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domingo, 5 de maio de 2019

"OS VALORES QUE O BOLSONARO DESEJA CONSERVAR PERTENCEM À IDADE DA PEDRA"

                                              charge de Jota Camelo, reproduzida do site Humor Político
josias de souza
GOVERNO BOLSONARO COLOCOU O BRASIL NA FRIGIDEIRA
Desde que assumiu o Planalto, Jair Bolsonaro vive tentando conciliar duas exigências conflitantes: ser Bolsonaro e exibir o bom senso que o cargo de presidente requer. 

O problema não é o conservadorismo do capitão. O que obscurece sua Presidência é o arcaísmo. Os valores que o Bolsonaro deseja conservar pertencem à Idade da Pedra. Sua agenda paleolítica empurrou o Brasil para dentro de uma frigideira internacional. 

Ironia suprema: após liberar a catraca do Brasil para turistas americanos, dispensando-os do visto, Bolsonaro não consegue descer em Nova York. 

Ministro de sua predileção, Ricardo Salles tanto tramou contra fiscais do meio ambiente que virou figura indesejável no ambiente inteiro da Europa. Sob ataques, cancelou périplo pela França, Noruega, Alemanha e Reino Unido. Se ficasse no constrangimento pessoal, vá lá. O problema é que o país pode perder dinheiro. 

Aconteceria cedo ou tarde. Nenhum governante conseguiria associar-se impunemente a desmatadores vorazes, trogloditas rurais, toupeiras climáticas, predadores de índios, moralistas bisonhos e ideólogos precários. As estocadas de Bill de Blasio, o prefeito de Nova York, são café pequeno perto do que está por vir. 

O Brasil começou a sofrer resistência de instituições científicas, responsáveis pela produção de dados que ilustram o debate ambiental. Mantida a toada da insensatez, secarão linhas de crédito disponíveis em bancos internacionais.

Pior: minguarão contratos de importadores de alimento que já não olha apenas a qualidade do produto, mas a sustentabilidade do modelo de produção. 

Dias atrás, Ricardo Salles ironizou uma carta publicada em 26 de abril na conceituada revista Science. Nela, 602 cientistas europeus pedem que os negócios com o Brasil sejam condicionados à redução do desmatamento e respeito aos direitos dos povos indígenas. 

"Não somos os responsáveis pela mudança climática", deu de ombros o ministro. "Precisamos, sim, conter o desmatamento da Amazônia, que vem crescendo há mais de dois anos. Mas não vamos deixar que isso seja pretexto pretexto para que estrangeiros venham nos dizer onde e como devemos produzir alimentos." Será? 

O Brasil tornou-se uma potência agropecuária porque combinou o clima e o solo favoráveis com novas tecnologias. Bolsonaro e o pedaço troglodita do setor rural injetaram na agenda coisas como o afrouxamento da fiscalização do trabalho escravo, a flexibilização dos controles ambientais, a distribuição de armas… Tudo isso e mais a promessa de um salvo-conduto para ruralista atirar sem culpas. 

É por essas e muitas outras que o país está na frigideira internacional. E o capitão não esboça a mais remota intenção de sair do óleo quente. (por Josias de Souza)

sábado, 4 de maio de 2019

INCOMPATIBILIDADE COM A CIVILIZAÇÃO: BOLSONARO NÃO OUSA PISAR EM NOVA YORK NEM PARA RECEBER HOMENAGEM!

Esta foi a imagem vendida na campanha...
Talvez por não ter mentalidade religiosa, eu sou incapaz de negar outros méritos em meus adversários ideológicos, quando eles os têm.

Reconheço, p. ex., que o conservador Winston Churchill fez o que bem poucos fariam, ao conseguir mobilizar os britânicos para a resistência à aparentemente invencível máquina de guerra alemã, quando tantos outros dirigentes defendiam a abertura de negociações em posição de fraqueza, admitindo implicitamente a entrega da Europa para salvarem sua ilha.

Principalmente sendo brasileiro e sabendo da pusilanimidade da grande maioria dos mandatários de meu país em situações mais dramáticas, gostaria que eles tivessem um milésimo da coragem de Charles de Gaulle (que depois, infelizmente, estaria do outro lado das barricadas de 1968): ao ser alvo de atentados terroristas de extrema-direita, permanecia imperturbável, indiferente às balas que zumbiam ao seu redor, deixando aos seguranças a tarefa de evitarem que ele fosse atingido.
...e este o seu comportamento real.

Lembro-me do Ulysses Guimarães (que chegou a apoiar o golpe de 1964 antes de passar à oposição) num ato público das diretas-já em que a ditadura militar encheu de policiais com cães a praça que os oradores deveriam atravessar, no trajeto entre o hotel e o palanque.

Enquanto os jovens amarelavam, o velho avançou sem medo da cachorrada, exigindo que abrissem passagem para um deputado da República. O outros, heróis só no gogó, foram obrigados a controlar a paúra e ir atrás dele.

E mesmo um Fernando Collor, com tantos e tão graves defeitos, não se acovardou quando os simpatizantes de Leonel Brizola ameaçavam partir para a violência contra uma carreata de campanha dele em Niterói: foi em frente, mostrando o punho para os manifestantes adversários. Tal demonstração de firmeza convenceu os donos do Brasil de que ele era a melhor aposta da direita contra Lula.

Já o Jair Bolsonaro consegue ser um exemplo de pessoa em que absolutamente nada se aproveita. Não só suas convicções politico-ideológicas são abomináveis, como foge como um garotinho de todas as batalhas que têm de travar e, cúmulo dos cúmulos, deixa que sua propaganda o promova como o mito que não é nem nunca foi.

Será para sempre lembrado como o oficial encrenqueiro que aceitou pedir baixa do Exército para escapar de retaliações dos superiores, o candidato a uma eleição presidencial que fugiu vergonhosamente de debates eleitorais dos quais estava em condições de participar e o presidente que desmarcou viagem oficial por não ousar pisar em Nova York para receber um título de personalidade do ano depois que alguns civilizados deram declarações contrárias à homenagem (vide aqui).

"VALENTÕES NÃO AGUENTAM UM SOCO" – Depois que já tinha colocado o post acima no ar, tomei conhecimento do comentário do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, acerca de mais esta confirmação de que o exibicionismo machista de Jair Bolsonaro não passa de mais uma fake news:

O cala-boca de Blasio foi um arraso! Merece ser destacado em vermelho:
"Jair Bolsonaro aprendeu da maneira mais difícil que os nova-iorquinos não fecham os olhos para a opressão. 
Nós chamamos atenção para sua intolerância. Ele fugiu. Nenhuma surpresa —valentões não aguentam um soco. 
Já vai tarde, Jair Bolsonaro! Seu ódio não é bem-vindo aqui".  

quinta-feira, 2 de maio de 2019

PREFEITO DE NOVA YORK REPUDIA ENTREGA DE PRÊMIO A BOLSONARO EM SUA CIDADE

O prefeito Bill de Blasio  o considera... 
Eis os principais trechos de uma notícia da Deutsche Welleempresa alemã
de radiodifusão cujo portal disponibiliza
seu conteúdo em 30 idiomas: 
Pelo menos três empresas que figuravam entre as patrocinadoras de um evento na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos que vai homenagear o presidente Jair Bolsonaro como personalidade do ano retiraram seus apoios. A cerimônia de entrega está prevista para ocorrer em 14 de maio, em Nova York.

A informação foi divulgada nesta 3ª feira (30/04) pela rede americana CNBC e marca mais um revés para o evento, que tem sido cercado por polêmicas desde que Bolsonaro foi anunciado como homenageado.

Segundo a CNBC, entre os patrocinadores que desistiram de associarem-se ao evento estão a companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times.

...De acordo com a CNBC, os patrocinadores do evento têm sofrido pressão de ativistas por causa do longo histórico de declarações homofóbicas e misóginas de Bolsonaro.

Desde 1970, a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos escolhe todos os anos duas personalidades para homenagear, uma americana e outra brasileira. A cerimônia de premiação ocorre durante um jantar de gala com a presença de cerca de mil convidados, com entradas a preço individual de 30 mil dólares.
..."um ser humano muito perigoso", daí preferir...

Antes da saída dos patrocinadores, o evento já havia sofrido pelo menos dois reveses. Inicialmente, a cerimônia estava prevista para ocorrer em um espaço de eventos do Museu de História Natural de Nova York.

Após pressão de ativistas e funcionários da instituição, que argumentaram que a homenagem seria "uma mancha na reputação do museu", a direção da instituição decidiu revogar o aluguel do espaço. Neste caso também pesou a postura de Bolsonaro em relação à preservação do meio ambiente.

Antes de tomar a decisão final sobre o cancelamento, o museu chegou a afirmar em comunicado que havia alugado suas instalações "antes que o homenageado fosse conhecido".

Depois disso, o restaurante Cipriani Hall, em Wall Street, se recusou a sediar o evento diante da pressão de críticos do presidente, entre eles o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que chamou Bolsonaro de "um ser humano muito perigoso".

Por fim, os organizadores conseguiram alugar um espaço em um hotel da rede Marriott na Times Square. Mas, de acordo com a CNBC, a rede hoteleira também vem sendo alvo da pressão de ativistas e críticos do presidente.
...que fique bem longe de sua cidade!
Em carta enviada à direção da rede Marriott, o senador estadual democrata de Nova York Brad Hoylman pediu que a empresa reconsiderasse o aluguel do espaço, alegando que Bolsonaro é um "homofóbico perigoso e violento, que não merece uma plataforma pública de reconhecimento em nossa cidade". 

E concluiu: "O único prêmio que Bolsonaro merece é o de intolerante do ano.

Em resposta à pressão, um porta-voz afirmou que a rede é "obrigada por lei a aceitar a transação mesmo quando isso entrar em conflito com nossos valores"... 

Entre os patrocinadores que ainda mantêm apoio ao evento estão os bancos HSBC, Citigroup, JPMorgan, UBS, Bank of New York Mellon, Santander, BNP Paribas e a operadora de planos de saúde UnitedHealth...
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