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quinta-feira, 19 de março de 2020

SINCERICÍDIO: OLAVO DE CARVALHO ADMITE GOLPISMO E EXPÕE BOLSONARO COMO UM VACILÃO QUE TERIA POSTO TUDO A PERDER

Percebendo que a maré fascista refluiu de vez no último domingo, 15, o astrólogo brasileiro radicado na Virgínia Olavo de Carvalho, também conhecido como Nostragrana, tratou de eximir seus mapas astrais de culpa pelo fiasco do seguidor empoderado.

O responsável pelo fracasso anunciado ("Agora talvez seja tarde para reagir"), tuitou, foi o palhaço Bozo, que teria sido "eleito para derrubar o sistema", mas não seguiu à risca o passo-a-passo golpista que ele, OC, lhe determinou.

Ou seja, confessou publicamente ter conspirado contra a ordem constitucional do Brasil ao induzir o presidente da República a "desarmar seus inimigos" para, em seguida, "resolver qualquer problema nacional". 

Dificilmente será punido, mas os danos que causou ao Brasil, aproveitando sua influência espúria sobre uma família de desmiolados, são incalculáveis. 

Nem Rasputin, o monge maluco, conseguiu ser tão nocivo, talvez porque os nobres da Rússia pré-revolucionária tenham impedido que ele levasse adiante sua faina destrutiva. 

[Aliás, em matéria de inadequação para o exercício do poder, o czar Nicolau 2º nada ficava a dever ao desastroso Bozo, só se diferenciando por, pelo menos, preservar a liturgia do cargo, ao invés de portar-se como um espalha-vírus arruaceiro...]. 

Eis o restante da mensagem do guru charlatão da atualidade: 
"Que é que o Bolsonaro fez contra qualquer dos seus inimigos? Nada. Nada nunca. Só lhes deu umas agulhadinhas, irritando-os em vez de enfraquecê-los. Eleito para derrubar o sistema, o Bolsonaro, aconselhado por generais e políticos medrosos, preferiu adaptar-se a ele. Suicídio".

domingo, 15 de outubro de 2017

ENTREGA DE BATTISTI SERIA "MALUQUICE" E "PAPELÃO", DIZ ELIO GASPARI.

A EXTRADIÇÃO DE BATTISTI REBAIXA O BRASIL

Por Elio Gaspari
Michel Temer é professor de direito e pode vir a revogar o asilo concedido por Lula ao italiano Cesare Battisti, acusado pelo governo de seu país de ter militado numa organização terrorista, tendo praticado quatro homicídios. Para que o professor Temer prevaleça, será necessária a anuência do Supremo Tribunal Federal. Por enquanto, o ministro Luis Fux travou a maluquice com uma liminar a favor de Battisti.

Extraditando-o, o Brasil entrará na galeria dos países que entregaram asilados. Logo o Brasil, onde vivem centenas de septuagenários, alguns deles ex-militantes de organizações que praticaram atos terroristas e foram salvos pelo asilo ou pela proteção de outros governos, que os acolheram durante a ditadura. A concessão do asilo é uma prerrogativa do soberano e Lula exerceu-a. 
Sem asilo, Nicolau 2º e família foram assassinados 
Battisti foi terrorista? Em 1963 o Brasil asilou o ex-primeiro ministro Georges Bidault, presidente da organização que defendia a Argélia francesa, à qual estava apensa a Organização do Exército Secreto, grupo terrorista que matou cerca de 2.000 pessoas.

Revogar um asilo entregando um cidadão ao governo que deseja capturá-lo é coisa rara. O general chileno Augusto Pinochet matou brasileiros exilados, mas nunca fez isso em nome da lei. A ditadura argentina sequestrava brasileiros em Buenos Aires e argentinos no Rio, mas fazia isso clandestinamente.

No ano do centenário da Revolução Russa, Temer deveria pensar no papelão que fez o rei George 5º da Inglaterra em março de 1917, retirando a oferta de asilo à família real russa. Era só oferta, mas um ano depois os bolcheviques mataram o ex-czar Nicolau 2º, sua mulher e os cinco filhos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

JUSTIÇA RUSSA REABILITA O ÚLTIMO CZAR

Nicolau 2º, o último czar da Rússia, foi reabilitado pelo Tribunal Supremo do país, que acaba de declará-lo (e à sua família) vítima de "injustificada repressão" por motivos políticos.

O czar, a czarina, o czarevitch (herdeiro do trono), quatro grã-duquesas, o médico e três criados da família imperial foram mortos por um pelotão bolchevique na madrugada de 16 para 17 de julho de 1918, em Ecaterimburgo, onde eram mantidos prisioneiros.

O nascente governo soviético tentava sobreviver aos reacionários internos (czaristas e liberais) e à invasão de exércitos estrangeiros (estadunidenses, ingleses, franceses e japoneses, dentre outros).

Só conseguiu vencer essa guerra em duas frentes porque os inimigos, militarmente muito superiores, atuaram como forças independentes, sem coordenação entre si.

O comandante do Exército Vermelho, Trotsky, conseguia movimentar seus efetivos, rapidamente, para onde eram mais necessários em cada momento; mas não teria como escapar à derrota, se todos os rivais atacassem ao mesmo tempo nas várias frentes de luta.

A intenção dos bolcheviques era levar Nicolau 2º a julgamento. No entanto, quando as tropas brancas (monárquicas) se aproximaram demais do local onde ele e sua família estavam presos, decidiu-se a execução, para que fosse evitado qualquer risco de resgate.

O temor era de que os contra-revolucionários utilizassem o czar ou qualquer herdeiro seu como bandeira, em torno da qual se aglutinassem os adversários da república soviética.

O fantasma da união dos inimigos os assombrava. Idem, a possibilidade de que os camponeses, mais sensíveis ao fascínio do trono, se voltassem ativamente contra a revolução.

Foi uma decisão cruel. Deveu-se às chamadas razões de estado e não a uma pretensa índole sanguinária dos bolcheviques que, pelo menos até aquele momento, utilizavam apenas a força necessária para assegurarem a sobrevivência do regime, em meio à guerra, ao caos e à penúria.

Mas, repugna aos homens de bem saber que cinco mulheres e um jovem foram sacrificados apenas por causa de seus laços sanguíneos ou conjugal com o czar; e outros quatro, serviçais, para que não relatassem o que ocorrera.

Quanto ao próprio Nicolau 2º, era um autocrata convicto, embora infantilizado e de personalidade tíbia. Se não ordenou massacres, deixou que outros os cometessem impunemente em seu nome, como o grão-duque Sergei Alexandrovitch, que deu à guarda ordem para disparar contra uma manifestação pacífica em janeiro de 1905, causando centenas de mortes, no episódio que passou à História como domingo sangrento.
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