Mostrando postagens com marcador CMI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CMI. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

TIROTEIOS E ROLOS COMPRESSORES VIRTUAIS

A submissão à "linha justa" já levou comunistas
a engolirem até o pacto de Stalin com Hitler
...
O nível das discussões políticas na internet é, claro, baixíssimo. Salvo uma ou outra honrosa exceção, o que temos são as mais toscas desqualificações. 

Mesmo assim, acredito que seja importante rebatermos certas calúnias e falácias, para deixar claro que nem calamos, nem consentimos.

Geralmente, a cada uma dessas intervenções sucede uma avalanche de novas grosserias. Mas, se não dá para contrabalançarmos a quantidade de zurros por escrito, é óbvio que a qualidade da argumentação consistente se impõe pelo menos perante leitores equilibrados e imparciais. Temos de acreditar que eles existam, pois o contrário seria desalentador demais.

Assim, várias vezes saí do Centro de Mídia Independente, por discordar de sua prática de  esconder  matérias (para quem foi censurado por uma ditadura, trata-se de um sapo enorme e dos mais indigestos...), mas sempre acabei voltando por constatar que, com isto, só deixava o terreno livre para os mais vis caluniadores.

Da última vez, até de agente da CIA me rotularam --sem evidência de nenhuma espécie, claro, apenas partindo de conjeturas tipicamente stalinistas.

Postar meus artigos lá é melhor do que deixar ser passada aos leitores uma versão totalmente deturpada do que eu defendo --já que, durante minhas  hibernações, jamais deixaram de os citar, desfigurados a ponto de eu ter dificuldade de encontrar o fio da meada, no  samba do crioulo doido  resultante.

Mas, há um preço a pagar: a enxurrada de primarismo que acabo tendo de responder a cada artigo mais polêmico postado, como o desta 4ª feira sobre o ditador que já foi tarde.

A perda, contudo, nem sempre é total: às vezes isso me leva a aclarar minhas posições sobre certos assuntos, no afã de tentar fazer-me entender por pessoas pouco familiarizadas com a teoria revolucionária.

1,7 milhão de cambojanos teriam sido dizimados
pelo Khmer Vermelho: isto nunca pode se repetir!
Caso deste comentário que estou parcialmente reproduzindo (o artigo e a íntegra do debate podem ser acessados aqui):
"...é claro que liberdade, no sentido real do termo, os cidadãos não têm sob o capitalismo. Apenas são TUTELADOS e PERSUADIDOS ao invés de REPRIMIDOS e COAGIDOS.

Mas, se teoricamente uma gaiola dourada e uma masmorra medieval dão no mesmo, na prática é infinitamente pior estar sob uma ditadura do que na democracia abastardada de hoje. Eu sei, passei por ambas. No inferno do ditador Médici, acordávamos nos indagando se estaríamos vivos no final do dia.
Quanto ao sentido maior dos meus posicionamentos, é muito simples e nada tem de raposismo: saí das prisões militares convicto de que nada, absolutamente nada, justifica que seres humanos sejam triturados daquela maneira. Então, se algum regime depende DISSO para sobreviver, que vivam os homens e que morra o regime!
Antes de ser preso, eu ainda admitia que a ditadura do proletariado poderia ser necessária como etapa TRANSITÓRIA e tão curta quanto possível, conforme propôs Lênin em O Estado e a Revolução.
Depois, compreendi que ditaduras têm seus beneficiários e são dificílimas de remover; ao entrarmos nelas, arriscamo-nos a ficar submetidos ao arbítrio por décadas sem fim. Suportei uma por 21 anos e, se tivesse de repetir a dose, preferiria a morte.
Então, há quatro décadas defendo duas bandeiras principais:
  • a colocação da liberdade ao lado da justiça social como prioridades máximas da revolução, em plano de absoluta igualdade (ou seja, sem postergar-se a liberdade em nome da justiça social, o álibi de todas as tiranias ditas  de esquerda); e 
  • a recolocação da revolução mundial como prioridade máxima, pois revoluções em países isolados vêm se desvirtuando desde 1917.
Há quem diga que foi melhor isso do que nada. Mas, podemos também pensar que, sem essas revoluções que se revelaram bem diferentes do que prometiam, tornando nossos ideais odiosos aos olhos de muitos cidadãos comuns (o que a propaganda inimiga capitalizou a mais não poder...), talvez já tivéssemos chegado à revolução mundial.

Afinal, o capitalismo há muito esgotou seu papel positivo e, na sua sobrevida parasitária, só vem desgraçando a humanidade. Mas hoje a esmagadora maioria dos explorados não vislumbra uma alternativa confiável. E isto, temos de admitir, se deve à nossa PERDA DE CREDIBILIDADE.

Completando, seria ocioso acrescentar que os explorados têm de ser os SUJEITOS da revolução, não seu OBJETO.

Que a revolução deve ser feita POR eles, e não PARA eles.

E que, quando são nomenklaturas que decidem tudo e o povo só diz amém, seja por estar fanatizado pela propaganda atordoante do regime ou por estar intimidado por polícias políticas, não existe verdadeira revolução.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

CONFESSO: SOU AGENTE DA U.N.C.L.E.

Há alguns anos, quando eu era ainda inexperiente na web, um internauta que frequenta grupos de discussão de esquerda aproximou-se de mim oferecendo ajuda. Para não proporcionar-lhe a notoriedade que tanto almeja, vou chamá-lo apenas de  Provocador.

Como sempre dou um crédito de confiança às pessoas, até que demonstrem não o merecer, aceitei seus préstimos. De concreto, o  Provocador  só apontou algumas tribunas em que eu poderia publicar meus artigos, como o CMI.

Logo percebi que seu verdadeiro foco era atacar genericamente o Partido dos Trabalhadores e, individualmente, figuras mais importantes do que ele, para pegar uma carona no seu prestígio, como  o antagonista do famoso. Naquele momento, sua  vítima  era o companheiro Laerte Braga.

Fiquei na minha. Por considerar que o PT agrupava tanto militantes de esquerda quanto cidadãos direitistas, centristas e carreiristas, eu preferia estimular a ala do partido que se mantinha fiel às propostas originais de 1980, combatendo apenas os alinhados com o sistema.

Isto porque algumas vitórias a ala esquerda do PT ainda obtém, como a decisão do ex-presidente Lula sobre Battisti. E, havendo novos rachas, seus integrantes serão nossos aliados naturais, podendo até militar conosco. Por que empurrá-los para o outro lado e, ainda por cima, fechar portas? Sectarismo é a doença infantil do esquerdismo.

Também não tinha motivo nenhum para juntar-me ao  Provocador  em sua cruzada contra o companheiro Laerte Braga, com quem até cheguei a travar polêmicas ásperas mas, como eu, defende as posições que considera justas e às vezes se choca com quem sustenta outras posições. Entre um homem de esquerda e um mero exibicionista, jamais optarei pelo segundo.

Isto azedou minhas relações com o  Provocador. E chegamos à ruptura no curso do Caso Battisti, pois ele insistia em priorizar o desgaste do PT e não a liberdade do companheiro italiano.

Recusou-se a integrar o Comitê de Solidariedade para não ficar submetido a suas decisões, mas, de fora, multiplicava as tentativas de criar constrangimentos para Lula.

A gota d'água foi quando o caso estava no Supremo Tribunal Federal e ele tentou lançar campanha para que Lula atropelasse o STF, libertando imediatamente Battisti.

Saltava aos olhos que Lula não agiria assim. Se o exigíssemos, além de sairmos com as mãos abanando e angariarmos antipatia para nossa causa nos círculos governamentais, ainda daríamos um forte trunfo propagandístico aos inimigos. Poderiam trombetear que temíamos a decisão do Supremo e, antidemocraticamente, estávamos tentando virar a mesa. Resumindo: perda total.

Fiquei sem outra opção que não a de jogar todo meu peso político contra tal proposta. E isto tornou o Provocador  meu inimigo figadal.

Desde então, ele fez de mim seu alvo principal. E chegou ao cúmulo de publicar um e-mail que lhe havia escrito em tempos idos, no qual era citado o nome dos companheiros que me procuraram para pedir que denunciasse os sites das  viúvas da ditadura.

Ou seja, assumi sozinho a denúncia porque, sendo pessoa conhecida, os fascistas virtuais pensariam duas vezes antes de tentarem alguma represália direta. Aí o  Provocador, por mera picuínha, expôs quem estava ao meu lado nessa empreitada.

Meses e anos se passaram, com o  Provocador  sempre me atacando com um estoque inesgotável de falácias e eu apenas respondendo laconicamente, para ficar registrado que não calo nem consinto, mas evitando dar quilometragem às suas puerilidades.

Até que, nesta 2ª feira (24/10), ele postou no CMI esta aberração: Será Celso Lungaretti um agente da CIA?

Embora se trate apenas de uma elocubração não lastreada em fato nenhum e o  Provocador  careça da mais remota credibilidade, um boato desses, à custa da repetição, torna-se potencialmente perigoso. E, claro, é a quintessência da política de esgoto.

Daí eu ter decidido divulgar amplamente esta última provocação, o que não fiz com nenhuma das anteriores (e foram dezenas!). Pois, nada como a luz para espantar quem se move nas trevas.

Por último: o  Provocador  está equivocado. Integro, isto sim, os quadros da U.N.C.L.E., tanto que meu verdadeiro nome é Napoleon Solo. E faço dupla com o agente Illya Kuryakin, que finge chamar-se Carlos Lungarzo...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

CÂMARA FARÁ AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE RECAÍDA DO JORNAL DA DITABRANDA

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara Federal acaba de aprovar a realização de audiência pública para discutir a censura judicial imposta pela Folha de S. Paulo ao blogue Falha de S. Paulo, em flagrante cerceamento da liberdade de crítica e de opinião. A data da audiência ainda não foi marcada.

A iniciativa foi do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), conforme relatei no meu artigo Não à censura na blogosfera!!!

O episódio me fez lembrar a frase célebre de Oscar Wilde: "A aversão do século XIX pelo realismo é a cólera de Calibã por ver seu rosto num espelho".

Só que, em matéria de feiúra, Calibâ era fichinha para o jornal da  ditabranda...

OTÁVIO FRIAS FILHO = DARTH VADER

Para recapitular o caso, nada melhor do que este editorial do  Centro de Mídia Independente, publicado no final de 2010 mas ainda bem atual (infelizmente...):
"...surgiu em setembro um blog chamado Falha de S. Paulo, uma paródia ao maior jornal brasileiro, a Folha de S. Paulo. (...) Era um blog recheado de fotomontagens, brincadeiras e críticas ácidas ao noticiário da Folha. Eram críticas sempre bem-humoradas, porém duras.
A Falha errou: foi ofensiva à imagem de Darth Vader...
 Para se ter uma ideia, uma das montagens de maior sucesso (e mais irônica) punha o rosto do dono do jornal, Otávio Frias Filho, no corpo de Darth Vader. 
Pois bem: após um mês no ar o jornal entrou na Justiça para censurar o blog. Pior: conseguiu. Ainda pior: além de conseguir cassar o endereço, a Folha abriu um processo de 88 páginas contra os criadores do site, pedindo indenização em dinheiro por danos morais.
O jornal alega 'uso indevido de marca', por causa da semelhança entre os nomes Folha e Falha e porque o logotipo do site era inspirado no do jornal. A paródia foi criada por dois irmãos (Lino e Mário Ito Bocchini) que não têm ligação com nenhum partido político ou qualquer outra entidade. São duas pessoas 'avulsas', o primeiro jornalista e o segundo, designer.
...a comparação com Otávio Frias Filho.
 E agora os irmãos estão tendo uma dificuldade brutal (e gastando bastante dinheiro) para se defender na Justiça de uma ação volumosa do maior jornal do país.
E a previsão dos advogados e professores de Direito ouvidos pela dupla é a de que a Folha deve ganhar a ação [já obteve liminar proibindo a Falha de imitar o logotipo da Folha], mais por ser uma companhia grande e poderosa e menos pelo mérito da questão em si.
Aqui entra o motivo pelo qual os irmãos Bocchini resolveram levar a questão para além das fronteiras do país: no Brasil, menos de 10 famílias dominam os grandes meios de comunicação. E uma dessas famílias é justamente a Frias, que ficou incomodada com a Falha de S. Paulo e suas brincadeiras como a do Darth Vader.

Por corporativismo, nunca um órgão de uma família noticia algo relacionado à outra. É uma espécie de tradição brasileira. A censura de um blog, ainda mais seguida de um pedido de indenização, é uma ação judicial inédita no Brasil.
 Por conta disso, os irmãos Bocchini estão sendo chamados a diversos eventos de comunicação, convidados a dar palestras etc. Estão recebendo muita solidariedade de blogueiros e ativistas por liberdade de expressão de todo país, e figuras públicas como o ex-ministro Gilberto Gil gravaram depoimentos condenando a censura e o processo da Folha. Mesmo assim jornais rádios, TVs e revistas seguem ignorando completamente o assunto.
A preocupação geral é que, se o jornal ganhar essa ação inédita (como tudo indica que vá acontecer), um recado claro estará dado às demais grandes corporações brasileiras, sejam de comunicação ou não: se alguém incomodar você na Internet, invente uma desculpa como essa do 'uso indevido de marca'. A Justiça irá tirar o site do ar e ainda lhe conseguir uma indenização em dinheiro.

Ou seja, está nascendo um novo tipo de censura em nosso país, justamente pelas mãos de quem vive da liberdade de expressão".

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CMI: O ÚLTIMO ATO

Depois dos acontecimentos que narrei no artigo CMI: o uso do cachimbo faz a boca torta..., ainda fiz uma tentativa de continuar disponibilizando meus textos para esse universo predominantemente de esquerda, repetidor e formador de opinião.

Como o Centro de Mídia Independente recuara em relação à censura do texto que estava sendo objeto da controvérsia, resolvi transigir pela última vez.

Não adiantou. Houve nova censura, mais descabida e inaceitável ainda.

Então, com o comentário abaixo, que postei e não sei se colocarão no ar, estou encerrando definitivamente minha participação no CMI:
"Para que ninguém me chamasse de intransigente, duas vezes reconsiderei minha decisão de deixar para sempre o CMI em função da censura de textos, da qual discordo por princípio e também por ser uma prática que me traz à lembrança os nefandos tempos da ditadura militar, quando cheguei até a responder processo por causa de trabalhos jornalísticos (depois de, anteriormente, haver respondido a quatro processos como militante revolucionário).

Na primeira vez, como o pomo da discórdia havia sido um artigo meu sobre futebol -- numa abordagem crítica, é bom destacar --, depois de alguns meses resolvi voltar a postar aqui pelo menos os textos sobre lutas em curso e temas políticos de maior importância. Os sem-tribuna temos de aproveitar as poucas disponíveis.

Na segunda vez, o comentário que vinha sendo sistematicamente censurado -- e que fora "escondido" quando o postei como texto avulso -- acabou indo ao ar. Pensei que fosse uma autocrítica do CMI e, embora magoado, optei por continuar disseminando aqui as teses e posturas da minha geração revolucionária.

Mal voltei, e mais um artigo é "escondido" -- desta vez, a resposta que eu dei, falando também em nome do Carlos Lungarzo e do Rui Martins, às falácias do Mino Carta sobre o Caso Battisti.

É simplesmente absurdo o CMI livrar a cara do fanfarrão do MC, contrariando seus próprios editoriais.

Então, constato que estou perdendo tempo.

Eu tenho grandeza suficiente para colocar minhas causas acima de rancores, birras e pirraças.

O CMI não tem.

Então, saio daqui para sempre.

Quanto ao Raymundo [Araújo, o mais destrambelhado caluniador dito de esquerda do CMI], pode escrever o que quiser. Dá no mesmo. Sua irrelevância é completa e quem tem espírito crítico já percebeu isto".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CMI: O USO DO CACHIMBO FAZ A BOCA TORTA...

É melancólico constatar que o stalinismo continua bem vivo em agrupamentos e espaços da esquerda brasileira, servindo para afastar de nossas causas muitos cidadãos que prezam, acima de tudo, a liberdade.

Como alvo que sou do macartismo da grande imprensa, impedido de exercer meu ofício nos veículos patronais, tenho recorrido a todos os respiradouros existentes para continuar exercendo o papel de formador de opinião, na contramão do sistema.

Num desses espaços, o Centro de Mídia Independente, minhas posições (elas sim!) independentes começaram a despertar a ira dos reacionários... e também dos que se julgam porta-vozes da única linha política correta, aspirantes a  grandes timoneiros  extemporâneos.

No último mês de março, cansei de ter de reagir tanto aos inimigos de classe quanto ao fogo amigo  e, indignado com a censura a um meu artigo sobre futebol com enfoque crítico (sobre jogadores espremidos e jogados fora pela engrenagem que explora o esporte das massas), deixei o CMI.

No entanto, continuava a ser lá citado por admiradores que reproduziam meu textos, e também por detratores a quem me repugnava deixar sem resposta.

Então, no último trimestre acabei voltando, não para publicar tudo que eu achava pertinente, mas, apenas, os artigos referentes a lutas em curso e a fatos políticos de maior gravidade.

Nem assim o CMI manteve a coerência com seu papel de alternativa ao PIG. Pelo contrário, reproduz seus piores vícios, com destaque para o vezo autoritário.

Assim, fornece tribuna a ataques destrambelhados como o que me fez um cidadão obcecado em pegar carona no meu prestígio e no de outros esquerdistas conhecidos (Laerte Braga e João Pedro Stedile são outros alvos frequentes de suas sandices invejosas): Mobilizações Pró Cesare Battisti: Não Chamem o Celso Lungaretti

Citado nominalmente inclusive no título dessa tosca catalinária, eu deveria, ao menos, ter garantido meu direito de resposta.

Não foi, entretanto, o que ocorreu: no meio do debate, um comentário meu, postado várias vezes, nunca foi ao ar.

Insisti, postando o comentário como se fosse um novo tópico; censuraram-no (ou, no eufemismo orwelliano do CMI, foi  escondido).

Enquanto isto, permanecia publicado, pelo segundo dia consecutivo, uma grosseria inqualificável de um direitista, com insultos e baixo calão, CELSO LUGARETTI FORA DO CMI. Talvez agora  escondam   tambem tal post, para salvar as aparências...

Lamentavelmente, o CMI se mostra território tão minado para mim quanto a mídia patronal. Só me resta descartá-lo em definitivo, já que seus aprendizes de censores não conseguem conviver com a diversidade de opiniões no campo da esquerda.

É que eles estão estimulando, inclusive em editoriais, as mobilizações em favor da libertação imediata de Cesare Battisti e parecem não ter gostado de minha colocação -- que, aliás, só fiz para colocar os pingos nos ii, respondendo às falácias assacadas contra mim -- de que, embora seja necessário e válido mantermos a pressão, o caso já está decidido, com a certeza de que os ministros do Supremo, por confortável maioria, resolverão não discutir o mérito da decisão do presidente Lula, reconhecendo-a e ordenando o fim do sequestro do escritor.

De resto, causou-me extrema repugnância o covarde ataque ao blogue Quem Tem Medo do Lula? , utilizado como "exemplo" de que eu seria um aderente ao "lullo-petismo".

De um lado, quem acompanha meu trabalho sabe muito bem que sempre elogiei ou critiquei o presidente Lula exclusivamente do ponto de vista de sua coerência ou não com os valores fundamentais da esquerda, deixando de lado quaisquer avaliações sobre o modo como geriu o estado burguês, já que não é essa a minha praia.

Por conta disto, na verdade, cito-o bem pouco nos meus artigos. Mas, sempre me mantendo fiel à linha que tracei e não deixando de reconhecer os méritos de suas decisões acertadas, como a de livrar definitivamente Battisti da  vendetta   neofascista. No campo da esquerda, só imbecis e/ou antilulistas hidrófobos desmerecem tal decisão.

De outro, o blogue da companheira Ana Helena Tavares é digno e exemplar, nem de longe se constituindo num espaço de proselitismo primário.

Ecumenicamente, ela convidou articulistas de várias tendências, que mantêm assídua colaboração: Carlos Lungarzo, Fernando Soares Campos, Gilson Caroni Filho, Laerte Braga, Mário Jakobskind, Raul Longo, Rui Martins e Uraniano Mota, dentre outros. Estou em boa companhia.

Finalmente, deixo aqui, como registro, o comentário que o CMI censurou. Que cada um tire suas conclusões:
UNS ASSUMEM RESPONSABILIDADES, OUTROS FICAM GRASNANDO

Engraçado, na hora de se botar o guizo no pescoço do gato sempre há falta de voluntários. Depois, quando o serviço já está feito, vêm criticar a maneira como penduramos o guizo.

Lá por 2007, a direita estava muito mais ativa na internet e nenhum dos nossos enfrentava o Olavo de Carvalho, cantado em prosa e verso como o grande "filósofo" dos reaças. Ele lançava artigos desafiando os companheiros de esquerda, que não respondiam, preferindo o ignorar.

Apanhei a luva, polemizei com ele e, sabendo como era importante a vitória para virarmos o jogo que até então nos era desfavorável, joguei no erro do inimigo. Em vez de atacar, simplesmente voltei os ataques do OC contra ele. É o que um amigo, professor de lutas orientais, sempre me recomendava...

Enfim, de um jeito ou de outro, botei-o pra correr. E aí houve quem dissesse que eu deveria ter sido mais contundente, mais afirmativo, bla, bla, bla.

Não chegava ter derrotado e humilhado um porta-voz dos reaças, mesmo sendo ele professor e acadêmico e eu não passasse de um jornalista? Ainda precisaria ter dado lições disto e daquilo?

Depois, assumi esta luta extremamente desigual, num momento em que quase ninguém na esquerda defendia o Cesare e a direita deitava e rolava na grande mídia.

Foram mais de 2 anos e meio de trabalho duro, viagens, contatos com Deus e o mundo, entrevistas, debates públicos com os reaças, "panfletagem", estresse, cerca de 200 textos escritos, etc.

Por força das minhas características pessoais, acabei sendo sempre quem reagia aos acontecimentos de batepronto, nos momentos mais difíceis, correndo o risco de opinar sobre o que ninguém havia ainda se pronunciado.

Discutia assuntos legais unicamente com o que aprendi na minha vida de lutas e no exercício do jornalismo. Mesmo assim, nos meus prognósticos e avaliações, acertei muito mais do que errei.

Isto sempre tendo bem presente o fato de que, se perdêssemos, o Cesare não aceitaria ser extraditado. Dava para perceber claramente que, a esse fim, ele preferiria optar por outro, mais digno. Era esta a responsabilidade que eu carregava e da qual estava bem consciente.

Chegamos a estar a um passo da derrota, na 3ª votação do STF. Desenvolvemos um esforço sobre-humano (a Fred, o Lungarzo, o Barroso e eu) para salvar a situação, na bacia das almas. E conseguimos.

Agora, vocês vêm aqui dar lições sobre a forma como deveríamos ter conquistado esta vitória?! Dizer que deveríamos ter nos preocupados mais com a IMAGEM da vitória do que com a vitória em si?!

Para quem estava no centro dos acontecimentos, nunca houve grandes opções do nosso lado. Fizemos o que dava, reagindo a cada desafio da melhor maneira possível, contra inimigos que contavam com recursos infinitamente superiores.

Qualquer vitória, nessas condições, tem de ser saudada como algo bem próximo de um milagre.

E comemorada como o que foi: uma luta de Davi contra Golias, que a esquerda venceu, num momento em que precisava vencer.

Havia uma ofensiva direitista para colocarem o Executivo sob tutela do STF, com apoio ostensivo da mídia. Nós quebramos a espinha dos reaças, abortando definitivamente esse plano e desmoralizando a dupla Mendes/Peluso. Daqui para a frente, eles não serão mais a vanguarda de britzkrieg nenhuma...

E salvamos um companheiro valoroso, merecedor de todo nosso apoio. Honramos a tradição da solidariedade revolucionária.

Não foi pouco.
Obs.: acabo de constatar que meu post Problemas técnicos ou censura dissimulada?, que havia sido  escondido  pelo CMI, voltou para a página principal. Então, a partir desse reconhecimento implícito do erro cometido,  manterei minha postura de utilizar todas as mídias alternativas disponíveis para levar aos companheiros as mensagens que considero relevantes. Nossas lutas importam mais do que mágoas pessoais, mesmo justificadas.
Related Posts with Thumbnails