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quarta-feira, 1 de abril de 2026

SÉRIE "AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOU": 1970. BENDITOS CRAQUES, MALDITO DITADOR.

"Pai! Afasta de mim esse cálice
de vinho tinto de sangue.
(...) De que me vale
ser filho da santa?
Melhor seria
ser filho da outra,
outra realidade
menos morta,
tanta mentira
tanta força bruta!"
(Chico Buarque/Gilberto Gil)

Os que vêm acompanhando esta série hão de estranhar que a música citada acima não seja aquela que mais marcou a conquista do Mundial Fifa de 1970, Pra frente Brasil. Depois de A taça do mundo é nossa (1958) e Frevo do Bi (1962), seria a escolha óbvia.

Mas, vivia-se o pior momento da ditadura brasileira e nem mesmo o maravilhoso futebol que exibíamos em gramados do México nos tornava noventa milhões em ação, todos ligados na mesma emoção.

Atravessei a Copa como preso político no DOI-Codi/RJ (só assistiria às partidas completas no aniversário do tri), tomando conhecimento dos gols canarinhos pela gritaria no quartel e recompondo as forças durante a pausa para respirar que as partidas da Seleção nos proporcionavam – pois os torturadores preferiam assistir às belas proezas nos estádios do que protagonizar a bestialidade nos porões.

Nada impedia que, poucas horas depois, estivéssemos recebendo choques elétricos e pancadas, pendurados no pau-de-arara. A gritaria de júbilo cedia lugar aos urros desesperados. 

Não, naqueles dias podia até parecer que todo o Brasil deu a mão, mas havia um abismo intransponível entre as mãos que golpeavam e as mãos que acudiam.

Os que nos diziam 
comemorem! eram os mesmos que berravam cale-se!, ame-o ou deixe-o! e comunista bom é comunista morto. O vinho desse cálice era fel.  

E, para os que estranharem esta intromissão da detestável política num espaço dedicado ao encantamento do futebol, vale lembrarmos quão determinante ela foi no momento dos  acontecimentos.

JOÃO SEM MEDO, AS FERAS E O OGRO – Depois do acachapante fiasco no Mundial da Inglaterra (quando a convocação de um número excessivo de jogadores e o tortuoso ritual dos cortes minaram a união do elenco), o Brasil decidiu definir desde o início um time-base.

Foi como agiu João Saldanha, jornalista e técnico com notórias afinidades com o Partido Comunista Brasileiro, um homem carismático e de personalidade fortíssima (o apelido de João Sem Medo era dos mais merecidos).
Ótimo especial do Canal 100 sobre a trajetória brasileira nas eliminatórias,
Montou o escrete para as eliminatórias com maioria de jogadores do Santos e Botafogo, as duas melhores equipes da época. E, para reerguer o combalido moral brasileiro, nada como o rótulo inspirado que o escritor e colunista Nelson Rodrigues criou: as feras do Saldanha. 

A ideia era que nossos jogadores não deveriam temer nem respeitar ninguém, entrando em campo para atropelar os adversários.

E foi o que aconteceu nas eliminatórias: o Brasil passou como um trator sobre Colômbia, Paraguai e Venezuela, vencendo os seis jogos, com direito a goleadas. Foram 23 gols marcados e apenas dois sofridos.

Aí, uma conspiração esportivo-militar derrubou o técnico heroico; pesaram fatores como a independência que Saldanha assumia em relação aos repulsivos cartolas  e sua relutância em colaborar com o marketing do ditador de plantão. 
O homão era, isto sim, um amarelão

Emilio Garrastazu Médici, o sanguinário, era dado à demagogia futebolística. Ia, p. ex., assistir aos clássicos no Maracanã com um rádio de pilha colado ao ouvido... e batalhões de seguranças ao redor!

Tentando suavizar sua imagem de ogro, Médici sugeriu a entrega de uma camisa de titular ao folclórico atacante Dadá Maravilha, ao que Saldanha respondeu: Quem escala a seleção sou eu, quando o presidente escalou o seu ministério ele não pediu a minha opinião.

Ficou, claro, com a cabeça a prêmio. Os cartolas açularam então contra ele um técnico grosseiro e metido a valentão, que estava vivendo boa fase à frente do Flamengo: Dorival Knipel, o Yustrich.
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Com a promessa de que sucederia Saldanha se o derrubasse, Yustrich desandou a atacá-lo de todas as formas, sem sucesso.


Até que levou a coisa para o lado pessoal, atingindo a honra do João, que provou ser mesmo sem medo: apanhou um revólver e foi atrás do difamador em pleno estádio do Flamengo. 
Yustrich, o falso ferrabrás, fugiu pulando desajeitadamente a cerca.
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QUADRADO MÁGICO, AFORTUNADO ACASO! – E os cartolas, a pretexto de descontrole emocional, demitiram Saldanha, substituindo-o pelo dócil Zagallo.
Rivellino, a patada atômica

Tão despersonalizado que os líderes do elenco lhe impuseram a escalação de Rivellino, o reizinho do Corinthians. Zagallo preferia Edu, do Santos, numa armação convencional de 4-2-4.

Assim, porque ninguém estava realmente aprovando na ponta-esquerda, surgiu, meio por acaso, a grande inovação tática da Copa de 1970: o  quadrado mágico., 

Era formado por Gerson, Pelé, Tostão e Rivellino, que não guardavam posições fixas, deslocando-se de acordo com o desenrolar de cada ataque. 
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[Na Copa seguinte, o carrossel holandês ampliaria tal rotação, estendendo-a para os demais compartimentos do time.

Para completar, ficava mais à frente Jairzinho, goleador hábil e oportunista, aproveitando muito bem as assistências dos craques.

Na estreia, contra a Checoslováquia, os brasileiros viram pela primeira vez uma partida de Copa do Mundo sendo transmitida ao vivo pela TV. A grande maioria ainda em preto-e-branco, pois poucos tinham poder aquisitivo para adquirir os recém-lançados televisores coloridos.


Uma 
bomba de Rivellino, cobrando falta da meia-lua, restabeleceu a ordem natural das coisas. E o primeiro tempo ainda teve a tentativa de Pelé de encobrir o goleiro com um chute do meio de campo – um dos grandes gols que não aconteceram da história do futebol.

No segundo, só deu Brasil. Belos tentos de Pelé e Jairzinho (2) garantiram a goleada por 4x1, destacando-se os perfeitos lançamentos de longa distância que alcançavam atacantes com pouca marcação.


A partida seguinte foi a batalha dos mais recentes campeões: Brasil (1958 e 1962) contra Inglaterra (1966).
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Jogo equilibrado, disputadíssimo, no qual o grande Banks fez defesa antológica, numa cabeçada fulminante de Pelé; em que até nosso mediano goleiro Felix, quem diria, andou salvando a pátria; no qual Astle perdeu chance incrível após falha de Everaldo.

O único gol foi uma pintura: Tostão recebe pela ponta-esquerda, enrola-se com três adversários e, já caindo, consegue passar para Pelé, que talvez marcasse mas, com muitos ingleses à frente, preferiu colocar Jairzinho cara a cara com Banks. Caixa.

Vaga garantida, a partida com a Romênia virou amistoso de luxo. 3x2, com falhas de nossa defesa e gols de Pelé (2) e Jairzinho.

Petras abriu o placar e surpreendeu o mundo ao fazer o sinal da cruz (
ué, comunistas também são cristãos? Eles não comem criancinha viva?).

Nas quartas-de-final, a tradição prevaleceu. O Peru, treinado pelo nosso Didi, jogou como nunca e perdeu como sempre. 

Até que surpreendeu no ataque, comprovando a fragilidade da zaga brasileira (o craque Carlos Alberto; o bom Piazza, sacrificado por estar fora de sua posição; e os limitados Brito e Everaldo).

Em compensação, os zagueiros peruanos levaram o previsível o esperado baile. 4x2, com gols de Tostão (2), Rivellino e Jairzinho.
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DUELO DE GIGANTES – O outro rival sul-americano foi bem mais difícil. O Uruguai, campeão de 1930 e 1950, vendeu caro a derrota na semifinal.

A partida ficou ainda mais complicada a partir de uma falha grotesca de Felix, que aparentemente fez golpe de vista numa bola que poderia ter agarrado com certa facilidade. 0x1.

Quando o primeiro tempo já terminava, Clodoaldo surgiu como elemento-surpresa para fazer um gol providencial. 1x1.

Na segunda fase, o sofrimento durou 30 minutos, até Tostão servir Jairzinho num contra-ataque. Superando um adversário na corrida, o furacão da Copa desempatou.

Os uruguaios foram para cima e Felix se redimiu da bobeira do 1º tempo, fazendo defesas cruciais.
O Uruguai estava atravessado na garganta dos brasileiros desde 1950
Pelé novamente deixa o mundo extasiado com um gol que não aconteceu: aplicando desconcertante drible da vaca no goleiraço Mazurkiewicz mas chuta raspando a trave.

No finzinho, a  patada atômica  de Rivellino funciona de novo, para dar números mais categóricos à vitória suada: 3x1.

Veio então o tira-teima entre duas seleções bicampeãs: Brasil e Itália (1934 e 1938). Quem vencesse, levaria a Taça Jules Rimet definitivamente para casa.


O Brasil jogou completo: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.


A superioridade brasileira foi marcante, contra uma Itália que, tecnicamente bem inferior, ainda se desgastara demais para despachar a Alemanha Ocidental na outra semifinal, decidida somente na prorrogação (4x3).
Clique aqui para ver o compacto da final
Centro perfeito de Rivellino para a cabeçada de Pelé. 1x0.

A Itália empata após saída atabalhoada de Felix, que foi disputar a bola na intermediária. 1x1.. 

Gerson, o canhotinha de ouro, recebe a bola num corta-luz e desfere chute perfeito da meia-esquerda, aos 21 minutos do 2º tempo. 2x1.

A cansada Itália se entrega de vez quando, logo em seguida, Gerson lança a bola do meio-de-campo e Pelé, na área, apara de cabeça para Jairzinho marcar. 3x1.

O resto foi festa,
olé e um gol apropriadamente qualificado de orgástico  pelo Pasquim: Pelé encosta para Carlos Alberto, que vinha na corrida e fez exatamente o que já se desenhara na mente de todos os brasileiros, desferindo um potente chute cruzado que estufou as redes italianas.

O único Mundial conquistado pelo Brasil sob regime ditatorial seria o mais instrumentalizado politicamente de todos os cinco. 

Ajudou a vender a ilusão de um deslanche econômico, logo desfeita pelos choques do petróleo; e a consolidar uma ditadura sanguinária, que escreveu página vergonhosa de nossa História.

Mas, o que ficou mesmo na memória popular foi a magnífica campanha de nossos craques, que venceram todas as partidas, dando-se ao luxo de sobrepujar, de forma categórica, três das outras seleções campeãs mundiais. 

Então, independentemente dos trastes que pegaram carona nos seus feitos esportivos, é dos jogadores e só dos jogadores que  lembramos... com muito orgulho! (por Celso Lungaretti)

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O QUE OS OUTROS JORNALISTAS NÃO ESCREVERAM SOBRE O ZAGALLO

Para Médici, seria uma saia justa dividir os holofotes
do tri com um comunista. Os cartolas o atenderam...
É irritante a tendência bem brasileira de se passar pano nas facetas menos lisonjeiras de um famoso quando ele morre, postura criticável até mesmo num cidadão comum e simplesmente inaceitável em jornalistas. 

Estes últimos, em especial os da imprensa escrita, deveriam priorizar a verdade, ao invés de vergarem-se às conveniências, fazendo coro às coberturas quase sempre louvaminhas e apologéticas dos meios eletrônicos.

Zagallo foi mais coadjuvante do que protagonista durante a vida inteira, então não havia motivo para estender-me agora sobre ele. Mas, faço questão de lembrar o que tantos outros omitiram:
— como campeão mundial em 1958 e 1962, não passava de um carregador de piano para os jogadores decisivos brilharem. Só atuou porque Vicente Feola e Aymoré Moreira, respectivamente, optaram por um novo esquema tático (o 4-3-3), com Zagallo recuando para auxiliar na marcação e encorpar o meio-de-campo. Se a opção fosse pelo ponta-esquerda convencional do 4-2-4, Pepe teria ficado com a vaga, pois, como atacante, era imensamente superior;
— dirigido por Saldanha, dito João Sem Medo, o escrete deitou e rolou nas eliminatórias do Mundial de 1970, com as então chamadas feras do Saldanha goleando impiedosamente os adversários. Mas, o ditador Médici não queria que a seleção o tivesse como técnico nos gramados do México, por causa de sua notória proximidade com o PCB. Então, os solícitos cartolas armaram uma arapuca para descartá-lo, incitando o técnico flamenguista Yustrich a dar repulsiva declaração à imprensa, na qual fez referência a uma suposta infidelidade da esposa do Saldanha. Este saiu atrás do ofensor para tirar satisfações, dando pretexto para seu afastamento. Quem foi o técnico politicamente confiável que acabou herdando o cargo? O Zagallo.
Quando Médici pediu Dadá Maravilha no escrete, Saldanha
disse: "Ele não escala a seleção, nem eu escalo ministério".
Zagallo obedeceu ao ditador, mas deixou Dario na reserva
— em situações como essa, a cartolagem só derruba um treinador quando já tem outro engatilhado e concorde para assumir a vaga. Embora Yustrich houvesse sido levado a crer que, feito o serviço sujo, seria ele o agraciado, seu autoritarismo no trato com os jogadores era tão acentuado que lhe acarretava forte rejeição. A opção por um treinador mais palatável era pra lá de previsível e isto já deveria estar nos planos dos golpistas;
— a seleção tricampeã mundial foi a que Saldanha moldou nas eliminatórias, quando reergueu a confiança dos brasileiros (abalada pelo fiasco de 1966). A grande novidade foi a formação do chamado quadrado mágico (Gerson, Tostão, Pelé e Rivellino), mas ela não se deveu a Zagallo, que preferia Edu como ponta-esquerda. Os líderes do elenco, contudo, forçaram a escalação do jovem da patada atômica  e o Brasil fez sua Copa mais memorável, dentre todas as que venceu;
— em 1994 Zagallo, qualquer que fosse seu rótulo oficial, não passou do principal auxiliar de Carlos Alberto Parreira e é sabido que sua influência foi grande para que o técnico adotasse posturas excessivamente cautelosas, culminando no horroroso espetáculo que foi a final contra a Itália: 0x0 durante 120 minutos, mais a pífia vitória nos pênaltis; e
— jamais pode ser esquecida a infame expulsão do grande goleiro Barbosa, quando este, já septuagenário, tentou visitar a concentração do escrete em 1994. 

Ele havia sido injustamente estigmatizado e feito bode expiatório do maracanazo  (inclusive por ser afrodescendente, tanto que disseminou-se a partir daí o preconceito de que goleiros negros sempre falhariam nos momentos decisivos). 
"Alegria do povo", Garricha encantou o mundo com
a pureza do seu amor pelo futebol. Não o merecemos.



O pobre Barbosa, após tanto sofrer por causa de uma única decisão errada (adiantou-se para interceptar o provável cruzamento do ponta Ghighia, pois assim nascera o tento de empate dos uruguaios, mas o atacante surpreendeu-o ao arrematar para o gol), ainda foi exposto e humilhado, 44 anos depois (!), como 
pé frio. 

Os jornalistas que cobriam o dia a dia em Teresópolis garantiram que tal atitude, raríssima num indivíduo cordial como Parreira, teve como forte instigador o Zagallo, que era, sabidamente, um homem supersticioso ao extremo.

É óbvio que Zagallo também teve lá seus méritos. Mas eles já foram desmedidamente exaltados pelos meus colegas, a ponto de um deles pretender que haja sido o segundo jogador mais importante da seleção canarinha em todos os tempos, acima até de Garrincha,  que carregou seu escrete nas costas em 1962 (feito só igualado pelo Maradona em 1986). 

Que enorme disparate! Quanta ingratidão com o genial Mané!

Enfim, faltava mostrar este outro lado do endeusado da vez, para restabelecer o equilíbrio que os textos jornalísticos, mesmo os necrológios, sempre deveriam ter. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE? MELHOR ENTREGAR AOS ÁRABES!

O São Paulo chega à 37° rodada do Brasileiro em situação desconfortável. Tem 45 pontos e enfrenta o Juventude, com 43. O Cuiabá (que recebe o Fortaleza) e o Bahia (com um jogo a mais) também têm 43. 

Um dos cinco – acrescente-se o Furacão [Atlético Paranaense], com 45 pontos – vai cair. 

E na mesma semana tensa, apareceu a especulação de que o São Paulo poderia ser alvo de investidores árabes dispostos a comprar um time brasileiro. 

Seria ótimo. O clube voltaria a ter um time competitivo. A camisa branca com listras vermelha e preta voltaria a ser temida. 
E o torcedor viveria ainda de lembranças de grandes craques criados no Morumbi. Ou de tantos outros que passaram por lá: Leônidas, Bauer, Gerson, Cerezo, Pedro Rocha, Ceni, Kaká, Zizinho, Didi, Falcão... 

Ah, mas o clube vai ser dominado por árabes, pouco afeitos à democracia? 

Amigo, os atuais dirigentes não estão preparando uma mudança de estatuto que perpetuará o atual grupo no poder? 

Ah, mas será a confissão de fracasso. Não temos mais nossos dirigentes.
 

Amigo, nunca foram seus. Pertencem a um sistema fechado e que vai ficar mais fechado ainda. 

Ah, mas foram dirigentes antigos criados nesse sistema que criaram a grandeza do clube, através dos anos. 

Sim, dirigentes ousados, capazes de contratar, nos anos 40, Leônidas da Silva, o maior jogador do Brasil. Dirigentes obsessivos, capazes de construírem o Morumbi. 

E, após sua conclusão, de contratarem Toninho Guerreiro e Gerson de Oliveira Nunes. Pedro Rocha. Visionários que construíram o CT [Centro de Treinamento] da Barra Funda. E o CFA [Centro de Formação de Atletas] de Cotia. 

E o que se pode esperar dos dirigentes de hoje? Alguma ideia revolucionária no marketing? Uma maneira criativa de enfrentar a dívida? Uma maneira conservadora de enfrentar a dívida?

Um jeito de receber mais dinheiro com a venda das joias [jovens revelações] de Cotia? A venda do naming right [concessão para agregar uma marca comercial ao clube, como a Crefisul e a Neo Química acertaram com o Palmeiras e o Corinthians] do Morumbi? 

O que se pode esperar de novo, de moderno, quem sabe, doce ilusão, de revolucionário? Nada. Nadica de nada. 
Estão com o pensamento voltado para o dia 16, um golpe [mudança no estatuto que concentrará ainda mais o poder nas mãos de uma minoria de conselheiros]. 

Estão todos fechados em si mesmos, louvando e babando com elucubrações jurídicas de membros da TFP [a arquirreacionária Tradição, Família e Propriedade]. 

Nada de colocar o clube na condenação da ditadura militar. Nada de apoio à causa LGBTQ. 

Entreguem aos árabes. Peçam que respeitem Eder Jofre e Adhemar Ferreira da Silva. Exijam que não mudem nossas cores. E entreguem. O clube estará em melhores mãos. (por Luís Augusto Símon, o Menon da crônica esportiva)
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