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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

AS TROMPETAS DA DERROTA JÁ SOAM PARA TRUMP: 3 DE NOVEMBRO SERÁ O DIA DO WATERLOO DA EXTREMA-DIREITA

ines pohl
TRUMP PREPARA O CENÁRIO PARA O CAOS
"Eu não aceitarei o resultado da eleição"
O presidente estadunidense fez de tudo para minimizar a pandemia. Encobriu, mentiu, tomou decisões desastrosas e, no final, até promoveu uma médica que acredita no poder curativo do DNA de alienígenas. 

Ele aceitou as mais de 150 mil mortes como um preço a pagar para evitar a crise econômica em seu país, e teve exatamente o efeito oposto.

A economia dos EUA vem passando por uma derrocada histórica, e não há um fim à vista. O número de infecções continua a explodir, aumentando o medo de que mais e mais estadunidenses adoeçam. Tudo isso é ruim para os negócios. Especialmente levando em consideração a crise econômica global, que aos poucos vai mostrando sua terrível careta.

A última esperança de Trump de defender seu posto na Casa Branca está morrendo. Se a economia continuar em queda, o homem das grandes promessas não conseguirá ser reeleito. No momento, ele já está dois dígitos atrás do seu rival Joe Biden. A queda parece ser incontrolável – assim como a fúria destrutiva desse presidente.

Logo depois da divulgação da queda de 32,9% do produto interno bruto no últimos trimestre, Trump publicou um tuíte promovendo a ideia de adiar as eleições. Seu raciocínio: um pleito por meio do correio é particularmente suscetível à fraude eleitoral. 
"A última cura da Covid-19 endossada pelo Trump"

Não há nenhuma prova disso, mas para ele tanto faz. Trump tampouco se importa que juridicamente um adiamento seja mais do que improvável, mesmo em meio a uma pandemia.

Posteriormente, ele tentou minimizar a afirmação, dizendo que não deseja mudar a data, mas apenas levantar a discussão sobre possíveis fraudes. Mas a ideia está lançada.

Quanto mais se aproxima de 3 de novembro, data do pleito presidencial, mais claro fica que Donald Trump está disposto a mergulhar o país no caos e enfraquecer a constitucionalidade democrática de forma duradoura, caso venha a perder as eleições. Com isso em mente, é preciso lançar luz sobre suas jogadas políticas.

Por que ele está enviando policiais federais para cidades como Portland? Não é para controlar a violência, mas para aumentar ainda mais a divisão do país. 

Por que discursou na noite anterior ao feriado de 4 de Julho no pé do Monte Rushmore, entre todos os lugares, e diante das gigantescas cabeças presidenciais esculpidas, que representam discriminação racial e comércio de escravos? Justamente agora, quando os ânimos no país estão tão acirrados? 

Ele quer dividir. Ele quer reabrir velhas feridas.
"Se a economia continuar em queda, Trump não será reeleito"

Figuras do Partido Democrata como Bernie Sanders e Joe Biden alertaram desde cedo que esse presidente não pretende aceitar a derrota sem lutar. Parece que esses temores serão confirmados. Para piorar, quanto mais reduzidas suas chances de conquistar a reeleição, maior será sua fúria destrutiva.

Donald Trump não deve conseguir minar o sistema legal dos EUA. No entanto estamos observando uma alarmante militarização da luta política nas ruas dos Estados Unidos. 

É bom o fato de cada vez mais republicanos se distanciarem de seu errático presidente. Parece que estão começando a entender que não têm um futuro com esse homem. E que, no fim, vão ter que arcar com a responsabilidade pelos atos dele. (por Ines Pohl, que no mês passado assumiu a chefia da sucursal da Deutsche Welle nos EUA)

quinta-feira, 30 de julho de 2020

UMA DICA PARA O TRUMP E O BOLSONARO ENTENDEREM POR QUE ESTÃO AMBOS EM QUEDA LIVRE: "É O VÍRUS, ESTÚPIDOS!"

kennedy alencar
TOMBO DO PIB NOS EUA É LIÇÃO PARA O BRASIL,
QUE SEGUE O MESMO RUMO NA PANDEMIA
Se faltava mais um dado para provar que a economia só vai se recuperar com uma resposta eficiente ao coronavírus, não falta mais. 

Anunciada na manhã desta 5ª feira (30), a impressionante retração de quase 10% do crescimento econômico dos Estados Unidos no segundo trimestre é a prova de que a solução para manter vivos empregos e empresas é priorizar o combate à pandemia. 

"A economia nunca se recuperará completamente até nosso país controlar o vírus. Nunca foi uma escolha entre a saúde pública e a economia", diz o governador de Nova York, Andrew Cuomo, em post no Twitter

A queda do Produto Interno Bruto dos EUA no segundo trimestre foi de 32,9%, se anualizada. Na comparação com o primeiro trimestre, que é a forma como o Brasil afere esse dado oficialmente, o tombo ficou em 9,5%. 

"A queda do PIB estadunidense foi a maior registrada desde a década de 40, o que mostra a gravidade do quadro e a extensão da crise. É uma queda comparada às observadas em período de guerra. Para aqueles que ainda não se convenceram, isso mostra claramente quão grave é o quadro do momento", diz Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional e professora da Universidade Johns Hopkins, em Washington. 

Segundo Monica, esse resultado reflete "algumas das medidas sanitárias mais restritivas" e também o auge da pandemia em Nova York e em outros Estados da costa leste dos EUA, onde muito da indústria está concentrada". 

Mas ela ressalta que todos os números por setores específicos mostram queda generalizada e têm a ver "com a má gestão da crise de saúde pública, que inevitavelmente traz repercussões horrorosas sobre a economia". 

Num cenário de "epidemia nos EUA absolutamente fora de controle, mais efeitos econômicos negativos são esperados pela frente", avalia. 

"Se usarmos os EUA como um espelho do Brasil, país que está indo na mesma linha, vai acontecer a mesma coisa. O Brasil vai sofrer muito em decorrência da má gestão da crise de saúde pública, porque as duas coisas estão entrelaçadas. Há estimativas de queda do PIB brasileiro em 2020 de 8% a 10%, podendo ser até um pouco pior a depender do andamento da pandemia nos próximos meses", afirma Monica de Bolle. 
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TRUMP SUGERE ADIAR ELEIÇÕES  A forma irresponsável e incompetente como os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro lidam com o coronavírus tende a piorar a situação econômica nos EUA e no Brasil, porque faz com que a pandemia dure mais tempo num quadro agudo do que em países que agiram com maior rigor sanitário. Trump e Bolsonaro dinamitam, simultaneamente, os esforços de recuperação econômica e a saúde de estadunidenses e brasileiros. 

Do ponto de vista eleitoral, o número do PIB dos EUA no segundo trimestre deverá minar ainda mais a chance de reeleição de Trump e favorecer o candidato democrata Joe Biden. Fica cada vez mais evidente para o eleitorado que o presidente americano é parte do problema, não da solução. 

As eleições estadunidenses vão acontecer em 3 de novembro, mas será possível votar antecipadamente e pelo correio, modalidades criticadas por Trump com frequência. As pesquisas apontam dianteira de Biden nos estados decisivos para formar maioria no Colégio Eleitoral. 

Na manhã desta 5ª feira (30), Trump foi ao Twitter para repetir a teoria conspiratória de que haverá fraude em massa com votação via correio e sugerir o adiamento das eleições até que a população possa votar com segurança. Adiar as eleições é algo que não tem a menor chance de acontecer. 

O presidente estadunidense parece buscar desculpa para eventual derrota. Ele já disse que vai esperar o resultado da eleição para ver se o aceita. Ao abusar de bravatas diversionistas, Trump cria mais divisão política no país, desperdiçando uma energia que deveria ser gasta para combater a covid-19, que já matou mais de 150 mil estadunidenses. 

Como diria James Carville, é o vírus, estúpidos!

Qualquer semelhança com o Brasil e suas 90 mil mortes não é mera coincidência. (por Kennedy Alencar)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

NEM SEQUER NAS MENTIRAS E SABOTAGENS O PALHAÇO BOZO É ORIGINAL: ESTÁ SEMPRE IMITANDO O PATO DONALD

paul krugman
AQUILO QUE VOCÊ NÃO SABE NÃO PREJUDICA TRUMP
Agora estamos no estágio da pandemia da Covid-19 em que Donald Trump e seus aliados tentam suprimir informações sobre a difusão do coronavírus –porque é exatamente isso que eles estão fazendo. 

Mas como vem acontecendo desde o começo, eles ficaram muito para trás da curva. Do ponto de vista político (o único que lhes interessa), seus esforços de desinformação vieram tarde demais, e sem força suficiente.

Aqui estamos: dentro de alguns dias, milhões de estadunidenses sofrerão uma queda drástica em suas rendas, quando os benefícios expandidos aos desempregados expirarem. Isso requereria ação urgente; no entanto, evitar uma calamidade econômica estava fadado a ser difícil de qualquer forma, porque os republicanos em geral relutam em fornecer a assistência de que necessitam os trabalhadores a quem a pandemia deixou sem emprego.

E agora parece existir mais um obstáculo a qualquer ação: uma disputa interna no Partido Republicano sobre verbas para exames e para o rastreamento de indivíduos infectados. 

Até mesmo os republicanos do Senado apoiam uma ampliação no número de exames de coronavírus, que é desesperadamente necessária diante de nossa situação atual. A disparada no número de casos resultou numa defasagem nos exames, e os resultados deles estão demorando tanto tempo para sair que se tornam inúteis para todos os fins práticos.

Mas os funcionários do governo Trump se opõem à concessão de novas verbas para exames. E nem mesmo tentam oferecer desculpas, porque Trump em pessoa explicou a estratégia em seu comício de Tulsa, um mês atrás: se o número de exames for expandido, ele disse, vamos encontrar mais casos, e por isso eu instruí meu pessoal a desacelerar os exames, por favor.
Noutras palavras, o que você não sabe não prejudica Trump.

Ninguém deveria se surpreender por a equipe de Trump estar tentando suprimir más notícias sobre a pandemia. Isso era completamente previsível, levando em conta a Lei de Projeção de Obama: todas as teorias de conspiração da direita sobre o presidente Barack Obama representavam uma indicação do que os republicanos desejavam fazer assim que tivessem o poder.

Você se lembra, p. ex., dos rumores absurdos sobre uma iminente tomada de controle militar sobre o governo do Texas, tratados com seriedade por republicanos importantes? Agora temos agentes não identificados do Departamento de Segurança Interna circulando pelas ruas de Portland, Oregon, em veículos anônimos e detendo pessoas nas ruas. 

Lembra-se das insinuações de que o governo estava secretamente construindo campos de concentração? Milhares de imigrantes agora estão encarcerados em centros de detenção, em muitos casos sob condições horríveis.

E a guerra em curso contra os exames para detectar a Covid-19 foi prefigurada pelas constantes acusações de que o governo Obama estava suprimindo más notícias sobre a economia. O pessoal que queria a verdade sobre a inflação insistia em que o governo federal estava ocultando a inflação descontrolada que a direita previu mas jamais aconteceu. 

Os direitistas que queriam a verdade sobre o emprego –entre os quais, notavelmente, um certo Donald Trump– declaravam que os números oficiais do emprego que demonstravam melhora constante na economia eram uma falsificação, e que o desemprego era na verdade muito mais alto do que o governo vinha reportando. Portanto, era inevitável que os devotos de Trump viessem a fazer o que falsamente acusaram Obama de fazer,

Daí estarem agora ocultando os números desfavoráveis sobre a pandemia. Os esforços para restringir o número de exames são apenas parte da história.

O governo Trump recentemente ordenou que os hospitais suspendessem a transmissão de dados ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), ordenando que eles os reportassem a uma empresa terceirizada, em lugar disso. 

Como resultado, os números sobre internações hospitalares, um indicador crucial sobre a pandemia, desapareceram do site do CDC, antes que uma onda de protestos levasse ao seu retorno.

E alguns estados controlados pelos republicanos, especialmente a Geórgia, vêm adulterando há meses os dados sobre o coronavírus, apresentando-os de maneiras enganosas que minimizam o problema.

O mistério é por que o ataque aos exames demorou tanto tempo a surgir. Uma dica aos profissionais: se você quer esconder más notícias epidemiológicas, precisa começar a fazê-lo antes que todo mundo perceba que a pandemia está em expansão e escapou ao controle.

Uma fascinante autópsia do The New York Times sobre o fracasso da resposta de Trump ao coronavírus nos ajuda a compreender o que aconteceu. E quero dizer literalmente autópsia: os estadunidenses estão morrendo de coronavírus em ritmo oito vezes superior ao do Canadá e 10 vezes superior ao da Europa.

O relato do jornal deixa claro que a equipe de Trump jamais considerou seriamente qualquer tentativa de lidar com a realidade da pandemia. Também deixa claro, além disto, que as autoridades se convenceram em abril de que escapariam impunes dessa abdicação de responsabilidade, e que o coronavírus desapareceria.
E quando elas perceberam que o vírus não estava colaborando com seu joguinho político, era tarde demais para ocultar a verdade.

A esta altura, não está claro nem mesmo a que propósito político obstruir os exames deveria servir. A tentativa de engendrar um boom econômico antes da eleição já fracassou, porque os estados que reabriram suas economias estão revertendo o curso. 

Trump já desperdiçou toda a credibilidade que o governo poderia ter com relação ao coronavírus; mesmo que o número de casos reportados subitamente comece a parecer muito melhor, quem além dos partidários mais leais do governo acreditaria nisso?

Assim, o que está acontecendo parece menos uma estratégia política do que um esforço para consolar o ego frágil do patrão. Trump continua a insistir, falsamente, em que o único motivo para que estejamos vendo tantos casos da doença é que o número de exames é excessivo, e por isso seus assessores estão tentando se enquadrar ao restringir os exames.

E se isso paralisar a resposta estadunidense à pandemia, tornando impossível uma estratégia de teste, rastreamento e isolamento dos focos de contágio, bem, enfrentar de verdade o vírus nunca foi parte do plano. (por Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia e colunista do New York Times)
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