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domingo, 12 de junho de 2022

A ÚNICA MANEIRA DE EVITAR O CAOS SEMEADO PELO BOZO É SEU IMPEACHMENT

rui martins
BOLSONARO NÃO ACEITARÁ UMA DERROTA
Aameaças golpistas não terminaram após o último 7 de setembro: assumiram outros contornos, embora a base seja sempre a mesma alegação mentirosa e sem fundamento do risco de fraude nas eleições com voto eletrônico. 

Com essa constante repetição por antecipação da mentira de eleições fraudulentas em outubro, tanto a imprensa quanto os candidatos adversários do presidente Bolsonaro acabaram se acostumando, a ponto de agora, dezesseis semanas antes do pleito, acharem não haver nenhum risco de subversão da ordem democrática.

Solerte agitador, matreiro e mentiroso contumaz, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu seu intento de desmobilizar seus adversários à força de repetir descaradamente em público seu projeto golpista, a ponto do seu projeto criminoso passar a ser considerado como falácia ou delírio.

Ora, nesses três anos e meio de governo, Bolsonaro aproveitou para aperfeiçoar seu projeto de permanência no poder. Só não vê quem não quer, tantos são os sinais dados aos seus fiéis seguidores, aos quais caberá a tarefa de provocar o caos e assegurar a ruptura da ordem democrática.

Ainda há alguns dias, Bolsonaro, na cidade de Umuarama (PR),passou a mensagem de que se precisar, iremos à guerra contra os inimigos internos que querem roubar nossa liberdade

Não ficou suficientemente claro? Não há nenhuma linguagem cifrada. E acrescentou, num discurso repassado ao chamado gado bolsonarista, mas transcrito igualmente com destaque pela mídia, o desejo de que comecem a pensar nisso, pois gostaria de tê-los juntos com ele.

Alguns dias depois, num trecho de entrevista divulgada pela UOL, Bolsonaro, como se não soubesse das pesquisas eleitorais das últimas semanas prevendo sua derrota, soltou uma frase bem reveladora de suas intenções: diante do que tenho visto, acho que devo ganhar no 1º turno.

E uma terceira mas suficientemente clara evidência de haver um plano de Bolsonaro para enfraquecer o STF e o TSE: a  crise criada dentro do Supremo pelo ministro bolsonarista Kássio Nunes Marques, suspendendo monocraticamente decisões da Justiça Eleitoral, que puniu parlamentares por difundirem informações falsas sobre as urnas.

Essa decisão unilateral do chamado 10% de Bolsonaro no STF poderia ter sido rapidamente anulada, mas o ministro André Mendonça, que se constitui nos outros 10% de Bolsonaro, impediu que os 11 ministros julgassem o caso no plenário, ao pedir vista do processo.

Isso não impediu a anulação da cassação do mandato de Francischini, pois outro julgamento, na 2ª Turma, derrubou por 3 a 2 a decisão de Nunes Marques. 

Entretanto, nem ele e nem Mendonça, minoritários dentro do STF, esperavam reverter a decisão do TSE. Ambos tinham como objetivos abrir dentro do STF uma discussão sobre as notícias falsas nas redes sociais e sobre a vulnerabilidade e possibilidade de fraude com o voto eletrônico.

Esse objetivo foi plenamente obtido junto ao eleitorado bolsonarista, tanto que Bolsonaro pronunciou um discurso, logo a seguir, no Planalto, para condenar a decisão da 2ª Turma do TSE, dizendo textualmente que Francischini tinha sido cassado por dizer as mesmas coisas que ele, Bolsonaro, havia dito sobre as eleições em 2018, quanto a irregularidades constatadas e denunciadas por muitos eleitores no momento de votar.

Essas denúncias, apesar de terem sido agora repetidas pela enésima vez pelo presidente, não deixam de ser 
fake news, pois nunca foram constatadas ou confirmadas. Na verdade, ele poderia ser também inculpado por disseminar mentiras, como foi Francischini.

Bolsonaro, visivelmente irritado, declarou ainda que não cumprirá decisões do STF e que
não viverá como um rato, num discurso tendencioso, utilizando argumentos falaciosos e deixando claro, como sempre tem feito, que só aceitará o resultado das eleições se tiverem sido limpas e seguras

Ou seja, se não forem por voto eletrônico, reclamando a participação militar no controle das eleições, e repetindo que, no passado, ganhava quem tivesse votos nas urnas, não num cofre controlado por alguns.

Nesta altura, não resta qualquer dúvida, Bolsonaro contestará a validade do resultado das eleições e provocará uma crise institucional. A única maneira de se evitar a chegada desse caos semeado por ele seria iniciando-se imediatamente um processo de impeachment:
— por apregoar mentiras e falsas informações sobre o voto eletrônico, por incitar seus seguidores a não aceitar os resultados das eleições de outubro;
— por deixar claras as suas intenções golpistas caso não seja reeleito; e
— por querer provocar, com suas frases invocando o uso de armas, um clima de reação armada no país.
.
UMA IDEIA DO CAOS EM OUTUBRO  Ao repetir, faz alguns dias, não acreditar numa derrota, algo que poderia ser interpretado como não aceitarei uma derrota, o plano provável de Bolsonaro seria o de reforçar ao máximo, junto aos fiéis seguidores, um clima de desconfiança no voto eletrônico às vésperas das eleições, utilizando suas redes sociais e declarações.

Tão logo sejam divulgados os resultados, caso se confirme sua derrota, é provável que Bolsonaro venha a fazer uma declaração não aceitando a decisão das urnas e denunciando fraude. Com isso, poderá deflagrar uma crise institucional, dependendo da reação da Câmara, do Senado, dos policiais e militares, havendo manifestações pró e contra Bolsonaro em lugares diferentes, que poderão degenerar com o uso de armas. 
O TSE, que será comandado a partir de agosto por Alexandre de Moraes, poderá ter algumas de suas decisões derrubadas pelos 20% de Bolsonaro no STF.

É aqui que entra a crise de desconfiança no STF e TSE criada estes dias por Nunes Marques, reforçando a crise institucional. Seria o momento em que Bolsonaro convocará seus seguidores para irem à guerra?.

Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre, declarou recentemente haver perigo de golpe, mas que se houver, Bolsonaro não ficará no poder. Nesta ficção, tudo dependerá da decisão das Forças Armadas. Os militares vão preservar a democracia ou aderir ao caos? (por Rui Martins)

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O BOZO QUER BISAR O FIASCO DA MICARETA GOLPISTA DO DIA DA PÁTRIA

josias de souza
BOLSONARO PREPARA
 CONFUSÃO PARA 7 DE SETEMBRO
Era política, e não jurídica, a inspiração da liminar emitida pelo ministro do Supremo Kassio Nunes Marques para devolver o mandato ao deputado bolsonarista difusor de fake news Fernando Francischini. 

Sepultado na 2ª Turma da Corte cinco dias depois de vir à luz no escurinho do gabinete de uma toga de estimação de Bolsonaro, o despacho esdrúxulo é utilizado pelo presidente como mote para convocar os seus devotos às ruas no 7 de setembro. 

O presidente deseja reeditar, um mês antes das eleições de outubro, os atos antidemocráticos que eletrificaram a conjuntura no ano passado. 

O novo 7 de setembro "já está sendo organizado", disse Bolsonaro em entrevista ao SBT. Servirá, segundo o presidente, para que o povo informe de que lado está.

Consumado o restabelecimento da cassação de Francischini, um Bolsonaro fora de si usou evento oficial no Planalto para mostrar mais uma vez o que tem por dentro. 

Defendeu Francischini, disse que fake news não é crime, desqualificou o sistema eleitoral, pregou o fechamento de jornais, espinafrou os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, atual e futuro presidente do TSE.

De quebra, Bolsonaro proclamou-se uma espécie de presidente supremo, acima dos demais Poderes da República: 
"Eu fui do tempo em que decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo. Não sou mais"
Em todos os seus pronunciamentos, Bolsonaro faz uma defesa ardorosa da liberdade de expressão. Mas tudo o que se vê em cada fala do presidente é uma absoluta dificuldade de se exprimir. 

O Brasil está sendo atacado por um governo desgovernado. Cada frase de Bolsonaro soa como um morteiro disparado contra o interesse nacional. 

Segundo o Datafolha, Bolsonaro é o candidato mais rejeitado da temporada de 2022: 54% dos eleitores declaram que jamais votariam nele. É como se mais da metade do eleitorado enxergasse no voto uma arma a ser sacada do coldre na eleição de 2 de outubro como um gesto de legítima defesa. 

Em desespero, Bolsonaro vai se consolidando como candidato favorito a eleger Lula como seu sucessor. (por Josias de Souza)

domingo, 31 de outubro de 2021

O BOZO É UMA GENI EM QUE O MUNDO INTEIRO JOGA PEDRAS... SÓ QUE, NO CASO DELE, AS PEDRADAS SÃO 100% MERECIDAS!

eliane cantanhêde
AUSENTE DA COP 26 E ISOLADO NO G20, O
RISCO DE BOLSONARO É, SIM, LEVAR PEDRADA
C
om seu jeitão de caserna e a sinceridade de (quase) sempre, o general e vice-presidente Hamilton Mourão explicou por que o capitão e presidente Jair Bolsonaro, apesar de estar ali perto, na Itália, se recusou a ir à COP 26, na Escócia: “Ele vai chegar num lugar em que todo mundo vai jogar pedra nele?”

Mourão, que é responsável pela Amazônia, mas foi dispensado da COP, ainda tentou ajeitar as coisas, justificando que muitas críticas são equivocadas, por um certo viés ideológico e o peso do interesse econômico. Mas, como todo o mundo, literalmente, sabe, há motivos aos montes para pedradas.

Segundo o Observatório do Clima, o Brasil andou na contramão do mundo em 2020. Com pandemia e recuo na atividade econômica, a emissão de CO² teve uma redução média mundial de 7%, mas o País emitiu 10% a mais, um desastre na comparação internacional e também interna. 

Foi o pior resultado desde 2016. Por quê? Por causa do desmatamento da Amazônia, um marco da era Bolsonaro. 

Se conseguiu se livrar de pedras na COP 20, o presidente brasileiro não evitou que seus opositores, grosseiramente, aliás, pusessem estrume na entrada de um dos locais que visitou em Roma. E ele se livrou de dar vexame na COP, mas não no G-20. Antes mesmo da reunião. 

Bolsonaro ignorou e foi ignorado pelos líderes do G20, particularmente Olaf Scholz, que venceu as eleições na Alemanha (Alemanha!). E ficou falando sozinho com Recep Erdogan, da extrema-direita da Turquia.

Constrangido e calado, ele ouviu do brasileiro que a economia aqui vai bem, ele é muito popular, a Petrobras é um estorvo e a imprensa é culpada de tudo. Tire suas conclusões.

A chapa Bolsonaro-Mourão foi absolvida por unanimidade TSE, num efeito avestruz citado pelo ministro Alexandre de Moraes: todo mundo sabe e viu as milícias digitais e fake news de 2018. Mas cassação após três anos de governo, a um ano da eleição e com o País afundado no caos? O jeitinho brasileiro foi avisar que, daqui pra frente, tudo será diferente. Será?

Noutra decisão, o TSE cassou o deputado Fernando Francischini por fake news contra as urnas eletrônicas, acusar de fraude a própria eleição que lhe deu o mandato e fazer o TRE-PR consumir tempo e dinheiro para negar. Bolsonaro fez tudo igual, e com canais e recursos públicos. Mas o TSE cassou um e empurra o outro para debaixo do tapete.

Esse tapete deverá acomodar as 1.288 páginas de pedradas da CPI da Covid, a depender da PGR de Augusto Aras e da Câmara de Arthur Lira. Mas... se o jeitinho brasileiro vale para um lado, vale para o outro. E o jogo só termina em outubro de 2022. (por Eliane Cantanhêde)
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