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domingo, 23 de fevereiro de 2025

O PRIMEIRO PANFLETO SOBRE OS ACORDOS MEC-USAID A GENTE NUNCA ESQUECE

O
presidente maluquinho Donald Trump acaba de encerrar as atividades da Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA, vulgo Usaid, que era o principal órgão público de ajuda humanitária estadunidense.

Mas, não morreremos de fome por causa desse factoide: dela recebemos, no mandato anterior do abilolado que endoidou, cerca de R$ 414 milhões; e no quadriênio do Joe Biden, cerca de R$ 559 milhões. 

Estes, para um país com as dimensões e carências do Brasil, nem de longe são donativos aceitáveis. Estão mais para esmolas que ofendem o mendigo. 

E pensar que a Usaid foi uma grande vilã do movimento estudantil brasileiro em 1968! É que fechara acordos secretos com o Ministério da Educação e Cultura, os quais, dizia-se, num passe de mágica tecnicizariam e dariam fim à gratuidade da nossa educação pública. 
 
Foto que viralizou: o estilingue mais rápido
da USP resistindo aos acordos MEC-Usaid

Para atingirem-se objetivos tão ambiciosos, contudo, seria necessário o direcionamento exclusivo para o Brasil de todos os recursos que a Usaid disponibilizaria para a totalidade dos países por ela beneficiados. E ainda ficaria faltando muita grana.

O mais provável é que ainda fosse fase dos estudos iniciais; o momento de combater os acordos seria quando ao menos conhecêssemos melhor as propostas. 

A bandeira teria sido lançada prematuramente, porque faltava algo com tal poder mobilizador.  Se não tem tu, vai tu mesmo...

Mas, isto não impediu que nosso ME de 1968 pegasse no tranco, acabando por tornar-se o mais influente de todos os tempos, até hoje. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

TESTE PARA A PACIÊNCIA DE PUTIN: ATURAR UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO

josias de souza
BOLSONARO VIAJA 16 HORAS PARA 
ENCONTRAR UMA CASCA DE
BANANA EM MOSCOU
Sob Bolsonaro, o brasileiro habituou-se a esperar por três coisas absolutamente seguras: a morte, o nascer do sol e a próxima barbaridade do presidente da República. 

Bolsonaro embarca para Moscou nesta 2ª feira (14) bem ensaiado pelo Itamaraty: foi instruído a manter na coleira suas declarações sobre a crise envolvendo Rússia e Ucrânia. Mas o grande receio da diplomacia brasileira é o de que a língua do presidente fuja do script.

O objetivo da viagem é mais político do que econômico. As exportações russas para o Brasil somaram em 2021 cerca de US$ 5,7 bilhões (60% em adubos e fertilizantes). No mesmo período, as vendas brasileiras para a Rússia roçaram a cifra de R$ 1,6 bilhão.

O desequilíbrio da balança comercial justificaria a aceitação do convite de Vladimir Putin. Mas nem as almas mais otimistas acreditam que a viagem produzirá um salto nas exportações brasileiras. 

O que empurra Bolsonaro para a Rússia é a agenda eleitoral. Atrás de Lula nas pesquisas, o presidente acha que o encontro com uma liderança do porte do autocrata Putin atenuará a sua imagem de pária mundial.

O roteiro preparado pelo Itamaraty prevê que Bolsonaro deve se abster de puxar conversa sobre a crise da Ucrânia ao se encontrar com Putin, na 4ª feira. 

Instado a tratar do tema, precisa observar a tradição da política externa brasileira, atendo-se à defesa de uma solução pacífica para o conflito e respeitando o princípio da autodeterminação dos povos. 

Numa palavra, o capitão precisa exalar neutralidade, evitando tomar partido.

Bolsonaro ignorou os conselhos para que cancelasse ou adiasse a viagem. A falta de controle sobre a própria língua ateou no Itamaraty o medo de que o presidente viaje 16 horas para escorregar numa casca de banana em Moscou. 

Ironicamente, a agenda inclui um compromisso que reforça a percepção de isolamento que Bolsonaro gostaria de atenuar.

Da Rússia, Bolsonaro voará para a Hungria, espécie de Disneylândia ideológica do bolsonarismo. 

Encontrará o primeiro-ministro Viktor Orbán, um ditador que controla a imprensa, o Judiciário e o Parlamento. Nesse trecho, mais do que um risco diplomático, a viagem constitui um desperdício de verba pública. (por Josias de Souza)

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

EM 22 DE MAIO ÚLTIMO, O BOZO RODOU A BAIANA E PASSOU A BERRAR, ESPUMANDO DE ÓDIO: "VOU INTERVIR! VOU INTERVIR!"

É hilária, no gênero de humor negro, a longa reportagem que a revista piauí publicou, de autoria da jornalista Mônica Gugliano: O dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo (acesse aqui). 

Comédia por comédia, eu prefiro, contudo, O rato que ruge (d. Jack Arnold, 1959), sobre uma república das bananas que decide declarar guerra aos EUA, esperando ser derrotada e depois obter ajuda para sua reconstrução – uma alusão sarcástica ao Plano Marshall. Por dois motivos: 
— Peter Sellers era um grande ator, Jair Bolsonaro nem para chanchadas presta;
— o plano dos governantes de Fenwick chega a parecer equilibrado e sensato, se comparado com o chilique grosseiro e grotesco do rato que ruge brasileiro. 

A reportagem o mostra fora de si ao receber a notícia de que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, consultara a Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de apreender seu celular e o do filho Carlos, uma formalidade de rotina face a uma notícia-crime apresentada por três partidos.

Tão desinformado quanto desequilibrado, Bolsonaro rodou a baiana e passou a gritar, espumando de ódio: "Vou intervir! Vou intervir!".

Quais os delírios de um anormal que passavam por sua cabeça? Estes, segundo a Mônica:
"Bolsonaro queria mandar tropas para o Supremo porque os magistrados, na sua opinião, estavam passando dos limites em suas decisões e achincalhando sua autoridade. Na sua cabeça, ao chegar no STF, os militares destituiriam os atuais onze ministros. 
Os substitutos, militares ou civis, seriam então nomeados por ele e ficariam no cargo até que aquilo esteja em ordem, segundo as palavras do presidente. 
No tumulto da reunião, não ficou claro como as tropas seriam empregadas, nem se, nos planos de Bolsonaro, os ministros destituídos do STF voltariam a seus cargos quando aquilo estivesse em ordem"
Depois de uma caricata reunião de cúpula cujo relato nos transmite a mesma sensação de mediocridade abissal daquele outro show de horrores encenado por alguns dos mesmos personagens, cuja gravação foi exibida aos brasileiros por ordem do STF conseguiram finalmente tirar-lhe aquela ideia fixa da cabeça oca:
"Dois argumentos ajudaram a acalmar Bolsonaro na reunião. 
O primeiro: não havia ordem para apreender seu celular, apenas uma consulta do ministro do STF, de modo que ainda havia a possibilidade de que a apreensão não ocorresse. 
(De fato, dez dias depois, Celso de Mello arquivou o pedido de apreensão, mas, em sua decisão, fez questão de mandar um recado ao presidente, dizendo que o descumprimento de uma ordem judicial configuraria gravíssimo comportamento transgressor.) 
O outro argumento: o governo daria uma resposta contundente ao STF na forma de uma nota pública. Combinou-se na reunião que o general Heleno assinaria a nota".   
Mas, independentemente do que o ridículo aprendiz de ditador pensava que poderia fazer, baseando-se em interpretações falaciosas sobre um poder moderador que os militares não estão de maneira alguma autorizados pela Constituição a desempenhar (Ives Gandra Martins melhor faria se continuasse apenas ensinando aos ricos como pagarem menos impostos ou nenhum imposto), a realidade dos fatos está é neste outro trecho da reportagem:
"Entre os militares da reserva, estão os saudosos da ditadura militar. Eles defendem a radicalização do governo, inclusive com a adoção de medidas de exceção. 
A situação é outra entre os atuais comandantes, que têm tropa e poder. Esses querem distância da polarização política e rejeitam qualquer hipótese de intervenção militar. 
Nos três últimos meses, enquanto Bolsonaro minimizava a pandemia e apoiava manifestações radicais na frente de quartéis, as três forças – Marinha, Exército e Aeronáutica – se encarregaram de adotar um comportamento oposto, participando das ações de combate à Covid-19. 
No mesmo dia em que Bolsonaro fez pronunciamento na tevê dizendo que a pandemia era um problema sério na Itália, mas não no Brasil, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, publicou um vídeo dizendo que a crise sanitária talvez seja a missão mais importante de nossa geração".
Ou seja, se a turma do deixa disso não tivesse impedido Bolsonaro de intervir, certamente (e bota certeza nisso!) teria quebrado a cara e, como consequência, sido reconduzido à insignificância do qual um destino insólito o retirou, para desgraça dos brasileiros. (por Celso Lungaretti)

sábado, 7 de março de 2020

O ABILOLADO DA VIRGÍNIA ENDOIDOU

"Tudo o que acontece de mau no Brasil vem de uma ou várias destas instituições: Forças Armadas, Partido Comunista, Maçonaria, Igreja Católica, Igrejas Evangélicas. 

Não que elas em si sejam necessariamente más, mas quem quer que suba na hierarquia de uma delas acaba tentando usá-la para tirar vantagem e foder com o resto da população. 

Demolir o prestigio dessas instituições seria tirar de milhões de picaretas a arma do crime" 
.
(Olavo de Carvalho, cujos fracassos lhe subiram à cabeça e agora compra briga com vários inimigos poderosos ao mesmo tempo. 
.
Quanto à foto de cima, não conseguimos apurar se é o dito charlatão na sua fase Miquèl de Nostragrana ou o Peter Seelers em O abilolado endoidou)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

COMÉDIA EM CARTAZ NO CINE SENADO

Uma das melhores comédias que Peter Sellers estrelou, O rato que ruge ganha um novo significado nos dias atuais, em que os ratos realmente andam rugindo.

Um deles, o mais atrevido, quer porque quer continuar sendo o presidente da rataria, embora tenha sido pego em flagrante alimentando uma ratazana ilegítima com queijo de suborno.

O raticida Supremo deverá acabar com a sua festa.

Obs. Para quem sabe baixar filmes na internet, eis um blogue no qual encontrará torrent e legenda ativos de O rato que ruge

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

...E O RATO RUGIU!

Minha sugestão de filme para esta 4ª feira é O rato que ruge (1959), comédia clássica com o genial Peter Sellers. O diretor Jack Arnold, consagrado na ficção científica (O incrível homem que encolheu, Tarântula, O monstro da lagoa negra), deu novo atestado do seu enorme talento e versatilidade.

Um pequeno país em grave crise econômica declara guerra aos EUA, na certeza de que perderá, mas esperando deles receber depois a mesma ajuda financeira concedida às nações derrotadas na 2ª Guerra Mundial. 

Então, seu exército de 20 homens armados com arco e flecha atravessa o oceano numa barcaça e executa fielmente o plano. Surge, contudo, um pequeno imprevisto: eles ganham a guerra.

Esta, evidentemente, é uma hipótese fictícia. Na vida real, o rato com certeza iria rugir na ONU, sem efeito prático nenhum, mas dando uma satisfação ao público interno (ingênuo a ponto de acreditar que uma superpotência se aflija com o  jus sperniandi  dos impotentes).

Enfim, são as encenações que contam na sociedade do espetáculo... cumprindo o papel de dar compensações ilusórias às pessoas, para que elas sintam-se desobrigadas de exigir providências concretas. 

Os interessados em baixar o filme completo (torrent + legenda) o encontrarão aqui

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