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sábado, 17 de novembro de 2018

SENDO TÃO CURTA A MEMÓRIA DOS BRASILEIROS, VALE RECORDAR-LHES SEMPRE O HORROR DAS DITADURAS

Embora Nelson Pereira dos Santos não tenha feito um filme da ditadura militar no Brasil ao adaptar Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos (ela já estava enfraquecida, mas não de todo exterminada), ele aproveitou a urgência da questão para resgatar o livro do autor alagoano que descreve sem rodeios sua experiência como prisioneiro durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. 

...Nelson adota o discurso estoico de Graciliano Ramos, fundamentado no domínio da palavra e da escrita (na educação, no sentido mais amplo do termo), para condenar os procedimentos abomináveis praticados pelos agentes da lei em vigência. 

Nele, a violência física nunca é explicitada; sempre que ela está prestes a ser cometida, um fade out poupa o espectador do espetáculo lamentável. O diretor, contudo, não economiza negativo para mostrar a miséria da condição de vida dos presos, bem representada pela precária alimentação dos mesmos – que motiva o próprio Graciliano a se negar a comer o que era servido.

Das pouco mais de três horas de projeção, o filme se dedica quase que exclusivamente ao período em que Graciliano esteve encarcerado. Após uma breve aparição do mesmo em uma repartição pública do Alagoas, que registra a Intentona Comunista de 1935, seguida de uma cena em casa com a mulher (Glória Pires) e filhos, logo ele é encaminhado para o périplo de aproximadamente um ano por cárceres do país. 

Por meio dos presos que dividem o espaço com o escritor, sejam eles políticos ou comuns, Nelson traça um panorama da população brasileira com ênfase nos aspectos determinantes do nosso atraso, próprio dos países subdesenvolvidos. 

A ignorância funcional salta aos olhos, sobretudo na terceira e derradeira parte, quando os companheiros, e até mesmo os seus detratores, já reconhecem a fama dos seus escritos. A cena em que Graciliano (Carlos Vereza) faz a correção do texto dos comunistas, contracenando com Tonico Pereira, é hilária. 

Um tom mais grave é empregado quando uma autoridade lhe solicita um discurso para ser pronunciado na data do aniversário do diretor do presídio, a qual lhe é negada – a argumentação é perfeita, impecável, embora seja involuntariamente humilhante.

Sem amenizar o tom da jornada de sofrimento e punição, Nelson se serve da prosa de Graciliano Ramos para veicular o seu discurso, mais calcado na esperança de mudança do que na permanência da estupidez
No último terço do filme, em que Carlos Vereza encontra-se de cabeça raspada por exigência da direção carcerária, sua figura assemelha-se a de Gandhi, fragilizado pelos sacrifícios assumidos em prol da sobrevivência moral. 


Recolhido em um canto do presídio, sentado ao lado de uma valise com suas valiosas anotações, enfraquecido pela dieta sofrível imposta e venerado pelos seus semelhantes, bem como pelas autoridades que o mantiveram sob custódia, Graciliano Ramos emerge com o único resquício de dignidade capaz de ser preservado em ambiente tão hostil. (trechos da crítica de Rodrigo Duarte em seu Canto do Cinéfilo)
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sábado, 15 de abril de 2017

ESQUERDISTA QUE NÃO VENDIA SUA ALMA: HERMÍNIO SACCHETTA.

Toque do editor
Infelizmente, as delações premiadas da Odebrecht que infestam o noticiário já não deixam dúvidas quanto à promiscuidade de personagens importantes da esquerda com bucaneiros do grande capital, dois universos teoricamente antagônicos, mas que se mancomunaram para a prática desbragada da corrupção.

Acabrunhado, passei bom tempo pensando em companheiros que conheci (pessoalmente ou pelos relatos a seu respeito), que jamais conspurcaram seus ideais cedendo às tentações da sociedade podre engendrada pelo capitalismo. 

Eles são um exemplo do tipo de militantes que precisamos voltar a formar, dentro da perspectiva brilhantemente sintetizada pelo filósofo Vladimir Safatle (vide aqui), de que para a "esquerda só há um caminho possível: a mais austera virtude jacobina em relação ao bem comum".

Resolvi então apresentar aqui, para contrapor à melancólica imagem dos ídolos tombados, três exemplos positivos, de companheiros que sempre dignificaram a revolução. Utilizando, para tanto, dois relatos alheios e um da minha autoria. O primeiro foi este aqui.

O segundo personagem também é um comunista da velha guarda, mas intelectual e com posição superior na hierarquia do partido. Caiu em desgraça por ter divergido da posição predominante e foi extremamente injustiçado. Mesmo assim, manteve suas convicções, a ponto de correr enorme risco pessoal em nome da revolução.

Quem contou esta história foi o grande Jacob Gorender, num dos capítulos do seu clássico Combate nas Trevas. E eu seria hipócrita se não admitisse que o drama me sensibilizou sobremaneira por sua semelhança com o meu, tanto que Sacchetta e eu tivemos o mesmíssimo defensor, um revolucionário que também deve ser sempre lembrado e reverenciado como um exemplo de devoção sem limites à causa e de espírito de justiça em qualquer circunstância!
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EPÍLOGO PARA UM ROMANCE 
À REVELIA DO AUTOR
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Hermínio Sacchetta: dignidade exemplar!
Quando Joaquim Câmara Ferreira – já na roupagem de Toledo – o procurou em 1968, Hermínio Sacchetta deve ter sentido surpresa e desconcerto. Apesar da tarimba, não esperaria que lhe batesse à porta o homem com o qual trocara os pesadíssimos insultos habituais nas dissensões internas dos comunistas..

O contencioso entre ambos remontava aos anos 30. Após a derrota do levante de novembro de 1935, o jornalista Sacchetta (nome de guerra Paulo) dirigia o Comitê Regional de São Paulo e foi cooptado para o Birô Político do Comitê Central do PCB. Mais jovem,  Câmara Ferreira (nome de guerra Alberto) trocou o curso de engenharia pela profissão de revolucionário. 

Em 1937, o Comitê Regional Paulista divergiu da linha preconizada pelo Comitê Central a respeito das eleições presidenciais. A divergência se aprofundou e levou a discussões agressivas e intransigentes. 

Com o apoio da Internacional Comunista, Lauro Reginaldo da Rocha (Bangu), secretário-geral do Comitê Central, venceu a disputa: os divergentes de São Paulo foram expulsos do partido sob a acusação de renegados trotskistas, a mais infamante para um militante comunista. Acontece que, ao travar-se a luta interna – conforme relata Heitor Ferreira Lima –, nenhum dos divergentes do Comitê Regional paulista era trotskista e, em seguida, apenas um deles – Sacchetta, precisamente – aderiu ao trotskismo.

Tendo tomado posição ao lado do Comitê Central, Câmara Ferreira não podia mais continuar amigo de Sacchetta, com o qual se iniciara na vida partidária. A amizade se transformou em rancorosa inimizade. Da qual compartilhou Carlos Marighella, enviado a São Paulo pelo Comitê Central, em 1938, a fim de fortalecer a direção regional na luta contra os fracionistas trotskistas.

Expulso do PCB, Sacchetta esteve entre os fundadores do Partido Socialista Revolucionário (PSR), ligado à Quarta Internacional (trotskista), com pouco mais de uma centena de adeptos em São Paulo e no Rio, quase todos intelectuais. Na atividade de jornalista, seu ganha-pão, fez bem-sucedida carreira. Arraigada talvez pelo hábito da clandestinidade, mantinha imperturbável postura discreta.
O imprescindível Carlos Marighella

Em 1952, o PSR se dissolveu. Em 1958, surgiu a Liga Socialista Independente (LSI), que editou o jornal Ação Socialista. Também um pequeno grupo, muito sectário, com poucos anos de vida. Sacchetta tomou parte nele, já com idéias algo mudadas com relação ao trotskismo. 

Do documento que escreveu provavelmente naquela época – Relatório Sobre Questões da Política Organizatória no Domínio Socialista –, salienta-se a análise do fracasso do trotskismo. Sua contribuição válida teria sido somente a crítica ao stalinismo. O documento propôs a formação de um partido marxista democrático, na linha de Rosa Luxemburgo.

No começo dos anos 60, formou-se o Movimento Comunista Internacional (MCI), cujos escassos adeptos projetavam convertê-lo em partido. Embora não adotasse o trotskismo de maneira escrita, o MCI conservou seus princípios doutrinários fundamentais: prioridade ao internacionalismo, revolução permanente, ditadura do proletariado como objetivo direto.

Nos anos 1967-1969, já sob a ditadura militar, o MCI publicou o jornal clandestino Bandeira Vermelha, do qual saíram doze números. Comumente com dez ou doze páginas mimeografadas, difundia denúncias e argumentos contra o regime nascido do golpe de 1964. Ao mesmo tempo, tomava posição na explosiva controvérsia entre as correntes de esquerda. 

Principal redator do jornal, Sacchetta atacou o reboquismo e o oportunismo do PCB. Reconheceu a seriedade das facções dissidentes, porém fez crítica cerrada ao foquismo de Guevara e a todas as concepções de luta armada imediata desvinculada da preparação através das lutas de massas.

Por que, então, Hermínio Sacchetta aceitou o convite que lhe trouxe Câmara Ferreira de colaborar com a ALN? Justamente com a ALN, cuja orientação estratégica (nacional-libertadora) e tática (luta armada imediatíssima) era tão oposta àquela que vinha expondo insistentemente no Bandeira Vermelha?
Toledo morreria como um bravo
Imagino que, como tantos naquela época, Sacchetta queria realizar algo bem concreto contra a ditadura militar. Não se satisfazia com a doutrinação e a propaganda em pequenos círculos. 

Pôs de lado discordâncias teóricas, afastou velhos agravos e passou a ter encontros regulares com o antigo companheiro, durante muitos anos separados pela inimizade política. 

Esteve também com Marighella e selou o pacto da reconciliação e da luta comum. Apesar de sexagenário já abalado por um infarto, resolveu correr riscos que, por experiência, não ignorava.

No final de janeiro de 1969, a direção da VPR teve urgente necessidade de tirar as armas expropriadas da Loja Diana do depósito secreto em que se encontravam. O depósito era conhecido de Hermes Camargo Batista, preso no episódio da pintura do caminhão em Itapecerica da Serra.

A direção da VPR pediu a ajuda da ALN e Câmara Ferreira recorreu a Sacchetta. Este arrumou às pressas um lugar seguro. Em três viagens do Fusca guiado por Renato Caldas, foi posto a salvo o arsenal de carabinas, revólveres .38 e caixas de munição.

Às oito e meia da manhã de 15 de agosto de 1969, um destacamento de doze guerrilheiros da ALN invadiu a estação transmissora da Rádio Nacional em Piraporinha, perto de Diadema (Grande São Paulo). Dominados os funcionários, um dos invasores interrompeu a ligação com o estúdio e ligou ao transmissor de ondas curtas uma gravação. Com o fundo musical do Hino da Internacional Comunista e do Hino Nacional, a gravação anunciou o nome de Carlos Marighella e reproduziu o manifesto lido por ele. Na meia hora em que a estação esteve sob controle da ALN, deu tempo para repetir a gravação.
Jorge Amado ficou devendo autocrítica

No mesmo dia 15, o jornal paulistano Diário da Noite lançou uma segunda edição com o texto integral do manifesto de Marighella captado pelo setor de radioescuta. A decisão de publicar o manifesto partiu do diretor de redação Hermínio Sacchetta. 

Os demais jornais se limitaram a noticiar o episódio da invasão da Rádio Nacional de São Paulo, pertencente à Rede Globo. Pegada de surpresa, a Polícia não pôde recolher das bancas senão pequena parte da segunda edição do Diário da Noite.

Tão grave infração da censura não podia ser tolerada. A Polícia Federal prendeu o diretor de redação e o indiciou em inquérito criminal. Apesar da ficha de antecedentes nada recomendáveis do indiciado, o inquérito deu em nada e o suspeito de conivência subversiva foi solto após algumas semanas. Mas perdeu o emprego.

Até hoje, corre a versão da casualidade da participação de Sacchetta no episódio. Agora, deve-se esclarecer em definitivo que não houve casualidade. 

Sacchetta recebeu previamente cópia do manifesto de Marighella das mãos de Câmara Ferreira, avisado do que ia ocorrer e da participação que a ALN esperava dele. Como não era iniciante inexperiente, Sacchetta tomou as precauções de cobertura, na previsão de que podia vir a enfrentar pesadas complicações. Orientou o setor de radioescuta do seu jornal para captar a transmissão da Rádio Nacional e, tão surpreso quanto os colegas, decidiu desafiar a censura: furo de reportagem é dever profissional de jornalistas.

O furo teve repercussão internacional e a prisão do jornalista brasileiro provocou o protesto da Associação Interamericana de Imprensa.

Romance histórico em que Jorge Amado criou uma trama ficcional inserida na reprodução da época do Estado Novo, Os Subterrâneos da Liberdade têm um dos fios da narrativa na luta interna do PCB em São Paulo, à qual me referi neste capítulo. Com facilidade se reconhecem muitas pessoas reais, que comparecem no romance como figuras de ficção. 

Vitor é Diógenes de Arruda, o primeiro dos honrados pela dedicatória do autor. O gigante Gonçalo é José Martins e o historiador Cícero d’Almeida é o historiador Caio Prado Jr. Filho de um operário italiano com uma negra brasileira, Carlos é Carlos Marighella, logo se vê. Apolinário é Apolônio de Carvalho, também logo se vê.
Gorender: muito espírito de justiça.

Mas há um personagem a respeito do qual o romancista forneceu pistas superlativas para identificação do modelo real. Saquila – sobrenome quase homófono de Sacchetta – aparece no romance como líder da fração trotskista do Comitê Regional. Seu nome de guerra Paulo – o mesmo de Sacchetta na época.

Vários personagens e o próprio narrador não lhe poupam qualificações aviltantes: lacaio da burguesia, bandido, traidor, delator, cretino, canalha. Um dos mais agressivos acusadores do renegado é precisamente Carlos, enviado pelo Comitê Central para reforçar a luta antitrotskista em São Paulo.

Identificação de tal maneira transparente e insultuosa obrigou Hermínio Sacchetta a sair da habitual discrição e publicar um artigo de revide ao glorioso romancista.

Os Subterrâneos da Liberdade representam a culminância da escola do realismo socialista na literatura brasileira. 

O autor pagou o preço que todos nós, militantes do PCB, pagamos ao stalinismo. Faltava-lhe a estatura psicológica e artística de Graciliano Ramos. Também militante do PCB e admirador de Stalin, Graciliano não se dobrou aos prejulgamentos e deu ao trotskista Gikovate tratamento amistoso em Memórias do Cárcere

Mas Jorge Amado tomou depois conhecimento dos crimes de Stalin, rompeu com o stalinismo e se afastou do PCB. Teria várias maneiras para reabilitar, não a Sacchetta, que não precisava ser reabilitado, mas a si próprio, com a admissão pública da injustiça cometida contra um homem de carne e osso. Nunca deu este passo.

Romance, mesmo histórico, é ficção. Nada há a alterar. Nas muitas reimpressões de Os Subterrâneos da Liberdade, o leitor sempre encontra o vilão  Saquila  inimigo do herói  Carlos.

Na vida real, Sacchetta (modelo de  Saquila) e Marighella (modelo de Carlos) se reconciliaram para travar o mesmo combate nas trevas da pior opressão que já se abateu sobre o povo brasileiro desde a conquista da Independência. À revelia do romancista, acrescentaram inesperado epílogo à sua narrativa.

Hermínio Sacchetta arriscou a vida na luta contra a ditadura militar.

E Jorge Amado: esteve à altura do personagem?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

JOÃO PAULO CUNHA, O MENSALÃO E A PROSTITUTA RESPEITOSA

Tinha várias facetas a brincadeira que fiz no último sábado, 25 (vide aqui), ao intitular meu artigo de João Paulo Cunha é culpado..., mas acrescentar o subtítulo ...de fazer uma péssima comparação histórica.

De um lado, como meu blogue tem 651 seguidores, coloquei um título algo chocante, que motivasse os leitores desses sites e blogues a abrirem o post. Algo como a célebre capa d'O Pasquim, que trombeteava, em letras garrafais: TODO PAULISTA É BICHA. Quem olhasse com mais atenção, contudo, perceberia a existência de uma ressalva, em tipos minúsculos. A frase inteira era TODO PAULISTA que não gosta de mulher É BICHA.

E por que eu fazia tanta questão de que fosse lido tal texto? Porque, sendo bom conhecedor dos horrores da ditadura de Getúlio Vargas, nunca me conformei com a imagem deturpada que dele têm as novas gerações. 

Pensam que o seu papel histórico da década de 1950 foi o que sempre cumpriu, ignorando o período 1930/1945, quando ele não passava de um aplicado discípulo de Hitler e Mussolini. Seu chefe de polícia política, Filinto Muller, uma espécie de Brilhante Ustra da época, foi retratado pelo jornalista David Nasser como um carrasco que mereceria ter sido julgado pelo tribunal de Nuremberg.

Já que os jovens esquerdistas de hoje não leem livros como Memórias do cárcere (Graciliano Ramos) e a trilogia Os subterrâneos da liberdade (Jorge Amado), tento suprir tal lacuna da melhor maneira possível.

Eu também pretendi, com minhas ironias, reduzir o assunto da moda às verdadeiras proporções. O julgamento do  mensalão  não mereceu de mim nenhuma abordagem que o levasse a sério, como as da grande imprensa e as dos ingênuos defensores dos réus na web, simplesmente porque não é sério.

Trata-se, tanto quanto o fora Collor!, de mais uma shakespereana  tempestade de som e fúria significando nada. De vez em quando o Brasil pinça alguns personagens para responderem pelo que é regra no mundo da política e dos negócios. Ou seja, trata como exceção o que todos sempre fizeram e fazem.

Provindo de nossos podres Poderes, tais cruzadas são de uma hipocrisia nauseante. Fazem-me lembrar o título de uma peça teatral de Jean-Paul Sartre, A prostituta respeitosa...

Sacrificados os bodes expiatórios de ocasião, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Então, que aplauda ou vaie tal farsa mambembe quem quiser; ela só me causa tédio. A corrupção é intrínseca ao capitalismo e, enquanto não atacarmos o mal pela raiz, continuaremos patinando sem sair do lugar.

Finalmente, eu estava dando um toque do que se sabia antes mesmo do espetáculo começar: Cunha seria condenado. Era a chamada  caçapa cantada.

E, como outrora caí numa armadilha da História e levei décadas para me libertar, sou sempre compassivo em relação a quem, inocente ou culpado, esteja purgando os pecados que todos cometem.

Conheço Osasco, a base eleitoral de Cunha. Sei há quanto tempo ele cultiva o eleitorado local, preparando o grande salto para a prefeitura. Quando chega finalmente a hora, ele é abatido em pleno voo! Este deve ter sido o pior dos castigos para ele.

Torço para que, além do ostracismo, não se chegue ao exagero de impor-lhe prisão em regime fechado, como o noticiário especula.

A prostituta respeitosa não tem moral para ir tão longe, depois de haver   aliviado   para tantos Collors e Malufs. Deixemos a sede sangue para os vampiros e os linchadores.
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