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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

SE O 2º TURNO VAI SER COMO UMA HISTÓRIA DE HORROR, O QUE FAZERMOS PARA ESCAPAR DOS MONSTROS?

hélio schwartsman
ENTRE CILA E CARÍBDIS
Ulysses e os eleitores devem ficar bem longe de Jair Caríbdis, que é certeza de catástrofes.
Como sempre, Homero já disse tudo. Na Odisseia, Ulisses precisa decidir se vai enfrentar Cila ou Caríbdis, dois monstros marítimos que viviam em lados opostos do estreito de Messina. 

Desde então, a expressão entre Cila e Caríbdis designa as agruras de quem precisa escolher entre dois males.

Pelo último Datafolha, vai se desenhando um cenário eleitoral em que o brasileiro terá de optar entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad —um dilema do tipo Cila e Caríbdis.Bolsonaro evoca o temor de uma ruptura da ordem democrática. 
Fernando Cila: estelionato eleitoral à vista!

Otimista que sou, não consigo imaginar um golpe clássico, com tanques nas ruas e toque de recolher, mas não dá para descartar que, uma vez alçado à Presidência, Bolsonaro se aventure numa escalada de concentração de poderes ao estilo Putin.

Mesmo que o capitão reformado não faça nada contra a democracia, ele parece despreparado para conduzir o país. Seu programa econômico é pouco consistente e há dúvidas quanto à sua capacidade organizacional. Se o caos em sua campanha vale como amostra do que seria sua Presidência, estamos fritos.

Haddad é um sujeito inteligente e, creio, bem-intencionado. O problema é que junto com ele vem um PT com sede de vingança e ainda não convencido de que cometeu gravíssimos erros éticos e econômicos, que nos colocaram numa situação fiscal extremamente difícil, para a qual não existe saída indolor.

Pior, a propaganda do partido bate na tecla de que Haddad vai trazer de volta os anos de bonança experimentados sob Lula —o que não tem como acontecer. Seria uma reprise do estelionato eleitoral de 2014?

A feiticeira Circe aconselha Ulisses a evitar Caríbdis, que assumia a forma de um rodamoinho, e passar tão rápido quanto possível por Cila, que devorava marujos. É melhor perder alguns marinheiros do que a nau inteira.

A manter-se esse quadro, o eleitor precisará definir para si quem é Cila e quem é Caríbdis. (por Hélio Schwartsman)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SOBRE BANCOS E HIDRAS

O Bradesco anuncia a abertura de 1.003 agências bancárias nos últimos seis meses, resultado de um investimento de R$ 890 milhões.

Com isto, volta a ultrapassar o Itaú, que o suplantara ao fundir-se com o Unibanco.

O Bradesco agora tem 5.932 pontos de atendimento, contra as 4.943 que o Itaú possuía em setembro (último dado divulgado).

A agiotagem é hoje o melhor negócio do Brasil.

Que o setor mais rentável do capitalismo seja o financeiro, totalmente desnecessário e parasitário, vem comprovar que se trata de um sistema econômico cujo papel positivo está esgotado e se torna cada vez mais perverso e nocivo à medida que não damos fim à sua sobrevida artificial.

Como bom discípulo de Monteiro Lobato, que era admirador entusiástico da Grécia antiga e foi minha primeira influência intelectual marcante, veio-me à mente a história da Hidra de Lerna, por ele relatada num clássico absoluto da literatura infanto-juvenil: Os 12 trabalhos de Hércules. Fui à Wikipedia e encontrei isto:
 "A Hidra de Lerna era um animal fantástico da mitologia grega, filho dos monstros Tifão e Equidna,que habitava um pântano junto ao lago de Lerna, na Argólida, costa leste do Peloponeso.A Hidra tinha corpo de dragão e nove cabeças de serpente, cujo hálito era venenoso e que podiam se regenerar.
A Hidra era tão venenosa que matava os homens apenas com o seu hálito; se alguém chegasse perto dela enquanto ela estava dormindo, apenas de cheirar o seu rastro a pessoa já morria em terrível tormento.
A Hidra foi derrotada por Héracles (Hércules, na mitologia romana), em seu segundo trabalho. Inicialmente Hércules tentou esmagar as cabeças, mas a cada cabeça que esmagava surgiam duas no lugar.
Decidiu então mudar de tática e, para que as cabeças não se regenerassem, pediu ao sobrinho Iolau para que as queimasse com um tição logo após o corte, cicatrizando desta forma a ferida. Sobrou então apenas a cabeça do meio, considerada imortal.[Héracles cortou e enterrou a última cabeça com uma enorme pedra. Assim, o monstro foi morto".
Falta-nos um Hércules, mas temos aí um uma boa sugestão de procedimentos para nos livrarmos dessa hidra de novo tipo, cujo hálito é mais fétido ainda...
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