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quarta-feira, 29 de abril de 2020

BOLSONARO E SUAS HORDAS MALDITAS MENTEM. E TÃO BURROS ELES SÃO QUE ACREDITAM NAS PRÓPRIAS LOROTAS!

marcelo coelho
AS VÁRIAS FACES DA 
BURRICE BOLSONARISTA
Está ainda para ser escrito um estudo sobre o papel da burrice na política brasileira. Comentaristas e historiadores sempre supõem que um homem de Estado se move por estratégia e cálculo.

Os melhores instrumentos de análise podem se quebrar, entretanto, quando confrontados com os atos de um verdadeiro energúmeno.

O presidente Bolsonaro nem precisaria ter feito aquele discurso. Só a foto dele, com todos os ministros enfileirados, já vale por um atestado clínico.

Qual o sentido de chamar todo o gabinete para ouvir, com cara de pastel, aquelas explicações sobre a demissão de Moro? Só se reconhecia, com isso, o tamanho da crise.

O presidente juntou Damares, Weintraub, Araújo, Mourão, Guedes e companhia, como se estivesse anunciando um grande plano para o Brasil. O que apresentou foi um discurso disperso, patético, mentiroso e oco, incapaz de responder à única pergunta que importava no momento: por que trocar o chefe da Polícia Federal?

Pela versão de Bolsonaro, tratava-se apenas de atender a um pedido do próprio demitido. E, confessadamente, de pôr alguém na Polícia Federal com quem ele pudesse se entender, sem interferências de Moro.

Reduzido ao seu ponto básico, o discurso de Bolsonaro é um escândalo. Mas o presidente é tão falto de inteligência que nem mesmo percebe o que está dizendo.

Há burrices e burrices. Uma das que predominam, hoje em dia, talvez seja efeito do Facebook e das geringonças digitais: as imagens, as piadinhas e memes se sucedem com tanta rapidez, que o sujeito perde a memória.

Presidentes como Trump ou Bolsonaro escrevem qualquer coisa no Twitter e, no dia seguinte, já não se lembram mais.

Abre o comércio, fecha o STF, usa a máscara, tira a máscara, tanto faz. As falas de Bolsonaro se sucedem como disparos num estande de tiro esportivo.

Pá, pá, pá. Aí o instrutor pega aquele cartaz com uma silhueta humana para ver quantas balas chegaram ao alvo. Nosso herói nem mesmo se interessa pela pontuação que obteve. “Acertei tudo, claro, está OK?”

No está OK? se esconde uma insegurança. Mas a insegurança não se confunde com autocrítica. Estimula, apenas, uma nova rodada de disparos.

Junto com a falta de memória, surge a incapacidade de distinguir entre o anedótico e o essencial. O discurso do presidente sobre a demissão de Moro se perdeu, como é notório, em considerações sobre o aquecimento da piscina, os feitos do número quatro, a certidão de nascimento da sogra.

É claro, aquilo fazia sentido em sua argumentação —ele queria dizer que foi investigado com base em suposições infundadas. Um advogado talentoso organizaria o discurso nesse rumo, como quem demonstra um teorema.

Bolsonaro é incapaz disso; vai pulando de fato em fato, de caso em caso, de anedota em anedota, como quem clica nas histórias do Instagram ou vagueia num game tipo GTA.

É esse o comportamento mental do bolsominion típico.

Primeiro, ignora o sentido mais amplo de um fenômeno para se aferrar a um detalhe de fácil compreensão.

Aparece um livro sobre educação sexual, p. ex.. O bolsominion não leu, mas fica sabendo que ali tem uma ilustração meio estranha. Será o pretexto para gritar, espernear, denunciar o diabo a quatro.

Mas ninguém vive sem entender as coisas num contexto. Depois de tirar um fato de seu contexto, o bolsominion terá de achar outro.

Aí entra o papel de alguma grande conspiração internacional que, de tão evidente, não tem como ser contestada.
Se alguém contestar, entra a terceira fase do processo. Trata-se de rotular o inimigo: comunista, petralha etc. Os nazistas preferiam falar em judeus. O tiro sempre acerta, porque o atirador é completamente míope e confunde tudo.

Segue-se a fase autocongratulatória. Moro abandona o barco? Não faz mal. Ele era falso; e nós estamos lutando o bom combate, como diz Bolsonaro.

Se, apesar de tudo, vier o desmentido, o desastre, o vexame, nenhum problema. Basta se esquecer do que foi dito e do que foi feito. “Torturador? Eu?". Como assim?

Os próprios eleitores de Bolsonaro já se esquecem que votaram nele. “Bolsonarista? Eu? Votei no Amoêdo.”

O bolsominion mente. Mas não tem a inteligência do mentiroso comum. É tão burro que acredita na própria mentira; é otário até quando se arrepende. (por Marcelo Coelho)

terça-feira, 29 de outubro de 2019

O COLAPSO SOCIAL DO CHILE E A CONCLUSÃO INESCAPÁVEL: A DIREITA ULTRALIBERAL NÃO TEM CABEÇA NEM CORAÇÃO.

joão filho
OS ERROS DO CHILE ESTÃO SENDO REPETIDOS AQUI
POR PAULO GUEDES
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"O Chile hoje é como a Suíça", contou Paulo Guedes ao Financial Times, em fevereiro, depois de exaltar os Chicago boys que ajudaram o facínora Pinochet a implantar uma economia de mercado durante uma ditadura que reprimiu violentamente direitos civis e sociais.

Oito meses depois dessa entrevista, as ruas da Suíça latino-americana de Paulo Guedes explodiram depois que o governo anunciou um aumento da tarifa do metrô. 

Foi a gota d’água para uma população endividada, que tem que pagar caro por educação, saúde e no final da vida receber uma merreca de aposentadoria. 

São os sacrifícios aos quais os Chicago boys submeteram a população chilena para o mercado poder desfilar e virar o fetiche neoliberal no continente.

As privatizações desenfreadas e o corte de gastos em serviços públicos essenciais melhoraram os números da dívida pública, do PIB e da renda per capita. Apesar desses bons números, o Chile segue entre os países mais desiguais do continente mais desigual do mundo. Mas, como sabemos, essa não é uma preocupação dos ultraliberais. Pelo contrário, é um efeito colateral aceitável que a mão invisível do mercado acabará resolvendo (spoiler: nunca resolve).

Esses indicadores excitam os homens do mercado, que enxergam o mundo através de planilhas do Excel. No mundo real, muitos chilenos têm que escolher entre lavar roupa e tomar banho porque não têm grana para pagar a água privatizada. Mas na planilha de Paulo Guedes, a Suíça latino-americana continua bombando!

O saldo dos protestos até agora foi de 19 mortos e quase 3 mil prisões, números assustadores que fariam os liberais brasileiros surtarem se tivessem ocorrido na Venezuela de Maduro. 

Mas como essa é a explosão de uma bomba-relógio armada pelo ultraliberalismo da ditadura de Pinochet — e que não foi desarmada por nenhum governo anterior ao de Piñera, como apontou Maurício Brum para o Intercept —, a direita no Brasil ou se refugia no silêncio, como Paulo Guedes, ou faz como Bolsonaro e lança mão do seu super trunfo: jogar a culpa na esquerda.

Há ainda os que gostam de comparar os indicadores chilenos com os brasileiros, como se a convulsão social ocorrida no Chile fosse em virtude do cansaço do povo por viver num país maravilhoso. Nas planilhas, Santiago continua parecendo Zurique. 

Acontece que qualquer comparação absoluta entre indicadores do Chile com os do Brasil é estúpida. Primeiro porque a população chilena é menor que a metade da do estado de São Paulo. 

Segundo porque o estado chileno, desidratado pelo ultraliberalismo, não tem os mesmos gastos que o brasileiro com sistema de saúde, de educação e diversos programas sociais. Fica fácil ostentar dívida pública baixa e crescimento do PIB, enquanto a maioria da população sofre sem conseguir pagar por serviços básicos e caros.

A receita chilena de liberdade total à economia somada ao fim de programas e direitos sociais é exatamente a mesma que o bolsonarismo quer implantar no Brasil.

A reforma da previdência brasileira por pouco não seguiu o modelo de capitalização do Chile, que fez com que nove em cada dez aposentados chilenos receba menos de 60% de um salário-mínimo, que é de US$ 450 — uma merreca para os mais velhos que ainda precisam pagar caro por serviços de saúde. 

Além do Chile, também o Peru, México e Colômbia estão revendo os seus sistemas previdenciários de capitalização, mas Paulo Guedes ainda não desistiu de implantar o modelo no Brasil.

Enquanto a violência corria solta nas ruas do Chile, Bolsonaro anunciava na China que está para sair um novo plano de Paulo Guedes para combater o desemprego. “Os trabalhadores querem menos direitos e mais trabalho”, disse o presidente pouco antes de se encontrar com o presidente comunista chinês. 
A lógica ultraliberal de cortar direitos para dar leveza aos mercados está sendo reproduzida em todos os setores do país. O nosso Chicago boy está mesmo empenhado em fazer do Brasil uma nova Suíça.

Os tarados pelo ultraliberalismo chileno até pouco tempo veneravam o país vizinho. O ex-banqueiro João Amoêdo, o CEO do partido mais fiel aos projetos bolsonaristas no Congresso, foi ao Twitter no mês passado contar porque o Chile virou um paraíso de bem-estar, riqueza e prosperidade. 

Assim como Guedes, exaltou as reformas liberais de Pinochet, a responsabilidade fiscal do governo, a agilidade para se abrir novas empresas e outros sensos comuns da velha cartilha liberal.

Percebam o delírio do ultraliberal brasileiro. Um mês antes de os pobres e a classe média saírem às ruas destruindo bancos e botando fogo no metrô porque não conseguem pagar as contas, o ricaço brasileiro exaltava o sucesso das políticas ultraliberais chilenas. 

Do ponto de visto dos ricos, é verdade, o Chile é um pedacinho da Europa na América do Sul. E não é novidade para ninguém que João Amoêdo só trabalha com o ponto de vista dos ricos.

Quando Sebastián Piñera foi eleito em 2017, o partido Novo comemorou o fim da social-democracia e desejou o mesmo para o Brasil. Os sonhos da sigla se realizaram: Bolsonaro e seus Chicago boys estão no poder e contam com o apoio político do Novo para seguir os passos chilenos. A combinação entre um governo autoritário e uma economia 100% livre parece ser mesmo o sonho de qualquer ultraliberal.

Quando a realidade se impôs e atropelou a Suíça das planilhas, Piñera se viu obrigado a reconhecer os problemas sociais que levaram o país ao caos:
"A verdade é que os problemas vinham se acumulando há décadas e os vários governos não foram – nem nós fomos – capazes de reconhecer essa situação em toda sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão".
Além do mea culpa, o presidente liberal apresentou uma série de medidas para contornar a crise. Todas essas medidas, vejam só que ironia, são típicas de um governo social-democrata: 
— reajuste imediato de 20% nas pensões de aposentadorias e nos benefícios sociais;
 criação de um seguro-saúde;
 criação de benefícios para trabalhadores de baixa renda;
 aumento de imposto para os mais ricos;
 revogação do aumento das tarifas de energia.

Os liberais brasileiros estão dispostos a continuar seguindo o fracassado receituário chileno. Um fracasso admitido até mesmo pelo presidente liberal do Chile. A mesma bomba-relógio já está instalada no Brasil. 

A reforma da previdência, os cortes em serviços fundamentais como saúde e educação, os cortes em programas sociais, tudo isso é uma crueldade sem tamanho com quem apenas sobrevive no Brasil. Mas Paulo Guedes e sua turma têm um compromisso com as elites e não vão parar.

Na mesma entrevista em que comparou o Chile à Suíça, o ministro disse que as “pessoas de esquerda têm miolo mole e bom coração”. 
E completou: “as pessoas de direita têm a cabeça mais dura e…o coração não tão bom”. 

Bom, a comparação estapafúrdia entre os dois países e o colapso social chileno mostraram que Guedes está errado: a direita ultraliberal não tem nem cabeça nem coração. 
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(por João Filho, no
Intercept Brasil)

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

AS URNAS DE NOSSA DESESPERANÇA – 7: OS AZARÕES DO PÁREO PRESIDENCIAL QUE CORREM PELO LADO DIREITO DA PISTA

(continuação deste post)
Meirelles: deveria limitar-se ao ofício de economista
Os candidatos menos cotados
nas pesquisas eleitorais, analisados
 por blocos
(1ª parte
Por mais difícil que pareça, é possível identificar pontos comuns de visão política nos dois blocos aparentemente heterogêneos de candidaturas menos cotados à Presidência da República, bem como num terceiro candidato à parte (mas que se insere no perfil do ultradireitista Bolsonaro).

O ponto de convergência é a crença (ou mensagem demagógica) na capacidade do Estado e do modo atual de produção mercantil por ele tutelado de resolver a contento os problemas sociais. 

Nenhum deles prega uma nova forma de relação e organização, como se a mediação social feita a partir do modo de produção capitalista fosse a única possível e o seu Estado, uma matriz indispensável da qual possam surgir apenas derivações, não alternativas.  

Este ponto comum reflete seus equívocos também comuns, que passam a existir desde o momento em que se propõem a participar no jogo eleitoral regido pela atual Constituição. 

As regras são previamente estabelecidas e joga quem quer.

Assim, analisemos as convergências de gênero nesses blocos político-eleitorais aparentemente heterogêneos.
Álvaro Dias: deveria limitar-se ao Paraná

O primeiro bloco é formado pelos candidatos Álvaro Dias, do Podemos; Henrique Meirelles, do MDB; João Amoêdo, do Partido Novo; e José Maria Eymael, da Democracia Cristã, todos de direita ou centro-direita. 

Apesar das diferenças cosméticas porventura existentes nos apelidos e situações geopolíticas em que se venha a rotulá-los, eles em nada se diferenciam quanto ao seu conteúdo. Pelo contrário, são inúmeras as identidades programáticas destes quatro candidatos que compõem o bloco da salvação do capitalismo com mais capitalismo pela via do Estado, e cuja identidade ideológica é neoliberal. 

Todos enfatizam, p. ex., a necessidade de crescimento econômico:  

— Álvaro Dias fala em crescimento de 5% ao ano; 

— Henrique Meirelles, um pouquinho mais modesto, aceita 4%, talvez por ter apenas conseguido, como ministro da Fazenda de Michel Temer (do qual agora procura distanciar-se como o diabo da cruz), -3,6% em 2016 e 1% em 2017, com previsão em torno de 1% para 2018; 

— João Amoêdo, como banqueiro pragmático, promete crescimento econômico a partir de 10 diretrizes básicas que mais não são do que o antigo corolário da visão burguesa segundo a qual o Estado deve circunscrever-se à função de regulamentação da ordem capitalista, deixando para o empresariado todas as demandas sociais a partir do conceito da mercadoria; 
Amoêdo: deveria limitar-se a otimizar a agiotagem dos bancos

— José Maria Eymael é o mais simplório nesta questão, apregoando apenas que a isenção de impostos para a construção civil seria a pedra de toque do desenvolvimento econômico.             
Ora, o próprio capital é que está travando o crescimento econômico mundial (e, mais acentuadamente, na periferia do capitalismo). E tal ocorre justamente porque são poucas as atividades empresariais com capacidade de geração de lucro.

Como dizia Karl Marx nas suas teses sobre a tendência da redução da taxa de lucro sob o capitalismo, o que vemos hoje é a exigência cada vez maior,  para fazer face à concorrência de mercado, de investimentos em equipamento tecnológicos e infraestrutura (capital fixo) e cada vez menos em capital variável (salários). 

O capital, ao concentrar riquezas por sua lógica concorrencial de mercado, à qual se aplica a lei darwiniana de seleção das espécies para a vida social, somente proporciona lucros àqueles que detêm mais capital (vide o caso dos grandes conglomerados comerciais e industriais que se fundem para ganhar da concorrência e abocanhar as fatias de mercado detidas pelos concorrentes).

É, portanto, graças à famigerada viabilidade econômica que somente se faz algo a partir de capacidade de lucro e, neste, sentido o Brasil equivale a um maratonista mal alimentado que concorre com atletas mais qualificados, sejam eles os donos do saber científico aplicado à produção de mercadorias (casos dos Estados Unidos e União Europeia), sejam eles os países de mão-de-obra abundante e miserável (casos da Índia e China).
Eymael: limita-se a aumentar para 8 suas derrotas eleitorais

Esquecem-se os candidatos de que o crescimento do PIB previsto para a América Latina no ano de 2018 está em torno de 1,6% (mesmo patamar projetado para os países de outros continentes que também pertencem à periferia do capitalismo ). Querer que seja retomado o desenvolvimento econômico a partir da indução pelo Estado, cujas finanças são cada vez mais deficitárias, é balela eleitoral de quinta categoria.   

A proposição de desenvolvimento econômico dos candidatos desse bloco, suposta varinha de condão capaz de suprir as finanças públicas e aliviar-nos de todos os males decorrentes da depressão econômica mundial (e da dívida pública e privada que já corresponde a 360% do PIB mundial, prenunciando um colapso no médio prazo), são tão irrealizáveis como se querer que um fusquinha dos anos 60 ganhe uma corrida de Fórmula 1 em 2018. 

Mas, há outras identidades programáticas que demonstram quão monocórdias são suas respectivas e repetitivas proposições. 

A redução de gastos estatais, que corresponde ao ajuste do orçamento fiscal, é uma proposição de todos os candidatos, num reconhecimento de que o Estado deve sanear as suas finanças para continuar viável.

Ocorre que, após o pagamento das despesas fixas estatais, pouco sobra para o atendimento das demandas sociais básicas. O objetivo deles é manter viável a tutela do Estado, tida como indispensável para a operacionalidade do sistema capitalista. 
Cabo Daciolo: limita-se a desfrutar seus 15 minutinhos de fama

Há despesas orçamentárias indispensáveis para a governabilidade, como a folha salarial dos poderes do Estado e o custeio da máquina estatal (poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, aí incluído os gastos militares com salários e equipamentos); os juros da dívida pública; e o déficit previdenciário. 

Tudo isso, somado a outras despesas menores mas igualmente obrigatórias, implica um déficit fiscal crescente, sem que o Brasil possa emitir moeda sem lastro (que causaria inflação insuportável), como o fazem os EUA e a União Europeia.

Os candidatos somente oferecem respostas a tal impasse acenando com a quimera do desenvolvimento econômico e do arrocho fiscal (este último item causador de grandes prejuízos para o povo no quesito das demandas sociais básicas de responsabilidade constitucional, principalmente saúde e educação). 

Aliás, a Constituição burguesa é sempre invocada quando se trata de cumprimento das regras republicanas que interessam aos capitalistas, mas ignorada solenemente quando se trata do respeito aos direitos populares ali consignados (e isto tem sido observado tanto nos governos de direita quanto nos de esquerda, neste momento de falência do Estado e de explicitação da coerção tácita do capital). 

Outro ponto comum a este bloco de candidatos é o enfoque da questão previdenciária, verdadeiramente explosiva se levarmos em conta quantos brasileiros hoje vivem às custas da previdência social, sem a qual ficariam no abandono, famintos e doentes. 

Para que fosse mantido o equilíbrio contábil das contas, quem deveria pagar as pensões dos inativos seriam os novos contribuintes previdenciários. 

Ocorre que, com o alto índice de desemprego do Brasil (mais de 12% da população economicamente ativa, ou 13,7 milhões de brasileiros), acrescido à redução do nível de salários sobre o qual incide a contribuição, o Estado vê-se obrigado a suprir a déficit previdenciário crescente. 

As fórmulas para o equacionamento desta questão sob a lógica do capital se resumem a duas opções, que procuram se somar. São elas: 
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— crescimento da economia e, consequentemente, do nível de empregabilidade e dos salários, o que faria aumentar o volume monetário de arrecadação e contribuição previdenciária; e
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— redução de direitos consubstanciados da redução do valor das pensões (a inflação colabora nesse sentido quando os valores permanecem inalterados) e aumento do tempo de contribuição, obrigando os contribuintes a se aposentarem quando estiverem perto da morte. 

Os candidatos de direita e de esquerda estão presos nesta jaula de ferro inexpugnável criada pelo capitalismo (que se oxida a olhos vistos), daí ser necessário inventarmos uma nova lavagem de roupa, como me disse certo desempregado crônico. 

A alternativa a todos os impasses do capital no seu limite interno absoluto de expansão (por seus próprios fundamentos, e não por ação política externa) não é uma inverossímil otimização de sua administração, mas sim a sua superação. 

As demais propostas administrativas dos candidatos desse bloco apresentam apenas modificações cosméticas, que em nada alteram a substância de seus governos. 

Estes se defrontariam com os mesmos impasses dos seus antecessores, sempre experimentando, no médio prazo, as dificuldades da ingovernabilidade que lhes são impostas pelo capital (cujas agruras terminam invariavelmente arrebentando nas costas do povo explorado pela extração de mais-valia e pelos impostos escorchantes).  

E tudo isso tendo, ainda, de negociar com um parlamento eleito pela força da grana, que funciona da base do é dando que se recebe; e sendo geralmente obrigado a respeitar os interesses corporativos daqueles que se apegam encarniçadamente a suas benesses setoriais, mesmo quando elas conflitam com o interesse coletivo. 

Por último, não há motivo para se dedicar mais do que um parágrafo ao bloco do eu sozinho do Cabo Daciolo, do Patriota, cujo discurso é uma versão religiosa fundamentalista do militarismo bolsonariano, estando mais para o similar evangélico do fanatismo do Estado Islâmico do que para uma candidatura que mereça análise detalhada. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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