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terça-feira, 24 de maio de 2016

A ENORME DIFERENÇA ENTRE UM GOVERNO GOLPISTA E UM GOVERNO DEMOCRÁTICO

Não sabe do que riem? Então, só podem estar rindo de você...
Tomemos como parâmetros o atual governo paulista, tão cheio de si, tão fanfarrão e corrupto, e o recém-encostado governo de Dilma, que, segundo dizem, sofreu um golpe de estado.

O neoliberal governo de São Paulo, golpista como qualquer coisa que não pertença ao PT, corta 78% de investimentos em Educação, considerado aí somente o Ensino Técnico.

Antes disso, o governo Dilma, democrático, corta R$ 7 bilhões da Educação em nível federal, obediente que sempre foi ao sistema financeiro, com o Ministério da Fazenda entregue aos banqueiros.
Roubar merenda das crianças é coisa de golpista

O neoliberal governo de São Paulo, golpista, incentiva ou acoberta a máfia dos ladrões de merenda escolar: alguns deles, dentre os quais o presidente da Assembleia Legislativa, têm lucrado meio milhão de reais só em propinas, segundo os seus acusadores.

Antes disso, o governo Dilma, democrático, dera de bandeja nada menos que 66,2% do Produto Interno Bruto aos bancos, à quadrilha onipotente dos banqueiros, para pagar a impagável dívida pública. (1) E com a presidente vetando a auditoria da dívida, aprovada no Congresso em 2015.

O neoliberal governo de São Paulo, golpista, imensamente autoritário, continua com as brutalidades e abusos, por meio da Polícia Militar, contra estudantes indefesos, muitas vezes menores de idade, algemando-os e levando-os presos, valendo-se de ameaças de estupro, de morte, e sem mandato judicial.

Bisar as leis do regime militar passou a ser democrático
Já o governo Dilma, democrático, implementa com a direita a Lei Antiterrorismo, obscura e ambígua, tão reacionária quanto a antiga Lei de Segurança Nacional da ditadura militar. Com direito a serpentinas e confetes em reconhecimento à atuação do alcaguete Delcídio do Amaral, então líder do governo Dilma no Senado.

O neoliberal governo de São Paulo, golpista, manterá o seu apoio ao desprezível Michel Temer quando este for precarizar ainda mais o trabalho, por meio das terceirizações.

O democrático governo Dilma, muito antes, constituiu-se com a imprescindível contribuição de Armando Monteiro (ministro da Indústria) e Kátia Abreu (ministra da Agricultura) ambos envolvidos com trabalho escravo. Sob Dilma aprofundou-se a verdadeira destruição das categorias profissionais que a terceirização em larga escala acarreta.

Infelizmente, passamos um dia desses a viver sob um governo golpista lá no Planalto, tão golpista quanto o de São Paulo. Mas no futuro, se Deus quiser, voltaremos a viver sob um governo democrático, tão democrático quanto o de Dilma. (por Eduardo Rodrigues Vianna, que é estudioso de literatura e milita pela escola pública)
  1. A dívida pública bruta, entre dezembro 2015 e janeiro de 2016.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"NOS QUARTÉIS LHES ENSINAM ANTIGAS LIÇÕES". E TAMBÉM NAS ESCOLAS?!

"...transferir o controle de escolas públicas para a Polícia Militar, como vêm 
fazendo alguns Estados brasileiros, encabeçados por Goiás, constitui 
uma violação à ordem republicana. O ponto central é que, quando 
a Secretaria de Educação 'militariza' um colégio, ficamos com 
uma instituição civil a menos. O sujeito que estudava ali e não 
se identifica muito com os ideais castrenses perdeu sua escola.

Para agravar mais o quadro, a 
passagem conspurca o princípio 
da gratuidade do ensino público, 
já que os estudantes precisam 
arcar com o custo dos uniformes 
e, em alguns casos, os novos 
administradores pedem uma 
contribuição mensal não 
obrigatória, mas, ainda assim, 
constrangedora para quem 
não pode pagar.

...a escola básica pública deve ser civil, laica, gratuita e tão neutra quanto possível em relação a ideologias e visões de mundo. Se não for assim, por que limitar a terceirização à PM? Os Estados deveriam organizar licitações para passar o controle de colégios a instituições religiosas, partidos políticos, sindicatos, grupos de hippies etc." 
(Hélio Schwartsman, filósofo)

domingo, 14 de setembro de 2014

NO ENSINO MERCANTILIZADO, O FREGUÊS TEM SEMPRE RAZÃO...

O colégio Andrews, educandário chique do Rio de Janeiro, demitiu o professor de geografia que incluiu a seguinte questão numa prova:
"Conforme é sabido, os judeus foram perseguidos por Hitler durante o nazismo. Atualmente um determinado povo é tido como vítima dos israelenses, tendo que viver em assentamentos isolados controlados por Israel. Chegaram invadindo, tomando terras e assassinando... Quem será pior?  Nazistas ou judeus?"
Coitado do mestre, parece ignorar que o freguês tem sempre razão! Como alguns fregueses indignados (lembram daquela frase do Oscar Wilde sobre "a raiva de Calibã ao ver seu rosto no espelho"?) certamente tirariam seus filhos do colégio, a direção, sem nenhuma surpresa, preferiu que saísse o educador. Mercantilização do ensino é isso aí.

Quanto ao mérito da questão, respondo eu, a quem ninguém pode demitir: 
  • em termos de escala, os nazistas foram piores, barbarizaram e mataram muito mais; 
  • em termos morais, as práticas respectivas equivalem-se, assim como o Gueto de Gaza é um Gueto de Varsóvia em miniatura; 
  • no balanço final, eu diria que quem foi vítima e hoje é algoz consegue ser pior ainda do que quem foi só algoz, pois a única lição que parece ter tirado do próprio sofrimento é a de que mais vale fazer aos outros antes que o façam a si.
Fui aprovado, professor?

segunda-feira, 7 de março de 2011

O ENSINO: PORQUE NADA RESTOU, TEREMOS DE RECONSTRUIR TUDO

A ditadura militar de 1964/85 intimidou reitores, diretores, alunos e professores, criando um ambiente irrespirável nas escolas.

Primeiro foram os expurgos, a caça às bruxas.

Depois que a poeira baixou, veio a fase da paranóia: quem estava em instituições ou cursos tidos como de esquerda, sabia ser vigiado o tempo todo, por espiões infiltrados nas salas-de-aula. Todo cuidado era pouco.

No entanto, até por falta de capacidade intelectual -- imaginem só, o coronel Jarbas Passarinho chegou a ser ministro da Educação!!! --, os governos militares não conseguiram implantar a filosofia educacional fascistóide que seria condizente com sua visão de mundo. Causaram mais males no varejo que no atacado.

Pior mesmo foi a mercantilização do ensino que veio em seguida, com a imersão total do Brasil no capitalismo globalizado. Deixaram de existir estudantes, no sentido real do termo. Foram substituídos por carreiristas ávidos por adquirir diplomas e outras certificações, com o único objetivo de agregarem valor a seus currículos profissionais.

Nem mesmo a ditadura conseguiu suprimir a tradicional missão da educação, de capacitar os cidadãos para refletirem sobre o mundo em que vivem. A sociedade de consumo logrou este feito.

Agora, as escolas formam apertadores de parafusos, com uma formação especializada que lhes permite executar mal e porcamente suas tarefas numa determinada profissão -- e mais nada. Que terra arrasada!

Quando cursei a Escola de Comunicações e Artes da USP, na década de 1970, os dois primeiros anos eram de formação geral, de forma que extraíamos ensinamentos riquíssimos da sinergia com os colegas de outras vocações (jornalismo x música, p. ex.). Esse respiradouro foi fechado, com a especialização castradora sendo agora imposta desde o primeiro dia.

Disciplinas fundamentais para adquirirmos um conhecimento mais crítico e globalizante foram praticamente banidas dos currículos -- começando pela filosofia, que nos permite estabelecer conexões entre os várias abordagens da realidade, habituando-nos a pensar o todo, as partes e as interações entre ambos.

E que dizer do latim, vital para a compreensão de como os idiomas evoluíram e se diferenciaram a partir de uma base comum?! Como é triste ver brasileiros macaquearem sofregamente o falar estrangeiro e não mostrarem o menor interesse na jornada evolutiva que está por trás dele!

NOSSA MÁXIMA CULPA -- É terrível o sentimento de culpa que minha geração carrega, por haver se deixado dizimar na luta armada, ficando praticamente fora de cena quando a sociedade brasileira se reconfigurava ao longo da década de 1970 -- para pior, infinitamente pior.

Então, os que de gênios tinham muito pouco mas possuíam ganância e oportunismo em excesso, puderam concretizar sem maior resistência seu objetivo de substituir qualificação por memorização mesmerizada, franqueando as universidades a uma legião de zumbis do sistema.

Mas, nem tudo está perdido. Emblematicamente, desde 2007 o movimento estudantil vem dando sinais de vida e ensejando esperanças de que o retrocesso, afinal, seja detido e voltemos a caminhar para a frente.

Exatamente como em 1967, quando as setembradas foram a primeira reação marcante à imensa prostração que se abateu sobre os idealistas após o êxito da quartelada.

Meio na surdina, sem serem noticiadas com destaque pela domesticada grande imprensa, as ocupações de reitorias foram pipocando por todo o País, desde a vitoriosa reação dos estudantes da USP a decretos abusivos do Governo Serra, em 2007.

E não foi pouco os estudantes terem conseguido derrubar o reitor da Universidade de Brasília que, imbuído da imoralidade do "enriquecei!" capitalista, emasculou o templo do saber.

Quando um terremoto destruiu a infra-estrutura com que o Chile contava para sediar o Mundial de Futebol de 1962, um grande dirigente esportivo andino liderou o esforço para reerguer-se tudo em tempo recorde, tendo proferido uma frase célebre: "porque nada tenemos, lo haremos todo".

Em matéria de educação, é mais ou menos essa a situação. Nada mais temos, então precisamos construir tudo de novo... com 1968 como referencial.

domingo, 25 de julho de 2010

COMPRIMIR CÉREBROS, AMOLDANDO-OS AO CAPITALISMO: ESTE É O OBJETIVO

Comecei a estudar no Cursinho do Grêmio em 1968, mas a participação nos movimentos contestatórios acabou prevalecendo sobre os projetos de conquistar um lugar ao sol na sociedade capitalista.

Decidi que queria mesmo era meu lugar ao sol num Brasil solidário e justo, que o capitalismo jamais propiciaria.


Fiquei, entretanto, tempo suficiente naquela instituição -- cujos proprietários e professores eram estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP -- para constatar que sua prioridade era formar cidadãos conscientes e dotados de espírito crítico, capazes de vencer os desafios da vida e não apenas de transpor a barreira do vestibular.

Finda minha sofrida passagem pela luta armada, quando juntava os cacos para seguir vivendo após meus sonhos maiores terem sido postergados por décadas, sem que sequer se vislumbrasse a luz no fim do túnel, fui buscar no Equipe Vestibulares o necessário para ingressar numa faculdade de Jornalismo.

Cisão do Cursinho do Grêmio, também o Equipe incutia nos alunos o interesse em irem muito além do estritamente necessário para o vestibular. Não era só o como que importava, havia uma infinidade de porquês sendo colocados, discutidos, aprofundados.

Contra essa visão do ensino como instrumental para a compreensão do mundo e participação crítica na sociedade, vicejou uma outra, utilitária, mesquinha, castradora: a linha de montagem de robozinhos chamada Curso Objetivo.

Usando e abusando de recursos da nascente informática, o Objetivo sistematizou o levantamento do que já havia caído em vestibulares e a projeção do que provavelmente cairia no seguinte, martelando na cabeça dos alunos esses retalhos de conhecimento por meio de shows-aulas, com os recursos audiovisuais e as performances canastrônicas dos professores servindos para tornar menos intragável a chatice. Decoreba modernizada, enfim.

Esta didática que desvirtuava a Educação foi alavancada pela redução do vestibular a um mero exercício de fincar cruzinhas em questões de múltipla escolha.

A ditadura sabia a quem lhe convinha facilitar o ingresso no curso superior: as chances dos c.d.f., dos esforçados mas não brilhantes, eram maximizadas por esses exames grotescos, em detrimento da capacidade de raciocínio e da criatividade -- as quais, não por acaso, eram características marcantes dos insatisfeitos com o regime.

E, como o Objetivo tinha bons resultados quantitativos para trombetear, sua metodologia Frankenstein ocupou espaços cada vez maiores no mercado, aplicada por si e pelos outros cursinhos que a copiaram.

Depois de alguns anos, entretanto, o ensino superior começou a despertar desse pesadelo, reintroduzindo questões dissertativas no vestibular, para preencher suas salas de aula com algo mais do que laranjas mecânicas.

O tempo passou, o país se redemocratizou, vivemos uma nova realidade, mas o leopardo não perde as pintas, nem o Objetivo deixa de corporificar a pior mentalidade capitalista aplicada ao ensino.

Assim é que, em anúncios de página inteira veiculados neste domingo (25) nos jornalões, crava: Objetivo cria escola só para bons alunos.

E, em letras garrafais, reproduz citações de uma daquelas matérias jornalísticas louvaminhas que são contratadas e detalhadas nos Departamentos Comerciais da grande imprensa, chegando às redações como tarefas a serem cumprida seguindo as especificações da bula.

É fácil identificá-las, pelo inconfundível estilo levanta-a-bola-do-enfocado, inclusive fornecendo dados que direcionem a clientela ao paraíso retratado:
"O Objetivo criou uma escola apenas para bons alunos. O Colégio Integrado Objetivo tem o mesmo endereço da tradicional unidade Paulista (avenida Paulista, 900) (...)

"A mensalidade (cerca de R$ 1.600) e a carga horária não mudam. A diferença é que no Colégio Integrado, criado em 2008, só entra aluno com nota alta. Além disso, ele oferece aulas extras para os alunos no período da tarde e os professores são 'especiais'."
O ridículo chega a ponto de o texto citado apresentar como verdades irrefutáveis as alegações do Objetivo sobre os motivos de tão prodigioso colégio, que se propõe a isolar os geniozinhos para melhor moldá-los como raça superior, não figurar bem no Enem.

Lendo esse repulsivo informe publicitário, veio-me à lembrança a apresentação de Cruz de Ferro (1977), monumento cinematográfico de Sam Peckinpah, conjugando ótimas imagens de arquivo do III Reich com uma musiquinha nazista cantada por crianças...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ENSINO TEM DE SER REERGUIDO SOBRE OS ESCOMBROS DA TERRA ARRASADA

Movimento estudantil ressurge: esperança de que o retrocesso seja revertido.

A ditadura militar de 1964/85 intimidou reitores, diretores, alunos e professores, criando um ambiente irrespirável nas escolas.

Primeiro foram os expurgos, a caça às bruxas.

Depois que a poeira baixou, veio a fase da paranóia: quem estava em instituições ou cursos tidos como de esquerda, sabia ser vigiado o tempo todo, por espiões infiltrados nas salas-de-aula. Todo cuidado era pouco.

No entanto, até por falta de capacidade intelectual -- imaginem só, o coronel Jarbas Passarinho chegou a ser ministro da EDUCAÇÃO!!! --, os governos militares não conseguiram implantar a filosofia educacional fascistóide que seria condizente com sua visão de mundo. Causaram mais males no varejo que no atacado.

Pior mesmo foi a mercantilização do ensino que veio em seguida, com a imersão total do Brasil no capitalismo globalizado. Deixaram de existir estudantes, no sentido real do termo. Foram substituídos por consumidores ávidos por agregar valor a seu currículo profissional.

Nem mesmo a ditadura conseguiu suprimir a tradicional missão da educação, de capacitar os cidadãos para refletirem sobre o mundo em que vivem. A sociedade de consumo logrou este feito.

Agora, as escolas formam apertadores de parafusos, com uma formação especializada que lhes permite executar mal e mal suas tarefas numa determinada profissão -- e mais nada.

Quando cursei a Escola de Comunicações e Artes da USP, na década de 1970, os dois primeiros anos eram de formação geral, de forma que extraíamos ensinamentos riquíssimos da sinergia com os colegas de outras vocações (jornalismo x música x cinema, p. ex.). Esse respiradouro foi fechado, com a especialização agora sendo imposta desde o primeiro dia.

Disciplinas fundamentais para adquirirmos um conhecimento mais crítico e globalizante foram praticamente banidas dos currículos -- começando pela filosofia, que nos permite estabelecer conexões entre os várias abordagens da realidade, habituando-nos a pensar o todo, as partes e as interações entre ambos.

E que dizer do latim, vital para a compreensão de como os idiomas evoluíram e se diferenciaram a partir de uma base comum?! Como é triste ver brasileiros macaquearem sofregamente o falar estrangeiro e não mostrarem o menor interesse na jornada evolutiva que está por trás dele!

VANGUARDA DIZIMADA
-- A aposta da esquerda no confronto com a ditadura pela via armada acabou alijando, pela morte ou impedimentos vários, quadros que teriam um papel fundamental a desempenhar na crítica ao modelo de educação e de sociedade que se foi implantando ao longo da década de 1970, quando houve uma reconfiguração para pior, infinitamente pior.

Indivíduos que de gênios tinham muito pouco (mas possuíam ganância e oportunismo em excesso), puderam concretizar sem maior resistência seu objetivo de substituir qualificação por memorização mesmerizada, franqueando as universidades a uma legião de zumbis do sistema.

Instituições de ensino superior brotaram como cogumelos, promovendo farta distribuição de diplomas inúteis, já que o número de formados ultrapassa dezenas de vezes a capacidade de absorção do mercado.

Uma das vítimas desse mecanismo perverso deu um nome pitoresco ao estabelecimento comercial que teve de abrir por não haver conquistado um lugar ao sol na sua profissão: O Engenheiro Que Virou Suco.

Ademais, desvalorizou-se a graduação pura e simples. Pós, mestrado, doutorado, MBA's, extensão, especialização, seminários disto ou daquilo, uma gama enorme de produtos é oferecida aos consumidores que querem acrescentar diferenciais ao currículo, para se colocarem em vantagem sobre a concorrência no mercado de trabalho.

Resultado: selecionando profissionais para empresas de comunicação, eu frequentemente me deparava com candidatos que ostentavam vários desses penduricalhos mas eram incapazes de redigir algumas linhas sem cometer erros primários de ortografia, gramática e conhecimentos gerais.

Nunca se estudou tanto. Nunca se soube tão pouco sobre o que realmente importa.

Hoje há uma crítica generalizada ao aviltamento da representação política, mas poucos põem o dedo na ferida: os quadros executivos e legislativos são medíocres, predatórios e amorais em função da própria inexistência de uma verdadeira elite na sociedade brasileira.

Cada vez menos dirigentes conseguem ver a floresta atrás das árvores. Miram o interesse imediato e não se dão conta das consequências em médio e longo prazos, nem do quadro global. São conduzidos pelos acontecimentos, ao invés de tentar dar-lhes um direcionamento.

O cenário é o de terra arrasada, literalmente: além dos danos presentes, estamos transformando o futuro em incógnita, com o insensível desperdício/esgotamento de recursos essenciais para a sobrevivência humana.

Carecemos, mais do que nunca, de uma nova vanguarda política e intelectual, que ofereça alternativa ao pesadelo engendrado pelo capitalismo globalizado.

Uma esperança são os sinais de vida que, desde 2007, o movimento estudantil vem emitindo. Ainda é pouco para que seja revertido o imenso retrocesso, mas começou-se, pelo menos, a caminhar de novo na direção correta: a de recolocar a universidade como a consciência crítica da sociedade, o que implica questionarmos esse ensino superior que se prostituiu e descaracterizou, perdendo a própria razão de ser.

Quando um terremoto destruiu a infra-estrutura com que o Chile contava para sediar o Mundial de Futebol de 1962, um grande dirigente esportivo andino liderou o esforço para reerguer-se tudo em tempo recorde, tendo proferido uma frase célebre: "porque nada tenemos, lo haremos todo".

Em matéria de educação, é mais ou menos essa a situação. Nada mais temos, então precisamos construir tudo de novo.
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