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segunda-feira, 9 de março de 2026

NO CLÁSSICO MINEIRO, O IMPORTANTE NÃO É VENCER NEM COMPETIR. É SOBREVIVER.


A frase o importante não é vencer, mas competir, atribuída ao Barão de Coubertin (fundador dos Jogos Olímpicos modernos), enfatiza a valorização do esforço, da superação pessoal e dos valores éticos em detrimento do resultado final. 

Ela promove a ideia de que a participação honesta e o desenvolvimento pessoal são o que realmente importa, e não a vitória a qualquer custo.

Faltou ensinar isto aos gladiadores do Atlético Mineiro x Cruzeiro. Eles protagonizaram a maior pancadaria nos campos de futebol que me lembro de ter visto na vida. Tanto que o clássico mineiro terminou com 23 expulsões (!).

Assim caminha a desumanidade. (CL)

Clique aqui para assistir, no Youtube, às
cenas deprimentes da barbárie em campo

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

OS PATRULHEIROS CRICRIS NOVAMENTE TENTAM IMPEDIR CUCA DE TRABALHAR

A
gora no Atlético Mineiro, m
ais uma vez os justiçadores do teclado se mobilizam para negar ao idoso Alexi Stival, o técnico Cuca, o direito de exercer o seu ofício.

Mais uma vez tal campanha de estigmatização  é extemporânea, despropositada e, até, CRIMINOSA!

Refere-se a um talvez estupro de menor, talvez sexo consensual com menor, ocorrido em julho de 1987, em Berna. A menina entrou num quarto de hotel em que estavam atletas da delegação do Grêmio, tirou a blusa e acabou tendo sexo com alguns deles. Alegou depois que pretendia ganhar de presente uma camisa do time gaúcho.

Quatro jogadores foram presos, mas libertados em menos de 30 dias para voltarem ao Brasil.

Em agosto de 1989, ausentes e não defendidos por advogado nenhum, foram condenados a 15 meses de prisão. Após o transcurso de 15 anos sem que fossem detidos em território suíço e sem que a Suíça requeresse extradição de algum deles, a condenação prescreveu e o caso, para todos os efeitos legais, terminou em pizza.

O que eu concluo disto tudo? Primeiramente, que as autoridades suíças tinham os acusados ao seu alcance e permitiram que fossem embora. Provavelmente porque a diplomacia brasileira os terá convencido de que não valia a pena fazer do episódio um cavalo de batalha, criando um pequeno ruído nas relações entre os dois países. 

Quase todos os episódios desse tipo acabam assim: prisão dos estrangeiros por um tempinho, seguida da sua libertação assim que o assunto esfria. Caso dos torcedores corinthianos detidos por terem em 2013 disparado um sinalizador contra a torcida adversária em partida disputada na Bolívia, causando uma morte. 

Cem dias depois foram soltos porque um deles, que, por coincidência, ainda era menor de idade, assumiu a autoria do disparo.  

Os jogadores gremistas foram defendidos pelo Departamento Jurídico do clube até serem libertados e vazarem de lá. Depois, ninguém deu a mínima para o julgamento in absentia de 1989. Em 2004, o processo prescreveu. Virou arquivo morto.

É interessante notar que, tendo os jogadores sido condenados a míseros 15 meses de cana, isto nos permite concluir que prevaleceu o entendimento de que houvera relação consensual com menor e não violação. A sentença por estupro de menor poderia então chegar até a três anos.

Finalmente, alguns comentaristas esportivos se uniram em 2023 para uma ação concertada visando impedir que Cuca continuasse trabalhando como técnico do Corinthians. Fizeram muita estridência virtual, inclusive dando a público um exame segundo o qual o sêmen do Cuca teria sido detectado por exame de laboratório suíço.

Cometeram uma ilegalidade ao trombetearem uma peça processual que se encontrava sob segredo de justiça, mas valia tudo para impedir um cidadão prestes a completar 60 anos de exercer seu ofício em função de um episódio TOTALMENTE SUPERADO de quando ele tinha 24 anos (tanto que a suposta vítima já morrera e o parente que poderia pleitear a sequência do caso na Justiça abrira mão de tal direito).
Corinthianos na Bolívia: jeitinho brasileiro os salvou
A campanha de estigmatização deu seu fruto podre: após somente dois jogos dirigindo o Corinthians, mesmo sendo apoiado incisivamente pelos jogadores (que fizeram questão de festejarem com ele uma classificação obtida a duras penas), Cuca desistiu desse emprego.  

Agora os patrulheiros cricris voltam a requentar a mesmíssima acusação, ainda que a Justiça suíça, face ao pedido de novo julgamento apresentado por advogados do Cuca, haja declarado DEFINITIVAMENTE ANULADA a sentença de 1989 e confirmado a prescrição do caso. 

E com isto volta o jogo sujo de afirmarem que o exame de laboratório incriminou Cuca, embora ele tenha sucumbido ao mesmo desfecho do processo como um todo: tendo o julgamento de 1989 ocorrido sem defensor presente (!), foi anulado. Como peça processual, tal exame  teve idêntico destino (o arquivo morto), não podendo ser de nenhuma maneira invocado para alimentar a caça à bruxa ora movida contra Cuca.

Primeiramente, porque não foi levantado o segredo de justiça sobre ele e, portanto, não se sabe oficialmente se o sêmen consta mesmo do laudo do exame ou foi apenas papo furado de advogado adversário.

E depois porque, como Cuca não teve defensor no julgamento de 1989, ficou sem poder exercer o contraditório (teria o direito de contratar outro laboratório para fazer outro laudo, que talvez derrubasse o da acusação). Ou seja, tratou-se apenas da versão de um lado e não de uma versão com a qual ambas as partes devessem necessariamente  concordar.
O grande Jean Gabin foi o melhor Jean Valjean das telas

Finalmente: se o que houve justificava apenas uma sentença de 13 meses de prisão e prescreveu em 15 anos, faz algum sentido tentarem, por conta disso, impedir o Cuca de trabalhar
37 ANOS DEPOIS?!

Faz-me lembrar o Jean Valjean, que em Os Miseráveis de Victor Hugo, passa décadas submetido a trabalhos forçados como consequência de haver outrora roubado um pão... (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

JOGANDO COMO GALINHA MORTA, COM TÉCNICO TICO-TICO, GALO FOI DEPENADO

Muitos ficaram indignados com o que eu escrevi quando o Atlético Mineiro conquistou a Copa Libertadores da América de 2013:
"É uma pena que a noite de Cinderela atleticana deva acabar por aqui, a menos que aconteça o pra lá de improvável: a substituição do Cuca por um técnico de ponta.
...O Atlético deitou e rolou  antes das quartas de final, mas depois encruou, nivelando-se com equipes inferiores e dependendo da sorte e de acasos para levantar a taça. 
Não conseguiu fazer um mísero gol a mais do que o Tijuana (dois empates), o Newell's Old Boys (derrota e vitória pelo mesmo placar, 2x0) e o Olimpia (idem, idem). 
Salvou-se graças a gols marcados no apagar das luzes, ao pênalti desperdiçado pelos mexicanos também no apagar das luzes... e ao fato de que as luzes, desta vez não metaforicamente, sofreram um providencial  apagão quando a equipe estava perdida em campo, na semifinal.  
Ademais, por duas vezes seguidas tirou o bilhete premiado na loteria dos pênaltis.
O que poderia ser uma conquista tão fácil e categórica quanto a do Corinthians em 2012, tornou-se um drama de explodir corações. Por culpa de quem?
Do mediano Cuca, claro. Ele não soube armar um esquema para obter vitórias ou, pelo menos, empates fora de casa, contra os adversários mais qualificados. Nem para, organizadamente, fazer os placares em casa. Daí ter ficado na dependência do tudo ou nada  nos instantes derradeiros.
É inimaginável o time do Cuca vencer o time do Guardiola no Mundial"
Nem sequer chegou à final, sendo eliminado antes pelo nono colocado do campeonato marroquino, o Raja Casablanca. Um time que se limitou a defender bem e contra-atacar com rapidez, aproveitando os buracos da defesa do galo.

Como eu destacara, o técnico Cuca tinha sido incompetente para conseguir vitórias ou empates fora de casa na fase de mata-mata da Libertadores e continuou sendo-o no Mundial. Com a diferença de que não havia jogo de volta para permitir uma reversão do quadro na bacia das almas.

O Atlético se apequenou diante de uma torcida entusiástica e de um adversário brioso e taticamente aplicado, mas bem inferior em termos técnicos. Perdeu e mereceu perder.

Talvez os leitores que não gostam de avaliações críticas, preferindo os oba-obas triunfalistas, passem agora a me compreender melhor.

Nem de longe eu torcia contra o Atlético. Mas, tudo que conheço de futebol, após acompanhá-lo com razoável interesse durante cinco décadas, me levava a concluir que o galo só teria alguma possibilidade de conquistar o título mundial se trocasse de treinador. Com um time muito inferior ao do Bayern e um técnico muitíssimo inferior ao Pep Guardiola, suas chances seriam irrisórias.

Meu alerta de nada serviu e aconteceu exatamente aquilo que eu tentava evitar. Paciência.

Da mesma forma, tenho advertido que Felipão não é o homem certo para conduzir o Brasil à vitória em 2014. É a minha maneira de contribuir para que ele seja substituído antes do pior acontecer.

Com uma pequena ressalva: as últimas atuações do Neymar no Barcelona nos ensejam alguma esperança de que, mesmo com um técnico ultrapassado, possamos salvar-nos graças a lances de talento individual.

Mas, tudo ficará bem mais fácil se tivermos um estrategista no banco, ao invés de um sargentão com artimanhas motivacionais do tempo do Onça.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O ATLÉTICO CANTOU DE GALO NA LIBERTADORES. TEM CHANCE NO MUNDIAL?

Foi emocionante a abnegação do Atlético Mineiro, simbolizada pelo esforço sobre-humano do garoto Bernard para continuar em campo,  mesmo estropiado.

Foi gratificante ver os torcedores do  Galo  premiados por sua fé e sua participação decisiva, como o 12º jogador que pesou mais, no frigir dos ovos, do que o craque do time (o irreconhecível Ronaldinho Gaúcho).

É uma pena que a noite de Cinderela atleticana deva acabar por aqui, a menos que aconteça o pra lá de improvável: a substituição do Cuca por um técnico de ponta. 

Os dois últimos campeões das Américas contavam com elencos equivalentes: o do Corinthians, mais homogêneo; o do Galo, com grandes destaques individuais.

Eram os melhores, em ambas as edições, simplesmente porque hoje o futebol brasileiro é mais próspero que o dos  hermanos  e contrata jogadores de qualidade superior.

O  Timão, com um técnico superlativo, foi campeão invicto e impôs sua superioridade aos quatro adversários da fase de mata-matas.

O Atlético  deitou e rolou  antes das quartas de final, mas depois encruou, nivelando-se com equipes inferiores e dependendo da sorte e de acasos para levantar a taça. 

Não conseguiu fazer um mísero gol a mais do que o Tijuana (dois empates), o Newell's Old Boys (derrota e vitória pelo mesmo placar, 2x0) e o Olimpia (idem, idem). 

Sorte não lhe faltou. Já competência...
Salvou-se graças a gols marcados no apagar das luzes, ao pênalti desperdiçado pelos mexicanos também no apagar das luzes... e ao fato de que as luzes, desta vez não metaforicamente, sofreram um providencial  apagão  quando a equipe estava perdida em campo, na semifinal.  

Ademais, por duas vezes seguidas tirou o bilhete premiado na loteria dos pênaltis.

O que poderia ser uma conquista tão fácil e categórica quanto a do Corinthians em 2012, tornou-se um drama de explodir corações. Por culpa de quem?

Do mediano Cuca, claro. Ele não soube armar um esquema para obter vitórias ou, pelo menos, empates fora de casa, contra os adversários mais qualificados. Nem para, organizadamente, fazer os placares em casa, ficando na dependência do  tudo ou nada   nos instantes derradeiros.

É inimaginável o time do Cuca vencer o time do Guardiola no Mundial. 

A vitória do Corinthians sobre o Chelsea foi uma moeda que caiu em pé, apesar do nó tático que Tite deu no Rafael Benitez. A superioridade individual da legião estrangeira agrupada sob a bandeira inglesa teria sido, mesmo assim, suficiente para a obtenção da vitória, caso o goleiro Cássio não estivesse em dia de santo milagreiro. 

Já o Bayern é muito melhor do que o Chelsea. E Guardiola, incomensuravelmente melhor do que o Cuca. Então, a fatura está desde já liquidada... se o Galo não tiver o bom senso de buscar um comandante capaz de tornar menos desigual a batalha.

Alguém como Muricy Ramalho, ora desempregado e ansioso para mostrar que aprendeu as lições do  chocolate  de 2011: os 4x0 que o seu Santos tomou do Barcelona de Guardiola.   

Com um técnico do seu calibre, alguma esperança haverá. Com um Cuca qualquer, nenhuma. 
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