Tenho pena dos brasileiros que ainda comem na mão da grande imprensa. Ficam acreditando em novelas chinfrins como a da chantagem tentada por Donald Trump, que neste exato momento já é um completo e definitivo fracasso.
Mas, vender jornais, revistas e espaços publicitários nas várias mídias é preciso. Explicarem a seus públicos o que realmente se passa não é preciso, pelo menos do ponto de vista da indústria cultural. Do boi só se perde o berro...
Trump, um mentecapto empoderado, acreditou que, como Hitler na década de 1930, submeteria os países a seus desígnios por meio de blefes e demonstrações de força.
O detalhe é que ele realmente dispunha de força para demonstrar, como ficou comprovado quando a Inglaterra e a França cansaram de se submeterem covardemente às chantagens e pagaram pra ver.
Trump, com os Estados Unidos em processo de flagrante decadência, já perdendo de goleada a corrida dos avanços científicos e tecnológicos para a China, não tinha condições políticas de usar contra nós uma ameaça militar (como as famosas blitzkriegs, às quais os alemães poderiam recorrer quando se fizesse necessário) e, com isto, forçar o Brasil a abdicar de sua dignidade de nação soberana.
Que as pequenas nações europeias, diante da omissão da Inglaterra e da França, negociassem o inegociável com um ferrabrás realmente poderoso chega a ser até desculpável. Mas os prejuízos com que Trump tenta agora ganhar de nós no grito estão longe, muito longe, de equivalerem àqueles que Hitler podia causar.
E, quando a Inglaterra se livrou do premiê poltrão Neville Chamberlain, substituindo-o por um que não tinha medo de cara feia (Winston Churchill), constatou-se que o ogro ariano não era tão terrível quanto aparentava ser.
É exatamente esta a opção para o Brasil neste instante: ou se avacalha de vez com uma rendição não só vergonhosa como desnecessária, ou se une contra o vilão pândego que, diria o Jards Macalé, range, ruge, morde, mas não passa de um tigre de papel. Sabe de antemão que, caso mantenha a firmeza, inevitavelmente será o vencedor da pendenga.
Como nada prenuncia uma capitulação do Supremo, do Lula e do PT, só nos resta esperarmos o próximo dia 1º, quando Trump será obrigado a optar entre duas roubadas (honrar o blefe desastroso ou desistir dele com o rabo entre as pernas) para, em seguida, reagirmos à altura. Estamos com a faca e o queijo nas mãos.
O melhor, portanto, é deixarmos o golpista e genocida Jair Bolsonaro, o traidor da pátria Eduardo Bolsonaro, o errático Tarcísio de Freitas e outros personagens tão medíocres quanto estes fazendo o papel de palhaços na farsa trumpiana. É para isto, e só para isto, que todos eles servem.
De resto, a agonia de Roma entrou em sua fase derradeira a partir do ano de 376, quando começou a perda territorial expressiva e irreversível.
Os historiadores consideram como principal marco de sua queda o ano de 395, quando as invasões bárbaras deram fim ao chamado Império Romano do Ocidente.
A minha impressão é de que os EUA estão vivendo agora o correspondente a esse período 376-395, não devendo transcorrer nem 19 anos até serem rebaixados para a segunda prateleira das nações poderosas.
"Viver é perigoso", disse João Guimarães Rosa. Mas também pode ser maravilhoso se soubermos aproveitar as oportunidades históricas que às vezes nos caem do céu. (por Celso Lungaretti)