josias de souza
FIASCO DA EDUCAÇÃO TEM
AS DIGITAIS DE BOLSONARO
O que é um fenômeno?
Um ministro inepto não é um fenômeno. O ministério da Educação não é um fenômeno. Um presidente sem freios não é um fenômeno. Fenômeno é um ministro como Abraham Weintraub, incapaz de todo, ser mantido na pasta da Educação por um presidente como Jair Bolsonaro, capaz de tudo.
Não fica bem pensar mal de Weintraub e usar luvas de renda para falar de Bolsonaro. Ao veicular nas redes sociais um novo vídeo estrelado por seu ministro, o presidente reforçou a sensação de que o grande problema do MEC não é o comandante da pasta, mas o chefe dele.
No vídeo trombeteado por Bolsonaro, o ministro sustenta sua tese predileta. A tese de que a administração pública é um ninho de esquerdistas. Atribui a hipotética anomalia ao viés ideológico dos concursos públicos. Citou como exemplo um teste da Agência Brasileira de Inteligência:
"Entre na internet e veja como foi o último concurso público da Abin. Se você ver, é um concurso que tem praticamente nada de matemática e está lá falando governo estado-unidense.
Então você, na seleção, já seleciona pessoas com viés de esquerda nos concursos, como é o Enem".
Cada ideologia tem a inquisição que merece. Mas o ministro precisa explicar em que sílaba se esconde o esquerdismo nos meandros do termo estado-unidense, um inofensivo sinônimo de americano (*). Do contrário, esmagará os calos do general Augusto Heleno, superior hierárquico da Abin –com a ajuda do capitão.
Um chefe que se cerca de ministros tantãs imagina garantir, por contraste, uma aparência de sensato. Mas Bolsonaro exagera no MEC.
Ali, o capitão é reincidente. Antes Weintraub, nomeara Vélez Rodrigues, uma piada colombiana. No alvorecer do segundo ano de governo, já não é mais possível terceirizar todas as culpas.
Ao endossar reiteradamente a esquizofrenia de Weintraub, Bolsonaro não deixa margem para qualquer tipo de dúvida. O fiasco da Educação tem as digitais do presidente da República. Pior do que a patrulha ideológica só mesmo a picaretagem ideológica. (por Josias de Souza)
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* Não é bem assim. O termo americano tem o pequeno inconveniente de poder igualmente ser reivindicado por outros 34 países e 16 colônias. Então, nenhum deles tem o direito de se considerar a América, como fazem arrogantemente os estadunidenses.
O mesmo raciocínio se aplica a norte-americano, pois também o são os canadenses, os mexicanos e os nascidos em dependências europeias como a Groelândia e as Bermudas.
Então, o certo é mesmo estadunidense (e não estado-unidense, viu, Weintraub?!), não por viés ideológico, mas porque viraria um samba do crioulo doido se os franceses começassem a se intitular a Europa e os vietnamitas, a Ásia... (o editor)







