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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

PREMIÊ ISRAELENSE QUE BOLSONARO QUER AGRADAR TRANSFERINDO A EMBAIXADA ESTÁ MAIS SUJO QUE PAU DE GALINHEIRO

matias spektor
ALIANÇA COM 'LULA DO ORIENTE MÉDIO' TRAZ CUSTOS PARA BOLSONARO
Jair Bolsonaro está prestes a cometer equívoco do qual pode se arrepender com amargura: colar sua imagem ao Lula do Oriente Médio

Pela terceira vez consecutiva, a polícia de Israel denunciou Binyamin Netanyahu por recebimento de propina, fraude e quebra de decoro. 

O esquema envolve conglomerados de mídia e indústria de defesa, sua própria esposa, parentes e assessores. 

Assim como Lula, Netanyahu se apresenta como vítima de uma conspiração das elites incapazes de derrotá-lo pelo voto. Acusa também os investigadores de vazarem informações sensíveis à imprensa.
Como uma parcela do eleitorado acredita cegamente em suas palavras, Netanyahu pode até vencer as próximas eleições, mas seu nome está definitivamente maculado.

Sua perspectiva de poder também. Chefes militares israelenses começaram a criticá-lo, e deputados de sua base iniciaram o desembarque da aliança. 

Esse revés cria um problema para Bolsonaro. 

O presidente eleito prometeu uma guinada em prol de Israel desde o início da campanha, visitando o país com os filhos e defendendo a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém. 

No entanto, Bolsonaro e sua equipe passaram a perceber o tamanho da conta a pagar, caso o Brasil abandone a postura de equilíbrio na questão Israel-Palestina, que é marca registrada da política externa pelo menos desde o governo do general Costa e Silva.  

O primeiro custo seria diplomático: isolamento. Apenas os EUA e a Guatemala têm embaixadas em Jerusalém. O Paraguai tentou, mas foi forçado a recuar. O Brasil faria seu movimento por romantismo, a troco de nada. É o pesadelo de qualquer especialista em geopolítica.

O segundo custo seria material: há superávit de quase US$ 8 bilhões com o mundo árabe, em produtos de defesa e proteína animal.

Haveria, ainda, um custo político para Bolsonaro, na forma de articulação entre a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e as grandes multinacionais verde-amarelas com presença no Oriente Médio. 

De quebra, o custo humano: como disse o comandante da Força-Tarefa da ONU no Líbano, a eventual transferência da embaixada pode tornar tropas brasileiras alvo de terrorismo (*). 

Agora, o custo da guinada acaba de ficar ainda mais alto. 

Afinal, o que dá lastro ao alinhamento entre Bolsonaro e Netanyahu é a promessa de vultosos negócios nas áreas militar e de segurança cibernética. O governo brasileiro tem muito a ganhar cooperando com Israel em segurança das fronteiras e combate ao crime organizado e ao narcotráfico. 
Só que Netanyahu acumula as pastas de Defesa e Relações Exteriores. A devassa da polícia promete respingar para tudo quanto é canto. Inclusive no exterior. (por Matias Spektor, professor de Relações Internacionais na FGV)

* Além das tropas brasileiras em Israel se tornarem alvos possíveis de atentados terroristas, não podem ser descartadas retaliações dos fundamentalistas islâmicos em nosso território, como adverti neste post do último dia 30. (Celso Lungaretti)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

É BOM JÁ IR SE ACOSTUMANDO: VOCÊ PODE VIRAR PÓ DE UM MOMENTO PARA OUTRO.

No dia 13 de novembro de 2015, ataques de terroristas islâmicos ocorreram em pelo menos seis pontos de Paris, deixando cerca de 500 mortos e feridos. Os alvos principais foram uma casa de shows e os arredores do estádio em que se defrontavam as seleções de futebol francesa e alemã.

É bom você, leitor, já ir se acostumando, pois agora o Brasil também está sujeito a tais desgraceiras. 

Motivo: o presidente eleito acaba de reiterar sua péssima decisão de transferir a embaixada brasileira em Israel para a cidade sagrada de Jerusalém, ofendendo mortalmente os devotos de Alá.

A medida se deve unicamente a crenças religiosas, pois seus efeitos em termos de comércio exterior serão negativos, garantem os expertos.

Afora o perigo que todos passaremos a correr quando estivermos despreocupadamente comendo em restaurantes, assistindo a shows e filmes, torcendo por equipes e astros do esporte.

Os loucos assumiram a direção do hospício.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O EXORCISTA FRANCISCO CONFRONTOU O PAZUZU TRUMP EM PLENO NATAL

O presidente dos EUA Donald Trump parece estar sendo inspirado pelo demônio Pazuzu, ao botar fogo no Oriente Médio com a transferência da embaixada estadunidense para Jerusalém. 

Então, faz todo sentido que o papa Francisco se comporte como o padre Merrin, tentando apagar as chamas que vêm do inferno.

Pena que não seja apenas uma novela a mais de William Peter Blatty, mas sim a vida real. O preço da insensatez tende a ser muito alto, em termos de matanças e destruições inúteis. Guerra religiosa é coisa da Idade Média e de debiloides que querem nos levar de volta às trevas medievais.
Então, só posso expressar meu respeito e admiração pelo papa Francisco, que, em pleno dia de Natal, condenou veementemente a iniciativa de Trump, afirmando que Jerusalém deve pertencer tanto a israelenses e palestinos ao invés de tornar-se a capital de Israel, como querem os fundamentalistas truculentos do lado judaico e como o presidente reality show estimula.

Eis o que disse Francisco, saindo da posição habitual dos papas (em cima do muro) para se posicionar verdadeiramente como um bom pastor:
"Rezemos para que entre as partes envolvidas prevaleça a vontade de retomar o diálogo e, finalmente, chegar a uma solução negociada, permitindo a coexistência pacífica de dois Estados. 
"Que o Senhor também sustente os esforços de todos aqueles membros da comunidade internacional, movidos de boa vontade, que desejam ajudar essa terra martirizada a encontrar o entendimento, a justiça e a segurança que espera há tanto tempo".
Habemus papa. De verdade.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SOLTARAM UM TRUMP NA LOJA DE CRISTAIS

Quando se junta esta imagem...
CLÓVIS ROSSI 
"AO RECONHECER JERUSALÉM COMO CAPITAL DE ISRAEL, TRUMP TOCA FOGO, PARA NADA"
Não há cidade no mundo que tenha tamanha carga de história e misticismo como Jerusalém. Mexer com Jerusalém é mexer com os fiéis das três grandes religiões monoteístas (católicos, muçulmanos e judeus).

E foi justamente com Jerusalém —cujos deuses dormitavam— que esse inacreditável Donald Trump resolveu mexer nesta 4ª feira (6), como se não houvesse no mundo assuntos muito mais urgentes a enfrentar.

É um piromaníaco, a incendiar uma região que já tem a sensibilidade à flor da pele.
...com esta outra...

Pior, tascou fogo para nada, a rigor. Claro que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel tem tremenda carga simbólica —daí as unânimes previsões de que o líder estadunidense estava "jogando a região e o mundo em um fogo que não tem fim à vista", para citar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, entre os muitos aliados de Washington que condenaram a decisão.

Mas o simbolismo se esgota em si mesmo porque efeitos práticos propriamente ditos não haverá, ao menos não imediatamente. É provável que haja, sim, uma sequência de manifestações, talvez violentas em todo o mundo muçulmano, mas tendem a não durar muito.

Primeiro, porque o anúncio não muda nada para os judeus do mundo todo: uma significativa maioria deles sempre achou que Jerusalém é a capital una e indivisível de Israel, digam o que disserem Trump e os demais governantes do planeta.
...o resultado só pode ser deste tipo...
Segundo, porque a comunidade internacional continuará a não reconhecer Jerusalém como capital indivisível de Israel. Deve haver alguma razão —que Trump não leva em conta— para que 86 embaixadas estejam instaladas em Tel Aviv e nenhuma em Jerusalém.

A razão do ponto de vista jurídico é clara: em 1980, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o coração do sistema internacional, aprovou resolução que condena a anexação por Israel de Jerusalém Oriental (predominantemente palestina), na esteira da guerra de 1967, considerando-a uma violação da lei internacional.

Além disso, há uma aceitação praticamente universal de que o status de Jerusalém deve ser definido no marco de uma negociação de paz entre Israel e os palestinos.

Até os EUA participavam desse consenso, tanto que presidentes democratas e republicanos (Bill Clinton, Barack Obama, George W. Bush e mesmo Trump, até 4ª feira) sempre adiavam a decisão (aprovada pelo Congresso em 1995) de transferir a embaixada para Jerusalém.
...mas, e daí? A alegria do Trump é ver o circo pegar fogo.

Como a mudança da embaixada foi de novo adiada por decisão de Trump, no terreno não muda nada. Talvez apenas a previsão generalizada de que o presidente dinamitou de vez um processo de paz que, de qualquer forma, já estava comatoso.

O melhor balanço da história está no resumo da mídia em hebraico, feito para o Times of Israel por Joshua Davidovich: "Quase todo mundo em Israel concorda que Jerusalém é a capital de direito, mas muitos veem que os diferentes custos do reconhecimento superam qualquer benefício".

Muitos, menos Trump, piromaníaco que se acha o centro do mundo e não liga minimamente para o resto do planeta e para o bom senso. (por Clóvis Rossi)
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