Até a semana passada, a grande imprensa fazia suas vítimas... digo, seu público acreditar que a eleição presidencial estava sendo disputada apenas por Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.
Veio o debate da Band e se constatou que um único candidato expressava em alto e bom som o que realmente sentia... e era logo o estranho no ninho, Plínio de Arruda Sampaio!
Os três favoritos repetiam, como papagaios, o que marqueteiros tinham martelado em suas cabeças.
O sisudo Serra esforçava-se por sorrir, como lhe recomendaram. Ficou parecendo um bobo alegre... hipocondríaco.
A enérgica Dilma quis projetar a imagem de uma gerente confiável... e foi só o que conseguiu. De presidente, o que vai muito além das miudezas administrativas, nem a pau, Juvenal...
Marina foi o samba de uma nota só (ecológica) de sempre.
Plínio, que é, disparado, o melhor dos três em termos intelectuais, deitou e rolou.
Detonou-os com suas ironias ferinas, além de mostrar o que um candidato de esquerda tem a obrigação de ser: coerente com seus ideais de uma vida inteira.
Face à insofismável vitória do Plínio no debate, a mídia acordou para a realidade de que ele estava sendo extremamente injustiçado na cobertura eleitoral.
E começou, timidamente, a oferecer-lhe algum espaço.
Foi o bastante para alguns propagandistas de Dilma se apavorarem, atribuindo ao PIG a maquiavélica intenção de inflar nanicos para evitar uma decisão no 1º turno.
Em suma, querem forçar o voto útil já em outubro.
Em troca, o que nos dá Dilma?
Ela acaba de negar Marx três vezes, ao retirar do seu programa as propostas de controle social da mídia, de taxação das grandes fortunas e de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
O que sobrou não passa de placebo, a que nenhum verdadeiro homem de esquerda pode aderir enquanto houver alternativa melhor.
Somos revolucionários: face a um leque de opções, escolhemos a que realmente nos expressa, priorizando o ideário positivo ao invés de apenas rejeitarmos o negativo.
Só quando essas opções se reduzem a duas, faz sentido optarmos pelo mal menor.
Então, estaremos traindo a nós mesmos se, no 1º turno, não votarmos em Plínio, ou Ivan Pinheiro (PCB), ou Rui Pimenta (PCO), ou Zé Maria (PSTU).
Assim como estaremos traindo a nós mesmos se, ocorrendo 2º turno e o candidato demo-tucano dele participando, não votarmos contra ele.
As sucessivas identificações de Serra com as teses das viúvas da ditadura fazem dele o presidenciável mais inaceitável para os eleitores progressistas, dentre os que têm chance de êxito.
Se, como tudo indica, ele disputar o 2º turno com a Dilma, teremos de apoiá-la, apesar das decepções que seus recuos nos têm causado e de outras que ainda estejam por vir.
Mas, aos panfletários afobadinhos, devo lembrar: devagar com o andor, pois o Plínio, o Ivan, o Rui e o Zé Maria merecem respeito.