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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

SÓ AGORA O PEDRO BÓ DA SILVA SE TOCOU DE QUE É CABRA MARCADO PARA MORRER

"Não é possível a gente aceitar o desrespeito à democracia, à Constituição e admitir que, num país generoso como o Brasil, tenha gente de alta graduação militar tramando a morte de um presidente da República, de seu vice e do juiz que era presidente da Suprema Corte Eleitoral."

Esta frase do Lula comprovou o que os esquerdistas conscientes já estavam carecas de saber: ele ingenuamente acredita nas lorotas institucionais e ficou perplexo ao tomar conhecimento de algo que, longe de ser inédito ou inaudito, já pode ter acontecido muitas outras vezes.

São no mínimo suspeitas, p. ex., as circunstâncias da morte de Costa e Silva, o segundo ditador do ciclo militar, logo depois de ele ter convocado juristas para elaborar uma reforma política visando à extinção do AI-5 e restabelecimento pleno da Constituição de 1967.

O derrame cerebral que incapacitou Costa e Silva uma semana antes de ele assinar emenda constitucional naquele sentido pode haver resultado de fortíssimas pressões da linha dura militar no sentido de que ele recuasse do propósito de iniciar a redemocratização do Brasil. 

Circulou nos bastidores que o teriam ameaçado de tornar público o desvio de verbas da Legião da Boa Vontade por parte da primeira dama Yolanda Costa e Silva, que a presidia.

Também ficaram cercadas de suspeitas as mortes de antigos portadores da faixa presidencial, como Castello Branco, João Goulart e Juscelino Kubitschek. E os planos para seus eventuais assassinatos decerto incluiriam militares de alta patente.

Isto para não falar da estilista Zuzu Angel, do jornalista Vladimir Herzog, do seringueiro Chico Mendes, da vereadora Marielle Franco e de um sem-número de sindicalistas e líderes populares executados, principalmente na área rural.

Enfim, nosso arremedo de democracia burguesa será respeitado enquanto isto for conveniente para o poder dominante (o econômico) e apenas naquilo que convier a tal poder dominante. Lula não aprendeu isto até hoje?!

Nos estertores do capitalismo, como nas selvas, o que prevalecerá mesmo é a lei do mais forte, tanto que os EUA e a Rússia estarão agora governados por criminosos impunes (Trump e Putin) enquanto Israel vai continuar massacrando crianças e idosos em suas guerras de conquista e metade da população mundial beirará a linha da pobreza.

Quanto ao Lula, antes de celebrar os valores republicanos deveria ao menos encontrar alguma forma de governar sem ceder às chantagens descaradas do Centrão e sem deixar boa parte dos brasileiros entregue ao terror das gangs da droga. 

Quem vive não só sendo explorado, como também extorquido, se encontra muito longe de estar desfrutando as garantias democráticas. (por Celso Lungaretti)

  

domingo, 18 de julho de 2021

ÉLIO GASPARI MOSTRA QUANTOS DETALHES SOBRE A HOSPITALIZAÇÃO DO GENOCIDA FORAM OCULTOS DOS BRASILEIROS

élio gaspari
SÓ HAVIA MENTIRAS EM NOTA DA PRESIDÊNCIA
SOBRE INTERNAÇÃO DE BOLSONARO
Eram 8h57 quando a Secretaria de Comunicação da Presidência da República informou o seguinte:
"O presidente da República, Jair Bolsonaro, por orientação de sua equipe médica, deu entrada no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, nesta quarta-feira (14), para a realização de exames para investigar a causa dos soluços.

Por orientação médica, o presidente ficará sob observação, no período de 24 a 48 horas, não necessariamente no hospital. Ele está animado e passa bem".

Salvo a data e a identidade do paciente, era tudo mentira.

Em seguida, o chefe da Casa Civil, general da reserva Luiz Eduardo Ramos, informou: 
"Teve fortes dores às 4h, mas nada de grave até o momento. Então, graças a Deus, ele está muito bem. Repousando, que é o que ele precisa"
Salvo as dores da madrugada, tudo mentira.

Horas depois, Bolsonaro chegava ao hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde montou um pequeno circo.

Feiticeiros de palácio às vezes são bem-sucedidos e às vezes prejudicam a saúde dos pacientes cujo poder pretendem preservar. Assim se deu com a apendicite de Tancredo Neves em 1985 e com a gripe do marechal Costa e Silva em 1969.

É verdade que às vezes conseguem esconder os padecimentos dos chefes. Em 1959, esconderam o infarto de Juscelino Kubitschek. João Goulart teve pelo menos três ataques cardíacos entre 1961 e 1964. Jamais se falou do leve acidente vascular cerebral transitório de José Sarney.

Dois presidentes brasileiros, Costa e Silva e João Figueiredo, assumiram o cargo com médicos cantando a pedra de suas doenças circulatórias. Deu no que deu. Um foi incapacitado por um derrame, e o outro perdeu o rumo com um infarto em 1981. Lula e Dilma Rousseff deram exemplos de transparência médica.

O Bolsonaro que, segundo a Secom, passava bem e estava animado na quarta-feira, estivera internado no Hospital das Forças Armadas quatro dias antes. 

Felizmente, a realidade paralela dos feiticeiros foi retificada pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Ele revelou também que, ainda em Brasília, o pai foi para uma Unidade de Terapia Intensiva, onde intubaram-no para evitar que ele aspirasse o líquido que estava vindo do seu estômago. (Tratava-se da sonda gástrica.)

Se Bolsonaro tivesse ido a uma unidade do Samu no terceiro dia de sua crise de soluços, com muita probabilidade teria recebido a prescrição de vários exames. Paciente voluntarioso, como Tancredo, Bolsonaro não faz o que mandam os médicos. 
Às vezes, o paciente disciplinado acaba iludido pelos feiticeiros. Em 1969, passadas 27 horas do primeiro aviso de uma complicação neurológica e depois de perder a fala pela terceira vez, o presidente Costa e Silva perguntou ao capitão médico do serviço de saúde do Planalto:

—Não será derrame o que estou sentindo?

—Não senhor. Derrame não é. Vamos apurar tudo direitinho.

Era uma isquemia cerebral.

A insônia de Bolsonaro faz parte das mazelas da política nacional. Em 2019, ele contou: 
"Fiz exames para verificar as condições do sono. E descobri 89 episódios de apneia por hora [número de interrupções respiratórias no período]. Detenho o recorde brasileiro de apneia"
Não é um recorde do qual devesse se vangloriar. Getúlio Vargas tinha a sua apneia, mas cuidava-se, no limite da hipocondria.

Só os médicos podem decidir e devem falar com autoridade a respeito do estado de saúde do presidente. Se não fosse a intervenção de Flávio Bolsonaro, essa internação teria começado com feitiçarias. (por Elio Gaspari)
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