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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

"UM MANÍACO EM FÚRIA, INFECTADO POR CORONAVÍRUS E VOANDO EM ESTEROIDES, COLOCANDO O PAÍS EM CHAMAS": É TRUMP!

 nelson de sá
TRUMP 'DESEQUILIBRADO' PROVOCA TENSÃO DE WASHINGTON A PEQUIM
A notícia que saiu da entrevista de Trump ao canal Fox Business foi, de modo geral, que ele recusou o debate por videoconferência com Joe Biden.

Mas a CNN se fixou logo no que importava: que foi um devaneio feio de uma hora. Listou 48 frases desequilibradas, até contra seus secretários mais fiéis, da Justiça e de Estado.

O Drudge Report abriu manchete para coluna de Piers Morgan no tabloide Daily Mail, que lembrou também os tuítes e comentou: Um maníaco em fúria, infectado por coronavírus e voando em esteroides, colocando o país em chamas.

Até o site de celebridades TMZ entrou, ouvindo de um médico que seria roid rage, ira causada por esteroides.
New York Times, Washington Post e outros foram mais contidos, registrando quando muito, em parágrafos escondidos, que um dos medicamentos que ele tomou, dexamethasone, pode causar euforia, oscilações de humor e eventuais manifestações psicóticas.

Nos veículos mainstream, o noticiário só começou a mudar após Nancy Pelosi, que preside a Câmara, anunciar no fim do dia uma comissão para garantir liderança efetiva e ininterrupta. Citou a 25ª Emenda, que formaliza a sucessão pelo vice, e foi manchete da Fox News, acusando-a de querer um golpe.

Foi parar também na manchete do South China Morning Post, Pequim evita atirar contra ameaça de Trump de 'fazer a China pagar'. Logo abaixo, Retórica não deverá levar a um confronto militar, dizem analistas.

O SCMP destacou que o barulhento Huanqiu/Global Times, o tabloide nacionalista, e outros jornais ligados ao PC chinês emudeceram(por Nelson de Sá)

sábado, 2 de março de 2019

O BRASIL VISTO LÁ FORA: DESEMPENHO DA ECONOMIA BRASILEIRA SOB NOVA DIREÇÃO CONTINUA DECEPCIONANTE COMO ANTES

A ótima coluna do jornalista Nelson de Sá na Folha de S. Paulo, de observação do que sai na imprensa internacional sobre o Brasil, informa que a decepção é generalizada quanto às perspectivas de nossa economia:
— "crescimento baixo, fraco, com número desapontador" (Le Figaro, da França); 
— "ainda está abaixo do nível de 2014" (agência chinesa Xinhua);
— “a expansão continua débil, em ritmo lento, as esperanças se viram frustradas” (Clarín e La Nación, argentinos);
— “crescimento desbotado, desapontou, está difícil encontrar empresas para investir no Brasil" (Wall Street Journal);
— "economia do Brasil desacelerou bruscamente no quarto trimestre" (Bloomberg); 
— "o PIB (cujo número fraco já teria levado o banco Goldman Sachs a cortar a previsão de crescimento do país neste ano para 2%) desaponta aqueles que esperavam que o crescimento iria acelerar após a vitória de Jair Bolsonaro", devendo  "reforçar o viés negativo do mercado para crescimento em 2019" (Capital Economics);
— "o que aparentava ser uma estratégia bem-sucedida de repente parece ser um fiasco, o barbarismo funcionou por algum tempo, mas agora é preciso encontrar o mix certo entre cortar despesas e investir por crescimento” (The Economist)

Lembrem-se: a equipe deste blog,  principalmente o Dalton Rosado, sempre sustentou que a reforma da Previdência não era, nem de longe, a panaceia que o economista menor Paulo Guedes estava trombeteando, com a cumplicidade quase total da grande imprensa. 

A exemplo do seu antecessor Joaquim Levy (outro que conseguiu fingir por um um tempinho que era algo além de um tico-tico na gaiola dos economistas), Guedes logo voltará a ser quase nada.

Outra informação interessante do Nelson:
"Como tuíta há dias com a hashtag #EUANOBRASIL, Kimberly Breier, secretária-assistente de Estado dos EUA, fez reuniões de trabalho com o chanceler Ernesto Araújo, com o ministro Sergio Moro, com quem tratou de ameaças à segurança regional, e com o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó. Também com Fiesp e Escola Superior de Guerra".
Até na aparência Kemberly lembra a Damares
Kemberly perde tempo: não é o patético Ernesto Araújo, e nem mesmo Sérgio Moro, quem decide se os brasileiros vão tirar as batatas venezuelanas do fogo para os estadunidenses não queimarem as mãos, mas sim o vice Hamilton Mourão, neste caso apoiado por toda a caserna. 

E nem a Fiesp e a ESG conseguirão, mesmo que queiram, alterar tal decisão.

Trump quer derrubar presidentes? Faça-o sozinho, por sua própria conta e risco.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

HEY, MISTER, QUER COMPRAR BANANA? BANANA VERY GOOD, MISTER!

Constatei, na coluna do Nelson de Sá, que os gringos continuam viajando na maionese quando se metem a analisar as perspectivas políticas brasileiras.
"O Financial Times avisa, em vídeo e longa análise, que 'as grandes esperanças dos investidores para o Brasil provavelmente não passarão de um sonho'. Explica: 
— Mesmo que Mr. Temer sobreviva, seu mandato termina no próximo ano. Se as pesquisas estiverem certas, seu mais provável sucessor, Jair Bolsonaro, é um populista de extrema-direita que pensa que a polícia deva ter licença para matar. As perspectivas de reforma liberal são sombrias".
Quando eu trabalhava em editorias de economia, ocorria de ter de traduzir e copidescar artigos desse intragável jornal internacional de língua inglesa. Ficava pensando nos prejuízos que os investidores, seu público-alvo, sofreriam se acreditassem piamente naquelas análises...

Desta vez o FT começa acertando ao escrever que os investidores não devem ter grandes esperanças para o Brasil, mas não explica satisfatoriamente o porquê. Faço-o eu.

É que o capitalismo, cada vez mais próximo de sua fase terminal, já não consegue assegurar prosperidade duradoura para a maioria das nações ao mesmo tempo.

Sobrevive transferindo sua crise crônica de uns países para outros, já em plena contagem regressiva para a chegada da depressão generalizada que o fulminará (esta não tem data marcada para acontecer, mas dificilmente deixará de ser nas duas próximas décadas). 

Isto, contudo, não impedirá que as tais reformas liberais sejam enfiadas goela dos brasileiros abaixo, ou ainda por Temer, ou pelo seu sucessor, pois não se vislumbra força política nenhuma, com chance de vitória em 2018, que tenha cojones para desobedecer às imposições dos amos e senhores. Dilma só não as implantou por falta de competência, mas tentar, bem que tentou... 

Nem tampouco impedirá que o Brasil, depois de vários anos de recessão, venha a registrar algum aquecimento da economia em 2018, primeiramente porque a dita cuja estava contraída demais em função das políticas econômicas desastrosas dos governos de Dilma Rousseff; e depois porque os donos do PIB continuam tendo poder de fogo suficiente para gerarem um pequeno boom no ano eleitoral e, com isto, elegerem os serviçais... quer dizer, os candidatos de sua preferência (foi o que fizeram em 1970, quando fabricaram o milagre brasileiro para que a ditadura militar se consolidasse).

Para os especuladores interessados em grandes negócios de curto prazo, o Brasil deverá ser um prato cheio no ano que vem. Aí, eleições findas, a virada da maré será só questão de tempo. Tudo indica que um eventual milagrezinho brasileiro durará bem menos do que os aproximadamente quatro anos do anterior.
O milagre original: só restaram os débitos.
Pelo mesmo motivo (a perspectiva de que as eleições transcorrerão com os eleitores contentinhos por finalmente terem uns trocados no bolso), as chances dos candidatos que se beneficiariam da insatisfação popular serão ínfimas. 

Jair Bolsonaro, nem pensar! Ultradireitistas nunca se elegem presidentes no Brasil, só chegam ao poder quando as baionetas e os tanques substituem as urnas.

E o Lula (supondo que lhe permitissem disputar o pleito, o que se torna cada dia mais improvável) tem índice de rejeição tão acentuado que só venceria se a alternativa no 2º turno fosse um espantalho tipo Bolsonaro. Tal polarização poderia ocorrer se as eleições fossem em outubro próximo, contudo dentro de mais de um ano tudo estará mudado. 

Para fechar com chave de ouro este post, recomendo a audição de uma magnífica canção de festival da qual poucos se recordam: Hey, mister, de Ary Toledo e Francisco de Assis, que participou sem destaque do V Festival da Record, em novembro de 1969. Parece ter sido feita exatamente para os analistas metidos a bestas do Financial Times...

Mostra um pegajoso malandro brasileiro tudo fazendo para empurrar qualquer souvenir ou atração local a um turista; entre servil e zombeteiro, ele deixa perceber seu desprezo pelo bobalhão (Quer comprar banana, mister? Banana very good!). 

Era exatamente esta a visão que tínhamos então dos estadunidenses, como os que foram fazer proselitismo da Aliança para o Progresso no meu ginásio, com suas camisas brancas de manga curta, sua calças bege e cintos grossos, suas caras redondas de bebês Johnson, numa época em que todos nós vestíamos roupas coloridas e deixávamos cabelo/barba crescerem livres e soltos ...

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