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terça-feira, 12 de junho de 2012

FLA É MAU PATRÃO E AGE COMO URUBU DE MONTURO - 2

Quando o Flamengo trombeteou que apresentaria na Justiça Trabalhista um exame comprovando que Ronaldinho Gaúcho tinha ido treinar alcoolizado, fiquei tão indignado que escrevi o artigo Fla é mau patrão e age como urubu de monturo (acesse aqui).  

Ainda assim, não me passou pela cabeça que, além de ser uma infâmia, constituía mero blefe. Comparar o Flamengo aos urubus de monturo foi injusto com os urubus.

Eis o que Juca Kfouri revela, em post do seu blogue que reproduzo na íntegra:
"Entre todos o erros, ameaças e patifarias que a direção do Flamengo tem feito com Ronaldinho, a quem tratou como seu orgulho, acolheu e desculpou além de ter acobertado, o pior nem foi a exposição do video que o mostra entrando no quarto de uma mulher no hotel em que o Flamengo estava hospedado em Londrina.

A mais abjeta das atitudes foi o anúncio feito pelo vice-presidente jurídico do clube, Rafael De Piro, de que existiria um exame que  revelava a  presença de álcool em seu sangue.
Pois eis que segundo o chefe do departamento médico do rubro-negro, José Luiz Runco, De Piro pirou, porque o exame simplesmente não existe.

De Piro agora diz que houve um mal-entendido e os advogados do jogador gargalham.

Porque não só o exame não provaria coisa alguma na Justiça do Trabalho como, agora, por inexistente, sua história fabulosa servirá como elemento para eventualmente acionar o Flamengo por danos morais".

terça-feira, 5 de junho de 2012

FLA É MAU PATRÃO E AGE COMO URUBU DE MONTURO

Sempre tive o Flamengo como o segundo clube do meu coração --pois é o time do povo onde o povo é mais povão, o Rio de Janeiro.

Mas, neste momento, não passa do último.

Sua diretoria recorrerá aos trunfos jurídicos mais torpes e imundos para vencer uma pendenga contra Ronaldinho Gaúcho: alegará que ele foi treinar com álcool no sangue, que transou com uma mulher na concentração, que jogadores e funcionários  traíras  têm queixas contra ele... Quanta baixaria! 

O Fla está sendo mesmo urubu, e no pior sentido possível! Desceu ao monturo.

Calotes do patrão no funcionário são muito, muitísimo piores do que essas miudezas ridículas. E maus patrões não fazem mesmo por merecer melhor comportamento dos funcionários.

Aliás, o que tem, afinal, o Flamengo a reclamar, depois de haver feito vistas grossas às ligações escancaradas do Adriano com os chefões do tráfico e anunciar que está disposto a receber o  cabo  Bruno (quer dizer, o goleiro Bruno...) de volta, caso ele seja libertado?!

Como a escravidão foi abolida em 1888, Ronaldinho tem, sim, o direito de exercer seu ofício em outro clube --exatamente como o Oscar, que o São Paulo queria manter acorrentado na sua senzala, mas a Justiça não deixou.

Direitos patrimoniais são outro departamento. Coisas são coisas, pessoas são pessoas. Que o Fla e o Atlético Mineiro travem quantas batalhas legais por grana quiserem. Que cheguem a um acordo ou se danem. Isso não me diz respeito.

Importa é que o jogador jogue, pois é isto que ele sabe fazer e sua carreira está no finzinho. Querer mantê-lo interditado é criminoso e imoral!

Porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O DIA DA CAÇA

Vanderlei Luxemburgo é personagem que não tem mais lugar no futebol brasileiro: um técnico malandro, mau caráter e tão desvairado por holofotes que tudo faz para roubá-los dos craques (inclusive afastando-os dos times que dirige).

Foi assim com Marcelinho Carioca, um dos três maiores ídolos corinthianos nas últimas décadas, ao lado de Sócrates e Neto.

Utilizou um  imbroglio  sobre visita feminina ao hotel no qual o jogador estava concentrado para forçar sua saída. Quem perdeu foi o Corinthians.

Em franca decadência, Luxemburgo hoje nada mais cria, apenas repete as fórmulas do passado. Não só quanto à esquematização do time, mas até nos golpes sujos.

Assim, tentou livrar-se do Ronaldinho Gaúcho da mesmíssima maneira.

Só que o castigo tarda, mas não falha: neste exato instante, tudo se encaminha para ser chutado do Flamengo o próprio Luxemburgo.

Bem feito!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

FUTEBOL DE SONHO

Não é só o Barcelona que mantém viva a arte futebolística: nesta 4ª feira Santos e Flamengo nos conduziram num túnel do tempo, de volta à gloriosa década de 1960, quando partidas decisivas terminavam com placares elásticos como Santos 7x4 Corinthians (1964) e Cruzeiro 6x2 Santos (1966).

Foram magníficos os lampejos do garoto Neymar, autor do mais belo gol deste Brasileirão, o terceiro do Santos.

E se viu a diferença entre nossa mais brilhante revelação e o craque amadurecido, completo: Ronaldinho Gaúcho não só foi o maestro do Flamengo, criador das principais ações ofensivas, como marcou os três tentos que acabaram sendo determinantes da vitória rubronegra. 


O quarto do Flamengo foi um primor de habilidade e inteligência: sabendo que os jogadores da barreira santista saltariam, cobrou a falta com um chute rasteiro, que passou por baixo deles.

Marcelinho Carioca também inventou um macete desses: ameaçava chutar, mas refugava. Os zagueiros pulavam e, quando estavam descendo, viam passar o arremate pouco acima de suas cabeças.

Assistindo ao maravilhoso Santos 4x5 Flamengo, com direito a um sem-número de outros lances perigosos e a um pênalti desperdiçado, fiquei me lembrando do Mundial que jogamos no lixo porque o técnico cabeçudo abriu mão dos fulgurantes talentos de Ronaldinho Gaúcho e Neymar.

Dunga bem merece o ostracismo no qual se encontra.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

RONALDO: DE FENÔMENO A LENDA VIVA

O esporte é pródigo em propiciar dramas humanos impressionantes, como o que está hoje no noticiário: a incrível ressurreição de Ronaldo Fenômeno.

Ele tem uma trajetória marcada por altos (estratosféricos) e baixos (abissais).

Vinha numa fulgurante carreira, incluindo uma Copa do Mundo conquistada como reserva (1994), quando teve convulsões à véspera da decisão do Mundial seguinte e acabou levando a culpa pela derrota brasileira diante da França.

A via crucis prosseguiu com uma sucessão de contusões graves, tornando totalmente insensata a aposta do técnico Felipão de apostar nele como titular para a Copa de 2002.

Magicamente, aquelas poucas semanas foram um breve hiato em suas desventuras: não só teve participação das mais destacadas, como fez os dois gols da partida final contra a Alemanha.

Em seguida, voltaram as contusões, acrescidas de confusões matrimoniais e pessoais, como o episódio da noitada com travestis. Obeso, desmotivado, parecia ter chegado ao fundo do poço.

Como Felipão, o Corinthians apostou em Ronaldo contra todas as evidências. E parecia ter queimado dinheiro quando o jogador teve outra noitada de loucuras, desta vez acompanhando a delegação que foi a Presidente Prudente disputar uma partida pelo Campeonato Paulista.

Depois do fuzuê num bordel, chegou até a tomar um táxi para desertar da cidade e do clube. Mas, mudou de idéia no caminho, mandou o motorista dar meia-volta e apresentou-se para o treino, umas seis horas atrasado...

A redenção começou na partida contra o Palmeiras, quando entrou em campo na metade do segundo tempo e surpreendeu a todos com três lances agudos: um chute de longe no travessão, um centro perfeito para a cabeçada de um companheiro (o goleiro evitou o gol) e o tento de empate no finzinho dos acréscimos.

No primeiro tempo, no banco de reservas, Ronaldo foi focalizado pela tevê logo após o arqueiro palmeirense ter falhado ao tentar interceptar um cruzamento. Ele comentou algo com quem estava ao lado, dando um sorriso.

Quando a partida estava para terminar, houve um escanteio e ele se colocou na segunda trave, exatamente onde a bola chegaria caso fosse cruzada pelo alto e o goleiro falhasse. A possibilidade desenhada na sua mente virou realidade, como se os deuses dos estádios estivessem de plantão para atender seus desejos.

Depois, na semifinal contra o São Paulo, novamente a magia se fez presente: entrou em campo determinado a calar a boca do diretor de futebol adversário que se referira desdenhosamente a ele como ex-jogador.

E conseguiu: um passe longo e perfeito de Ronaldo desmontou a defesa tricolor e deu origem ao primeiro gol. Logo em seguida, com um pique impressionante para um atleta acima do peso, já entrado nos anos e que sofreu contusões muito sérias, ele deixou o zagueiro para trás e fez um tento inacreditável.

Agora, na decisão contra o Santos, atingiu o ápice em seu novo estilo minimalista: participa pouquíssimo do jogo, mas aparece sempre de forma letal.

Primeiramente pegou um espirrão do meio de campo e, com uma matada de bola perfeita, colocou a bola na medida para fazer um disparo certeiro.

Depois, a apoteose: percebendo desde o primeiro tempo que o goleiro adversário adiantava-se muito, teve, finalmente a oportunidade para aproveitar o vacilo, ao receber a bola num contra-ataque, dar um drible desmoralizante no marcador e desferir uma folha seca digna do velho Didi.

Ao renascer novamente das cinzas, ele está escrevendo uma página lendária na história do futebol.

MUHAMMAD ALI E GARRY KASPAROV - Sempre fui fascinado por esses dramas humanos do esporte. Duas situações, em especial, me atraem muito: os grandes veteranos em busca de um canto do cisne à altura e o rito de passagem (momento de afirmação) dos jovens talentos.

Na primeira categoria, claro, a principal proeza foi a vitória de Muhammad Ali sobre George Foreman na maior luta de boxe de todos os tempos.

Depois de passar anos fora dos ringues em razão da injusta pena que recebeu da máfia do pugilismo por se recusar a vestir a farda dos EUA na Guerra do Vietnã, teve de enfrentar um campeão jovem e poderosíssimo.

A apreensão generalizada era de que Ali, além de derrotado, sairia morto do ringue. Mas, com uma força de vontade incomum e um discernimento mais raro ainda entre boxeadores, encontrou a tática capaz de fazer Davi vencer Golias: deixar-se golpear nas cordas por intermináveis assaltos, confiando na sua guarda e esperando o cansaço minar Foreman.

No oitavo round o gigante vacilou e Ali, com uma energia da qual ninguém o julgava ainda capaz, desferiu uma sequência fulminante de golpes em alta velocidade, fazendo Foreman desabar lentamente, como uma torre. Um momento épico.

Poucos notaram, entretanto, que o castigo contínuo a que Ali fora submetido lhe causou até um rápido desmaio durante a comemoração do triunfo. Talvez ele tenha sido o mais próximo que já vimos de um super-homem: um pugilista estilístico, que lutava de forma inteligente e artística mas, ao mesmo tempo, tinha extrema resistência à dor.

Certa vez sua mandíbula foi fraturada no 2º assalto por Ken Norton e, mesmo assim, ele resistiu até o final da luta, para perder apenas por pontos. Foi um assombro no mundo do boxe. Ali não só exibia um ego gigantesco, mas se mostrava sempre à altura do personagem que criara para si próprio...

Na categoria de rito de passagem, o mais exemplar foi o de Garry Kasparov. Ousado no xadrez e na vida, ele era visto como uma ovelha negra pelos trombas do regime soviético, pois não se prostrava à burocracia dominante.

Então, ao desafiar o conformista Anatoly Karpov pelo posto de nº 1 do xadrez mundial, os fatores esportivos e políticos se confundiram na disputa. Era um franco-atirador enfrentando o poderoso stablishment enxadrístico da URSS.

Burocrático no xadrez como na política, Karpov começou se defendendo bem e aproveitando os erros de Kasparov, que se lançava com volúpia ao ataque. Colocou 5 x 1 no marcador. Precisava só da sexta vitória para vencer o match.

Aí Kasparov resolveu responder na mesma moeda: retrancou o seu jogo e não correu mais risco nenhum. Deu-se, então, uma sequência infernal de empates, uns vinte, se bem me lembro.

O franzino Karpov tinha menos resistência física e mental: na 47ª partida começou a desmoronar. Perdeu essa e a seguinte. Como as regras não admitiam interrupção por decisão médica, só lhe restava entregar os pontos ou ir para o tabuleiro sofrer mais três derrotas. Estava inapelavelmente vencido.

Foi quando o presidente da federação, um filipino, anulou o match por "desumanidade". Decisão criticadíssima. E, quando nova disputa se travou a partir do zero, alguns meses depois, Kasparov, claro, massacrou Karpov.

Um enxadrista brasileiro (talvez Helder Câmara), comentando diariamente o match no Jornal da Tarde, avaliou: ao superar seu maior desafio, caminhando no fio da navalha, o menino Kasparov se tornara um homem. Perfeito.

Nos últimos anos, torci muito para que Andre Agassi e Zinedine Zidaine tivessem cantos do cisne fulgurantes; subi nas paredes quando uma maldita quebra do motor impediu Michael Schumacher de encerrar a carreira como campeão; e fiquei imensamente frustrado por Oscar Schmidt ter abandonado as quadras sem o reconhecimento oficial de que foi o maior cestinha de todos os tempos.

Agora, estou torcendo para Federer e Ronaldinho Gaúcho darem a volta por cima; para o menino Messi sair-se bem no seu rito de passagem, tornando-se um novo Maradona (falta a prova de fogo de uma Copa do Mundo); e para Ronaldo continuar escrevendo seu épico, ao qual acrescentou ontem um novo capítulo (gol de placa).

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

RONALDINHO MERECE UMA CHANCE. DUNGA, RESPEITO. TEIXEIRA, O OSTRACISMO

O colunista Clóvis Rossi pergunta: quem matou Ronaldinho?

Incide naquele mesmo açodamento que nós, jornalistas, adoramos criticar nos torcedores.

Quando Ronaldinho mostrou um futebol fulgurante na Seleção Brasileira? Pouquíssimas vezes.

Seu maior feito foi encobrir o goleiro inglês com um chute dificílimo na Copa do Mundo de 2002, salvando a Pátria naquele jogo que terminamos com um homem a menos.

É mais um virtuose dos lampejos do que o maestro da equipe. E, atuando no poderoso Barcelona, conseguia ter lampejos em profusão porque existiam outros craques para os adversários marcarem.

Quando a marcação é concentrada sobre ele, os lampejos se tornam mais raros. Apenas isto.

Então, vamos conceder-lhe o tempo de que necessita para recuperar a forma, depois de passar meses contundido (jamais deveria ter voltado logo como titular numa Olimpíada!). Aí, sim, saberemos se a fonte dos lampejos secou ou não.

E não estranhem se apresentar no Milan um futebol muito melhor do que na Seleção Brasileira. Não por amarelão ou falta de patriotismo, mas sim porque é muito mais fácil jogar num time bem organizado e com um técnico competente.

Se querem um culpado pelo vexame olímpico, não precisam buscá-lo na China: ele está na CBF.

Nunca vi alguém iniciar a carreira de técnico na Seleção principal do Brasil. O resultado foi o que qualquer energúmeno adivinharia: péssima campanha nas Eliminatórias e nas Olimpíadas.

Dunga não é técnico nem aqui, nem na China -- disse bem o humorista Simão. Mas, merece respeito. Não é todo jogador limitado que conquista uma Copa do Mundo, depois de ter sido erigido em símbolo da derrota na Copa anterior.

Inconformado com suas limitações, passa a vida tentando provar que não as tem (igualzinho a outro personagem notório, que também foi alçado a alturas para as quais estava visivelmente despreparado...). Daí ter aceitado de pronto a proposta inconsequente, até indecente, do Ricardo Teixeira.

Já passou da hora de moralizarmos a CBF.
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