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quarta-feira, 12 de maio de 2021

O CAPITALISMO AGÔNICO É AMBIENTE IDEAL PARA A MAXIMIZAÇÃO DAS INSANIDADES

dalton rosado
A ESQUIZOFRENIA SOCIAL CAPITALISTA
O
sujeito automático da forma-valor embrutece os indivíduos sociais transformados em cidadãos num processo comparável com a esquizofrenia patológica mental. 

Os cidadãos recebem ordens de uma forma de relação social abstrata que se incorpora concretamente sob a forma de mercadorias, impondo-lhes códigos comportamentais alheios à sensatez humana. 

Como se admitir a liberação das relações sociais normalizadas num país que não tem vacinas, com isto provocando um aumento do morticínio já em curso e um caos médico-hospitalar-pandêmico como o que se observa hoje na Índia, onde os cadáveres são cremados nas fogueiras acesas em plenas ruas, por falta de crematórios e logística de sepultamentos em cemitérios? 

As manifestações negacionistas no Brasil, mesmo que os seguidores do Boçalnaro, o ignaro tenham manipulado as imagens para o contingente de bovinizados parecer maior, são emblemáticas, pois mostram uma parcela da população teleguiada pelo sujeito-automático da forma-valor, que a impele ao suicídio coletivo. 

Tal estágio de loucura grupal não é fenômeno novo. 

Na Alemanha nazista, a maioria dos cidadãos se surpreendeu quando começaram os bombardeios aliados sobre Berlim, porque fora convencida de que a superioridade aérea germânica impediria qualquer ataque aéreo.

O fanatismo hitlerista, incentivado pela propaganda radiofônica, pelos majestosos bandeiraços com suásticas e pelas solenidades em que figurões nazistas personificavam força e poder em encenações bem estudadas levavam a população ao delirante convencimento da superioridade ariana, que deveria servir como exemplo e guia para a humanidade. 

Tratava-se de uma lavagem cerebral coletiva martelando que a espécie humana poderia evoluir a partir dos padrões da mitologia ariana; o bombardeio de mistificações e a recuperação econômica faziam a junção das falsas virtudes com a real prosperidade ocorrida a partir da ascensão ao poder institucional de Adolf Hitler em 1933, após a aguda penúria subsequente à derrota na 1ª Guerra Mundial, à hiperinflação de 1923 e a Grande Depressão iniciada em 1929. 

Era o cenário perfeito para uma loucura coletiva manipulada por um partido racista e militarista, que terminou por provocar uma nova guerra mundial e matar cerca de 3% da população do planeta; tal percentual corresponderia, hoje, a cerca de 220 milhões de pessoas, ou seja, 60 vezes mais que os aproximadamente 3,.32 milhões de mortos até agora pela covid-19. Por que um fanático religioso como Jim Jones conseguiu convencer 918 pessoas ao cometimento do suicídio coletivo, na floresta amazônica da Guiana, como forma de todos ganharem o reino dos Céus? 

Por que pilotos japoneses, os kamikazes, tomavam o cálice da vida eterna e da honra patriótica antes de entrarem num avião bomba a ser implodido contra os navios de guerra dos aliados?

Por que os fundamentalistas islâmicos ateiam bombas às suas cinturas e as explodem, matando centenas de pessoas em nome de uma prometida vida eterna com haréns de belas virgens à sua disposição e outros privilégios?
Tudo isto aconteceu (e ainda acontece) em nome de crenças políticas e/ou religiosas que impelem tais crédulos ao fanatismo cego, embotando as suas mentes de forma a vedar-lhes o questionamento dessas lorotas infames. 

Temos, portanto, de compenetrarmo-nos do perigo que representa o fanatismo decorrente de conjunturas sociais depressivas manipuladas por falsos profetas que conseguem aliar o interesse da classe dominante na manutenção da dominação e a ignorância popular sobre as complexas causas de base dos seus infortúnios.  

O capitalismo, na fase atual de sua decomposição orgânica e funcional, é o ambiente propício para a disseminação ilimitada de insanidades.

Quando vejo quem tem parentes nas UTIs de covidados e, ainda assim, defende o fim do isolamento a partir da falsa dicotomia entre morrer pela infecção ou por falência dos seus negócios e perda de privilégios, compreendo melhor como funciona a mente humana diante desse processo esquizofrênico que corresponde ao comando externo do capital e sua irracionalidade, ainda bem presente na nossa segunda natureza, dita racional

O raciocínio simplório de um trabalhador de salário-mínimo que afirma ser contra a existência de entidades de defesa dos direitos humanos em razão dos direitos humanos das vítimas de violências urbanas, derivando de conceitos retrógrados e conservadores generalizações descabidas e desqualificadas, fico a pensar quão fácil é se manipular consciências incapazes de fazer análises mais profundas dentro de um contexto social mais abrangente e complexo.  

Os dois comportamentos têm a mesma origem, mesmo que sob racionálias diferenciadas:
Para quem será o causador da morte de centenas de 
de milhares, o assassino de 918 não passa de amador
— tanto o do empresário temeroso da falência dos seus negócios e com ela dos seus privilégios;
— como o do trabalhador oprimido que crê na redenção do seus sofrimentos a partir de bravatas conservadoras e superficiais como as que os boçalnaristas do gabinete do ódio  e respectivas redes espalham entre seguidores energúmenos. 

Estes, por sua vez, creem piamente que as dificuldades presentes se devam aos governantes anteriores, como se tudo se circunscrevesse a uma questão de gerenciamento governamental e o Boçalnaro fosse mesmo um messias, tal qual os pastores da mercantilização da fé aclamam

Os dois raciocínios têm um mesmo viés que lhes garante alguma credibilidade: a ignorância sobre o devir que podemos alcançar; e o medo do desconhecido, que leva os desafortunados desejaram uma volta ao passado sofrido, mas, ainda assim, menos ruim do que o presente devastador. 

Vivemos um momento de tensão social causada pela conjunção destes dois fatores explosivos: 
1. a depressão capitalista causada pelo limite interno de sua expansão, sem a qual ele colapsa, agravada por fatores extemporâneos como a depressão causada pelo isolamento social necessário face à pandemia; 
2. o estresse aliado às paranoias decorrentes do impressionante número de vítimas fatais do coronavírus, maximizado no Brasil pela obtusidade irresponsável de um governante bronco e insensível. 

A tensão social cria falsas dicotomias. 
A mais importante delas é a oposição entre democracia burguesa e suas instituições incapazes de solucionar os problemas sociais em razão de que atuam sob um pressuposto de mediação social exaurido (o capitalismo) e a defesa de tais instituições como barreira de contenção de uma ditadura militar ou civil. 

Tais correntes de pensamento se digladiam como se não fosse possível a existência de alternativa às a ambas. Elas representam as margens estreitas que comprimem o rio e torna violenta a sua correnteza que tudo arrasta (Bertold Brecht). 

Há que se romper a aprisionamento do pensar, pois só assim se viabilizará uma alternativa social que represente a superação do estágio inferior da nossa racionalidade atual. (por Dalton Rosado)
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