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domingo, 25 de janeiro de 2026

PRESIDENTE SUÍÇO PEGOU O TRUMPINÓQUIO NA MENTIRA

"O maior de todos os farsantes"
UM SHOWMAN MEGALOMANÍACO 
Parecia a estreia de um grande espetáculo. Havia filas para entrar, a sala estava cheia, muita gente ficou de fora. 

No centro do palco, em pé, como um star estadunidense que ao final seria aplaudido em pé pela plateia numa standing ovation, o showman. 

Conhecido como criador de suspense, ele contava lorotas nas quais era sempre o melhor ou o ganhador. 

Era Donald Trump, presidente dos EUA, que havia ameaçado a Dinamarca de empregar a força, caso o país não lhe vendesse um enorme pedaço de gelo, a Groenlândia.

O lugar era o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, durante alguns dias o centro da economia ocidental. Trump já esteve por lá outras vezes, mas nunca num clima de tanta expectativa, pois uma parte dos europeus temia uma guerra se houvesse uma invasão da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Na metade da sua hora e doze minutos de show, como qualificaram alguns jornalistas suíços, Trump garantiu que não usaria a força para obter seu grande pedaço de gelo, essencial, segundo ele, para garantir a segurança dos EUA. 

E chamou a Dinamarca de ingrata pois se não fossem os Estados Unidos, hoje estaria falando alemão ou japonês, referindo-se à participação do país na libertação da Dinamarca na Segunda Guerra Mundial.

Irreverente, ou mais precisamente mal-educado, Trump procurou ridicularizar o presidente francês Emmanuel Macron e a ex-presidenta do conselho federal suíço Karin Keller-Sutter. Ao contar à sua maneira a conversa telefônica mantida com um e outro, é sempre Trump, o esperto e mais forte, quem sai ganhando.

A Europa voltou a respirar mais tranquila após o encontro do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte com Trump, no qual Mark Rutte praticamente jurou fidelidade e apoio no caso de uma guerra envolvendo os EUA. Ambos negociaram, depois do discurso do  Trump em Davos, a instalação e utilização de bases militares dos EUA soberanas e autônomas na Groenlândia.

Trump se demonstrou satisfeito com esse acordo pelo qual pode dominar a região ártica. Mas existe um problema, o governo dinamarquês não participou e poderá vetar, em nome da soberania do país. O acordo inclui uma ajuda estadunidense para a exploração dos recursos minerais da ilha de gelo. Será o próximo capítulo.

Com base nesse acordo, o poderoso Trump anulou suas ameaças de um tarifaço suplementar em fevereiro e junho para os europeus.

Sempre cortês e calmo, o atual presidente suíço, Guy Parmelin, Pegou Trump na mentira, ao provar-lhe que não existe um déficit comercial de US$ 41 bilhões favorável à Suíça, como ele dizia, mas sim um superávit de US$ 8,8 bilhões em favor dos Estados Unidos. 

Trump teria se mostrado surpreso e sem a irritação costumeira de quando ele é contraditado. 

Aproveitando o encontro com o presidente suíço, Trump se mostrou curioso quanto ao funcionamento do rodízio presidencial no conselho federal suíço. De acordo com o um jornal suíço, logo perguntou se um presidente suíço poderia exercer duas vezes seu mandato, revelando a intenção de prorrogar o próprio mandato.

Embora no seu discurso megalomaníaco tudo aparentasse ser um sucesso, parece haver uma erosão do apoio a Trump entre os republicanos e por parte de seus eleitores. 

As eleições de meio mandato, em novembro, revelarão se Trump poderá continuar se exibindo como o star do Faça a América Grande de Novo. (por Rui Martins, diretamente da Suíça).

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A INGENUIDADE DO LULA E A HIPOCRISIA SISTÊMICA DO CAPITALISMO

Lula com a rainha da Dinamarca: igual à nobreza de berço?
Não é historicamente curioso que o primeiro presidente da República a ser preso no Brasil por crime comum seja justamente uma pessoa de origem operária, ainda que tal operário tenha jogado pedra na cruz para ser aceito pelo Império Romano da atualidade?  

A justiça republicana é historicamente mais severa com seus inimigos de classe; mas, talvez o reconhecimento do propósito conciliatório de Lula como governante amenize a sua pena, quando estiver politicamente exaurida a desmoralização que ora lhe impõem.

Quando nós, os que lutávamos contra a ditadura, éramos presos, ainda que temêssemos pela vida sob a covarde tortura, tínhamos o orgulho próprio de quem luta contra a injustiça. Este era o conforto dos que colocavam a honra e a dignidade acima de mesquinhos interesses pessoais e de poder.

Lula acreditou nos cânones da democracia burguesa e, assim, acendeu uma vela a deus e outra ao diabo. Cortejou os donos do PIB e das esferas institucionais do poder burguês como se fossem confiáveis. Não são.

A postura de Lula é própria à ingenuidade de quem, tendo crescido politicamente sob os auspícios da indignação popular contra a injustiça (ainda que em lutas árduas e sofridas), achou que poderia adotar os mesmos métodos de governo que a tradicional elite brasileira sempre utilizou para se perpetuar majoritariamente no poder – aceitar e praticar a corrupção. Deu-se mal.
"É uma justiça mais severa com os inimigos de classe"

O atual ensaio de prender alguns políticos da elite política tem dois objetivos:
a) dar um puxão de orelha nos que concorrem para o agravamento das combalidas finanças do erário público, vítima de corrupção desvirtuadora da função estatal de manutenção da ordem capitalista vigente e que, no Brasil, tomou ares de inaceitável comportamento endêmico; 
b) desmoralizar a esquerda quando no exercício do poder, punindo-a pela aviltante prática de corrupção com a justificativa de que todos são iguais perante a lei (um falacioso lema republicano).
Apesar de ter sido expulso do PT sob o beneplácito de Lula e outros dirigentes petistas, tenho, pessoalmente, um desconforto pelo que representa a sua desonrosa prisão, explorada com júbilo pelos tradicionais e empedernidos defensores do capital e de tudo que ele incorpora.

O meu sentimento é de solidariedade humana a um septuagenário e de perda do que até aqui construímos. 

Infelizmente, a prisão atual difere daquela que foi imposta a Lula pela ditadura militar em 1980, quando era dirigente sindical. 
"Vida política brasileira nauseia até observadores desatentos"
Agora, sua prisão está manchada pela nódoa do corrupto pacto conciliatório com o que há de mais podre na vida política brasileira como forma de propiciar continuidade ao sujo jogo do processo eleitoral, cuja hipocrisia sistêmica (inclusive dos tribunais eleitorais) é de dar náusea mesmo a um observador menos atento.    

A nós, que lutamos por uma sociedade emancipada, só nos resta só nos resta tirarmos lições desse episódio, para que algo assim não se repita jamais; e esforçarmo-nos para nos colocar à altura do combate aos males do sistema capitalista, da sua opressão econômica e de sua hipocrisia institucional. (por Dalton Rosado)
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