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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

TRUMP TRAVARÁ GUERRAS DE CONQUISTA COMO PUTIN OU APENAS TENTA ANEXAR TERRITÓRIOS NO GRITO COMO HITLER?

rui martins
AS AMEAÇAS DE
 TRUMP PARA 2025
O ano começa mal e poderá ficar pior. Quem garante isto é o bilionário Donald Trump, que volta à presidência dos Estados Unidos quatro anos depois de ter incitado o ataque ao Capitólio. 

Saboreando seu retorno ao poder, quer posar como um conquistador e não se envergonha de revelar suas aspirações expansionistas: tomar o Canal do Panamá, apossar-se da Groenlândia e tornar o Canadá um novo estado dos EUA, com o uso da força militar se for preciso. Esse é só o aperitivo, depois tem mais…

Estamos delirando, foi champanhe demais no réveillon ou Trump está propondo mesmo trazer a guerra para perto de nossas fronteiras? O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já disse não estar disposto a ceder os 77 km do canal, projetado e iniciado em 1880 pelo francês Ferdinand de Lesseps. Cinco anos depois, a empresa faliu.

Nessa altura, a região onde tinham começado as obras do canal pertencia à Colômbia. Mas o presidente estadunidense Theodore Roosevelt percebeu a importância geográfica e econômica do empreendimento e negociou o controle da região com os colombianos para concluir o canal. Entretanto, o Senado daquele país não aprovou o acordo.

Diante desse impasse, os EUA incentivaram o movimento de independência do Panamá que, em contrapartida, lhes concederia o controle da região e a continuação da construção do canal. A frota estadunidense ficou por perto, impediu a intervenção colombiana e os EUA passaram a ter o controle da zona, pagando também US$ 10 milhões mais como uma espécie de aluguel anual.

Com base nas pesquisas de um médico cubano, foi promovida a erradicação dos mosquitos transmissores da febre amarela, em 1905, causadores até então de milhares de mortes de trabalhadores. 
O canal foi inaugurado em 1913 com a presença do presidente estadunidense e foi muito utilizado pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial para chegar ao Japão depois do ataque nipônico a Pearl Harbour.

No fim do século passado, foram aplicados os tratados que previam uma entrega gradual do controle da região ao Panamá. Esse controle implicou a ampliação do canal, a fim de poder ser utilizado por navios maiores e mais largos.

Se Donald Trump quiser retomar o controle do canal poderá negociar um novo acordo com o Panamá. Imagina-se ser a ameaça de uma invasão armada um tipo de pressão própria de Trump. Como no passado, os EUA de Trump poderiam usar de sua força econômica e militar para fomentar um golpe, em troca do retorno do controle do canal.

No caso de um ataque militar, o Panamá não terá condições para se defender, pois desde 1990 dissolveu as forças armadas, decisão confirmada quatro anos depois pelo Parlamento. Entretanto, é imaginável a intervenção direta ou indireta de alguns países e a criação de um clima geral de instabilidade. O Brasil teria um papel importante nesse tipo de crise.

Em todo caso, o presidente José Raúl Mulino já disse que cada metro quadrado do canal continuará pertencendo ao Panamá.

Com relação à ameaça trumpista de apossar-se da ilha da Groenlândia, ela revela a maldosa dualidade do seu pensamento. 

Embora seja negacionista e esteja disposto a bloquear e dificultar todas medidas destinadas a impedir ou atrasar o processo das mudanças climáticas, Trump deseja abocanhar essa região pouco habitada, administrada pela Dinamarca, para os EUA se beneficiarem do derretimento das águas marítimas próximas do Ártico.  

Assim passariam a dispor de uma nova rota marítima para a Ásia, além de poderem tornar-se base estratégica, pois a ilha de Groenlândia é rica em recursos minerais e petróleo

Com relação ao Canadá, Trump não pretende enviar tropas armadas, mas exercer uma forte pressão para o governo canadense se convencer de que levaria grande vantagem integrando-se nos EUA, não só do ponto de vista aduaneiro com o fim das taxas alfandegárias, como pela proteção representada diante, no caso de guerra, de ataques de navios russos ou chineses.

Esta questão alfandegária foi um dos pontos de desacordo dentro do governo canadense, responsáveis pela demissão do primeiro-ministro Justin Trudeau, para quem o Canadá nunca, jamais, fará parte dos Estados Unidos. Ao que Elon Musk respondeu, trocando maldosamente presidente por governador: Você não é mais governador do Canadá, o que você diz não tem nenhuma importância.

Como se não bastasse Donald Trump ter o apoio irrestrito de Elon Musk, dono da plataforma X, acaba de receber a sujeição de Mark Zuckerberg, dono da Meta. Ambos são contrários a qualquer tipo de controle das redes sociais, abrindo o caminho para o uso em profusão das fake news. (por Rui Martins)

sábado, 27 de abril de 2019

O MUNDO ESTÁ PRENHE DE REVOLUÇÕES – 4

(continuação deste post)
Austrália: ilha de prosperidade que deverá enfrentar problemas em médio e longo prazos.
A cena da Oceania – o chamado novíssimo continente, apesar dos aborígenes lá habitarem há mais de 60 mil anos, tem pouco significado habitacional em relação à população mundial, pois toda a ilha continente, como é também é conhecida, possui pouco mais de 35 milhões de habitantes, ou seja, pouco mais de 0,4% da população mundial.  

É formada por cerca de 14 Estados soberanos, vez que lá existem pequenas ilhas que compõem o seu vasto território continental, em sua maior parte desabitado em razão da diversidade topográfica e de tais regiões serem inóspitas. 

A Austrália, colonizada por ingleses, detém 25 milhões de habitantes, que corresponde a cerca de 75% de toda a população da Oceania; juntamente com a Nova Zelândia, com seus 500 mil habitantes, exibe resultados econômicos que a situam entre as ilhas de prosperidade mundiais. 

O restante do continente, com Papua-Nova-Guiné e as demais ilhas, registra níveis econômicos idênticos aos países da periferia do capitalismo.
Papua-Nova Guiné: pobreza e bruxaria.

A Austrália tem uma economia pujante (seu PIB é de US$ 1,3 trilhões). Como a sua população é pequena, a renda per capita está em cerca de US$ 50 mil, bastante expressiva.

Entretanto, confirmando a regra geral, a Austrália, considerada bom exemplo capitalista, vem enfrentando problemas com uma dívida externa na casa de US$ 1,6 trilhão, que já supera em 120% o seu PIB anual (o qual, por sua vez, deve crescer apenas 2,2% em 2017, um resultado insatisfatório) e taxa de desemprego de 5,6%, números que sinalizam problemas em médio e longo prazo.

Assim, excluindo-se Austrália e Nova Zelândia (que também têm pobres), cujos números são inexpressivos relativamente à sua importância para a economia mundial, podemos dizer que quase 30% da população da Oceania vive em estado de pobreza, o que demonstra a desigualdade de renda capitalista mesmo num continente considerado próspero e que é grande em extensão territorial, mas pouco habitado. 

A cena nas Américas – o continente americano, o novo mundo, como a história o qualifica modernamente, é formado, em termos geopolíticos, por três blocos regionais: as Américas do Norte, Central; e do Sul.

Com uma população total de cerca de 1 bilhão de habitantes (pouco mais de 13% da população mundial), retrata bem as disparidades que o capitalismo produz mundo afora. 
Artificialidades têm evitado que os EUA sofram com sua gastança

A América do Norte abriga a Meca do capitalismo mundial, os Estados Unidos, país que após as 1ª e 2ª guerras mundiais (das quais participou com contingentes humanos, armamentos e infraestrutura bélica, mas sem que o seu território sofresse agruras significativas), emergiu como potência bélica mundial.

Depois da 2ª Guerra mundial, os Estados Unidos se tornaram a potência econômica com maiores condições de bancar a reconstrução europeia com financiamento e tecnologia; o chamado Plano Marshall foi decisivo para o restabelecimento econômico do chamado velho continente.

Pelo tratado de Bretton Woods (1944), o dólar estadunidense foi adotado como moeda internacional, com paridade em reservas de ouro; no entanto, em 1971, sob o governo de Richard Nixon, deixou de ser exigida a paridade ouro para a sua emissão, com o dólar dos EUA passando a ser uma moeda fiduciária.

Daí pra frente, todo o controle monetário comandado pelo Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), com sinalização para a economia monetária mundial, tornou possível o elevado padrão de produção e consumo de mercadorias por parte dos estadunidenses, ainda que a sua balança comercial apresente déficits anuais crescentes e seu orçamento público registre déficits fiscais igualmente constantes. 

Só neste último ano os EUA tiveram um déficit na balança comercial com a China de US$ 38,7 bilhões, razão pela qual o presidente destrumpelhado está incomodado, criando barreiras protecionistas às importações chinesas. 
Há indícios de que uma grave crise econômica se aproxima

Para se ter uma ideia do que representa a gastança estadunidense financiada artificialmente, basta considerar-se que seus gastos militares correspondem a 39% de todo o orçamento militar mundial, e isto para que continue sendo a palmatória do mundo e possa ameaçar de embargos econômicos quem não se submeter à ditadura do seu poderio econômico fundado em premissas falsas e capacidade bélica verdadeira.   

O milagre da sobrevivência das contas públicas e privadas estadunidenses resume-se no colossal endividamento financiado por rentistas do mundo inteiro, que adquirem os títulos de tesouro dos EUA como se esses fossem tão seguros quanto os alimentos que estão estocados na geladeira de cada um; e a emissão de dinheiro sem valor aceito mundialmente, como se o dólar estadunidense fosse tão válido e necessário como a água que bebemos.  

A emissão de moeda sem correspondência na produção de mercadorias, que causa inflação no mundo inteiro, não ameaça a economia estadunidense pelo simples fato de que é absorvida pelo mercado mundial como se fosse a tábua de salvação da economia mundial.

A China, cujas dívidas pública privada são impagáveis, é, ao mesmo tempo, a maior detentora de títulos da dívida pública estadunidense, e com reservas cambiais sob esse mesmo signo monetário (o USD), o que bem demonstra como esses dois países, que detêm os maiores PIBs mundiais, estão sustentados por alicerces podres e prestas a ruir.
"México é o ponto fora da curva na América do Norte"
Os Estados Unidos têm uma população de cerca de 325 milhões de habitantes e o maior PIB do mundo, orçado em US$ 19,3 trilhões, o que lhes proporciona uma renda per capita anual de US$ 59,5 mil, uma das maiores do planeta.  Entretanto, tem um dívida pública de US$ 21,5 trilhões, que equivale a mais de 100% do PIB, indício eloquente de encrenca futura. 

Agora, a ameaça de redução do crescimento econômico planetário e estadunidense parece ser a ponta do iceberg que pode levar a pique o Titanic mundial.   

O Canadá embora seja um país pouco habitado, pois conta com apenas 37 milhões de habitantes para um território imenso e com muitas áreas inóspitas dominadas pelo gelo, junta-se às poucas e desabitadas ilhas de prosperidade mundiais.

Com um PIB de 1,9 trilhões de habitantes (2017), crescimento anual de 1,8% (em 2018), dívida pública de 98,2% do PIB e taxa de desemprego de 5,9% (que vem aumentando), bem demonstra o reflexo da depressão econômica mundial, que atinge até as tais ilhas de prosperidade mundiais, em que pese ainda possuir uma alta renda per capita, de US$ 45,7 mil.

O México é o ponto fora da curva na América do Norte, o que comprova que a cada ilha de prosperidade corresponde sempre um mar de pobreza ao seu redor. 
Se depender do Paulo Guedes, eis o que teremos

Com uma população de 131,4 milhões de habitantes, renda per capita anual de apenas USS 9,6 mil e baixo crescimento do PIB (deverá ser de 2,0% no fechamento de 2017), o México assemelha-se aos índices econômicos dos países com grandes contingentes de populações pobres. como China, Índia e Brasil.

Conclusão: apesar da pujança econômica dos Estados Unidos e Canadá, que são ícones do capitalismo mundial, as estatísticas das Américas decrescem quando se levam em conta as populações do México, América Central e América do Sul, que perfazem cerca de 2/3 de toda a população continental, ou seja, cerca de 650 milhões de habitantes. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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