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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

TÃO ATRELADOS E DEPENDENTES DO CAPITALISMO MUNDIAL SÃO EUA E CHINA QUE ACABARÃO MORRENDO ABRAÇADOS – 1

dalton rosado
IMPASSE NA GUERRA COMERCIAL
No capitalismo é assim, uma eterna guerra de mercado entre contendores produtores de mercadorias, cada um dos quais buscando impor sua hegemonia. 

Mas há um limite previamente delimitado: a capacidade de consumo dos compradores. E aos vencedores de tal guerra se faculta a prosperidade, enquanto os vencidos amargam a penúria.

Entre os produtores no interior dos países ocorre o mesmo que com os países (embora estes não sejam efetivamente produtores, pois tal papel cabe às empresas privadas ou estatais neles atuantes): os trabalhadores, os verdadeiros produtores, são apenas a força de trabalho subjugada, qual inocentes úteis.

É que os países, organizados politica e juridicamente em Estados-nações, beneficiam-se dos impostos relativos a essa produção, podendo dar ares de proteção aos seus súditos-cidadãos no atendimento de demandas sociais que justifiquem sua estrutura social, opressora dos pretensos beneficiários.
Os governantes têm a missão estatal precípua de defesa do capital no interesse das empresas sediadas em seu território ou filiais estabelecidas em território alheio, mas capazes de fazer a remessa de lucros extraídos de suas atividades. 

O capital não é estatal, mas o Estado, na sua missão de proteção dos capitalistas nacionais, impõe mediante medidas protetivas fiscais e monetárias aos produtores dos Estados concorrentes, capitalistas produtores de mercadorias que, em busca do seu lucro vital, participam dessa guerra fratricida. 

Tudo em consonância com uma lógica insana, irracional, que a cada dia se mostra mais anacrônica, destrutiva da vida das pessoas e do meio ambiente, e, por fim, autodestrutiva. 

O espetáculo midiático do protecionismo mercadológico entre Estados Unidos e China, ambos capitalistas, explicita a contradição entre:
— o imperativo de crescimento constante e cada vez mais volumoso da produção de mercadorias e, consequentemente, de extração de mais-valia e massa de valor; e
— o limite do consumo do mercado, que, por mais que se inventem produtos novos para o consumo, não obedece à mesma ordem de necessidade de crescimento. 

Os EUA, antes maiores defensores do livre mercado, agora veem grande parte das mercadorias produzidas em seu território não manterem sua capacidade competitiva (uma contradição que força a redução de salários, conforme previu Marx). 

Então, abandonam a retórica anterior e passam a praticar a proteção de mercado, impondo barreiras alfandegárias ao produtos chineses, os quais são fabricados num país com renda per capita cinco vezes menor. 

O dragão asiático tende a vencer a guerra, mas ambos estão numa sinuca de bico. 

Ninguém menos que Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, afirma que “a manipulação do câmbio da moeda chinesa vai prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar o caos nos mercados financeiros”. 

E continua, em tom de quase ameaça: 
"A China que não espere mais boa vontade dos Estados Unidos!". 
Ora, Mnuchin se preocupa com a solvência do sistema de crédito mundial, ao qual está atrelada a economia dos EUA e seus bancos.

Se, por um lado, ele se preocupa com a agressividade das exportações chinesas que invadem os Estados Unidos, por outro lado se aflige com a solvência da magnifica dívida pública e privada chinesa (que corresponde a pouco menos de 300% do seu Produto Interno Bruto anual, orçado em cerca de USS 18 trilhões), a qual somente se conservará solvente no principal e juros devidos correspondentes caso sejam mantidos os atuais níveis de crescimento. 

Trata-se de uma contradição implícita e explícita, pois os bancos internacionais e rentistas credores dessa dívida são, em grande parte, sediados nos EUA; então, a quebra da China levará de roldão tais credores, provocando um tsunami no sistema de crédito financeiro internacional imensamente maior que o da crise do sub-prime estadunidense em 2008/2009.

Mas, os Estados Unidos não podem ficar indefinidamente suprindo a sua balança comercial exterior deficitária com artificialismos monetários e crescimento de sua dívida. 

Diante do protecionismo estadunidense, o Banco Central Chinês, no tabloide oficial do Partido Comunista, adverte que “os Estados Unidos devem segurar as rédeas antes do precipício e voltar atrás”. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

OS MOTIVOS DAS GUINADAS ABRUPTAS À DIREITA NA POLÍTICA MUNDIAL

Não é novidade o fato de que em momentos de crise econômica aguda surjam movimentos abruptos à direita. A análise que se pode fazer sobre tais movimentos é que eles consistem numa busca desesperada de soluções sem maior reflexão por parte da população economicamente exaurida. 

É nesse contexto que surgem mais facilmente os salvadores da pátria com seus discursos simplistas de soluções aparentemente práticas para problemas complexos.

O exemplo histórico mais emblemático é o surgimento do Partido Nazista, que levou o povo alemão a uma histeria supremacista a partir de 1923, quando a inflação alemã estava de tal modo acentuada que o marco alemão nada valia e toda a economia do país se deteriorava, deixando o povo perplexo.

Hitler apareceu como o homem forte capaz de resgatar o orgulho alemão ferido de morte na 1ª Guerra Mundial e capaz de recuperar a economia como um outsider de espírito militarista disciplinador.

A economia alemã, na esteira da recuperação mundial depois da crise de 1929/1930, caiu como uma luva para aquele que parecia ser capaz de reconduzi-la ao patamar que os germânicos consideravam ser o seu lugar numa Europa que lhes impunha sacrifícios enormes desde a derrota militar.

O resultado do endeusamento dos princípios militaristas dos nazistas, fixados no respeito à disciplina e ao trabalho abstrato produtor de valor (nos campos de concentração nazistas se lia a frase O trabalho liberta) atingiram seu clímax com concentração de poderes em Hitler, cujo despotismo incubado acabou logrando a legitimação pelo voto. Era a democracia burguesa a serviço da tirania.
De início, salvador da pátria; depois, seu destruidor

Os valores humanistas passaram a ser sistematicamente desmoralizados pela propaganda de massas surgida a partir de um novíssimo instrumento de comunicação de então – a radiofonia. 

Assim, os métodos nazistas de imposição da força passaram a ser absorvidos pela consciência alemã como resultante natural de um sentimento supremacista diuturnamente introjetado nas consciências dos cidadãos alemães pelo maciço proselitismo do seu ministro da Propaganda Joseph Goebbels. 

Tudo se processou num espaço de apenas 20 anos; uma consequência foi o maior genocídio já sofrido pela humanidade, com aproximadamente 50 milhões de mortos e atrocidades tão terríveis contra a vida humana que antes tidas como impossíveis de acontecer. Os relatos sobre os crimes de guerra nazistas não têm precedentes em crueldade. 

Qualquer semelhança de 1939/1940 com a realidade político-econômica mundial de 2018 não é mera coincidência, mas sim a repetição histórica de um quadro de depressão que, com a potencialidade genocida atual (população maior, economia globalizada e artefatos militares nucleares de destruição), prenuncia-se como muito mais grave.

Candidatos que se propõem a resolver complexos problemas sócio-econômicos (cuja base reside no choque entre forma e conteúdo do modo de produção social que encontrou o seu limite existencial) a partir de bravatas simplistas que buscam na causa do mal a solução para o mal, infelizmente calam fundo na inconsciência popular pauperizada e desesperada pelo desemprego e subemprego –tendente, portanto, a acolher tal discurso ilusionista, pois este vai ao encontro dos seus anseios mais imediatos. 
"Maior genocídio já sofrido pela humanidade"

A massificação da informação imediata pela internet, ao vivo e a cores, com abrangência imensamente maior do que a do rádio da época hitlerista, é agora otimizada por mecanismos de análise mercadológicos (a análise da emoção como base da indução ao comportamento), podendo ser tão perigosa quanto foi durante o período que vai da ascensão de Hitler ao poder até o seu suicídio.

O fenômeno do surgimento de novos salvadores da pátria é mundial porque a crise do capitalismo é mundial e não são difundidas alternativas consistentes e modernas a esse modo de mediação social.   

Mesmo os Estados Unidos, tido como exemplo a ser seguido economicamente por seus elevados PIB e  níveis de empregabilidade, não resiste a uma análise mais acurada e fria da sua realidade: a insustentabilidade de longo prazo fica bem evidente. 

Segundo o secretário do Tesouro Steven Mnuchin o déficit do orçamento fiscal estadunidense cresceu 17% em 2017, atingindo a cifra de US$ 799 bilhões e a dívida pública americana bateu recorde totalizando US$ 20 trilhões, para um PIB anual de USS 19,3 trilhões.

Como os EUA conseguem conviver com tais números sem grandes traumas na sua economia? Com a credibilidade do seu dólar, moeda internacional por todos aceita, que assim pode ser emitida sem lastro e exportada sem causar inflação interna; e com a venda de títulos a juros substancialmente baixos.

Tal mecanismo, artificial por excelência, não perdurará indefinidamente. 
Será iminente outra grande crise?

Já a China, segunda economia mundial em termos absolutos, recebeu em agosto passado um comentário do FMI, que considerou perigoso o seu alto nível de endividamento, de 235% do PIB com projeção de crescimento para 290% até 2022. O FMI alertou que isto poderá eventualmente provocar uma desaceleração acentuada do PIB anual de 6,7%, o que seria desastroso para a economia mundial já combalida. 

A nossa rica e vizinha Argentina, com o governo de centro-direita de Maurício Macri, vive um processo de deterioração econômica, com inflação de 40% ao ano, tendo já batido às portas do FMI para pedir empréstimos salvadores. Na América latina o quadro é de depressão, como, aliás, em toda periferia mundial do capitalismo. 

Nesse cenário depressivo em âmbito mundial ocorre uma fuga para a frente, ou seja, a ilusão de que a melhora do quadro seja possível com medidas político-econômicas de austeridade, além da redução de franquias democráticas e de vários direitos, um pacote somente passível de ser implementado por políticos que se dizem avessos ao que até então vinha sendo praticado (os outsiders). Sonha-se com a recomposição do antigo status quo, ora em rota de deterioração crescente. 

A falta de conhecimento teórico por parte da população sobre as causas do seu infortúnio abre caminho para o acolhimento de bravatas eleitorais simplistas estimuladas por uma propaganda ágil, que, embora falsa, atinge o cerne dos anseios populares.

Deveria se constituir como crime eleitoral (tal como ocorre na venda de mercadorias) a propaganda enganosa de políticos com viés totalitários que mais não são de que a defesa do velho travestido de novo.  
Tudo isso já foi falado ou tentado, nada vingou
O quadro brasileiro da economia imporá medidas de austeridade como forma de recuperação do orçamento fiscal num cenário de depressão econômica renitente, num país com moeda sem credibilidade internacional; o candidato Boçalnaro, o ignaro apresenta-se como o personagem talhado para tal papel, o de reprimir violentamente qualquer manifestação de insatisfação popular que venha a ocorrer.                   

Os eleitores ricos sabem muito bem por que apoiam Boçalnaro, o ignaro; os pobres são induzidos a acreditar na sua cantilena de que, com murros na mesa, resolverá problemas para os quais ele verdadeiramente não tem solução. Tudo dentro do melhor figurino de estelionato eleitoral. 

A nós cabe resistir a tais evoluções hoje, amanhã e a partir de 2019. (por Dalton Rosado)
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