsas subiram, o dólar caiu no Brasil. Esse mercado está cada vez mais socialista...

Com a cabeça no lugar, o vice-presidente Hamilton Mourão trata a China com pragmatismo e lembra que a relação entre Brasil e EUA é entre Estados, não entre pessoas. É um claro contraponto a Bolsonaro, tão candidato a perdedor quanto Trump. 

O Brasil, porém, não perde nada com o equilíbrio político e pessoal de Joe Biden e a obrigação de voltar fazer política externa. Bolsonaro e Ernesto Araújo são capazes de fazer? (por Eliane Cantanhêde)

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

COM A DÉCADA INFERNAL A 2 MESES DO FIM, A REMOÇÃO DOS REBOTALHOS PARA A LIXEIRA DA HISTÓRIA COMEÇA PELO TRUMP.

celso rocha de barros
O GRANDE PORRE MUNDIAL DOS ANOS 2010 ESTÁ PASSANDO?
A
o que tudo indica, nesta 3ª feira (3) Donald Trump se tornará um presidente de um mandato só. As pesquisas são favoráveis a Biden, e, se elas errarem só o que erraram em 2016, Biden ainda ganha. 

O site 538, do estatístico norte-americano Nate Silver, dá a Trump pouco mais de 10% de chance de vencer a eleição. Não é zero. É o risco de morte de quem faz roleta-russa com uma arma de dez tiros. Mas é pouco.

É possível que Trump não aceite a derrota e tente ganhar no tapetão. Grande parte da votação já ocorreu por correspondência, por causa da pandemia. Trump pode sair em vantagem no início da contagem, quando os votos por correspondência ainda não tiverem sido totalmente contados.

No cenário golpista, declararia vitória enquanto estivesse na frente e montaria uma ofensiva jurídica para interromper contagens estaduais por um motivo ou outro. Para isso contaria com sua recém-adquirida maioria na Suprema Corte e com os juízes federais que nomeou nos últimos anos. 

Temendo conflitos de rua em caso de impasse, a rede de supermercados Walmart interrompeu a venda de armas até a confusão passar.

Não é o cenário mais provável, até porque há uma chance razoável de Biden vencer por margem incontestável. Mas o fato de que uma eleição possa terminar em conflito civil generalizado mostra o tamanho do dano que Donald Trump já causou ao ambiente cívico estadunidense. 

Se a roleta-russa der errado e Trump vencer nesse clima de radicalização, o dano pode ser ainda maior.

A vitória de Trump em 2016 foi um marco decisivo da onda populista reacionária que já havia começado antes, em lugares como a Hungria e a Polônia, mas que chegou ao centro do capitalismo internacional com o brexit.

As negociações do brexit vão mal. E, sem o Reino Unido, deve crescer a pressão por uma federação europeia mais centralizada, o que não é boa notícia para os radicais poloneses e húngaros.

A maré está virando? O grande porre mundial da década de dez está passando?

Mesmo se virar, nenhum dos problemas que criaram a onda populista terá sido resolvido. A desigualdade continua alta. A desindustrialização de áreas inteiras do mundo desenvolvido (e do Brasil) continuará difícil de reverter. Como as crises da pandemia deixaram claro, a desconfiança com relação aos especialistas não vai embora da noite para o dia.

As notícias falsas, a política difícil das redes sociais, tudo isso ainda continuará existindo. A tensão entre Estados-nação e capitalismo global não desapareceu, muito pelo contrário.

Por outro lado, é possível ter esperança, ao menos alguma esperança, de que certas soluções idiotas para esses problemas serão descartadas:
— Não, não foi o encanador polonês que tirou o emprego do mineiro britânico;
— Não, Trump não tinha uma alternativa ao Obamacare que preservasse tudo que o programa tinha de popular e descartasse tudo que tinha de impopular;
— Não, Bolsonaro não era inimigo da corrupção (nem a corrupção era a causa da crise econômica brasileira), etc.

De qualquer maneira, ao que tudo indica, amanhã a democracia estadunidense vai para  
rehab [clínica de reabilitação]. Nos EUA os grandes partidos sobreviveram, a volta ao normal deve ser mais fácil. 

Nós, que decidimos não derrubar Bolsonaro em 2020, seguimos fincando pé na cracolândia por mais dois anos, agora como párias internacionais. (por Celso Rocha de Barros)
Está mesmo faltando um. Mas, expelido o Trump, tudo leva a crer 
que seu fiel mas tosco vassalo será varrido pela depressão econômica
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