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segunda-feira, 6 de julho de 2020

O PLACAR É PANDEMIA 7x1 BRASIL E OS GOVERNADORES AGORA AJUDARÃO O BOLSONARO A CARREGAR OS CAIXÕES

Não procurem justificativas científicas para a flexibilização do distanciamento social neste exato instante, por que elas inexistem: Estamos num patamar estratosférico de contaminações e mortes diariamente causadas pela Covid-19, com tendência a aumentarem e não, sequer, de se manterem nos inaceitáveis níveis atuais. 

Então, não aliviarei para ninguém: trata-se de uma decisão criminosa, cuja explicação real está no calendário eleitoral.

Se em março Jair Bolsonaro tomou conhecimento da gravidade da pandemia, sendo alertado de que ela tendia a provocar pelo menos 100 mil óbitos, é claro que os políticos profissionais em geral também ficaram então sabendo que marchávamos ao encontro de um furacão.

Obcecado com a reeleição, Bolsonaro logo deduziu que 100 mil caixões de defunto seriam peso demasiado para ele carregar na campanha sucessória; então, desertando antecipadamente da batalha para reduzir o estrago, optou por um negacionismo obtuso que, acreditou ele, serviria para jogar a culpa no colo dos governadores.

Mas, ninguém passa tanto tempo no baixo clero da Câmara Federal à toa. Se ele fosse brilhante e capaz de bolar estratégias geniais, sua trajetória não teria sido a de 28 anos de estagnação, sempre ladeado pelos piores e pelos mais medíocres.

Os governadores, capazes de pelo menos enxergarem o óbvio, foram por caminho diferente: fizeram o sanitariamente correto no primeiro semestre, apostando que Bolsonaro se afundaria até o pescoço na lama dos cemitérios antes do momento de os políticos se mobilizarem para a campanha eleitoral de 2020.

Sabiam muito bem que, fosse qual fosse o estágio sanitário, as pressões do empresariado tornariam os políticos de suas respectivas bases de sustentação incontroláveis: ou os governadores se prostrariam aos interesses econômicos ou a abertura se daria com bancadas rebeladas passando por cima deles.

Resumo da ópera: os mortos que poderiam ter sido salvos por uma administração competente da crise sanitária devem, até o fim de junho, ser creditados unicamente a Bolsonaro, enquanto os do 2º semestre vão na conta conjunta do presidente delirante com os governadores raposões. 

Veio-me à lembrança uma situação parecida. Quando das diretas-já, Tancredo Neves, com seu carisma zero, foi mero coadjuvante, ofuscado pelas muitas estrelas daquele movimento. Mas, articulador de bastidores, certamente já estava conchavando parte dos fisiológicos do partido de sustentação da ditadura militar, o PDS.

Aí, como numa eleição direta ele jamais se elegeria presidente, a dissidência do PDS foi mantida no armário até a votação decisiva, para impedir a aprovação da Emenda Dante de Oliveira. 

Feito o serviço sujo e tendo Paulo Maluf obtido em seguida a indicação do PDS como candidato situacionista, os amiguinhos do Tancredo saíram finalmente do armário, abandonando o navio que já fazia água; e, com o rótulo de PFL, concederam-lhe os votos necessários para dar um chapéu no Maluf na eleição indireta. 
Parece que até Deus ficou enojado, pois Tancredo, após ter roubado dos brasileiros o direito de eleger o presidente de sua escolha após 21 anos de seca... não conseguiu sequer tomar posse! 

Mas, o principal motivo de eu traçar este paralelo foi o que Tancredo declarou quando ficaram só ele e Maluf na jogada, após o segundo ter imposto sua vontade aos militares, que haviam escolhido Mário Andreazza como candidato mas foram contrariados pelos convencionais do PDS.

Disse Tancredo algo na linha de que Maluf havia se saído bem contra amadores, mas agora iria enfrentar um profissional.

A frase não teve nada de premonitória, como a imprensa avassalada interpretou: Tancredo sabia que, com a carta que tinha na manga (a traição daqueles filhotes da ditadura), a eleição estava no papo.

A distância entre os profissionais (os governadores) e o amador do baixo clero decidiu a parada atual: Bolsonaro foi destruído e logo será destituído, mas o placar dos brasileiros que não são políticos profissionais, está 7x1 para o coronavírus. (por Celso Lungaretti)  

domingo, 24 de outubro de 2010

AFINAL, POR QUE NÃO EXTIRPARMOS O DEM?

Quem acompanha meu trabalho, sabe muito bem que não faço parte da claque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Eu o critico ou elogio caso a caso, submetendo o que ele diz e faz ao crivo dos valores da minha geração revolucionária (a de 1968), que continuo tendo como bússola.

Então, quando ele afirmou, p. ex., que a polícia tem de subir o morro para bater em quem merece apanhar e proteger quem merece ser defendido, eu virei um caminhão de melancias em cima de V. Exa.

Polícia, para quem veio das correntes ideológicas das quais nós dois viemos, não tem como função bater em ninguém, ponto final. O título do meu post disse tudo: Por que não te calas, Lula?.

Mas, estarei também sempre pronto a denunciar a má fé com que a mídia golpista carrega nas tintas em tudo que se refira ao Lula.

P. ex, a frase "precisamos extirpar o DEM da política brasileira", tão vituperada quanto distorcida, é pertinente, válida e nem um pouco antidemocrática. Subscrevo-a e aplaudo.

Em nenhum momento ele falou em exterminar fisicamente os adversários, como alegam os exegetas de nenhuma sutileza e indisfarçável tendenciosidade. A afirmação é claríssima: trata-se de livrar a política brasileira de uma de suas piores ervas daninhas.

De onde essa gente derivou, afinal, a conclusão de que isto se faria por métodos truculentos e não, simplesmente, pelo voto?

Foi, aliás, bem o que ocorreu em 3 de outubro. Os  demônios  estão sendo exorcizados, alvíssaras!

PARTIDO DO "SIM, AMÉM, COMO QUEIRA, SENHOR!"

A facção militar que usurpou o poder em 1964, quis porque quis impor-nos um quadro político semelhante ao dos EUA, com apenas dois grandes partidos.

Então, extinguiu todas as agremiações até então existentes e deixou que se erguessem sobre os escombros apenas um partido do  sim, amém, como queira, senhor!  e outro do não concordo mas só me resta aceitar, senhor!.

A Arena foi cúmplice do arbítrio, dos descalabros e das atrocidades, pois a tudo concedeu seu aval apriorístico e automático, na farsa que se encenava para dar aos néscios a impressão de que as instituições ainda vigiam no Brasil.

O MDB, quase sempre manietado e reduzido à impotência, pelo menos resmungava sua desaprovação. E, cada vez que tentava fazer algo além disto, era colocado de volta no seu lugar: os déspotas fechavam o Congresso e promoviam expurgos ("cassações") na bancada emedebista.

E, claro, eram os da Arena que se beneficiavam das negociatas e das boquinhas do poder. Os porcos eram convenientemente cevados, em troca dos seus serviços sujos.

Quando a ditadura caía de podre, os mais finórios  arenosos  (o nome do partido já era outro, PDS, mas pouco importa...) conspiraram com Tancredo Neves para se conservarem no poder mesmo com o País voltando à civilização.

Como?

Primeiramente, votando em massa contra a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria ao povo brasileiro o direito de eleger seu presidente da República pela via direta. Numa eleição de verdade, o franco favorito era o Brizola.

Depois, desertando do partido oficial e concedendo a Tancredo os votos de que ele necessitava para derrotar Paulo Maluf no Colégio Eleitoral.

Como prêmio pelos seus préstimos, o novo partido por eles constituído, PFL, passou a ser o sócio do PMDB no comando da chamada  Nova República.

Até a sorte os favoreceu: um dos piores dentre eles, José Sarney, viu o poder cair-lhe no colo com a morte de Tancredo.

Também pouco importa que Sarney tivesse preferido pular para o galho do PMDB ao invés de filiar-se ao PFL. Por passado, personalidade e caráter, ele sempre pertenceu ao segundo. Rótulo, no seu caso, era o de menos.

Vai daí que, com presença tão marcante de ex-arenosos nos postos-chave, a Nova República foi extremamente tímida em eliminar o entulho autoritário e nada fez para punir os torturadores  Como esperar que os cúmplices do arbítrio assumissem para valer a alardeada missão de  passar o Brasil a limpo? 

Desde então, o PFL, depois DEM, foi se definindo como o que há de mais próximo de uma direita ideológica na política brasileira, principalmente porque o Partido Liberal -- que, em termos teóricos, teria mais afinidade com tal papel -- não vingou.

O componente fisiológico também existe e é forte no DEM, claro.

Mas, o principal de sua identidade é dado, de um lado, pelos adeptos da  modernidade  capitalista, os supostamente civilizados; e do outro, pelos ansiosos por um novo totalitarismo, as  viúvas da ditadura  e seus filhotes neofascistas, enfim, os que não conhecem sequer o significado do substantivo  civilização...

Ignoro como os primeiros conseguem suportar tão bem o mau hálito dos segundos. Usarão máscaras contra gases?

Também não sei qual a correlação interna de forças -- se podemos considerar concludente o fato de que tenham escolhido para vice de José Serra um de seus brucutus mais emblemáticos, tão tosco nos seus valores quanto em matéria de conhecimentos gerais (ou, mais precisamente, falta de).

Mas, do que não tenho nenhuma dúvida é o seguinte: tal erva daninha não deixaria nenhuma saudade e merece mesmo ser extirpada e atirada o quanto antes na lixeira da História.
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