Mostrando postagens com marcador podologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador podologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de março de 2014

ALTAS DOSES DE RANCOR E SADISMO INATO


ignóbil matéria-de-capa da edição 2365 da veja continua despertando a indignação dos justos.

Do ponto de vista jornalístico, a palavra final foi dada pelo grande Alberto Dines, lenda viva da imprensa brasileira, que afirmou (vide íntegra do artigo aqui):
"José Dirceu, a Vida na Cadeia não é reportagem, é pura cascata: altas doses de rancor combinadas a igual quantidade de velhacaria em oito páginas artificialmente esticadas e marombadas. As duas únicas fotos de Dirceu (na capa e na abertura), feitas certamente com microcâmera, não comprovam regalia alguma.
Ao contrário: magro, rosto vincado, fortes olheiras, cabelo aparado, de branco como exige o regulamento carcerário, não parece um privilegiado. Se as picanhas, peixadas e hambúrgueres do McDonald’s supostamente servidos ao detento fossem reais, Dirceu estaria reluzente, redondo, corado. Um preso em regime semiaberto pode frequentar a biblioteca do presídio, não há crime algum".
Os defensores dos direitos humanos, estranhamente, têm permanecido à margem da discussão e, que eu saiba, nenhum se indignou com a tom zombeteiro adotado tanto pela revista quanto por seu principal blogueiro, ao aludir ao podólogo que cuida da unha encravada do Zé Dirceu.

Em sites como o Brasil 247, há uma enxurrada de comentaristas contrapondo às minhas ponderações sua ânsia, explícita ou implícita, de vingança contra os grãos petistas  (vide aqui). 

Insisto: o cerne da questão é se presos têm ou não direito a tratamento civilizado, o que inclui médico, exames laboratoriais, dentista, oculista, fisioterapeuta, podólogo, nutricionista, etc., sempre que realmente necessário. 

Porque o contrário seria acrescentar à pena de reclusão que estão cumprindo, outras que as sentenças não preveem: a de morte ou encurtamento da vida, comprometimento temporário ou definitivo da saúde, privação da visão e da locomoção, dores terríveis (de dentes e de unhas encravadas), etc. 

Os que lhes negam tais direitos elementares de quaisquer seres humanos, sob pretexto de que outros presos não teriam acesso a isso tudo, é porque não os querem para preso nenhum. 

Nada há de errado em que alguns detentos remunerem tais profissionais; e os demais poderiam ser levados a instituições que os atendessem gratuitamente ou mediante convênios firmados pelo Estado. 

Isto, claro, partindo do pressuposto de que a privação da liberdade visa à reabilitação do criminoso, a impedir que ele reincida e a desestimular que outras pessoas o imitem, pois são estas, em teoria, as finalidades da pena de prisão. 

Mas, como notou Hélio Schwartsman (neste artigo apropriadamente intitulado de Sadismo Inato),  “parte de nossas mentes acredita que o apenado tem de sofrer na prisão”, pois  a “natureza humana [é] ligeiramente sádica”. 

A nossa caminhada rumo a estágios superiores de civilização exige que nos esforcemos para superar tal sadismo primevo, tentando agir sempre como seres verdadeiramente humanos. 

Estimulando retrocessos por interesses políticos ou desumanidade inerente, os editores da veja e Reinaldo Azevedo apontam um caminho que nos conduziria diretamente às cavernas, de onde eles parecem jamais ter saído. 

domingo, 16 de março de 2014

RECADO AO REINALDO AZEVEDO E À veja: PRIMATAS, VOLTEM PARA AS CAVERNAS!

Associando-se à última cafajestada da veja, o blogueiro panfletário mais saliente da revista, Reinaldo Azevedo, publicou um post com o título de Cadeia de gente diferenciada - Dirceu, na Papuda, tem até podólogo à disposição (vide aqui). 

Eis seu exercício de repulsiva demagogia, na mesma linha da deletéria de capa da veja:
"José Dirceu está na cadeia. Mas não tem muito do que reclamar. Reportagem publicada na revista veja desta semana, com fotos exclusivas que retratam a rotina do presidiário mais ilustre da Papuda, informa que o ex-ministro tem direito a alimentação especial, horários diferenciado de visitas e, vejam só!, podólogo!"  
As tais fotos exclusivas, como noticiou o site Brasil 247, não passam da evidência de um crime:
"Governo do Distrito Federal, de Agnelo Queiroz, abre sindicância para apurar como José Dirceu foi fotografado dentro da Papuda, numa imagem que foi estampada pela revista veja; lei preserva a intimidade dos presos e impede que detentos sejam fotografados. 'Alguém cometeu um crime aí que precisa ser investigado', disse André Duda, secretário de Comunicação do DF".
veja e RA gostariam que fosse esta a cela do Dirceu
O que não é novidade nenhuma, pois já houve até repórter da veja tentando invadir o apartamento do Dirceu num hotel de Brasília, como se fosse o mais reles gatuno (vide aqui).

Quanto à preocupação da veja e do RA com o podólogo que cuida da unha encravada do Dirceu, tudo que havia a ser dito, eu disse num debate com comentaristas rancorosos do Brasil 247. Peço, então, licença para citar a mim mesmo:
"Negar socorro a prisioneiros é uma prática inconcebível em pleno século 21. Devem ter os médicos de que necessitam, dentistas, fisioterapeutas e podólogos quando necessário, sim! Nenhum foi sentenciado a tortura, então devem receber os cuidados necessários para não sofrerem dores nem terem sua saúde comprometida. 
O erro não está em que se trate como gente o Dirceu e os prisioneiros ricos ou famosos. O erro é não serem todos tratados como gente. O que a veja faz (e o Reinaldo Azevedo acaba de reforçar) é pregar a desumanidade. Que os primatas voltem para as cavernas, se preferirem assim, desde que não atrapalhem a nossa marcha para a civilização!"

sábado, 15 de março de 2014

OS EDITORES DA veja MERECERIAM TER UNHAS ENCRAVADAS. DAS PIORES!

A sanha persecutória da veja contra o Zé Dirceu não tem limites. Agora, pressiona descaradamente a administração penitenciária, no sentido de que torne mais rigoroso o tratamento que lhe ministra na Papuda. 

Parece que a revista só ficará satisfeita se o confinarem numa masmorra medieval de um metro quadrado, sem direito a sol nem a visita, recebendo apenas pão e água. Não lhe basta a constatação, que ela própria faz, de que o Dirceu está "visivelmente mais magro".

Em termos jornalísticos, é simplesmente injustificável e inqualificável a matéria de capa da edição 2365, José Dirceu - a vida na cadeia, que está entrando em banca neste sábado (15). Qual seria, afinal, o motivo para se conferir tamanho destaque ao regime prisional de um político condenado, quando há graves acontecimentos na Venezuela e na Ucrânia, rebelião da bancada peemedebista, mensalão tucano no STF, etc.?

Pelo andar da carruagem, logo estaremos lendo nas páginas amarelas uma longa entrevista... do carcereiro do Dirceu! A revista deve considerá-lo um dos homens mais importantes do Brasil...

veja consegue ser tão atrabiliária quanto seu criador e hoje desafeto, Mino Carta, cuja obsessão com o Caso Battisti transformou a Carta Capital, durante bom tempo, num panfleto fingindo ser revista.

As mesquinharias da forçação de barra de capa começam no título: "Dirceu, na Papuda, tem até podólogo à disposição".

Saberão os editores desse lixo impresso o quanto a dor de uma unha encravada pode ser insuportável?

Uma das minhas passou a crescer em forma de gancho, voltada para dentro, desde que uma marreta de marceneiro caiu no meu pé. Todas as tentativas de corrigir a distorção deram em nada.

Mesmo tendo sofrido tudo que já sofri na vida, precisava de um enorme esforço de vontade para permanecer imóvel enquanto a podóloga tratava dessa unha depois de algum fragmento não removido na visita anterior tê-la feito inflamar. [Mais tarde, indicaram-me profissionais melhores, que não deixam o serviço pela metade...]

Era lancinante, uma dor tão intensa, p. ex., quanto a de cálculos renais. Eu agarrava os braços da cadeira, cerrava os dentes e ia contando os segundos que restavam, pois sabia que, se não a limpasse direito, a volta seria pior ainda. 

Não desejo mal a quase ninguém, mas os demagogos responsáveis por essa reportagem são exceções: eles mereceriam ter unhas encravadas.

As mais doloridas possíveis, e sem podólogas para os socorrerem.  
Related Posts with Thumbnails