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sábado, 26 de dezembro de 2020

O FUTURO FLERTA COM OS EMANCIPACIONISTAS – 2

(continuação deste post)
N
esse contexto há os reformistas, que figuram agora como acabrunhados oportunistas, quando conscientes de sua dubiedade nociva; ou como inocentes úteis, quando acreditam que devagar se vai ao longe.

Agora mesmo se discute, no Brasil, em quem a esquerda deve votar para a presidência da Câmara Federal. 

A escolha deve recair no candidato menos subserviente ao governo que aí está, mesmo que (no caso do PT) tenha vacilado quanto a isso e até admitido a possibilidade de apoio a um candidato governista, por puro oportunismo político circunstancial. Uma lástima sob todos os aspectos. 

Ora, num momento em que o capitalismo está colapsando mundialmente (e mais ainda no Brasil, que pertence ao grupo dos países equivocadamente denominados como em desenvolvimento), por vários motivos e com várias consequências catastróficas, os reformistas estão cuidando da unha encravada sem se aperceberem da metástase que toma conta do corpo. Vão herdar um cadáver.

Os movimentos sindicais, por sua vez, poderiam mobilizar para finalidades mais nobres os milhões de desempregados que antes atuavam no suprimento da produção de bens cuja demanda de consumo está impossibilitada pelo travamento da lógica capitalista de produção; direcioná-los, p. ex., para a construção e distribuição gratuita de casas para os milhões de favelados e moradores precarizados dos bairros (contando, para tanto, com o apoio de outros desempregados, que os sustentariam materialmente).

Ao invés disto, contudo, escondem-se em bandeiras reformistas de defesa de direitos trabalhistas que somente positivam a lógica de exploração do capital aos trabalhadores que dizem defender. 
Assim age, movida por interesses político-sindicais ou partidários oportunistas, a grande maioria dos sindicatos de trabalhadores dirigidos por reformistas que se fazem passar por bravos soldados da luta de classes, mas querem mesmo é perpetuar a subalternidade das classes e sejam mantidos os seus empregos classistas.

Mas o futuro flerta com os que se inserem no segundo conjunto, a quem eu chamo de emancipacionistas, os quais propõem uma práxis que arrebenta com as amarras escravistas que caracterizaram a humanidade nos três últimos milênios, formatando, assim, o novo tempo que já se vislumbra.   

O emancipacionismo representa a esperança de um futuro luminoso, no qual sejam desenvolvidas todas as potencialidade humanas, desde as materiais até as próprias à subjetividade do afeto e das relações humanas superiores (aí incluídas as convivências de harmonia social fraterna e convergência na diversidade), tudo sob um tratamento cuidadoso para com a nave mãe que nos abriga como um pequenino grão de areia no majestoso universo.

Nós somos grandes enquanto seres pensantes e capazes de construirmos maravilhas em nosso favor, a partir da potencialidade desse universo grandioso traduzido como natureza, e isto apesar de sermos apenas um ser microscópico dentro do sistema planetário universal. 
Então, por que não sermos racionais e fraternos? 

Por que sermos segregacionistas e estabelecermos uma forma de relação social tão mesquinha que é capaz de acumular imensa riqueza abstrata nas mãos de uns poucos e nem prover um lugar decente e confortável para morar a quem precisa e o alimento substancioso para todos? 

Por que não nos habituarmos a tratar de modo saudável e sustentável a mãe natureza, que nos fornece as condições materiais de vida?

Quando os pósteros se debruçarem sobre a nossa história, estranharão termos vivido de modo tão obtuso, contraditório e irracional; provavelmente atribuirão tal comportamento à inferioridade da nossa racionalidade atual,. 

A chave para a emancipação humana reside no estabelecimento de um modo de produção voltado para a satisfação das necessidades sociais coletivas, e dentro do princípio marxiano segundo o qual se deve esperar de cada um segundo as suas potencialidade, e dar a cada um segundo as suas necessidades. 

Os defensores do capitalismo (que, a exemplo do mercador de ilusões Paulo Guedes, não cansam de tentar impingir-nos sempre o mesmo peixe podre, apesar de o fedor aumentar cada vez mais...) costumam dizer que é impossível se produzir sem o egoísmo pretensamente meritório dos que empreendem dentro da lógica do capital. 

É como se o mal da acumulação individual da riqueza abstrata produzida socialmente fosse o móvel do impulso criador e produtor da vida e da transformação da riqueza material em objeto consumível, como as mercadorias... 

Frases e mais frases nesse sentido se pode captar de todos os grandes chefetes políticos, empresários e economistas burgueses, em detrimento de uma vida social emancipada. 

Ouso dizer que todos eles se equivocam, pois não dá para se  transformar o mal em fonte do bem e é aberrante sustentar que o ser humano seja intrinsecamente negativo ao ponto de somente poder sobreviver à custa do sacrifício inaudito e da morte de seus semelhantes.

O ser humano, ambientado numa relação social na qual todos se tornem contributivos de acordo com as suas potencialidades e dons, terá prazer e satisfação em tornar-se útil, bem como em ser o artífice da proteção dos que não têm a mesma potencialidade. 

Todos poderão ser reconhecidos socialmente por sua contribuição estimuladora, ao invés de se tornarem adversários de todos, como ocorre sob a relação social capitalista.

O modo de produção diferenciado formatará uma organização social horizontalizada, cujos cânones jurídicos sejam consentâneos com o que a moral baseada no bom senso e na busca da realização do ideal de justiça.

Como profissional do direito que sou, e estudioso por conta do ofício há mais de 40 anos dos princípios da ciência do direito, posso afirmar categoricamente que o nosso direito civil, advindo do direito romano (que é a forma jurídica atualizada das sociedade fundada sob a égide do escravismo social que ergueu e fez sucumbir o Império Romano), é, antes de tudo, um anti-direito.

As firulas que os juristas conseguem fazer para tornar aceitável e razoavelmente lógico o regramento jurídico civil é, ao mesmo tempo, um esforço de erudição vernacular aliado ao tacão da obediência militarizada que submete todos à obediência das leis civis. Os juízes são os carrascos modernos da execução da lei.  

Os tradicionalistas querem desconstruir o que a civilização ergueu a muito custo como direitos fundamentais da humanidade (começando pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, foi admitida apenas após os horrores da 2ª Guerra Mundial, e agora querem revogá-la!), para em seu lugar retroceder à era na qual se admitia a propriedade de um ser humano escravizado.

Tal corrente difere da dos desmiolados pregadores de um great reset (ainda que tenham o mesmo objetivo teleológico final), propositores de uma nova ordem mundial, de vez que, sob o disfarce de uma preocupação humanitária com os rumos que o capitalismo em colapso vem tomando, querem implantar uma ordem totalitária como forma de manutenção do dito cujo sob bases estruturais pretensamente factíveis. 

Ramo totalitário de uma tese reformista de direita, o great reset quer uma reforma pensada pelos de cima com o aval dos de baixo, como forma de manutenção da dominação social própria à relação social capitalista.
Ao pregarem uma reestruturação monetária que revogue as decisões do pós-guerra em Breton Woods, que estabeleceu o dólar dos Estados Unidos como moeda universal (aí há um reconhecimento explícito da insustentabilidade da moeda estadunidense), querem que o capital assuma o verdadeiro poder social sob sua égide, criando um controle paraestatal ainda mais nocivo do que os estados nacionais por ele criados. 

Os emancipacionistas são o contrário de tudo isto. Querem desconstruir a institucionalidade estatal burguesa criada para servir à escravização do capital e, avançando no tempo, estabelecerem, em seu lugar, mecanismos jurídicos próprios de um modo de produção no qual o uso tecnológico do saber se coloque em benefício da humanidade e não do lucro segregacionista.

A consciência sobre a nossa própria essência e sobre a possibilidade de construção de um ordenamento jurídico e social convergente com um sistema de produção social que use todo o tempo disponível de cada indivíduo social (o que proporcionará tempo disponível para atividades lúdicas e afetivas nos mais variados campos da existência) há de engendrar essa Grande Ruptura! (por Dalton Rosado
Documentário francês de  2009, dirigido por Jean-François
Brient, o média-metragem Da Servidão Humana nos foi
recomendado pelo leitor Cássio, a quem agradecemos

sábado, 5 de dezembro de 2020

O CHANCELER TERRAPLANISTA CONTINUA FAZENDO ALARMISMO COM O BESTEIROL DO "GRAT RESET". O ITAMARATY VIROU CIRCO...

MINISTRO ARAÚJO EVOCA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO SOBRE COVID
O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, mencionou nesta 6ª feira (4), num tuíte, a teoria de conspiração do Great Reset (grande recomeço ou zeragem), sobre a origem da covid-19, após participar de uma conferência da Organização das Nações Unidas.

"A pandemia não pode ser pretexto p/ controle social totalitário violando inclusive os princípios das Nações Unidas. As liberdades fundamentais não podem ser vítima da Covid. Liberdade não é ideologia. Nada de Great Reset", escreveu na rede social Twitter, acrescentando o link para um vídeo da minha fala em sessão ONU s/ Covid".

Na véspera, Araújo participara de uma conferência extraordinária das Nações Unidas sobre a pandemia do vírus Sars-Cov-2. O encontro, visando alcançar um compromisso global face à pandemia, contou com a participação de mais de 90 chefes de Estado e governo.
M
ITO DO GRANDE RECOMEÇO
 – Popular em plataformas de extrema-direita, a grande zeragem é uma teoria da conspiração segundo a qual a pandemia da covid-19 teria se originado num projeto secreto de elites corruptas, com o fim de impor seu controle econômico e social às massas.

Em maio, a teoria tomou impulso após o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, anunciar a intenção de reunir líderes mundiais, num encontro denominado Great Reset, para discutir as mudanças climáticas e a reconstrução sustentável de economias prejudicadas pela pandemia. Isso deu margem a rumores sobre elites que manipulariam a economia e a sociedade mundiais.

Apesar de não citar diretamente o termo em seu discurso na ONU, o chanceler do Brasil falou de uma armadilha para suprimir liberdades durante a atual pandemia. Há mais de 66 milhões de casos confirmados de covid-19, em todo o mundo, resultando em 1,5 milhão de óbitos, segundo dados mais recentes da Universidade Johns Hopkins.
"Aqueles que não gostam da liberdade sempre tentam se beneficiar dos momentos de crise para pregar o cerceamento da liberdade. Não caiamos nessa armadilha. O controle social totalitário não é o remédio para nenhuma crise. Não façamos da democracia e da liberdade mais uma vítima da covid-19", afirmou na ONU, sem especificar a quem se referia, o diplomata, indicado por Bolsonaro e também admirador de Donald Trump.
CONSPIRAÇÃO À BRASILEIRA – "A covid-19 não pode servir como pretexto para avançar agendas que extrapolam a estrutura constitucional das Nações Unidas", insistiu Ernesto Araújo, comentando a situação da pandemia no BrasiL. Com mais de 6,5 milhões de casos e quase 176 mil vítimas, o país apresenta a segunda maior mortalidade de covid-19, depois dos Estados Unidos.

Entre os que advogam o Great Reset conta o QAnon, um movimento surgido nos Estados Unidos em 2017, combinando várias teorias da conspiração, e que já ganhou uma versão brasileira a qual se tem espalhado rapidamente entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

O movimento nasceu em fóruns na internet da extrema-direita americana, onde um anônimo (QAnon) passou a alegar que possuía informações secretas de agências de segurança sobre um grupo liderado por uma elite corrupta de pedófilos satanistas, os quais sequestrariam e sacrificariam crianças.

No Brasil, o QAnon adaptou-se à narrativa conspiratória local. Alegando defender valores cristãos e conservadores, seus disseminadores usam as redes sociais para espalhar falsidades contra críticos ao governo bolsonarista. 

(reprodução de uma esclarecedora
reportagem da Deutsche Welle Brasil)
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