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segunda-feira, 30 de junho de 2025

PRESSÃO MARCIAL DOS ALEMÃES E FRAGILIDADE EMOCIONAL BRASILEIRA EXPLICAM: BAYERN 4x2 FLAMENGO

Quando o Fla parecia reagir, o Bayern marcava outro gol
O Flamengo, melhor time brasileiro da atualidade, foi presa fácil para o Bayern de Munique na Copa do Mundo de Clubes

E noto, mais uma vez, como o jornalismo de hoje está impregnado de clubismo, com vários comentaristas esportivos passando pano num fracasso que não precisaria ser tão acachapante. 

Afirmarem que o revés era inevitável dada a diferença de qualidade entre o futebol sul-americano e o europeu é só uma saída pela tangente. Discordo.

Um Corinthians nitidamente inferior ao Chelsea em 2012 saiu vencedor porque o técnico Tite soube montar seu esquema de jogo em função do adversário que enfrentava e os atletas não perderam a cabeça, salvo o zagueiro Chicão que, mal a partida se iniciava, rebateu mal uma bola na própria área e a deixou na medida para o adversário abrir o placar. A defesa milagrosa de Cássio salvou o timão que, dali em diante, não se apavorou mais.

O Flamengo passou a partida inteira teimando em sair com a bola de trás, pé para pé, o que propiciou os desarmes responsáveis pelo segundo e quarto tentos alemães, ambos com finalizações cirúrgicas do Kane.

A jogada do gol contra começou quando o goleiro Rossi tentou municiar o ataque com um chutão rente ao solo que, interceptado, resultou no escanteio fatal. Ele sempre faz isto, não lhe ocorrendo que deveria mandar a bola pelo alto, exatamente para não suceder o que aconteceu ontem.
Henry Kane deitou e rolou

No terceiro, Luiz Araujo foi tão precipitado em tirar uma bola de sua área que, mesmo não estando acossado, rebateu para a frente, oferecendo-a numa bandeja para o chute indefensável de Goretzka.

Ou seja, nos quatro gols sofridos a marcação agressiva por pressão do Bayern induziu os flamenguistas ao erro, com a redonda saindo da posse dos rubro-negros para a dos germânicos e, em seguida, sendo mandada às redes. 

O técnico Felipe Luís pagou pelo noviciado como treinador, mesmo tendo muitos anos de janela como jogador. Tais falhas jamais poderiam repetir-se após a surpresa inicial: nove minutos, 2x0 para o Bayern. A coisa deveria ter parado por aí, mas ele, tão prendado, jamais gritaria o velho chavão "bola pro mato, que o jogo é de campeonato". 

Decepcionante também foi sua justificativa ("Eles ganharam porque foram melhores. Simples assim"). Quem não aprende com seus erros está fadado a repeti-los.

Também faltou um capitão como Zito nos Mundiais Fifa de 1958 e 1962 e Dunga no do tetra. Eles eram capazes de perceber os problemas e dar uma dura nos  companheiros antes mesmo de a ficha cair para o treinador. O Flamengo carece demais de um jogador com tal perfil. 

De resto, parece que não será ainda desta vez que os brasileiros darão fim ao total domínio europeu nos Mundiais da Fifa desde 2012. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 7 de abril de 2022

TORCEDORES DO TIMÃO DEVERIAM É BEIJAR AS MÃOS DO CÁSSIO!

O
goleiro Cássio é, de todos os jogadores que passaram pelo Corinthians em seus 111 anos de existência, o que proporcionou as duas maiores alegrias à fiel (?) torcida.

Com uma defesa quase impossível, de ponta de dedos, evitou que Diego Souza abrisse o placar para o Vasco da Gama nas quartas-de-final da Libertadores de 2012, quando era remota a possibilidade de, na meia-hora restante, o timão conseguir fazer os dois gols que se tornariam necessários para evitar a desclassificação.

Meses depois, na disputa do título mundial contra o Chelsea, foi simplesmente o melhor jogador em Yokohama, com meia-dúzia de defesas dificílimas, sem as quais o solitário gol de Guerrero de nada teria adiantado.
Quem o ameaça de morte por meio de mensagens anônimas (artifício dos covardes!) e apavora sua esposa, depois de uma partida na qual o time atuou pessimamente mas ele não teve responsabilidade nenhuma pela derrota, merecia estar numa jaula. 

Mas não a do distrito policial, e sim alguma de animais no zoológico. (CL)

domingo, 22 de dezembro de 2019

ONTEM NÃO TEVE GOL DO GABIGOL

Toque do editor
Assim como a maioria dos seres humanos, sonho com uma repetição de tempos melhores, em todos os sentidos. Até no futebol. 

Quero demais ver novamente os sul-americanos no topo e os europeus, com toda a sua grana, curvando-se aos lampejos geniais de nossos Pelés, Garrinchas e Maradonas.

Então, finda a decisão do Mundial de Clubes, com a derrota pra lá de honrosa do melhor dos representantes brasileiros desde a conquista corinthiana em 2012, não tive a mínima vontade de teclar meu desalento.

Mas, como venho sempre colocando algo no blog sobre as grandes decisões futebolísticas, hoje, tendo esfriado a cabeça, resolvi trazer para cá a mais consistente e equilibrada análise que encontrei na blogosfera, a do Mauro Cezar Pereira.

Só acrescentaria que, se a superioridade do Chelsea sobre o Corinthians foi muito maior que a do Liverpool sobre o Flamengo, Tite conseguiu incutir nos seus comandados um espírito vencedor que faltou aos rubronegros: eles acreditaram o tempo todo na vitória, não se intimidaram com as situações claras de gol evitadas por defesas monumentais de Cássio e souberam aproveitar cirurgicamente uma das poucas chances que criaram.

Guerrero: oportunismo e frieza na maior chance do timão 
Jorge Jesus se mostrou um treinador mais benéfico para o futebol do que o Adenor, ao encarar corajosamente, de igual para igual, o melhor time do mundo. 

Mas, isto obrigou os jogadores do Flamengo a se superarem em campo, devido à maior qualidade individual dos adversários. E, assim como os briosos mexicanos do Monterrey, eles se cansaram, foram incapazes de manter o ritmo até o fim e aí o Liverpool se impôs.

Já o Corinthians de Tite, jogando fechado e apostando nos contra-ataques, manteve o fôlego. 

E, com exceção de uma vacilada incrível do experiente Chicão no comecinho da partida, nenhum dos seus jogadores pareceu sentir o peso da responsabilidade, ao contrário de Bruno Henrique e Gabigol, que se esforçaram como nunca mas não conseguiram brilhar como sempre.
Vacilada do Chicão, primeiro milagre do Cássio
Para encerrar, desejo ao Galvão Bueno uma ótima aposentadoria... o quanto antes! 

Foi simplesmente irritante ele procurar fazer do Mister o bode expiatório da derrota (que se começou a desenhar mais ou menos a partir dos 30 minutos do 2º tempo), atribuindo a perda do controle da partida por parte do Flamengo às substituições de Everton Ribeiro e Arrascaeta. 

No instante mesmo em que aconteciam, eu já percebi que a causa era a queda de rendimento físico de ambos e a necessidade de remontar o time, colocando jogadores descansados em campo, para a provável prorrogação. Foi exatamente o que o Mister explicou mais tarde. 

Mas, claro, Galvão precisava fornecer consolos baratos aos espectadores, tratando-os como crianças incapazes de assimilar os acontecimentos desagradáveis da vida. É o que ele sempre faz. (por Celso Lungaretti)
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mauro cezar pereira
PATAMAR ELEVADO DO FLAMENGO FICOU
 CLARO, SÓ QUE O LIVERPOOL ESTÁ ACIMA
Também com oportunismo e frieza, Firmino foi o algoz do Fla
Jogar contra o campeão europeu e tarefa complexa, especialmente quando este também e o melhor time do momento, caso deste Liverpool que perdeu apenas uma das 56 últimas partidas que fez pela Premier League, o mais difícil campeonato nacional do planeta. 

Uma equipe que no atual campeonato inglês jogou 17 vezes, empatou uma (fora de casa, em Old Trafford, com o maior rival, Manchester United) e venceu 16! 

Foi contra esse adversário que o Flamengo se impôs por boa parte dos 90 minutos em Doha, especialmente no 1º tempo. Teve a posse, jogou bola, colocou o Liverpool em seu próprio campo, marcando, por tanto tempo que antes do intervalo era de 59% o tempo de posse da pelota dos rubro-negros. 

O time brasileiro jogava com coragem, não se limitava a atuar fechado em sua defesa, esperando uma chance. 
Gabigol com cãibras: Flamengo foi minado aos poucos
Mas uma equipe como a campeão da Europa, forte e habituada a jogar do mesmo jeito, sem se descontrolar, mesmo quando em dificuldades, sabe que em algum momento devera recuperar o domínio da partida. 

"Eles não se desconcentravam, mantiveram a calma, a forma de jogar", ressaltou o capitão Diego, com longa experiencia de futebol europeu, após o encerramento da decisão do Mundial de Clubes da Fifa

O Flamengo perdeu e isso obviamente não satisfaz, não deixa a torcida feliz, embora ela tenha motivos para estar orgulhosa de uma apresentação ousada, enquanto a condição física permitia. 

Fora a Flórida Cup, foram 74 jogos na temporada do time carioca; o Liverpool chegou ao seu cotejo 30º na atual e, como ela termina em maio, não deve passar de 60 apresentações. Isto pesou no decorrer do jogo. 

Fato é que o time inglês mereceu vencer, criou as melhores chances e fez o goleiro Diego Alves trabalhar mais do que Alisson. Mas com um pouco de sorte e pontaria, Lincoln poderia empatar no finalzinho da prorrogação, após passe de Vitinho. Mandou para fora. 

Jorge Jesus: substituições se deveram ao cansaço
Não, o Flamengo não pode reclamar da sorte, ela lhe sorriu. O que faltou então? Tempo. São cinco meses de Jorge Jesus contra quatro anos, dois meses e oito dias de Jurgen Klopp nos reds

A partida do time brasileiro mostrou que, sim, e possível desafiar equipes poderosas da Europa nesses duelos. Mas para vencê-las encarando-as, saindo para o jogo, como fez o Flamengo e jamais se havia visto antes, e necessário avançar mais, chegar a um estagio mais alto. 

O Flamengo está, sim, noutro patamar no Brasil e em relação a boa parte do continente. E ele é elevado, mas ainda bem abaixo dos melhores times de futebol do mundo.  (por Mauro Cezar Pereira)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

HÁ 7 ANOS ERA DIA DE SÃO CÁSSIO

Faz exatos sete anos que o Corinthians conquistou o Mundial de Clubes da Fifa, sendo até agora o último campeão brasileiro dessa competição. 

A perspectiva de que o Flamengo finalmente interrompa a série de triunfos europeus dá um sabor todo especial à efeméride.

Mas, a minha esperança vai além: vejo nesse Flamengo mágico de 2019 (que infelizmente perderá muitas de suas estrelas para a próxima temporada...) potencial para não só levantar a taça, mas fazê-lo de forma categórica.

Pois, nas 15 vezes em que foi disputado o Mundial de clubes que a Fifa reconhece, não só ficamos em grande inferioridade face às equipes europeias (7 títulos espanhóis, 2 italianos, 1 alemão e 1 inglês), como vencemos mas não convencemos nas quatro finais em que prevalecemos: 
— o Corinthians em 2000 só derrotou o Vasco da Gama nos pênaltis, depois de um tedioso 0x0 no jogo normal e na prorrogação; 
— o São Paulo em 2005, o Internacional em 2006 e o Corinthians em 2012 ganharam sempre pelo placar mínimo, segurando-se na defesa e aproveitando uma das raras chances que criaram;
— os goleiros Rogério Ceni e Cássio salvaram suas equipes e foram, disparados, os melhores em campo nos anos de 2005 e 2012.
O que há para destacarmos na apoteose do bando de loucos em Yokohama?

Os milagres do Cássio foram mesmo impressionantes. O Chelsea, normalmente, teria feito uns três gols, apesar do nó tático que Tite aplicou no técnico Rafa Benitez. A diferença qualitativa entre os dois elencos era chocante.

Raras boas chances corinthianas andaram sendo desperdiçadas por Emerson Sheik que, após ser o herói da Libertadores, estava obcecado em obter glória pessoal, fominha como nunca.

O tento da vitória se deveu a um lance genial de Paulinho que, recebendo um lançamento longo de costas para o gol, deu um passe de primeira, de calcanhar e sem olhar para trás, na direção de Jorge Henrique. 

A bem estruturada defesa inglesa se desarrumou com o lance imprevisto. Jorge Henrique devolveu para Paulinho de cabeça (belíssima tabelinha!) e este invadiu a área, atraindo marcação, para deixar a bola nos pés de Danilo.

Frio e cerebral, Danilo deu um corte e finalizou. O defensor Cahill ainda conseguiu interceptar o disparo, mas a bola subiu e, na queda, ofereceu-se limpa para a cabeçada de Guerrero.

Poucos cronistas esportivos reconheceram em Paulinho o jogador que quebrou a defesa do Chelsea com um toque de mestre. Só conseguiam enxergar o óbvio. (por Celso Lungaretti)
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